Vida, Morte e o Significado do Universo

Vida, Morte e o Significado do Universo

por Adapa

Thorkild Jacobsen, na sua grande obra “Treasures of Darkness” caracteriza a religião suméria em termos do conceito de imanência. A abstração da divindade para os sumérios mais antigos, portanto, desenvolveu-se das tentativas primitivas para conceitualizar as forças que compreendiam o mundo natural e os fenômenos dentro dele. Esta é uma visão do mundo naturalmente panteísta, sujeita a uma pluralidade limitada apenas pela extensão das divisões compreendidas na própria natureza. Estas divindades antigas tomaram formas que estavam intrinsicamente ligadas aos fenômenos que representavam; portanto, Ninurta, o ancestral deus sumério dos trovões e tempestades, era conceitualizado como um leão alado, cujos rugidos ecoavam em todos os lugares em tempos de tempestade. À medida em que a sociedade se desenvolveu, estas divindades gradualmente tomaram forma humana. Lentamente, de fenômenos da natureza, os deuses e deusas da Mesopotâmia tornaram-se a expressão dos homens e mulheres da região, ou seja ” os deuses se destacaram gradualmente dos fenômenos da natureza aos quais estavam ligados e tomaram uma certa distância destes mesmos fenômenos ” (20).

Com estas personalidades ampliadas, surgiram papéis mais abrangentes, à medida em que o embrião e núcleo de fenômenos divinos crescia para cobrir uma ampla variedade de abstrações relacionadas. Portanto, à medida em que foi progredindo o conceito da divindade Ninurta, por exemplo, ele passou a ser visto como possuidor de forma humana; e seu papel cresceu de um deus primitivo do trovão para se transformar no deus das tempestades da primavera, tempestades estas que devolviam a fertilidade à terra. Enquanto que a visão da sociedade do divino e suas funções no cosmos estavam-se expandindo, entretanto, permaneceria um aspecto central da religião suméria os laços estreitos entre estes deuses e os fenômenos externos por eles representados. O papel central da humanidade neste esquema cósmico era o serviço aos deuses (21).

” A liturgia teocêntrica, como poderíamos chamar, estava inteiramente identificada com o suporte/apoio aos deuses, ou seja, com o “a prover does deuses”. Isto que dizer que o sustento destas personalidades divinas em tudo o que necessitassem para levar uma vida agradável e opulenta era encarado como uma obrigação moral, espiritual e física, pois os deuses e deusas tinham dado ao homens e mulheres o universo, e a humanidade, por conseqüência, cuidaria do conforto divino daqueles que tinham a eternidade para a administração dos desígnios do universo, uma vida melhor e mais abençoada do que a dos reis na terra ” (22).

Este serviço, em geral, tomava duas formas: provisão e adoração. A humanidade deveria prover pelas necessidades diárias dos deuses: alimentos, água, cerveja. A humanidade também deveria adorar aos deuses. Esta adoração em geral tomava a forma do oferecimento de sacrifícios, em geral sob a forma de animais sacrificados, e oferendas tais como incenso, preces, hinos e rituais cíclicos prescritos. No centro destas duas práticas de serviço, estava a estátua de culto:

” Fundamentalmente, os mesopotâmicos consideravam que a divindade estava presente na sua imagem, caso esta imagem tivesse determinados aspectos e parafernalia, e fosse cuidada de uma certa maneira, estabelecida e abençoada pela tradição do santuário. O deus movimentava-se com a imagem quando esta última era carregada, expressando assim sua zanga contra a sua cidade ou um país inteiro. Apenas a nível mitológico acreditava-se que as divindades residiam em localidades cósmicas ” (23)

A criação destes receptáculos divinos, como podemos chamar as estátuas de culto, era um trabalho de amor e dedicação. Muito cuidado era prestado à metamorfose ritual que transformaria uma estátua sem vida na manifestação do deus(a) que representava. ” Durante estas cerimônias noturnas, as estátuas eram imbuidas de vida, seus olhos e bocas eram “abertos” de modo que as imagens poderiam ver e comer, além de serem submetidas ao ritual de “lavagem da boca”, um ritual que concedia santificação especial ” (24). Esta última cerimônia, consagrada a Enki, referia-se à imersão sagrada no sangue de um deus sacrificado que, segundo se dizia, iria purificar o divino: “ No primeiro, no sétimo e no décimo-quinto dia do mês, eu farei a purificação por lavagem. Então, um Deus deverá ser sacrificado, e os deuses poderão ser purificados por imersão ” (25).

 Central à manutenção da figura divina eram suas refeições diárias. Esta geralmente consistia de uma refeição matutina, trazida quando o templo era aberto para suas ativdades diárias, e uma refeição vespertina, trazida antes do fechamento das portas do santuário. Estas refições pareciam ser servidas de uma forma precisa, conforme o costume das refeições servidas nos palácios reais:

” Primeiramente, uma mesa era trazida e colocada diante da imagem, seguida da água para abluções num receptáculo especial. Pratos líquidos e semi-liquefeitos em pratos adequados eram colocados à mesa numa posição pré-determinada, bem como eram colocadas as bebidas e taças. A seguir, cortes especiais de carne eram servidos como prato principal. Finalmente, eram trazidas no que alguns textos descrevem como lindos arranjos, portanto adicionando um elemento estético comparável ao costume egípcio de usar flores nestas ocasiões. Músicos tocavam e o local era purificado com incenso ” (26). “Eventualmente, a mesa era retirada e removida, sendo que água novamente era ofericida à imagem para lavar seus dedos” (27).

 O alimento era ritualmente compartilhado pela divindade, e pensava-se que tais alimentos e bebidas tivessem sido abençoados pelo contato divino. Como pensava-se que os alimentos eram capazes de transferir estas bênçãos àquele que o comesse, os alimentos eram levados ao rei. Da mesma forma, a água do recipiente que era usada para limpar os dedos das estátuas era espargida por sobre o rei e os sacerdotes para conferir bênçãos.

 Que os homens e mulheres eram mortais, os antigos sumérios o sabiam. Eles tentam explicar este estado nos mitos de Atrahasis e Adapa. Entretanto, que a alma destes mesmos homens e mulheres era imortal, deste fato eles também tinham completa e perfeita certeza (28). A vida levada pelos espíritos dos mortos, entretanto, não era das mais invejáveis. A viagem para esta nova vida começava após os ritos funerários, quando a sombra começava a sua jornada para o Mundo Subterrâneo, através de uma abertura no túmulo, que permitia o acesso às Grandes Profundezas (29). Se os rituais funerários adequados não tivessem sido oferecidos, ou num caso mais extremo, se o corpo não tivesse sido enterrado, o espírito desencarnado permaneceria na terra, vagando a esmo, forçado a comer apenas restos da sarjeta e água suja (30). Os mais privilegiados que podiam ser enterrados de forma adequada, não tinham, porém, um destino muito melhor em termos de alimentos, conforme atestam inúmeros mitos, como o Épico de Gilgamesh, onde está dito que ” fantasmas, tal qual pássaros, batem suas asas lá, sendo que o pó se acumula sem ser perturbado junto aos portais” (31). Portanto, era muito importante oferecer alimentos e água como oferendas funerárias, e uma obrigação de monta para os amigos e famílias daquele que morrera. Inúmeros cemitérios descobertos na Mesopotâmia incluem plataformas rituais e recipentes nos quais eram apresentadas as oferendas de alimentos e água, que eram feitas, aparentemente, em certas épocas do ano. Enquanto que tais oferendas poderiam fazer a vida no Mundo Subterrâneo mais suportável, ao fim e ao cabo a existência nas Grandes Profundezas era árida e monótona, e certamente a ser evitada (32). “Os sumérios tinham uma vaga idéia a respeito de qualquer outra vida que não fosse esta. Para eles, não havia nem inferno, nem paraíso; o espírito humano vivia após a morte, mas na melhor das hipóteses num mundo fantasmagórico e miserável” (33). Tal concepção da vida após-morte pareceria fazer a possibilidade da reincarnação um princípio da Religião Suméria, and na realidade há poucas ou quase nenhuma referência explícita sobre esta crença nos textos existentes. Isto seria irônico, entretanto, dado o que conhecemos de religião.

 Na realidade, a crença na ressurreição é algo tão adequado à visão do mundo dos mesopotâmicos que devemos considerar seriamente que eles não foram mais explícitos a respeito, por que este era um fato tão real, que certamente valeria a pena explicar, especialmente para os ouvidos de místicos e estudiosos destes nossos tempos! Para os mesopotâmicos mais do que qualquer outro povo da antigüidade, esta crença permeava o cotidiano. Eles viam o nascer e o pôr-do-sol a cada dia, e este era um mistério cuja explicação podia ser encontrada em seus mitos e religião. Eles viam a passagem do sol do verão até o solstício de inverno, num ciclo eterno, ano após ano; eles acompanhavam o ciclo da lua, e seguiam Vênus/Ishtar pelo firmamento, sabendo que Ela desaparecia como a Estrela Vespertina, para retornar antes da primeira luz da aurora de cada dia. Seria realmente estranho que os mesopotâmicos, que tinham uma concepção vibrante da vida, do retorno à vida dos deuses acima deles, e dos animais e das plantas do Mundo Físico, não tivessem jamais se perguntado ” será que os homens não retornam do Mundo Subterrâneo? ” (34).

A resposta pode simplesmente ser que eles acreditavam realmente na reincarnação pessoal, apesar da falta de referências explícitas a respeito desta crença. Deveras, num mito obscuro temos que: “Após o Guardião e o Porteiro terem cumprimentado um mortal, os Anunaki, os grandes Deuses, se reúnem; Mami, aquela que fixa o destino, decide os destinos com eles. Eles determinam a morte e a vida, mas os dias da morte, eles não fixam ” (35). Aqui, os deuses determinam não a vida e a morte, mas morte e vida, ou seja, os deuses determinam se o homem deve retornar à vida após ter passado seus dias na mansão dos mortos, apesar de não poderem estes mesmos deuses não determinarem quantos são estes dias (36). Na realidade, falar dos “dias da morte” implica que estes dias podem ter bem o seu fim. Além do mais, sabemos através de muitos mitos da existência das Águas da Vida no Mundo Subterrâneo. No Épico de Gilgamesh, por exemplo, sabemos como Gilgamesh é levado a uma fonte de água, sendo-lhe permitido que se lavasse, para que recuperasse a vida que havia perdido ao longo de sua jornada de crescimento interior:

 “Ur-Shanabi levou Gilgamesh até o local de purificação e lhe estendeu um vaso com água, para que o rei de Uruk pudesse lavar seus cabelos sujos, de forma a ficarem o mais limpos possível. Ele jogou fora as roupas de pele que lhe cingiam o corpo, e o mar as carregou. Gilgamesh lavou seu corpo, até senti-lo limpo e refrescado. Ele colocou um novo diadema sobre seus cabelos. Ele vestiu um robe como sinal de orgulho até chegar a Uruk. Suas vestimentas ao longo da jornada de volta, não perderam a cor e permaneceram completamente novas “ {37}

 Mas por que estariam as águas da vida localizadas no Mundo Subterrâneo, a não ser se tais águas tivessem uma relação direta com os habitantes das Grandes Profundezas, os mortos? Bem, uma vez que aceitamos este fato, a que outra conclusão podemos chegar, a não ser que a reincarnação dos mortos era um princípio real na teologia da Mesopotâmia? Tal explicação empresta maior significado ao Mito de Adapa. Neste mito, Enki cria o seu sacerdote-chefe, chamado Adapa:

” Ele (Enki) fez com que o conhecimento amplo fosse perfeito nele, para descobrir os desígnios da terra. Para Adapa, Enki deu sabedoria, mas não lhe concedeu a vida enterna ” (38).

É Adapa o sacerdote que cuida dos ritos no templo de Enki, quem faz o pão diário e quem vai à pesca para alimentar os sacerdotes do templo. Um dia, numa destas jornadas de pesca no mar, o barco de Enki é virado de cabeça para baixo pelo Vento Sul. Em sua fúria, Adapa quebra as asas do Vento Sul, demonstrando, portanto, ter substanciais poderes mágicos. Anu, ao descobrir tal fato, convoca Adapa para enfrentar julgamento nas Esferas Superiores. Enki ensina a Adapa como evitar a ira de Anu, através da intercessão de Dumuzi e Ningiszida, mas instrui também seu sacerdote-chefe para que não coma alimento algum que lhe seja oferecido, pois tal alimento significa o pão da morte, e que também não beba da água que lhe for oferecida, pois esta é a água da morte. Assim instruído, Adapa segue à risca as instruções de seu deus e protetor:

” Eles trouxeram-lhe pão da vida, mas Adapa recusou todo tipo de alimento. Eles trouxeram-lhe as águas da vida, mas Adapa recusou-se a beber. Eles trouxeram até Adapa novas vestimentas, que o sacerdote de imediato vestiu. Eles lhe trouxeram óleo, e Adapa ungiu-se [com prazer e reverência]. Anu, que a tudo assistia, voltou-se para Adapa: ‘Ora, Adapa, por que não quiseste comer? Por que não quiseste beber? Não queres te transformar num imortal?” (39). Adapa explica a Anu que seu deus e protetor, Enki, instruiu-o a não provar dos alimentos ou bebidas das Esferas Superiores. Ele diz então a Anu: “Oh, grande Anu, eu vos saúdo! O privilégio de tornar-me divino, devo recusar, mas jamais esquecerei a honra que vós tivestes por bem conceder a mim. Sempre no meu coração recordarei vossas palavras, e minha memória irá reter para sempre a vossa grande bondade para comigo. Grande Senhor, não me culpais por demais, mas devo partir, pois meu deus aguarda o meu retorno” (40).

 Estudiosos em geral dizem que Enki recusou-se a dar a imortalidade a Adapa por ter pregado uma peça no seu sacerdote mortal. Afinal, Enki também é conhecido pela astúcia e pelo ardil. Esta “peça” é, portanto, vista como um tipo de explicação superficial para a mortalidade humana. Mas creio ser esta uma explicação difícil de se aceitar. Adapa é o sacerdote em quem Enki mais confia, o seu filho mas sábio. Pregar uma peça desta magnitude simplesmente não faz sentido. Foi Enki, afinal, quem salvou a humanidade da destruição no mito de Atrahasis (o Noé sumério), ao instruí-lo para construir a arca e assim salvar a si e aos seus do dilúvio decretado por Enlil. Mesmo no mito de Enki e Ninmah, quando ele cria um ser que Ninmah não pode controlar ou curar, depois de fazê-la concordar em entrar em competição com ele, Enki usa a oportunidade para ensinar uma lição, ou seja, são necessários os esforços conjuntos de Enki e de Ninmah para criar um ser “completo”. Mais ainda, neste mesmo mito, Enki se esforça e muito para corrigir os erros da peça que ele mesmo pregou. Aceitar que Enki não apenas iria pregar uma peça em Adapa, mas também mentir para ele, dizendo que a Adapa seria oferecido o pão e as águas da morte, ao invés do pão e das águas da vida eterna, é implausível. Devemos, portanto, tomar as palavras de Enki ao pé da letra e supor que comer o pão da vida imortal é comer o pão da morte, e que tomar pois das águas da vida é beber das águas da morte. Na verdade, Anu oferece o pão e as águas da vida para Adapa apenas depois de descobrir que os dons da Sabedoria tinham sido concedidos a ele (e em contrapartida, à humanidade também) por Enki. São estas as palavras de Anu ao saber deste fato: ” Por que Ea ensinou à triste humanidade os segredos do céu e da terra, por que dar-lhes um coração atribulado? Foi Enki quem lhes deu este dom!” (41). Enki, além de ser o deus dos ardis, é o patrono da esperteza, e um deus que fez muitos esforços para servir e proteger a humanidade. É difícil de imaginar que tanto esforço tivesse sido feito em prol da humanidade apenas para dar aos homens e mulheres uma sentença de tédio eterno. Não, inerente ao mito de Adapa está a crença de que há algo que aguarda a humanidade, para o que a morte é um passo necessário, e que ao negar a imortalidade aos homens, o suposto estado semelhante ao das divindades, preservou-se também o destino da humanidade. A Morte, então, é realmente um começo aos olhos dos sumérios; um começo que os deuses preservaram para nós.

Notas
{1} Gwendolyn Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, p. 13-14
{2} Id pg. 16
{3}o termo Anu aqui não deve ser confundido com o deus Anu. Aqui, este termo se refere genericamente ao
céu ou firmamento
{4} A. Heidel, A Babylonian Genesis, p. 51
{5} S.N. Kramer, From the Poetry of Sumer : Creation, Glorification Adoration, p. 23
{6} S. N. Kramer, Sumerian Mythology, p. 39
{7} Ibid
{8} Id pg. 40
{9} M. Baigent, From The Omens of Babylon: Astrology and Ancient Mesopotamia, p. 41
{10}J. Van Dijk, "The Birth of Wood and Reed", Acta Orientaliia 28 I, p.45
{11} L.W. King, Babylonian Religion and Mythology, p.28
{12}Id pg. 31
{13}Chaldean Magic and Sorcery, p. 153
{14} Ibid.
{15}Jean Bottéro, Mesopotamia: Witing, Reasoning, and The Gods, p. 222
{16}T. Jacobsen, The Harps That Once…Sumerian poetry in Translation, p. 155-156
{17} Id at p.156-157
{18} para uma explicação a respeito do primeiro, sétimo e décimo-quinto dias do mês, leia a seção entitulada ¨Os sinais do céu e da terra¨.
{19} Stephanie Dalley, Myths From Mesopotamia, p.15, note-se, entretanto, que alterei as últimas três linhas, substituindo a tradução de Moran de 1970, pois creio que tal ato protege a integridade do sentido desta parte
da passagem de forma mais efetiva e correta.
{20} Jean Bottéro, Mesopotamia : Writing, Reasoning, and The Gods, p. 217
{21}veja seção precedente
{22} Bottero, Supra nota 12, pg. 225
{23} Leo Oppenheim, Mesopotamia: Portrait of a Dead Civilization, p. 184
{24} Id at 186
{25} Supra note 16; veja também seções precedentes.
{26} isto não era um ato religioso, mas algo feito para controlar os odores dos alimentos.
{27} Oppenhiem, Supra nota 19, pg. 188
{28} see previous section
{29} Bottero, Supra nota 12, pg 230.
{30} A. Jeremias, The Babylonian Conception of Heaven and Hell, p. 14-15
{31} Leonard Wooley, The Sumerians, p. 120
{32} Bottero, Supra nota 12, pg. 277
{33} Ibid.
{34} J. Morgenstern, The Use of Water in The Asipu Ritual, Volume I of The Doctrine of Sin in The Babylonian
Religion, p.32
{35} E. Schrader, Keilinschriftliche Bibliothek, Vol. VI, I, 228
{36} Ibid
{37} Stephanie Dalley, Myths From Mesopotamia, p. 118
{38} Id pg. 184
{39} Id pg. 187
{40} Lewis Spence, Myths and Legends of Babylonia and Assyria, p. 120
{41} Dalley, Supra note 37
{42} M. Baigent, Supra note 9. p. 50
{43} Dalley, Supra note

AUTOR: ADAPA (TWIN RIVERS RISING, 1995-1997)

 



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