Saldanha Marinho

Joaquim Saldanha Marinho

Joaquim Saldanha Marinho nasceu em Olinda, Pernambuco, em 1816. Filho do Capitão de Artilharia Pantaleão Ferreira dos Santos e Ágata Joaquim Saldanha, foi  jornalista, sociólogo e político brasileiro. Bacharelou-se na Faculdade de Direito de Recife em 1836. Casou-se em 1837, no Rio de Janeiro, com Paulina de Carvalho, de cuja união nasceram três filhos, dentre os quais, Joaquim Saldanha Marinho Jr., professor de matemática.

Advogado, foi presidente das Províncias de Minas Gerais e de São Paulo, e deputado pela de Pernambuco. Na sua gestão como presidente da Província de São Paulo, acalmou as lutas políticas entre Liberais e Conservadores. Tal fato foi decisivo para a fundação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, já que envolvia o interesse dos fazendeiros necessitados de transportes para suas mercadorias.

Assumiu cargos públicos como o de promotor, advogado do conselho de Estado e juiz dos Feitos da Fazenda em Fortaleza.

Na política, teve mandatos de Deputado Geral nos períodos de 1848, 1861 a 1863, 1864 a 1866, 1867 a 1868, 1878 a 1871. Foi senador de 1890 a 1895.

Exerceu cargo supremo da maçonaria brasileira, trabalhando pela causa da instrução pública, pela abolição da escravatura e pela República. Foi quem assinou, em primeiro lugar, o célebre manifesto republicano de 1870. Com a proclamação da repúbica, foi um dos autores do anteprojeto da Constituição de 1891. Teve destacada atuação na Questão Religiosa na década de 1870 quando publicou vários artigos em jornais.

Foi homenageado ao figurar a extinta cédula de 200 mil réis.

Seu esforço foi fundamental para que a rede ferroviária de Jundiaí fosse estendida até Campinas. Quando a estrada de ferro foi inaugurada, em 1872, Saldanha Marinho esteve em Campinas acompanhado de uma filha, onde foi homenageado pela dedicação para que a obra fosse realizada.

Saldanha Marinho morreu no dia 27 de Maio de 1895, aos 79 anos, no Rio de Janeiro, e seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista.

A rua Saldanha Marinho foi a primeira a receber o plantio de árvores estrangeiras em Campinas, os plátanos. Antes, ela tinha o nome de rua do Matadouro, por causa da existência de um abatedouro na esquina com a avenida Dr. Campos Salles que funcionou até 1884. A via recebeu o nome de Saldanha Marinha em 1871. A homenagem à personalidade pernambucana foi proposta pelos vereadores.
Matriculou-se na Faculdade de Direito em 1832, formando-se a 15 de novembro de 1835.
Em 1837, nomeado promotor de Icó, embarcou para o Ceará, que considerava sua segunda patria, e onde residiu durante anos. Foi professor de Matematica no Liceu, curador de orfãos, secretário do governo, inspetor de tesouraria, deputado provincial em tres legislaturas, deputado geral na camara dissolvida em 1848.
A revolução que então rebentou em Pernambuco e prometia estender-se a outras províncias do norte mostrou-lhe a conveniência de fixar-se no sul. Foi para Valença, no Estado do Rio, onde ficou até 1860, deixando as maiores simpatias na população, vinvulando seu nome a melhoramentos da cidade. Diversas vezes foi eleito deputado à assembléia provincial do Rio de Janeiro.
Em março de 1.860 mudou-se para a Capital, onde assumiu a redação do Diário do Rio de Janeiro. É este o período mais brilhante de sua vida, sempre cercado de homens como Machado de Assis, Quintino Bocayuva e Muzio. A sua popularidade atingiu proporções extraordinárias, ganhando com Theóphilo Ottoni, Martinho Campos e Francisco Octaviano eleições disputadíssimas contra o governo.
De 1865 a 1867, governou Minas Gerais, prestando muitos serviços e agenciando voluntários para a guerra do Paraguai. Em 1867, governou São Paulo, onde deixou o maior entusiasmo, e abriu nova era que levou aquele estado à culminância que hoje atingiu.
Quando em 1870 organizou-se o partido republicano, foi o chefe reconhecido por todo o Brasil.
Em 1873, ao rebentar a questão religiosa foi a verdadeira alma deste movimento. Andam reunidos em quatro volumes os artigos vibrantes e apaixonados que então escreveu nos jornais sob o pseudonimo de Ganganelli.
Em 1878 foi eleito deputado geral pelo Amazonas.
Com a proclamação da República foi nomeado para a comissão encarregada de redigir o projeto da Constituição. Eleito para a constituinte pela Capital Federal ( na época Rio de Janeiro ), tomou depois assento no Senado. Nas ultimas eleições foi reeleito senador por 9 anos.
( Da Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro )

Em 1863, quarenta e cinco maçons do Grande Oriente do Brasil, entre os quais Saldanha Marinho, separam-se e foram constituir um outro corpo que funcionou sob a denominação Grande Oriente do Brasil ao Valle dos Benedictinos.

 Saldanha Marinho, desde 1863, havia recebido a honrosa incumbência de exercer o cargo de Grão Mestre, e tal impulso deu ao corpo que dirigia, que a Maçonaria começou a sentir-se de novo respeitada e com forças para agir em auxílio do seu inteligente e dedicado chefe.

Para isso o seu principal empenho foi fazer a unificação da familia maçônica brasileira e esse facto realisado em 20 de maio de 1872 tornou-se uma burla pela luta intima devida à elição para o cargo de Grão Mestre.

O Grande Oriente Unido do Brasil, o novo corpo resultante da fusão dos dous Grandes Orientes, voltou a trabalhar no Valle dos Benedictinos, continuando, entretanto, o antigo Grande Oriente ao Valle do Lavradio, embora um tanto enfraquecido pela adesão de diversas oficinas ao novo corpo.
Começou nesta época a denominada questão religiosa e Saldanha Marinho, sob o pseudonimo Ganganelli, bateu-se valorosamente na imprensa, em nome da Maçonaria, pelas grandes reformas sociais por que anhelava esta grande e generosa Nação.

É certamente o periodo mais glorioso de sua longa vida publica e maçônica.

Foi neste periodo que vimos levantarem-se numerosissimas oficinas, em que se congregavam aqueles que em torno do chefe, faziam resistência ao clericalismo insolente e ao fanatismo pernicioso.

Em 1882, ainda veio Saldanha Marinho demonstrar o seu grande amor à Maçonaria, empregando todos os meios para a sua unificação, efetuando-se a fusão dos dois Grande Orientes, o que decretado e aceito pelos dois corpos em 21 de dezembro de 1882, foi realizado em Janeiro seguinte ( 18/01/1883 ).

Só então foi-lhe dado resignar o malhete do Grao-mestrado. Só então foi-lhe concedido o repouso da longa luta que dirigiu.

A Maçonaria tudo devendo aquele que a dirigiu durante dezenove anos, confessa-se reconhecida e grata e disso dá as mais sinceras provas quando o eminente cidadão baixa a tumba, chorando e pranteado por sua familia e pela Nação inteira.

O Estandarte da Ordem envolve-se em crepe e nós choramos o chefe e amigo.
Vale!
H.V.
( Boletim do Grande Oriente do Brasil-Maio de 1895)

Faleceu dia 27 de maio de 1895, as 23 horas, no Rio de Janeiro, sepuldado no cemitério São João Batista.

Cargos Públicos: Promotor Público no Crato-CE
Secretário de Governo Administrou A Província de Minas Gerais
Advogado do Conselho de Estado
Juiz dos Feitos da Fazenda em Fortaleza
Advogado do Conselho de Estado
Profissões: Servidor Público. Professor, Sociólogo, Advogado e Jornalista.
Mandatos: Deputado Geral – 1848 a 1848, 1861 a 1863, 1864 a 1866, 1867 a 1868 e de 1878 a 1881.
Senador – 1890 a 1893 e de 1894 a 1895
Trabalhos Publicados

– O Rei e o Partido Liberal. Rio de Janeiro, 1869, 2 V., 61 E 64 P. In. Quarto destes dois excertos foram reimpressos em um só volume com o título: ’A Monarquia e a Política do Rei’. Rio de Janeiro, 1885. 153 P. In Quarto nesta edição se acham mais dois Artigos: ’O Elemento Servil’ e o ’Partido Liberal em 1885’.

– ’A Igreja e o Estado’, sob o pseudônimo de Ganganelli. 4 V. Segunda Edição, Rio de Janeiro, Typ. Imp. De J. C. De Villeneuve, 1874, 1875, e 1876 (IHGB). Estes escritos publicados, primeiro no ’Jornal do Commercio’ com o pseudônimo de Ganganelli, eram procurados com avidez admirável durante a questão religiosa.

– Da mesma época e com o mesmo pseudônimo:
– ’Os Actos do Papado’, Ganganelli. RJ, 1874.
– ’Decadência do Papado’, Ganganelli. RJ, 1874.
– ’Propaganda Episcopal’, Ganganelli. RJ, 1874.
– ’O Assalto de Macapá e o Ultramontanismo’, Ganganelli RJ, 1874, em duas partes.
– ’O Governos e os Bispos’, Ganganelli. RJ, 1874.
– ’O Confessionário’, Ganganelli. RJ, 1874.
– ’O Arcebispo da Bahia’, Ganganelli. RJ, 1874. O capítulo vigésimo sétimo da segunda série do livro a Igreja e o Estado, a propósito da manifestação de outubro.

– Missão Penedo, estado da questão religiosa. RJ, 1874. 6 partes formando um volume.
– Julgamento do Bispo de Pernambuco. Ganganelli. RJ, 1874. 6 partes em um volume.
– A Execução da Sentença do Bispo de Olinda. Ganganelli. RJ, 1874, 4 partes em um volume.
– A Declaração do Senador Conselheiro Zacarias de Vasconcellos. Ganganelli. RJ, 1874.
– Manifesto que ao povo maçônico do Brasil, e todos os Maçons em geral dirigiu o grande oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos, proferiu no dia 24 de fevereiro de 1864, por ocasião de presidir pela primeira vez aos trabalhos. Rio de Janeiro, 1865. 56 P.

– Discurso proferido na sessão de posse da primeira admissão A: E R: Off: Fernão Valle de Valença, em 14 de agosto de 1865. RJ, 1865. 24 P. Discursos proferidos por ocasião das posses dos Ddg: Off: Das Of: Segundo a ascensão ao Vale dos Beneditinos e Instituição das Sociedades Libertadoras (pelas Senhoras) e Protetora dos Libertos, aos 26 de março e 2 de abril de 1870. RJ, 1870.

http://blog.msmacom.com.br/macons-famosos-brasil/ [veja mais]

Fonte; museumaconicoparanaense.com.br

– Discurso proferido na abertura dos trabalhos da Assembléia Geral do Povo Maçônico Brasileiro, em 27 de Abril de 1972. RJ, 1872.
– Discurso proferido por ocasião da posse das Administrações das Lojas: Confraternidade Beneficente e Ceres, em 20 de maio de 1876, na cidade de Cantagalo. Rio de Janeiro, 1876. 12 P.

– A questão da alfândega e o Dr. Joaquim de Saldanha Marinho. Rio de Janeiro, 1862. 46 P. A mesa da diretoria do Partido Liberal de Pernambuco e o Conselheiro Joaquim de Saldanha Marinho. RJ, 1870. 16 P.
– A questão religiosa no Brasil, discurso na Câmara dos Deputados, em 16/07/1880. Rio de Janeiro. 96 P.

Tradicionalmente, a Maçonaria surgiu com as civilizações, e esteve presente na formação de quase todas elas, para instruir os homens nos princípios da construção social, construindo mentes sábias e personalidades…


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  1. Saldanha Marino e as divergências em maio de 1.863.

    Em maio de 1.863, culminam as divergências e surge o “Grande Oriente do Brasil, ao vale do Lavradio”, assim chamado por estar instalado no Palácio Maçônico, situado na rua do Lavradio, e o “Grande Oriente do Brasil, ao vale dos Benedictinos”, instalado da rua dos Benedictinos, tendo como Grão Mestre Joaquim Saldanha Marinho (usava o psedônimo de Ganganelli ).

    No dia 13/10/1.871, assume como Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, no Palácio do Lavradio, Barão do Rio Branco ( José Maria da Silva Paranhos ).

    Em abril de 1.872, o clero no Rio de Janeiro, ataca veementemente alguns maçons com posição de destaque na Corte Imperial. A resposta foi imediata, e diante de tal situação, os pertencentes ao “grêmio” do Lavradio, liderados por Barão do Rio Branco, (clerical) e um dos atacados; e os pertencentes ao “gremio” dos Benedictinos, liderados por Saldanha Marinho (anti-clerical). Concordaram e fundiram-se num só corpo, no dia 20/05/1.872, com respectivos Supremos Conselho, desaparecendo ambos para a formação do Grande Oriente Unido do Brasil.

    Na primeira eleição para as dignidades, os partidários de cada Grande Oriente desaparecido com a fusão sustentaram o nome de seu antigo Grão Mestre. Venceram os dos Benedictinos.

    Visconde do Rio Branco perdendo a primeira eleição, por um voto, e a segunda por 32 votos, declara irrita e nula a fusão com o Grande Oriente do Brasil ao Vale dos Benedictinos, tornando público em 14/09/1.872, passando a existir duas potências novamente. O Grande Oriente do Brasil, do Visc. Rio Branco, governista e clerical. O Grande Oriente Unido do Brasil, de Saldanha Marinho, liberal e anti-clerical.

    Faltava ao grande estadista competência para anular uma fusão que já produzira seus efeitos. Assim o julgaram os corpos estrangeiros, consultados sobre o assunto. Com a fusão, haviam desaparecido o Grande Oriente do Brasil e o Grande Oriente dos Benedictinos para com os elementos destes, surgir o Grande Oriente Unido do Brasil.

    Fechado o Grande Oriente do Brasil, ao Vale do Lavradio para se proceder a concertos urgentes.

    Saldanha Marinho permaneceu no templo dos Benedictinos conservando como corpo legitimo o Grande Oriente Unido do Brasil. O Grande Oriente do Lavradio passou a ser considerado dissidência, até que o enfraquecimento de ambos e a consequente falta de idoneidade chamou à razão os dois corpos.

    Em 18 de dezembro de 1.882 as duas potencias aprovam um acordo assinando-o dia 18/01/1883, passando a chamar-se unicamente, Grande Oriente do Brasil.

    ( “Livro do Centenário” – Edição 1922, pág. 214 )
    fonte: Museu maçonico Paranaense.

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