Sacerdotes Hebreus: A crise teológica na religião judaica

Sacerdotes Hebreus: A crise teológica na religião judaica

02 – A crise teológica na religião judaica

Após a conquista babilônica de Judá, e a já citada destruição de Jerusalém, uma crise teológica instaurou-se entre os judeus. Tratava-se da promessa do reinado eterno de Davi sobre Jerusalém e a escolha de Javé como sua morada eterna (BRIGHT, 2010, p. 416). Outro fator que solidificou a crise teológica judaica foi o assassinato do sacerdote chefe e o segundo sacerdote, além dos oficiais do Templo de Jerusalém. Este ocorrido está registrado em 2 Rs. 25:18-21 e repetido em Jr. 52:24-27 (VAUX,2004, p. 425).

“18 O capitão da guarda tomou também Seraías, primeiro sacerdote, Sofonias, segundo sacerdote, e os três guardas da entrada. 19 Da cidade tomou um oficial, que tinha cargo da gente de guerra, e cinco homens dos que viam a face do rei e que se achavam na cidade, como também o escrivão-mor do exército, que registrava o povo da terra, e sessenta homens do povo da terra, que se achavam na cidade. 20 Tomando-os Nebuzaradão, capitão da guarda, levou-os ao rei de Babilônia, a Ribla. 21 Então o rei de Babilônia os feriu e matou em Ribla, na terra de Hamate. Assim Judá foi levado cativo para fora da sua terra.”

 A tentação de deixar a antiga religião foi muito grande, pois em Israel sempre pregou-se o monoteísmo javista, em contrapartida a não existência de outros deuses foi veementemente declarada. Porém, em virtude da derrocada de Judá, a supremacia de Javé em detrimento de outros deuses foi questionada. O sentimento em geral era a dúvida se realmente Javé era tão poderoso quanto os profetas pregavam.

A ameaça de apostasia era grande (BRIGHT, 2010, p. 417). Os profetas Jeremias e Ezequiel explicaram a tragédia da deportação para a Babilônia como o justo julgamento de Javé ante o pecado da nação de Israel, e esta situação não deveria ser encarada como uma contradição teológica, mas, como afirma Bright “uma justificação da religião histórica de Israel” (BRIGHT, 2010, p.418). Após o retorno do exílio, o templo passou a ser financiado pelo povo e desta forma passou a pertencer a este.

Neste contexto o sumo sacerdote substituíra o chefe dos sacerdotes. O clima apóstata e a economia estavam tão agravados que as obras do templo foram paralisadas e precisou-se da intervenção dos profetas Ageu e Zacarias. Alguns grupos religiosos desejavam participar da reconstrução do Templo, entretanto, o javismo judaico estava agora sob a influência de elementos babilônico-persas, e, além disso, não havia sinal do tempo de salvação e restauração que foram preditos. (FOHRER, 2008, p. 430-1).

Após algumas tentativas fracassadas de impedir a reconstrução do Templo de Jerusalém, sua reedificação foi concluída com grande celebração em 515 a.C. Contudo, este templo não tinha as mesmas dimensões do antigo nem a mesma imponência, mas surtiu efeito positivo na nova comunidade judaica de acordo com Eclo 49:12 (FOHRER, 2008, p. 432). Esta nova comunidade já não estava mais centrada no culto estatal, mas estava fundamentada na adesão a uma tradição e a uma lei. Por isso houve grande ênfase à lei neste período, especialmente em relação às leis sabáticas e à circuncisão. (BRIGHT, 2010, p. 418).

Apostasia significa o abandono e a negação da fé. Ou seja, a negação daquilo que se crê, ou melhor, que se cria. De uma forma bem simples, é a negação do ensino da Bíblia e o afastamento das pessoas da vontade de Deus.

Destaco na Bíblia um exemplo de dois homens que apostataram da sua fé, ou seja, que a abandonaram e a negaram. Vejamos:

“Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns.” (2Tm 2. 17)



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