Ruy Barbosa

Ruy Barbosa

Ruy Barbosa
Ruy Barbosa de Oliveira era filho do médico João José Barbosa de Oliveira (1818-1874) e de d. Maria Adélia Barbosa de Almeida (falecida em 1867). Maria Adélia era prima sobrinha de João José e, graças a isso, Ruy Barbosa era primo neto de seu próprio pai.
João José Barbosa de Oliveira era filho de Rodrigo António Barbosa de Oliveira, nascido em Salvador em 1768, e de Maria Soares Simas. Era neto paterno do sargento-mor de ordenanças António Barbosa de Oliveira, natural do Porto (Portugal) e de Ana Maria de Sousa e Castro

Ruy Barbosa de Oliveira, nascido em Salvador (BA), a 5 de novembro de 1849, e falecido em Petrópolis (RJ), a 1º de março de 1923, foi advogado militante, jornalista e político, sendo cognominado, por João Mangabeira, “o estadista da República”.

Foi para a escola com apenas 5 anos de idade e, em quinze dias, já sabia ler e conjugar verbos; além disso, o pai obrigava-o a ler os clássicos portugueses e, com dez anos de idade, ele recitava Camões e Vieira. Em 1861, ingressou no Ginásio Bahiano, concluindo o curso de Humanidades, em 1864; matriculou-se, em 1866, na Faculdade de Direito do Recife, já como abolicionista convicto, fazendo parte de uma sociedade abolicionista fundada por Castro Alves, Augusto Guimarães, Plínio de Lima e outros. Iria, depois, para São Paulo, em cuja Faculdade de Direito concluiria o curso, em 1870, e onde seria iniciado maçom.

Regressando à Bahia, foi trabalhar com Manuel Pinto de Sousa Dantas, no jornal O Diário da Bahia, órgão do Partido Liberal, no qual ele ingressou, começando sua carreira política e participando de comícios nos teatros e praças. Em setembro de 1873, foi para a Europa, de onde regressou seis meses depois, tornando-se diretor do Diário, cargo que nada lhe rendia, financeiramente, porque a imprensa oposicionista não conseguia anúncios. Ele teve, porém, o auxílio do conselheiro Sousa Dantas, que obteve a sua nomeação para o cargo de secretário da Santa Casa de Misericórdia. Transferiu-se, posteriormente, para o Rio de Janeiro, na esperança de ganhar dinheiro, para se casar com Maria Augusta Vianna Bandeira. Foi no Rio que ele traduziu o livro “O Papa e o Concílio”, que atacava o dogma da infalibilidade papal, decretado pelo Concílio Vaticano I ; a introdução ao livro, de sua autoria e maior do que a obra traduzida, encerrava, também, uma crítica ao imperador D. Pedro II, pela atitude que tomara na chamada Questão Religiosa. Essa introdução valeu-lhe a fama — que sempre o acompanhou — de anticlerical, mas o livro, financeiramente, foi um fracasso. Desistindo de esperar a fortuna, casou-se com Maria Augusta, a 21 de novembro de 1876.

Em 1878, com a volta dos liberais ao poder, atarvés do visconde de Sinimbú, alçado à presidência do ministério, Ruy era levado ao Parlamento do Império, em 1878, onde travaria famosa polêmica com Gaspar Silveira Martins (maçom), destacando-se, ainda, pela elaboração da reforma eleitoral (1881) e pelos pareceres sobre a reforma do ensino (1882) e sobre o elemento servil (1884). Este último parecer foi apresentado durante o ministério de Sousa Dantas, o velho amigo de Ruy, sendo, o projeto, derrotado, na Câmara, com a maioria dos deputados pedindo a queda do Gabinete ministerial; Dantas conseguiu a dissolução da Câmara e convocou novas eleições, mas, como controle dos votos, nas zonas rurais, era feito pelos fazendeiros escravistas e pela Igreja — que proclamava que “votar em Ruy ou no diabo é a mesma coisa” — Ruy não se reelegeu. As forças retrógradas cerceavam, assim, temporariamente, a carreira do brilhante tribuno, apesar de terem conseguido evitar a abolição da escravatura.

Seguiu-se, então, um período de ostracismo político, para ele, até março de 1889, quando assumou o cargo de redator-chefe do Diário de Notícias, defendendo o federalismo e, posteriormente, atacando, com fúria demolidora, o último Gabinete monárquico, presidido por Afonso Celso, visconde de Ouro Preto (maçom, iniciado na Loja Amizade, de São Paulo). Fez-se republicano apenas nos últimos dias da monarquia, apesar de tê-la combatido, sem deixar de ser monarquista; não foi um republicano histórico, mas republicano da hora, a hora do perigo, em que ele esteve presente, segundo suas próprias palavras. No Governo Provisório, foi ministro da Fazenda, destacando-se pela política de encilhamento, que permitia, aos bancos particulares, emitir dinheiro ; também a Constituição de 1891, presidencialista, dentro do modelo norte-americano, foi quase toda de sua autoria. A política de encilhamento levou o país a uma calamitosa inflação, originando desenfreada especulação, apesar das boas intenções de Ruy, que, desgostoso, deixou o governo, em janeiro de 1891.

A 23 de novembro de 1891, romperia com Floriano Peixoto (maçom), quando este depôs os governadores que haviam apoiado o fechamento do Congresso por Deodoro. Em 1893, tornou-se diretor do Jornal do Brasil, sempre combatendo Floriano; quando estourou a Revolta da Armada, embora não estivesse ligado ao movimento, foi acusado de liderá-lo e obrigado a partir para o exílio, na Inglaterra, de onde só voltaria em 1895, assumindo sua cadeira no Senado Federal. Durante a época em que permaneceu em Londres, remeteu as “Cartas da Inglaterra”, numa das quais proclamou a inocência do capitão Dreyfus (do famoso processo Dreyfus), antes mesmo de Émile Zola ter patrocinado a causa, que comoveu o mundo no fim do século XIX.

No Senado, lutou pela anistia aos punidos por Floriano, a qual seria concedida pelo presidente Prudente de Moraes (maçom). Em 1898, criou A Imprensa, órgão onde atacava o presidente Campos Salles (maçom), principalmente no tocante à política financeira do ministro Joaquim Murtinho; em 1902, apoiou Rodrigues Alves, mas, quando este tentou coordenar forças para impor um novo presidente paulista, surgiu a “Coligação”, movimento no qual Ruy tomou parte ativa, liderado pelas situações gaúcha e baiana, o qual levou Afonso Pena à presidência da República. Foi durante esse governo que Ruy alcançou fama mundial, ao representar o Brasil na Conferência de Haya, convocada pela rainha da Holanda e pelo czar da Rússia e iniciada a 15 de junho de 1907. Enviado pelo barão do Rio Branco (maçom), chanceler do Brasil, ele teve atuação das mais brilhantes, tornando-se conhecido como “A Águia de Haya”, fazendo, do Brasil, o líder dos países menos poderosos, defendendo a tese de igualdade entre as nações e conseguindo um acordo para a constituição da Corte Permanente de Justiça Internacional.

Voltando ao Brasil, recebeu verdadeira condagração, começando, o seu nome, a ser lembrado para a presidência da República, na sucessão de Afonso Pena. Entretanto, o oficialismo político adotou a candidatura de Hermes da Fonseca (maçom), apesar do veto de São Paulo e da Bahia, tendo Ruy liderado, como candidato oposicionista, o primeiro grande movimento de mobilização da opinião pública da Primeira República, o qual passou à História como “Campanha Civilista”. Hermes acabou sendo eleito e empossado, apesar do documento, apresentado por Ruy ao Congresso , onde ele denunciava a corrupção e a fraude do sistema eleitoral da Primeira República.

Na sucessão de Hermes, seu nome foi, novamente, lançado por uma convenção de municípios, a 27 de julho de 1913; mas a situação de calamidade econômica e política exigia uma candidatura de unidade nacional e, assim, foi lançado o vice-presidente Wenceslau Brás (maçom) pelo eixo café com leite (S.Paulo-Minas). Wenceslau manteve a neutralidade brasileira, quando parte do mundo se debatia na Primeira Grande Guerra; Ruy foi, então, escolhido para representar o Brasil no centenário da independência da Argentina, em 1916, tendo pronunciado, na Faculdade de Direito de Buenos Aires, a famosa conferência em que definia o conceito jurídico de neutralidade; isso foi o passo decisivo para a ruptura de nossas relações com a Alemanha.

Em 1919, incompatibilizado com o ministro das Relações Exteriores, ele não aceitou o convite para representar o Brasil na Conferência de Paz de Versalhes, mas, logo depois, o Conselho da Liga das Nações o elegia, por unanimidade, para a Corte Permanente de Justiça Internacional.

Com o falecimento de Rodrigues Alves, antes de sua posse na presidência da República — pela 2a. vez — em 1919, o nome de Ruy foi novamente lançado, pelo Rio de Janeiro, Pará e dissidentes de outros Estados; mas o coronelismo do interior consegiu dar a vitória a Epitácio Pessoa. Apesar de derrotado, ele continuou a ser respeitado e venerado pela nação, ocupando sua cadeira no Senado até à morte, combativo, viril e polêmico como sempre.

Foi iniciado maçom através da Loja América, da capital de São Paulo, a 1º de julho de 1869, quando estudava na Faculdade de Direito de S. Paulo. Seu trabalho maçônico mais marcante foi um projeto de âmbito maçônico, relativo á libertação de filhas de escravos de maçons, ou de candidatos à iniciação, apresentado em sessão da Loja, a 4 de abril de 1870. Terminado o curso de Direito, nesse mesmo ano de 1870, Ruy deixou a Loja e, embora sempre falasse com muito carinho, da Maçonaria, nunca mais participou de trabalhos maçônicos.

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Do livro “Os Maçons que Fizeram a História do Brasil”
Editora A Gazeta Maçônica
1a. edição: 1973 – 2a. edição: 1991.

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Tradicionalmente, a Maçonaria surgiu com as civilizações, e esteve presente na formação de quase todas elas, para instruir os homens nos princípios da construção social, construindo mentes sábias e personalidades…

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