Ritos Católicos de Roma

Ritos Católicos de Roma As diferenças nos Ritos Católicos de Roma

História dos ritos

Quando os apóstolos se reuniam, em Jerusalém, não havia nenhum rito estabelecido para as orações; o que os unia – como dizem os Atos dos Apóstolos – era a fração do pão que não os impedia de continuar indo ao templo para rezarem como bons judeus. Aos poucos, porém, cada comunidade cristã foi criando a sua maneira (rito) de rezar, de celebrar a fração do pão, origem da atual missa, gozando de liberdade para exercer o seu culto.

Com o crescimento das comunidades e sua expansão no mundo, foi se constituindo, ainda que de maneira informal, um esquema para as celebrações litúrgicas. No século 4, já existiam grupos, mais ou menos uniformes, que seguiam uma mesma de liturgia, como o rito latino em Roma e no Ocidente, com várias subdivisões como o rito ambrosiano, o galicano e o céltico.
No Oriente também, surgiram ritos locais , como o siríaco em Antioquia e Jerusalém, o asiático na Ásia Menor, o egípcio ou copta no Egito, na Etiópia e no norte da África, além de outros de grupos étnicos menores

Ao surgirem porem, os grandes patriarcados ou dioceses do Oriente, como Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, seus ritos dominaram, fazendo com que alguns das comunidades menores desaparecessem. Assim, Bizâncio,capital do Império romano do Oriente, dominou a região da Ásia Menor com seu rito bizantino; o rito siríaco de Jerusalém foi introduzido em Chipre e o rito copta da Alexandria se firmou nas regiões da África. Alguns ritos menores sobrevivem ainda hoje como o armênio, o caldeu no Irã e Iraque, o maronita e outros, tornando-se também um valor étnico muito forte para a unidade daquelas culturas, especialmente durante a dominação dos muçulmanos.

No século 6, se definem assim as grandes famílias de ritos que eram: o rito latino da Europa ocidental; o bizantino (greco-melquita, eslavo, ucraniano e outros da Europa oriental); o armênio; o antioquenho (siríaco, antioquenho, maronita e malankar da Índia); o caldeu (malabarda Índia) e o alexandrino (copta e etíope). Todos esses ritos formavam a Igreja universal do Ocidente e do Oriente.

Igreja Católica Latina

Igreja Católica Latina, Igreja Latina e Rito Latino são nomes empregados para indicar a maior e mais numerosa das 23 Igrejas autónomas (sui juris) da Igreja Católica. Ela conta com cerca de 98% dos fiéis católicos do Mundo inteiro. O Chefe desta Igreja sui juris é o Bispo de Roma, também chamado de Patriarca de Roma, título que advém da Pentarquia. O Bispo de Roma é simultaneamente Papa, o Chefe de toda a Igreja Católica.

Na expressão « Rito Latino » o termo « rito » não significa um rito litúrgico, senão essa Igreja que no seu culto usa vários ritos litúrgicos ocidentais, entre os quais predomina o rito romano, mas existem também o rito ambrosiano, o rito bracarense, o rito galicano, o rito moçárabe, o Rito dos Cartuxos e o Uso Anglicano. Antigamente havia muitos outros ritos litúrgicos ocidentais latinos, que foram substituídos pelo Rito Romano pelas reformas litúrgicas do Concílio de Trento.

Depois deste Concílio usa-se raramente a expressão “Rito Latino”, que não aparece nem uma vez no atual Código de Direito Canónico. Em vez da palavra “Rito” no sentido de “Igreja” (não no sentido de “rito litúrgico”) encontra-se no Código de Direito Canónico a expressão “Igreja ritual sui iuris” e no Código dos Cânones das Igrejas Orientais a expressão “Igreja sui iuris”.

Nos documentos oficiais da Igreja Católica não se empregam nunca os ambíguos termos « Igreja Católica Apostólica Romana » e « Igreja Católica Romana » para indicar unicamente a Igreja Católica Latina. Estes 2 termos mencionados, principalmente o último, indicam sempre, nos documentos oficiais, a Igreja Católica inteira, como por exemplo na Encíclica Divini illius Magistri do Papa Pio XI, na Encíclica Humani generis, 27 do Papa Pio XII, e no discurso pronunciado pelo Papa João Paulo II na audiência geral do 26 de junho de 1985

A adjetivação « católica » (que significa universal) tanto é aplicada à Igreja Latina quanto às Igrejas Orientais Católicas. São muito mais numerosos os fiéis que pertencem à primeira, mas são igualmente « católicos » os baptizados em qualquer das Igrejas particulares sui iuris, de rito diferenciado, mas da mesma fé e comunhão com o Papa. Todas reconhecem como chefe o Bispo de Roma, o Sumo Pontífice da Igreja Universal. Também o Código dos Cânones das Igrejas Orientais reconhece a autoridade imediato (não através de intermediários) do Bispo de Roma na Igreja inteira (cânon 43), embora normalmente este poder não seja muito utilizado para interferir nas decisões das Igrejas orientais, que são definidas pelo seu Patriarca ou Arcebispo Maior, em conjunto com o seu sínodo.

As Igrejas Católicas Orientais

As Igrejas Católicas Orientais são Igrejas particulares sui iuris em plena comunhão com o Papa, fazendo por isso parte da Igreja Católica. Elas conservam as seculares tradições litúrgicas e devocionais das várias igrejas orientais com as quais estão associadas historicamente. Enquanto divergências doutrinárias dividem as igrejas orientais não-católicas em grupos desprovidos de comunhão mútua, as Igrejas Católicas Orientais acham-se unidas umas com as outras bem como com a Igreja Católica de Rito Latino (sediada no Ocidente), conquanto se diversifiquem quanto à ênfase teológica, às formas da liturgia, à piedade popular, à disciplina canônica e à terminologia. Sobretudo, elas reconhecem a função central do Sumo Pontífice, sua suprema autoridade e sua infalibilidade magisterial. Apesar disso, as Igrejas orientais católicas têm uma autonomia considerável em relação ao Papa.

A maioria das Igrejas Católicas Orientais tem correspondentes entre as demais Igrejas orientais, quer assírias ou ortodoxas não-calcedonianas, quer ortodoxas orientais, que delas estão apartadas devido a certo número de dissonâncias teológicas, como também em virtude de discordâncias no que tange à autoridade do Sumo Pontífice.

Embora historicamente se situassem na Europa Oriental, no Oriente Médio asiático, na África do Norte e na Índia, as Igrejas Católicas Orientais, por causa da migração, estão hoje disseminadas também na Europa Ocidental, nas Américas e na Oceania, constituindo aí circunscrições eclesiásticas plenas (eparquias), ao lado das dioceses latinas.
Os termos greco-católico e católico bizantino referem-se àqueles que pertencem a Igrejas sui iuris que usam o rito bizantino. O termo católico oriental inclui-os também a eles, mas tem significação mais lata, de vez se aplica igualmente aos fiéis que seguem as tradições litúrgicas alexandrina, antioquena, armênia e caldéia.

Actualmente, estima-se que existem cerca de 16 milhões de católicos orientais, dos quais aproximadamente 7,65 milhões seguem a tradição bizantina [1].

As Igrejas orientais católicas, devido, como por exemplo, aos seus diferentes tamanhos e às suas diferentes particularidades histórico-geográficas, têm uma organização e estrutura um pouco diferentes entre si.

Em geral, estas Igrejas são governadas por um hierarca e o seu respectivo Sínodo ou Concílio de Hierarcas (que é chamado também de Concílios Eclesiásticos [2]) [3], que têm por função tomar decisões conjuntamente com o seu hierarca. Assim sendo:

seis Igrejas (Igreja Católica Copta, Igreja Católica Siríaca, Igreja Greco-Católica Melquita, Igreja Maronita, Igreja Católica Caldeia e Igreja Católica Arménia) são governadas por Patriarcas (eleitos pelos seus Sínodos e depois somente reconhecidos pelo Papa) [1];

quatro (Igreja Greco-Católica Ucraniana, Igreja Católica Siro-Malabar, Igreja Católica Siro-Malancar e Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma) são governadas por Arcebispos Maiores (eleitos pelos seus Sínodos e depois, ao contrário dos Patriarcas, necessitam da aprovação do Papa) [1];

três (Igreja Católica Etíope, Igreja Católica Bizantina Eslovaca e Igreja Católica Bizantina Rutena) são governadas por Arcebispos Metropolitas (eles são eleitos da seguinte maneira: os seus Concílios de Hierarcas escolhem três candidatos, sendo apenas um deles escolhido e nomeado pelo Papa) [1][3][4].

os restantes 9 são governados por um ou mais eparcas, administradores apostólicos, exarcas ou por outros prelados (todos estes hierarcas são directamente nomeados e supervisionados pelo Papa, por não existirem sínodos nem concílios de hierarcas) [1].

A maior parte destas Igrejas autónomas orientais são constituídos por várias circunscrições eclesiásticas ou Igrejas particulares locais, sendo o modelo organizacional fundamental destas circunscrições a eparquia.

O rito ortodoxo bizantino

A Igreja bizantina desenvolveu um patriarcado independente com uma liturgia própria, rica e solene, baseada nos grandes doutores da Igreja oriental, como são Basílio e João Crisóstomo. Por causa da importância política, o rito da capital espalhou-se pela Europa e pelo Oriente: no século 9, penetrou na Europa oriental; no seguinte, na Rússia. No séculos 12 e 13, os patriarcados melquitas de Antioquia, Alexandria e Jerusalém abandonaram seus antigos ritos para adotar o rito bizantino.

Ao longo da história da Igreja universal, porém, desentendimentos teológicos e políticos levaram a Igreja romana e oriental à ruptura e sucessiva reunião (pelo menos em parte) e o nome ortodoxo ou seguidores da verdadeira fé (ortodoxia), passou a significar os cristãos do Oriente. Hoje, existem ortodoxos católicos, em união com o papa, e os ortodoxos não católicos, independentes de Roma. Nesses casos, cada patriarcado é uma entidade soberana e independente ligada somente por vínculos de fraternidade aos outros patriarcados ortodoxos.

Atualmente, o rito bizantino – católico e ortodoxo – é praticado por 250 milhões de fiéis entre russos, romenos, búlgaros, gregos, sérvios, libaneses, egípcios, etíopes, etc. Embora haja cinco idiomas oficiais- o grego, o árabe, o eslavo, o romeno e o russo – cada Igreja usa em suas celebrações litúrgicas a língua do povo no meio do qual celebra.

No Brasil, existem Igrejas de rito bizantino: a ucraniana (católica e ortodoxa), a russa (católica e ortodoxa), a ítalo-libanesa (católica), a greco-ortodoxa, a greco-ortodoxa de Antioquia e a melquita (católica).

A Igreja melquita

A definição “melquita” foi dada à homônima Igreja, depois do Concílio Ecumênico da Calcedônia, em 451. As definições cristológicas do Concílio foram aprovadas pelo papa Leão I, através dos seus delegados, sendo que, desde então firmou-se claramente o primado de Roma sobre as outras Igrejas com a famosa frase: “Pedro falou pela boca de Leão”.

Todavia, a aceitação das definições conciliares não foi tão simples, pois havia, nos bastidores, motivos políticos: alguns patriarcas apoiavam o imperador de Constantinopla, enquanto outros (siríacos, coptas e armênios) recusavam essa “colonização bizantina”, procurando se separar do império. Os que aceitaram as definições do Concílio, apoiado pelo imperador Marciano, foram chamados de melquitas (da palavra melek = imperador); o papa foi apelidado “chefe dos melquitas” e as Igrejas, que ficaram fiéis ao Concílio e a Roma, foram denominadas simplesmente melquitas.

No século 18, houve um despertar das Igrejas orientais e uma retomada de suas culturas, fato favorecido pela presença de algumas ordens religiosas ocidentais, como jesuítas e franciscanos entre outros. Esse movimento, porém, criou maiores divisões entre a Igreja ortodoxa de Constantinopla, apoiada pelos sultões muçulmanos que dominavam praticamente todo o Oriente europeu, e a Ásia. Esse apoio muçulmano à Igreja bizantina incentivou, também politicamente, a Igreja melquita a se unir mais profundamente com Roma e ao Ocidente para preservar sua autonomia cultural diante dos turcos. Em 1724, com o falecimento do patriarca de Antioquia, Atanásio III Dabbas, foi eleito um patriarca que se posicionava a favor de Roma, Cirilo Tanás. O patriarca de Constantinopla, entretanto, nomeou um patriarca favorável a Bizâncio, fazendo com que também a Igreja melquita tivesse duas linhas: a católica e a ortodoxa.

Essa divisão, que parecia mais uma dificuldade, acabou incentivando na Igreja pró-romana o despertar de ordens masculinas e femininas, a fundação de seminários, colégios e obras de grande cunho social.

A Igreja melquita, atualmente, está assim estruturada: três sedes patriarcais (Antioquia, Alexandria e Jerusalém); eparquias ou dioceses em vários países do Oriente e em lugares de emigração como Austrália, Brasil, Canadá, Bélgica, França, Itália, Estado Unidos; conta também com várias ordens religiosas masculinas e femininas.

Estatisticamente, a Igreja melquita católica conta com 34 metropolitas (arcebispos e bispos); 450 padres e 1.755 milhão de fiéis no mundo inteiro.

A Igreja melquita no Brasil

No Brasil, a Igreja melquita apareceu com os imigrantes sírios e libaneses que foram apelidados, genericamente, de turcos, porque fugiam de países dominados pelos turcos e eram portadores de passaporte turco.

Esses imigrantes marcaram a sociedade brasileira com a figura do caixeiro viajante chamado de mascate, verdadeiro bandeirante do comércio que, carregando pesadas malas, adentrava no sertão para levar suas mercadorias, mas também notícias e progresso.

Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime de Barros Câmara, erigia a primeira paróquia greco-melquita de São Basílio e, em agosto de 1951, foi posta a primeira pedra da igreja de Nossa Senhora do Paraíso, em São Paulo, atual catedral greco-melquita católica do Brasil. Em 1960, o arquimandrita Couéter foi sagrado bispo auxiliar do Rio de Janeiro para a comunidade católica greco-melquita do Brasil.

Existem paróquias em Juiz de Fora, Fortaleza e Belo Horizonte. Acredita-se que, no Brasil, haja 630 mil melquitas



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