Quintino Bocaiúva

Quintino Bocaiúva Nasceu em 04/12/1836 em Itaguay na Provincia do Rio de Janeiro, filho de Quintino Ferreira de Souza ( bahiano ) e de D. Maria Candelaria de Souza, natural de Buenos Aires.

Em 1851 matriculou-se no curso de humanidades, anexo à Faculdade de Direito , de S. Paulo (SP), mas por dificuldades financeiras não conseguiu concluir o curso. Chamava-se primitivamente Quintino Ferreira de Souza, mas na época em que estava na faculdade em S. Paulo, estava muito em voga entre os estudantes, adotarem um nome nativista, em substituição aos seus nomes paternos. Seguindo este exemplo o nosso biografado resolveu adotar, em 1853, o nome de Quintino de Souza Bocayuva, que mais tarde acabou reduzindo para Quintino Bocayuva. ( “Bocayuva”é uma espécie de coqueiro do Brasil).

Com a idade de 15 anos publica os seus primeiros versos, em espanhol, na revista academica ACABAIA, e quando tinha 26 anos publicou a sua segunda obra literária, a Lirica Nacional.

Foi iniciado maçom em 1861 na Loja “Amizade” de São Paulo (SP), mas havendo quem afirme, que já em 1855 tenha ingressado naquela oficina, com a idade de apenas 19 anos, o que não deixa de ser viável, por ter sido filho de maçom. Infelizmente nada se pode comprovar, pois o precioso arquivo da Loja “Amizade” foi destruido, quando em 1953 um estelionatário maçom se apoderou deste precioso patrimônio, e o vendeu para proveito próprio.

De certo sabemos, que em 13/04/1864 foi êle um dos 33 instaladores da Loja “Segredo” do Rio de Janeiro, trabalhando no Rito Adoniramita sob a jurisdição do Grande Oriente Dissidente de Saldanha Marinho, e quando esta oficina foi regularizada em 8 de maio do mesmo ano, lá encontramos o Ir.´. Quintino Bocayuva Gr. 13 (Cavaleiro Noaquita), e usando o nome heroico ESPARTACO.

Ocupou o cargo de Ven.´. por mais 2 gestões, demitindo-se depois, por falta de tempo.

Em 06/06/1864 ainda foi admitido como “membro” da Loja “Comercio”, dissidente e pertencente ao mesmo circulo. Já em 22/06/1865 recebeu o diploma de “Membro Honorario do Gr.´. Or.´. Lusitano, e ainda antes, em Janeiro, o encontramos como Delegado do Gr.´. M.´. Saldanha Marinho em Pernambuco.

Vivendo no Rio de Janeiro tornou-se, desde logo, um grande tribuno e um jornalista notavel, que em breve recebia o cognome de “Principe dos Jornalistas Brasileiros”, pela sua brilhante atuação nos jornais: “Diário do Rio de Janeiro”, “O Globo”, “Correio Mercantil”, “O Pais”, e em 9/10/1871 passou a drigir o jornal “A República”, então o diário de maior circulação.

Pouco antes tinha sudo redator do celebre MANIFESTO DE ITÚ, de 1870, quando lá foi fundado o Partido Republicano, do qual foi um dos fundadores.

Depois da incorporação do Grande Oriente Unido do GOB., em 18/01/1883, as duas Lojas “Comércio” existentes, a do GOU e a do GOB. se fundiram, e ao que parece o Ir.´. Bocayuyva sempre permaneceu fiel a este quadro, onde ainda o encontramos, quando em 01/05/1897 foi elevado aos ggr.´. 31, 32 e 33 pelo S.C.BRAS., por ter sido eleito Gr.´. Mestre Adj.´. Lug.´. Ten.´. Com.´., na mesma ocasião se tornando ainda membro EFETIVO do SCBRAS.

Senador de 1890 a 1891; 1892 a 1899 e de 1900 a 1900.

Em 1900 se tornou representante do Sup.’. Cons.’. da Argentina perante o GOB., ao regressar de sua viagem em companhia do Presidente Ir? Campo Salles. No ultimo dia do mesmo ano, em 31/12/1900, tomou posse do cargo de Presidente do Estado do Rio, para o periodo de 1901/1903, fazendo uma administração austera e honesta, não enriquecendo á custa dos cofres da Nação, como tantos outros.

Merece menção ainda, que tinha tido atuação brilhante na Proclamação da República, quando ele como único civil, montado a cavalo, de sobrecasaca e “desarmado”, seguiu ao lado do Generalissimo Deodoro da Fonseca, durante tôda a atuação.

Em sess.´. de 21/06/1902 a Assembl.´. Ger.´. resolve, por unanimidade, conferir ao Gr.´. M.´. o titulo de GRANDE BENEMÉRITO, conferindo-lhe uma medalha de OURO, pesando 29,4 grs., que hoje se encontra em minha coleção, que recebi de presente do falecido Dr. Guilherme Guinle. 32 mm. Davam-lhe o titulo de “Patriarca da República”. Mas pelo geito o Gr.´. M.´. negou-se a expedir o respectivo Decreto, que nunca foi assinado, pelo que pude verificar.

Em tempo idos tinha sido intimo amigo de “Aristides Lobo” e de “Ferrewira Vianna”, sendo que com este último chegou a fundar o jornal “A Honra”, onde começou a sua propaganda republicana.

Faleceu em 11/07/1912 de uma infecção gripal, em sua modesta casa do atual suburbio “QUINTINO BOCAYUVA” no Rio de Janeiro, cercado de sua numerosa familia. Morreu pobre.

Sempre se declarou maçom e livre pensador, e pediu aos seus familiares, que não fosse pedida qualquer missa ou outro serviço religioso, e que fosse, como de fato foi, enterrado em cova rasa e sem qual quer enfeite e inscição, no cemetério de Jacarapaguá, e que depois os seus ossos fossem para o ossário comum. Faleceu dia 11/06/1912.
Nilo Peçanha, entre outros, fez-lhe o elogio postumo no Senado, dizendo:-

“. . . A história há de dizer um dia, QUE QUINTINO BOCAYUVA FOI O FUNDADOR DA REPÚBLICA. . . “.
( História do Supremo Conselho de Grau 33 do Brasil Kurt Prober – Pág. 221/222 )

Iniciado na Loja “Amizade”, de São Paulo, em 1861. Em 1864 filiou-se na Loja “Comércio”, do Rio. Sendo depois o primeiro Venerável da Loja “Segredo”, ambas filiadas ao Grande Oriente do Brasil, ao Vale dos Benedictinos.

Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, eleito em 18/05/1901, e empossado no cargo dia 21/06/1901, exercendo-o até 21/06/1904.

Quintino Bocaiúva

Por José Carlos de Araújo Almeida Filho

A vida deste Maçom não foi fácil, desde a sua adolescência. No entanto, seu espírito predestinado o fez digno de todas as homenagens. Tanto assim que nas comemorações de seu centenário, o acadêmico Afonso Costa proferiu as seguintes palavras:

“ Foi um homem notável, principalmente por duas qualidades que suponho sejam as de maior grandeza e brilho no homem – a inteligência e o caráter. Sua inteligência era segura, norteada, esclarecida, superior, e à custa dela venceu todos os estágios da vida em que se iniciara. Unindo-a ao caráter, que era ilibado, consciente, de clareza diáfana e de segurança inalienável, tudo conseguiu, de tudo triunfou, quanto aspirou.”

Por que estas qualidades seriam sempre tão realçadas em Quintino Bocaiúva? A resposta é simples: porque, órfão cedo, sempre trabalhou para sustentar-se, tanto assim que em 1850, com apenas 14 anos de idade, muda-se para São Paulo, semi-analfabeto, e torna-se aprendiz de tipógrafo e, posteriormente, revisor. O patriotismo de Quintino Bocaiúva era tamanho, posto ter nascido Quintino Antônio Ferreira de Souza. No entanto, imbuído do espírito nacionalista, troca seu nome para Bocaiúva, abandonando o sobrenome português Antônio Ferreira de Souza.

Já em 1851 seu sonho de tornar-se advogado era grande e por ele lutou, matriculando-se no curso de Humanidades e contribuindo para jornais acadêmicos.

Em 1854, já sem recursos para continuar seus estudos, retorna ao Rio de Janeiro, dedicando-se ao jornalismo e, dois anos após, estréia como teatrólogo com a peça Trovador.

No dia 25 de março de 1860, em seu quadragésimo ano, sob a orientação de Bocaiúva e Saldanha Marinho, reaparece o Diário do Rio de Janeiro, cuja programação, como nos informa Nicola Aslan, era voltada aos anseios nacionalistas – uma característica de Quintino Bocaiúva.

Em 1861 Quintino Bocaiúva é iniciado na Loja América, jurisdicionada ao Grande Oriente do Passeio, ou Grande Oriente Brasileiro.
Em 1864 filia-se à Comércio, do Rio de Janeiro, jurisdicionada ao Grande Oriente ao Vale dos Beneditinos, quando, à época, era seu Grão Mestre Joaquim Saldanha Marinho e, ainda, à Loja Segredo, também do mesmo Grande Oriente.
A Loja Segredo continha em seu seio diversos emancipacionistas. Não afirmamos abolicionistas, baseados na tese do Irm.’. Frederico Guilherme Costa, por ser o termo mais coerente. Quintino Bocaiúva passa a ocupar o cargo de Venerável Mestre.
Em 1867, em meio à Monarquia, passa ele a escrever para o periódico a República e, posteriormente, em 1870, redige o famoso Manifesto do Partido Republicano. Funda ele, ainda, o Partido Republicano.

Em 1873 os monarquistas destroem o jornal A República e, pouco menos de um ano depois, é necessário o encerramento de suas atividades, passando Bocaiúva a escrever para o Cruzeiro e O Globo.

Em 1889 é eleito para a chefia do Partido Republicano e, por ser um republicano em idéias e atitudes, competiu-lhe eleger todo o Ministério de Deodoro. O Ministério era composto, integralmente, por Maçons.

É importante que ressaltemos estes aspectos da História do Brasil, com o fim de demonstrar que em diversos movimentos de importância, os Maçons estiveram presentes, ainda que anonimamente como tal.

A exemplo disto, por muitos anos combateu-se a qualidade de Duque de Caxias como Maçom, por ferir a interesses de outras instituições. Ocorre, porém, que, sem dúvida alguma, Duque de Caxias foi Maçom e sua biografia prova este fato.
Tantos notáveis de nossa História foram Maçons e admirados. No entanto, a Instituição sempre combatida. Não é um contra-senso? Este trabalho tem por objetivo aparar estas arestas e demonstrar que a Maçonaria é exatissimamente o que se afirma em sua Constituição.

Na realidade, o “golpe” da tomada de poder pelos republicanos estaria marcado, em princípio, para o dia 17 de novembro de 1889. No entanto, no dia 14 de novembro Bocaiúva, juntamente com o Major Sólon Ribeiro, resolve antecipar a derrubada do regime monárquico para o dia 15, que, de fato, ocorreu e, já no dia 16, presta seu juramento, tomando posse do Ministério dos Estrangeiros e, interinamente, a pasta de Relações Exteriores.

Em 1890 recebe condecoração do Marechal Deodoro da Fonseca, assim como os demais Ministros de seu Gabinete, sendo esta as honras de General de Brigada do Exército Nacional, em reconhecimento aos serviços prestados à Pátria.

Por várias vezes Quintino Bocaiúva foi eleito Senador e, no ano de 1891, apesar de não ter conjurado contra o Regime Republicano, em conseqüência do golpe de Estado que dissolveu o Congresso, é ele preso no 10º Batalhão de Infantaria. O que Bocaiúva defendia era a manutenção da Constituição, mas jamais conspirara contra Deodoro.

Este fato se deu no mês de novembro e, no mês seguinte, renuncia ele ao seu mandato como Senador, sendo reeleito, no entanto, pelo Rio de Janeiro, no dia 21/08/1892, fato reprisado em 01/03/1894.

Em 1897 é eleito Grão Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil e, em 1900, em visita à Argentina com o Presidente Campos Sales, é homenageado pela Maçonaria Argentina.

Neste mesmo ano assume o governo do Estado do Rio de Janeiro e, em 1901, após a renúncia do Grão Mestrado do Grande Oriente do Brasil, por parte de Macedo Soares, Quintino Bocaiúva assume o cargo.

Em junho deste ano é consagrado com o título único de Grande Benemérito da Ordem, por parte da Assembléia Geral Maçônica.
Como se pode notar da biografia destes ilustres brasileiros, a conciliação entre os princípios patrióticos e maçônicos sempre andaram perfilados.

Em 1903 afasta-se temporariamente da política e, no ano seguinte, é sucedido em seu cargo de Grão Mestre por Lauro Sodré.
O afastamento de Quintino Bocaiúva durou cerca de seis anos, quando, em 1909 é eleito para o Senado Federal, sendo eleito vice-presidente do mesmo.

Em 1912 falece Quintino Bocaiúva, de complicações pulmonares.

Trabalhos Publicados
– O Trovador. Imitação Levada A Cena A 21/01/1850 No Teatro de São Januário. [S.l.:s.n.]
– Onfália. drama Original Em Sete Quadros, Representado No Teatro de Variedades (1860). [S.l.:s.n.]
– Norma. Tradução Para A Imperial Academia da Ópera Nacional.[S.l.:s.n.]
– diamantes da Coroa. Tradução.[S.l.:s.n.]
– O dominó Azul. Tradução. [S.l.:s.n.]
– Quem Porfia, Sempre Alcança. Tradução. [S.l.:s.n.]
– O Sargento Frederico. Tradução. [S.l.:s.n.]
– Minhas duas Mulheres. Tradução. [S.l.:s.n.]
– Vale de Andorra. Tradução. [S.l.:s.n.] – Boas-Noites, Senhor d. Simão. Tradução. [S.l.:s.n.]
– Grumete. Tradução. [S.l.:s.n.]
– Estebanilho. Tradução. [S.l.:s.n.]
– Marina. Tradução. [S.l.:s.n.]
– A dama do Véu. Tradução. [S.l.:s.n.]
– O Bandoleiro. Óperas Cômicas Em Três Atos. [S.l.:s.n.]
– Um Padre Louco. drama Em Cinco Atos. [S.l.:s.n.]
– Pedro Favilha. drama. [S.l.:s.n.]
– Cláudio Manuel. drama Histórico Em Fatos. [S.l.:s.n.]
– de La Viola. drama Histórico Em Cinco Atos. [S.l.:s.n.]

 

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Tradicionalmente, a Maçonaria surgiu com as civilizações, e esteve presente na formação de quase todas elas, para instruir os homens nos princípios da construção social, construindo mentes sábias e personalidades...
Tradicionalmente, a Maçonaria surgiu com as civilizações, e esteve presente na formação de quase todas elas, para instruir os homens nos princípios da construção social, construindo mentes sábias e personalidades…


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