Cruzada IV

Quarta Cruzada

Cruzada IV
Entretanto, com a Quarta Cruzada pregada pelo papa Inocêncio III entre 1202 e 1204, os interesses da Igreja Católica seriam desviados pelo duque de Veneza Enrico Dandolo

Quarta Cruzada Com o intuito de recuperar o domínio cristão em Jerusalém, que estava sob hegemonia dos turcos otomanos, a Igreja Católica empreendeu as Cruzadaspara fortalecer sua doutrina religiosa no mundo.

 Entretanto, com a Quarta Cruzada pregada pelo papa Inocêncio III entre 1202 e 1204, os interesses da Igreja Católica seriam desviados pelo duque de Veneza Enrico Dandolo. A comitiva para a Quarta Cruzada era liderada por Balduíno IX, Conde de Flandres e o Marquês de Montferrant. Eles estavam com algumas dificuldades de pagar a extrema quantia exigida por Veneza para a travessia dos barcos e locomoção do Exército para o Egito.

Aproveitando-se da situação, Dandolo propôs uma incursão até a cidade de Zara, onde hoje fica a Croácia, para tomá-la dos húngaros. Os mercadores de Veneza tinham grande interesse pelo território porque facilitava as transições comerciais com outras nações através da liberação do Mar Mediterrâneo.

Além de Zara, os venezianos invadiram Constantinopla em 1203, que na época estava sob domínio do Império Bizantino. Lá, o Imperador Isaac II fora destituído do poder por seu irmão Aleixo III, fazendo com que o príncipe peça auxílio aos cruzados para dominarem o território.

Com o aval de Inocêncio III, os venezianos dominam Constantinopla e criam novos impostos. Apesar de mostrar-se contrário às invasões em Zara, o papa apoia a tomada de Constantinopla para tentar uma reaproximação com a Igreja Ortodoxa, que de fato não se concretizou.

Veneza também mantinha relações conflituosas com Constantinopla. Em 1182, os mercadores venezianos foram massacrados graças a interesses comerciais regionais. A invasão liderada por Dandolo, de certa forma, também era um ato de vingança patrocinado pela Cruzada.

A tomada de Constantinopla marcou a presença do Império Latino, servindo de ponte entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Morto. A região também era dominada pelos Impérios de Nicéia, Trizonda e Épiro.

O papa João Paulo II, seguindo sua política de reaproximação com as demais religiões organizadas da Terra, em cerimônia realizada no Vaticano no final de novembro de 2004, devolveu os santos ossários de mártires da Igreja Cristã Ortodoxa ao patriarca oriental. Relíquias estas que haviam sido roubadas do interior da Igreja de Santa Sofia há 800 anos passados, por ocasião do saque a que soldados cristãos, embarcados em Veneza, haviam submetido à cidade de Constantinopla.

Episódio vergonhoso da cristandade que somente acelerou ainda mais a separação das duas igrejas, a católica e a ortodoxa, situação que se prolonga por oito séculos.

A imponência de Constantinopla

 Nos primeiros anos do século 13, Constantinopla, a capital do Império Bizantino, orgulhava-se de ser vista como a cidade mais rica do mundo. Dizia-se que 2/3 da riqueza universal passava pelo seu amplo porto e pelas mãos dos seus comerciantes, ativos em meio a uma fervilhante população de um milhão de habitantes. Era um exagero. Mas não era o fato dela ser, para inveja de Roma, a cidade cristã que mais acumulara relíquias sagradas. Desde que o imperador Constantino, convertido à fé de Cristo, fizera dela, no ano de 330, a sede da nova religião, seus funcionários espalhados por boa parte da Ásia Menor não cessaram mais de remeter-lhe todo e qualquer tipo de lembrança que pudesse estar relacionada a Cristo e aos Apóstolos.

Assim, em poucos anos, Constantinopla tornou-se um imenso bazar do sobrenatural. Até a Verdadeira Cruz, encontrada por Helena, a mãe de Constantino, e sagrada por Macário, o patriarca de Jerusalém, estava exposta na Catedral de Santa Sofia (Hagia Sofia). A isso somavam-se os santos ossários, relicário composto pelos restos de mártires do cristianismo. Entre eles, o de São João Crisóstomo, morto em 407, orador assombroso, justamente apelidado de “o boca-de-ouro”, inimigo da imperatriz Eudoxia.

Por isto, a cidade hospedava um sem-fim de peregrinos vindos de todos os cantos do Ecúmeno cristão, e que, ultrapassando a Porta Dourada, despejavam rios de dinheiro no comércio local.

Graças a uma astuta política que combinava diplomacia com grossos subornos, Constantinopla escapou do destino de Roma, ocupada a partir do século 5 por uma maré de bárbaros. O que não podia esperar é acabar sendo invadida por cavaleiros cristãos vindos da Europa, gente da sua mesma fé.

Fonte http://educaterra.terra.com.br

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  1. Observando a situação desfavorável, os egípcios ofereceram uma boa parte do território de Jerusalém para que o conflito chegasse ao fim. Entretanto, o cardeal Pelágio recusou a oferta esperando que a chegada de novos reforços pudesse estender a conquista cristã por outros territórios não antes almejados. Apesar das inúmeras baixas, o avanço poderia oferecer uma saída para o Nilo que acelerasse a conquista da capital. Entretanto, a seca do Rio Nilo impediu que a vitória fosse consumada.

    Apesar dessa contingência, os cristãos acabaram conquistando uma cidade cercada pela fome e pela miséria. Assim que a estratégica cidade de Damietta estivesse nas mãos, tudo levava a crer que a cruzada seria um sucesso. No entanto, a conquista da cidade acabou não sendo destinada a nenhum dos barões, e o avanço até ao Cairo acabou sendo retardado em virtude da ausência de uma grande autoridade militar que pudesse resolver as questões práticas que o cardeal Pelágio não conseguia resolver.

    Mediante a indecisão dos exércitos cristãos, os árabes conseguiram se reorganizar a fim de impedir o avanço dos exércitos cristãos. No momento em que os conflitos começaram, os árabes se valeram da abertura de vários canais que inundaram o caminho dos exércitos cristãos durante a cheia do Rio Nilo. Ironicamente, o curso de água que sustentava a riqueza daquela região foi o mesmo responsável por desorganizar a formação militar dos cristãos.

    Desnorteados e quase sem nenhum tipo de mantimento, os exércitos europeus resolveram bater em retirada e promover uma negociação com o sultão Al-Kamil. Mediante as negociações acabou sendo definida a saída pacífica dos cristãos de todo o território egípcio e a assinatura de uma trégua de oito anos. Por fim, a derrota na Quinta Cruzada, em 1221, acabou sendo decepcionante, já que os árabes chegaram a oferecer Jerusalém, o grande objetivo da investida, para que o Egito fosse salvo.

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