Política na Maçonaria

Política na Maçonaria

INTRODUÇÃO

Política é o “uso legitimo do poder para alcançar o bem comum às sociedades” (João Paulo II)
Como condição prévia deste tema, deve-se verificar sucintamente o significado de Maçonaria e de Política para estabelecer os marcos basilares do trabalho, prosseguindo no estabelecimento de alguns aspectos sobre a Política na Maçonaria.

1. NOÇÕES CONCEITUAIS DE POLÍTICA

O termo política é derivado do grego antigo (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado, podendo significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.

O livro “A República”, escrito por Platão é, no original, intitulado (Politeía). Ainda, o filósofo grego Aristóteles considerava o homem um animal político, porque nenhum ser humano pode viver sozinho, pois a vida em sociedade faz parte da natureza humana. Esse relacionamento, via de regra, gera conflitos entre pessoas, grupos de pessoas ou nações e a maneira mais adequada de atenuar os conflitos e criar uma harmonia no ambiente humano é promover o bem comum, embora seja muito difícil agradar a todos. A verdadeira Política é encontrada nesta concepção de Bem Comum.
A fim de compreender melhor o significado do termo, apresentam-se algumas acepções de como é entendido e empregado o termo Política:

No uso trivial e às vezes um tanto pejorativo, política, como substantivo ou adjetivo, compreende as ações, comportamentos, manobras, entendimentos e desentendimentos dos homens (os políticos) para conquistar o poder ou uma parcela dele ou um lugar nele: eleições, campanhas eleitorais, comícios, lutas de partidos etc.;

Conceituação erudita, no fundo síntese da anterior, considera política a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo. É a noção dada por Nicolau Maquiavel, em sua obra “O Príncipe”;

Política denomina-se a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público: política financeira, política educacional, política social, política do café, etc.;
Atualmente, a maioria dos tratadistas e escritores se divide em duas correntes. Para uns, política é a ciência do Estado. Para outros, é a ciência do poder;

Segundo a autora Hannah Arendt, filósofa alemã (1906-1975), a política trata da convivência entre diferentes e baseia-se na pluralidade dos homens, assim a pluralidade implica na coexistência de diferenças.

Política é o exercício do poder e este está onde há força e a força está com aquele ou aqueles que conseguem influenciar o comportamento alheio. Desse exercício de poder e força, de acordo com a cultura histórica dos países surgem diversos sistemas de governo com seus aspectos positivos e negativos.

Na atualidade, a política representa as atividades práticas relacionadas ao exercício do Poder do Estado, estando intimamente relacionada a este conceito. Segundo Bertrand Russerll (1872-1970), filósofo britânico, ela é conceituada como o “conjunto dos meios que permite alcançar os fins desejados”. Um desses meios seria o domínio da natureza pelo homem e um outro seria o domínio do homem sobre o próprio homem.

No poder político, como já dito anteriormente, é possível usar a força como meio para exercer a vontade, para isso este poder busca o apoio da sociedade, onde por intermédio do Estado se executa as punições quando estas são necessárias. É importante que haja um limite deste poder político, para que atrocidades, violências e injustiças não sejam cometidas em nome do povo (dono do poder). Entretanto, estes limites variam de acordo com o tipo de Estado implantado, onde as liberdades são mais ou menos respeitadas por ele e o ser humano é considerado o fim das políticas do Estado ou o meio para atingi-las.

A condição do fortalecimento da democracia encontra-se na politização das pessoas, que devem deixar o hábito (ou vício) da cidadania passiva, do individualismo, para se tornarem mais participantes e conscientes da coisa pública. Cabe aos educadores politizar as pessoas, principalmente as crianças, que são a base, para que possa existir a verdadeira política e não esse sistema corruptivista e individualista que está impregnado em todas as estruturas da sociedade moderna.

Entende-se por política a ciência que trata do governo e também da arte de governar. “Política é a arte e a técnica de dirigir e administrar corretamente o Estado, tanto no sentido da razão, como no da ética, com uma orientação fundamental: a Justiça”. (I Conferência Interamericana da Maçonaria Simbólica – Montevidéu, abril de 1947).
A política não é a procura do “poder pelo poder” e das regalias que ele pode trazer; não é usar e abusar do povo para “crescer” e enriquecer; não é um “salvo conduto” para transformar a autoridade em autoritarismo; não é um jeito fácil de meter a mão no bolso do povo para encher o próprio bolso.

“Estamos condenados a ser livres, pois temos que fazer escolhas e toda escolha implica necessariamente em renúncia.” J P Sartre

2. NOÇÕES CONCEITUAIS DE MAÇONARIA

“A Maçonaria é uma associação de homens esclarecidos e virtuosos que se consideram irmãos entre si, que convivem em perfeita igualdade, intimamente ligados por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros, na prática da virtude”. Autor desconhecido

No Art 1º da Constituição do Grande Oriente do Brasil (GOB) de 2007, prevê que a maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Com este conceito amplo está claro que ela colabora para o aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, estando intimamente relacionada com os objetivos máximos da verdadeira política, que também busca o bem comum de todos.
Os fins supremos da Maçonaria são a LIBERDADE, a IGUALDADE e FRATERNIDADE, válidos para todos os povos e integram todos os valores que concorrem para a civilização, a paz e o progresso da Humanidade, encontrando-se também dispersos em diversas religiões, filosofias e em ciências sociais e política.

Por via de conseqüência, a Maçonaria, para concretizar seus objetivos, precisa de muita força e união para enfrentar resistências de interesses poderosos. Por esse motivo, ela, cautelosamente, tem consciência, de que mesmo os mais virtuosos maçons também são imperfeitos. Estão sujeitos a serem tentados ou corrompidos pelo menos por dois vícios traiçoeiros que causam imensos prejuízos em qualquer Instituição: a vaidade e o sectarismo. Esses vícios causam danos aos maiores propósitos da Maçonaria e ao maçom que não deixou a semente da sabedoria maçônica germinar em seu Ser.

Os registros históricos indicam que, desde o seu surgimento, a Maçonaria defende a liberdade de pensamento, o trabalho livre, a liberdade religiosa e está sempre ao lado dos interesses do povo. A Maçonaria glorifica Deus, o Único Todo-Poderoso Criador do Universo, a quem chama de Grande Arquiteto do Universo.
Utiliza como símbolo universal, o Esquadro, representando a Lei, e o Compasso representando a Justiça, entrelaçados no centro com a letra G (o Geômetra), tendo o significado da aspiração máxima da Maçonaria:- A Lei e a Justiça de Deus sobre todos os homens.

Pode-se dizer que a Maçonaria é composta basicamente de três elementos: o Iniciático; o Fraternal e o Humano. Nos dois primeiros elementos, ou seja, no Iniciático e no Fraternal reside a essência do espírito maçônico. Já no terceiro elemento, ou seja, o Humano, a Maçonaria apresenta diferentes aspectos em decorrência da mentalidade de seus membros, influenciada pelo meio em que vivem e, também, pelas circunstâncias políticas, econômicas, religiosas ou históricas. Mesmo assim, gira em torno de uma só idéia – a tolerância.

Portanto, a Maçonaria, composta de livres pensadores, nunca se apresenta como a dona da verdade. Não impõe dogmas, muito pelo contrário, seus membros têm o livre arbítrio e o livre pensar. Por tudo isso, a participação da maçonaria na verdadeira política é essencial para o aperfeiçoamento da sociedade.

3. A MAÇONARIA NA POLÍTICA

O ser humano é político por natureza, isto é, já nasce político. Quando se busca e luta pelo bem comum, faz-se política, mas, se só agir e pensar no próprio conforto, faz-se politicagem.

O maçom pode e deve participar de associações, grupos, entidades e partidos que têm como finalidade e objetivo o bem de todas as pessoas, sem exceção. Se optar por ficar “na sua”, deixando que tudo fique como está, estará dizendo “amém” (assim seja!) à situação e, portanto, indiretamente aderindo e colaborando com ela.

O verdadeiro maçom deve fazer política de qualidade, buscando e defendendo o bem comum a partir dos “bons costumes”, com Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Se há um Irmão iluminado apto a abraçar a carreira política, porque não enriquecer a política com ele? Maçom consciente faz política, sim, porque não se cansa de buscar o bem de todos. O mundo da política só tem a ganhar com a luz que recebe de um Maçom.

A Maçonaria em todos os seus ensinamentos, simbólicos e filosóficos, proclama a verdadeira política. Começando com a cerimônia inicial, noções importantes desta política são transmitidas pelo simbolismo, propondo que o verdadeiro trabalho do maçom é ajudar o seu País a progredir, servindo sempre ao seu povo, conduzindo-o pelos caminhos da Liberdade e da Justiça. Também é lembrado que o maçom deve aspirar a excelência e a verdadeira glória e trabalhar com dedicação pelas causas do Povo, da Pátria e da Ordem, praticando sempre a solidariedade humana.

Nos demais graus, há inúmeros conhecimentos sobre política, lembrando conceitos de soberania, povo, direitos humano, bem comum, liberdade, justiça e equidade, prescrevendo que o maçom é um agente do progresso pelas reformas sociais que induze e que todo poder é uma delegação do povo. Assim, percebe-se que, desde o início, o homem livre e de bons costumes é conscientizado de seu dever político para com seu povo.

A Maçonaria deve entender por Política: “a promoção do bem comum, visando ao máximo, a concordância entre muitos para reduzir, ao mínimo, os conflitos que são inerentes à vida em sociedade”. É o tipo de Política maior, que não é sectária porque visa ao bem da coletividade. É o tipo de Política que privilegia a maioria e está de pleno acordo com as regras de convivência democrática.

De qualquer modo, fica transparente, haver dois tipos de política. A Política maior, apartidária, de um lado, que é a Política que deve estar na Maçonaria e a política que visa apenas ao bem de um determinado indivíduo ou de um pequeno grupo de indivíduos, ainda que com o sacrifício da maioria. Esta última, em princípio, é uma política estreita, partidária, gera privilégios para poucos em detrimento de muitos, geralmente aumentando e não diminuindo os conflitos. Por via de conseqüência, esta não interessa à Maçonaria, porque abriga o vício do sectarismo e fere seus princípios, devendo ser repelida de seus Templos.

A Maçonaria, quanto à política partidária, está tendo uma atuação bem clara: a da proibição de discussão ou de controvérsia sobre essa matéria em seus templos, ou fora deles em seu nome. Essa proibição não quer dizer que o maçom, como cidadão que é, esteja impedido de filiar-se a um partido político. A lei exige esta filiação como condição prévia para se candidatar aos cargos eletivos públicos. Logo, com vistas à execução de nossos princípios, o ideal seria que tivéssemos maçons eleitos e empossados em todos os partidos políticos ou neles atuando. Por outro lado, proibir a discussão de matéria político-partidária é uma questão superada, pois ela é acatada por todos os maçons, sendo um ato entendido e resolvido a contento.

Se verificar a História do Brasil, a Maçonaria influiu politicamente nos mais importantes movimentos revolucionários e libertários, baseando-se na ideologia e no clima revolucionários da época, com seus ideais de Liberdade. Foi de fundamental importância o papel catalisador da Maçonaria na congregação das idéias, dando-se a oportunidade para a reunião, o desenvolvimento e a aplicação das ideologias nos movimentos. Uma concepção, infelizmente, bastante esquecida atualmente, realidade que leva a repensar os objetivos da Maçonaria, no que tange ao seu papel e de seus membros, como agentes participantes da Política.

A participação da Maçonaria na política desinteressada, conduzida com honestidade, está na sua própria razão de ser e busca assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.

A Política na Maçonaria, na prática atual, contudo, é um tema delicado e polêmico pela própria natureza da Política e da Maçonaria.

CONCLUSÃO

A Maçonaria enquanto Instituição faz política, mas não partidária. Ou seja, ela não tem um partido próprio, e nem adota um como seu. Entretanto, é essencial que os maçons se filiem, engajem e participem da política partidária, levando aos partidos e às ideologias que os sustentam, as riquezas e os valores dos Princípios Fundamentais da Ordem. É estranho que, ainda, tantos Irmãos condenem os políticos de carreira (maçons), enquanto eles mesmos se recusam a buscar o poder, pelo voto, para colocá-lo a serviço do bem comum.

Como cidadão, todo Maçom tem o incontestável direito de se ocupar de política, mas a Maçonaria, como sociedade, não pode e nem deve. Políticos Maçons ocuparam e ainda ocupam todos os degraus da administração pública da mesma forma que outros cidadãos. Nestes cargos públicos, têm eles a oportunidade de aplicar os ensinamentos que receberam em Loja e de influir, de maneira benéfica, sobre aqueles que os cercam.

Se, no entanto buscam na política interesses pessoais, é certo que não devem envolver a Ordem, nem servir-se dela para alcançar as suas pretensões. É hora de a verdadeira Maçonaria agir de forma ativa e ardorosa contra os “politiqueiros” e apoiar os verdadeiros homens públicos, Maçons ou não, na busca das melhores soluções para os problemas sociais do país!

Ressalta-se, assim, que o Maçom não pode perder de vista a seguinte idéia: se a Maçonaria afirma que a Virtude é a disposição da alma que induz à prática do bem, a mesma disposição que induz à prática do bem comum só pode ser uma virtude superior, a virtude em sua mais elevada expressão. Assim, a Política apartidária, possuindo o mesmo fim da virtude, também pode ser considerada como sua maior representação, porém, na prática, isto não vem acontecendo.
É importante que a Maçonaria participe da verdadeira política, por intermédio de seus integrantes, que devem atuar diretamente na ocupação dos cargos ou indiretamente na escolha sincera e correta dos verdadeiros representantes. Como instituição, deve atuar divulgando seus princípios e valores e contribuindo para o aperfeiçoamento do ser humano e da Humanidade e agir sempre na defesa e proteção de seu povo.

“Vós, líderes e militantes políticos, quero recordar que o ato político por excelência é ser coerente com uma vocação moral e fiel a uma consciência ética que, para além dos interesses pessoais ou de grupos, visa a totalidade do bem comum de todos os cristãos” (Papa João Paulo II – Salvador BA, 7 de julho de 1980).

Autor: Fernando Carlos Santos da Silva

Bibliografia
– Rituais dos Graus ao Rito Escocês Antigo e Aceito
– Artigo “Conceito de Política”. Rosângela De Carvalho. Disponível no site http://Atalaiaspace.Blogspot.Com.
– Artigo “O Que É Política?” . Antonio Carlos Oliviere. 2007. disponível em site Net Saber Resumos – www.netsaber.com.br
– Artigo “O Maçom na Política” . Ir.`. Fernando Mariani fmariani@uol.com.br.
– Artigo “Política e politicagem” – Valdemar Sansão;
– Artigo “Diversos tipos de Maçonaria” – Ir:. Rômulo Ferreira Diniz
– Artigo “Maçonaria e Política” – Ir:. Francisco Herles de Souza Mato



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