A politica em Maçonaria

A politica em Maçonaria

Assim como no mundo profano temos em nossos costumes a figura da “política maçônica”, porque os atos constitutivos das Obediências Maçônicas estabelecem os cargos que devem ser providos por eleição. Há vezes em que essa eleição, essa escolha, é feita por consenso, onde impera o espírito da fraternidade maçônica. Mas, infelizmente, nem sempre é assim, apesar daquilo que é estabelecido em nossos antigos costumes, e a disputa pelos cargos maçônicos envolve um ou mais Irmãos, quando, por mais das vezes os princípios e postulados maçônicos são negados.

Na disputa de cargos para o Governo da Fraternidade Irmãos há que, para satisfazer seus interesses pessoais e atender à sua mesquinhez e às suas excessivas vaidades, se lançam contra seus Irmãos como se fossem inimigos políticos em disputa eleitoral no mundo profano. E, para conseguirem seu intento, subvertem os valores da Maçonaria e fazem conchavos. Tudo isto numa conduta digna de fazer inveja a chefetes políticos provincianos. E, quando vitoriosos, alguns atiram-se contra os derrotados, perseguem-nos até, em certos casos, vê-los alijados de toda influência e vivência maçônica.

E é pensando naqueles que agem desse modo que retornamos no tempo e voltamos nossos pensamentos para a Roma do Imperador Augusto, quando Cláudio Camilo, saindo vitorioso de uma batalha contra o ex-amigo e aliado Constantino Severo, lhe diz: “Juras, pela tua honra, que tua alma está limpa de rancores?!” Em resposta, diz-lhe Constantino Severo: “Eu o juro, sobre os corpos de meus soldados mortos!” Ouvindo isto, Cláudio Camilo larga sua espada e, de braços abertos, diz para Constantino Severo: “Se assim é, que o teu peito bata de encontro ao meu peito, meu irmão!”.

Este belo e pedagógico exemplo serve para nos lembrar que nas disputas maçônicas em que os princípios da fraternidade são lançados ao lixo, a única perdedora é a Maçonaria. Serve também para nos lembrar que devemos exportar para o mundo profano, para fora dos nossos Templos, o comportamento fraterno que deve existir em nossas disputas, e não importar as mazelas e os vícios da política profana para dentro dos nossos Templos. Para tanto, devemos ter nossa consciência limpa de mágoas, ranças e rancores de modo que a CONCÓRDIA VENÇA A ANIMOSIDADE.

Infelizmente, muitos dos nossos Irmãos entendem que a paz e a harmonia que devem reinar entre nós dependem da submissão de nossas vontades às suas vaidades, caprichos “infantilóides”, conveniências e interesses pessoais. Estes que assim se comportam não admitem ser contestados, que discordemos de suas idéias, que busquemos, como livres pensadores, a nossa própria Verdade. E, assim, agem como se fossem crias das masmorras do autoritarismo. E os que deles discordam e os contestam são considerados “rebeldes”, “elementos discordantes” e “perturbadores” da paz e da harmonia no seio da Maçonaria. Não entendem e nem aceitam que busquemos, acima dos nossos interesses pessoais, a busca da CONCÓRDIA FRATERNA que deve reinar entre nós Maçons.

Lamentavelmente, meus Irmãos, por interesses políticos mesquinhos e sede de poder pelo poder, há entre nós os que nutrem rancor e ódio por seus Irmãos; há os que são avarentos; há os que forjam intrigas; há os que fazem críticas descaridosas a atitudes, gestos e palavras dos seus Irmãos, sobretudo, quando o procedimento destes se constitui em ameaça aos seus interesses pessoais ou ao culto de suas vaidades; há os que não têm a hombridade, a dignidade e a altivez de falar face a face com seu Irmão para lhe dizer, com franqueza, cortesia e caridade, dos seus sentimentos e das razões do seu combate ou oposição, nem, muito menos, de sondar-lhe o íntimo e descobrir os motivos que o levaram a tomar esta ou aquela decisão ou atitude; há os que “ao primeiro choque de idéias e de sentimentos, descarregam as baterias contra seu Irmão, preparam-lhe um ambiente hostil e fecham-lhe a porta do Templo”; há, desgraçadamente, entre nós os que criticam seus Irmãos até mesmo entre profanos.

E o que nós estamos fazendo para combater, em nós mesmos, esses sentimentos inferiores que atentam contra os princípios da fraternidade maçônica?! Nada, ou quase nada! Estamos de braços cruzados, acomodados em nossos Templos, negligentes e indiferentes ao futuro da Humanidade, batendo malhetes, revestidos de insígnias, confundindo Tolerância com conivência, Prudência com covardia. E o ideal maçônico que fique a nos aguardar, pois não tempos tempo nem pressa em realizá-lo.

Um dia, talvez, seja tarde demais!

José Inácio da Silva Filho, Ven M
Loj Maç “Dogival Costa”
Gr Loj Maç do Estado da Paraíba
Esperança – Paraíba



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