Palácio do Lavradio – Marco Histórico da Maçonaria Brasileira

Palácio do Lavradio – Marco Histórico da Maçonaria Brasileira

 Procurarei neste artigo aos amigos que me distinguem com a qualificada leitura todos os sábados, descrever em síntese o Palácio do Lavradio.

Ainda me encontro em emoção muito espiritual, conduzindo para sempre os momentos maçônicos vividos quando da recepção como Membro Honorário da Loja “Comércio e Artes” n° 001, fundada em 1815, berço da Independência do Brasil, templo histórico sediado no Palácio do Lavradio, especificamente na Rua do Lavradio. Via da cidade localizada no Centro do Rio de Janeiro.

Lavradio é uma freguesia do Concelho do Barreiro em Portugal, o significado da palavra é terra arável, fértil, razão pela qual o Brasão da Freguesia do Lavradio é um arado.

A Rua do Lavradio foi um dos pontos mais nobres no Império e na primeira metade do século passado. Aberta em 1771 pelo Marquês do Lavradio, que assumiu o vice reinado em 1769. Personalidades ilustres moraram no Lavradio como o encarregado de negócios da França, Sr. M. Pontois, Duque de Caxias, Marquês de Olinda, Marquês de Cantagallo, artista Jesuína Monteiro, ator João Caetano, Eduardo Laemmert, Visconde de Jaguari, André Rebouças, Vieira Souto, Antônio Saldanha da Gama e o escritor Valentim Magalhães que se reunia sempre com Raul Pompéia, Olavo Bilac, Coelho Neto e Lúcio Mendonça.

O Marquês de Lavradio mandou construir a sua residência nessa rua, cujo prédio ainda se localiza na esquina com a Rua da Relação, onde promovia muitas festas e reuniões sociais, como forma de compensar as poucas opções de lazer da capital da Colônia. Hoje, no Centro Histórico do Rio, conta com concorridos bares e restaurantes e nelas são promovidas feiras de antiguidades, prestigiadas pelos mais conhecidos antiquários da cidade.

Uma construção de grande valor histórico é o Palácio Maçônico do Lavradio, situado no número 97, de estilo neoclássico, cuja planta original é atribuída a Grandjean de Montigny, sede do Grande Oriente do Brasil, fundado em 1822. O seu terreno foi comprado em 1836 pelo ator português Vitor Porfínio Borja, nele começando a edificar um majestoso teatro para torná-lo rival do Teatro João Caetano, e acabou desistindo do projeto por falta de recursos.

Em 27 de outubro de 1928 foi publicado no Jornal do Commércio, anúncio de leilão do prédio. Várias lojas maçônicas se agregaram, formando a Companhia Glória do Lavradio, financiando a aquisição do prédio que seria o teatro.

Percorri as dependências do Palácio do Lavradio, juntamente com os Irmãos que me conduziram ao Rio de Janeiro e ali bem de perto, vimos três estátuas em mármore de Carrara, representando a Caridade, a Fé e a Esperança, medindo a primeira 1,40m de altura, presenteada em 1844 pelo maçom Ferdinand Petrich, escultor natural da Alemanha, iniciado na Loja Maçônica da Pensilvânia, Estados Unidos. As estátuas da Fé e da Esperança foram colocadas no local em 1880.

Até o início da República todos os templos eram iluminados por velas de cera, querosene ou óleo, passando a seguir a iluminação a gás, definitivamente substituída em 1910 por iluminação elétrica.

No Palácio do Lavradio estão expostos no corredor de acesso, quadros que retratam vários personagens da nossa história e em outro corredor, na parte inferior, as alfaias e aventais pertencentes a cada um deles. Saldanha Marinho, Visconde de Inhauma, Marquês de Abrantes, D. Pedro I, Senador José Vergueiro, Joaquim Gonçalves Ledo, General Osório, Visconde de Sapucahy e Visconde de Rio Branco.

Este corredor é margeado por retratos em guache de todos os maçons que ocuparam o Grão Mestrado do Grande Oriente do Brasil. Nas paredes, placas elaboradas em mármores e metais. O Templo Nobre do Palácio Maçônico do Lavradio, onde com muita emoção, junto com os mais de 50 Irmãos de Goiás, totalizando 97 presentes, recebemos o título de Membro Honorário em sessão presidida pelo Venerável Mestre Abramo Scarlato, foi inaugurado em 13 de fevereiro de 1902, com galerias laterais e camarotes, que foram idealizadas pelo Grão Mestre e ex-presidente da República Nilo Peçanha, em 1918. Construídas em 1921, na gestão do Grão Mestre Tomaz Cavalcante de Albuquerque.

O templo nobre em que nos reunimos é uma réplica do Parlamento Inglês. Recebeu o nome de Gonçalves Ledo em 1928. Homenagem ao grande mentor e articulador de nossa Independência.

Maçons que exerceram a presidência da República passaram pelo Palácio do Lavradio, como Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Sales, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás e Washington Luís.

Duas telas pintadas em óleo em 1869, ambas de autoria de Eduardo de Lartimo, representam a Guerra do Paraguai. Uma denominada “Entrada da esquadra em Assunção”, a outra “Paisagem de Humaitá”, doadas pelo Visconde de Rio Branco.

Observei com muita atenção o relógio carrilhão em madeira entalhada com símbolos maçônicos do século XIX, com 2,10m de altura e engrenagens. Também observei o busto do Visconde de Rio Branco, esculpido em mármore e as espadas pertencentes a Henrique Valadares e ao patrono do Exército Brasileiro, Marechal Duque de Caxias.

À entrada, o busto de D. Pedro I, confeccionado em bronze fundido em Paris, por Fontaine e modelado por Marc Ferrez. Nesta sala do Conselho está o trono de Grão Mestre, construído em jacarandá, com incrustações em marfim, entalhado e folheado a ouro, classificado como “Trono de D Pedro I”. Na biblioteca, vi um variado acervo bibliográfico, com uma coleção de todas as Leis do Império, destacando entre as várias preciosidades a “Bíblia de 1555, escrita em aramaico e doada a D. Pedro II pelo escritor Vitor Hugo, por ocasião de visita do Imperador à França.”

O Palácio do Lavradio foi tombado pela Divisão de Patrimônio do antigo estado da Guanabara, em 1972.

Ao Juiz de Direito, advogado militante em Caldas Novas, membro da Academia Tocantinense de Letras, da Academia de Letras e Artes de Piracanjuba, Juiz do Tribunal de Justiça Maçônico, fraterno Irmão Orimar de Bastos, cronista deste Diário da Manhã, agradeço seu artigo do dia 04 de outubro. Juntos tivemos a emoção de sentar no Trono do Imperador D. Pedro I.

Palácio do Lavradio, marco histórico da maçonaria brasileira.


Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, delegado de polícia aposentado, professor e Grão Mestre da Maçonaria Grande Oriente do Estado de Goiás – barbosanunes@terra.com.br

36º Artigo do Grão Mestre Barbosa Nunes para o Jornal Diário da Manhã, publicado na edição do dia 08/10/2011.



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