Templaios

Os Templários

Os Templários

Após as primeiras cruzadas organizadas pela Igreja Católica para defender os lugares sagrados da Palestina, santificada pela vida e paixão de Jesus Cristo, em 1128 foi instituída a Ordem dos Templários, um exército cristão permanente.

 

A atividade bélica dos Templários lhes trazia um prestígio financeiro jamais alcançado por qualquer outra instituição religiosa. Tais eram as vitórias dos Templários e o poderio de suas fortalezas, que os príncipes, reis e particulares – em sinal de agradecimento pela proteção que deles recebiam – cumulavam-nos de dádivas e oferendas valiosas e confiavam-lhes suas fortunas. Com o tempo, os Templários esqueceram os objetivos de sua instituição, para preocuparem-se com empréstimos feitos aos reis e países, com taxas de juros, descontos e execuções de dívidas.

Em 1291, quando os mulçumanos conquistaram São João d’Acre, última cidade cristã da Terra Santa, após a queda de Jerusalém, os Templários perderam prestígio. Se sua função primordial consistia em proteger os peregrinos na Terra Santa, que necessidade havia de manter aquela poderosa e rica organização?

A situação dos templários era muito delicada. O Grão-Mestre da Ordem Templária, Jacques de Molay, residia no Chipre (sua base mais avançada) esperando a ocasião para reconquistar a Terra Santa.

Reinava na França, Felipe IV, “O Belo”, o qual era inteligente e astuto, ambicioso e maquiavélico, mas estava completamente arruinado. Tudo tentou para melhorar sua situação econômica: alterar a moeda, limitar os benefícios da Igreja, explorar o judeus, desvalorizar a moeda … Por fim, o rei tentou controlar os bens da Ordem Templária: tentou introduzir um de seus filhos na Ordem, para que chegasse a Grão-Mestre, mas Jacques Molay se opôs e, desde então, o rei passou a perseguir os templários.

O plano do rei era extinguir a Ordem fazendo com que suas riquezas passassem para o Estado combalido. Com a morte do Papa Bonifácio VIII, o qual protegia os templários, assim como com a morte de Bento XI, o qual ocupou por pouco tempo o papado, assumiu um Papa francês: Clemente V, submisso às ordens reais mudou a sede do papado para Avinhão.

Clemente V mandou Jaques de Molay vir do Chipre em 1306, e este, sem perceber a situação, se apresenta em Paris acompanhado de alguns grandes oficiais da Ordem, trazendo uma grande remessa de ouro e prata, boa parte do tesouro da Ordem. O rei pede mais um emprétimo e lhe é concedido imediatamente.

Um antigo templário, Esquin de Floyrac, condenado, ressentido pois havia sido expulso da Ordem, apresentou-se ao Rei da França, contando ter ouvido, na prisão, as confissões de um Templário apóstata sobre a vida dissoluta dos mombros da Ordem do Templo. Não foi difícil para o rei encontrar outros antigos templários expulsos da Ordem e dispostos igualmente a dimamá-la: assim foram dados os primeiros passos para o pedido de instauração de um processo contra os Templários, acusados de intemperança, de deboche, de luxúria, de avidez e de homossexualismo (o próprio selo da Ordem, em que se viam um peregrino e um templário montados num mesmo cavalo, foi apontado como prova de sodomia), da adoração de um deus barbudo – Bofomet – perante o qual diziam missa, sendo que uma das provas pelas quais passavam os candidatos a ingresso na Ordem, consistia em renegar três vezes o Cristo e cuspir três vezes sobre o Cruxifixo.

No dia 13 de outubro de 1307, Felipe, “o Belo”, ordenou a detenção de todos os Templários franceses com apoio de Guilherme de Paris, confessor do rei e Inquisidor Principal da França. Em nome da Inquisição os Templários foram torturados até a completa confissão, inclusive Jaques de Molay.

Ponsard de Gizy, um dos Templários, narrou que antes de ser interrogado permaneceu três meses dentro de um fosso, com as mãos amarradas às costas, sem possibilidade de qualquer movimento. Outro torturado disse que ao ver cinquenta membros da Ordem serem queimados vivos, confessou tudo quanto lhe exigiam. “Se me acusassem de ter sido o assassino de Cristo, eu confessaria esse crime!”.

Após a intervenção do Papa, os tribunais eclesiasticos foram mais brandos com os Templários que ainda continuavam presos. Restava o julgamento dos dignatários da Ordem, que deveria ser procedido por um tribunal sob a dependência direta do Papa. Realizou-se o julgamento do Grão-Mestre Jacques de Molay e de outros três dignatários em 18 de março de 1314.

Dos quatro, apenas Jacques e Godofredo de Charnay ainda estavam lúcidos, após as sequências de torturas.

O Cardeal Arcebispo de Albano leu a SENTENÇA: “Ouvidos os Irmãos Geraldo du Passage e João de Cugny que afirmam terem sido forçados, quando da sua recepção na Ordem, além de muitas outras coisas, a escarrar sobre a Cruz porque, segundo lhes foi dito, aquilo não passava de um pedaço de madeira, estando no céu o verdadeiro Deus… Ouvido o Irmão Guido Dauphin, ao qual foi ordenado, se um dos irmãos superiores se sentisse atormentado pela carne e quisesse satisfazer-se nele, a consentir em tudo quanto lhe fosse solicitado… Ouvido o Grão-Mestre Jacques de Molay que reconheceu e confessou… Ouvido o Irmão Hugo de Payraud que exigiu dos noviços, como obrigação, renegassem Cristo três vezes… Considerando que os acusados confessaram e reconheceram seus crimes, condenamo-los ao muro e ao silêncio pelo resto de seus dias, a fim de que obtenham remissão de suas faltas pelas lágrimas do arrependimento. In nomine Patris…”

Após a leitura da sentença, Jaques de Molay protestou: “Protesto! Protesto contra essa setença iníqua e afirmo que os crimes de que me acusam foram inventados!”

Godofredo de Charnay também ergueu a voz: “Fomos vítimas de vossos planos e de vossas falsas promessas! É o ódio, a vossa vingança que nos pedem! Mas afirmo diante de Deus que somos inocentes e os que dizem o contrario mentem miseravelmente!”

Formou-se um tumulto e no meio do barulho o Arcebispo de Marigny – erguendo ao alto sua cruz peitoral – gritava: “Dois dos condenados são declarados relapsos, pois reincidiram em suas heresias e rejeitaram a justiça da I
greja! A Igreja os entrega à justiça do rei!”. A entrega dos réus pela Inquisição, ao braço secular, siguinificava a condenação à morte.

Naquela mesma tarde Jacques de Molay e outros trinta e seis templários foram queimados em uma fogueira, em uma ilha do Sena.

EXECUÇÃO: O Grão-Mestre foi levado à fogueira, onde amarraram suas mãos a um poste, então ele disse aos carrascos: “Ao menos deixem-me que junte um pouco as mãos para poder orar a Deus, já que vou morrer. Deus sabe que morro injustamente. Estou convencido de que ele vingará nossa morte. A vós, Senhor, rogo que voltes para minha direção o rosto da Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo”. Foi-lhe concedido o último pedido

13 de outubro de 2009 às 13:29



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