Hospitallers

Os Hospitalários

Os Hospitalários

Hospitallers
Ordem de aristocratas, nunca teve entre os seus cavaleiros pessoas que não pertencessem à fidalguia. O hábito regular consistia numa túnica e num grande manto negro, no qual traziam, pregada no lado esquerdo, uma cruz de ouro, com esmalte branco.

Por volta de 1099, alguns mercadores de Amalfi fundaram em Jerusalém, sob a regra de S. Bento e com a indicação de Santa Maria Latina, uma casa religiosa para recolha de peregrinos. Anos mais tarde construíram junto dela um hospital que recebeu, de Godofredo de Bulhão, doações que lhe asseguraram a existência, desligou-se da igreja de Santa Maria e passou-se a formar congregação especial, sob o nome de São João Baptista.

 

Em 1113, o Papa nomeou-a congregação, sob o título de São João, e deu-lhe regra própria. Em 1120, o francês Raimundo de Puy, nomeado Grão-Mestre, acrescentou ao cuidado com os doentes o serviço militar.

“Hospitalários” vem da palavra “Hospício”, que naquele tempo tinha a conotação de local para tratamento e/ou hospedagem de pessoas doentes ou pobres sem gratificação, monetária ou econômica, ao serviço prestado. Então quando vocês lerem por ai que os Hospitalários eram proprietários de vários hospícios (Hospices) na Terra Santa, não vão achar que eles eram psiquiatras! (se bem que… dada todas as condições de horror das batalhas, pensando bem, não era um nome tão inapropriado assim…). Do seu nome, vem a palavra “Hospital” que usamos até hoje como sinônimo para “Edifício onde se tratam os doentes”. Mais tarde, veremos que a Ordem irá mudar seu nome e local de sede por motivos alheios à sua vontade, adotando uma nova bandeira que hoje é mundialmente conhecida.

HISTÓRICO

Ordem Militar Soberana do Hospital de São João de Jerusalém, ou Ordem dos Hospitalários, surgiu de uma hospedaria para peregrinos criada em 1080 e dedicada a S. João Batista perto da abadia beneditina de Santa Maria dos Latinos, em Jerusalém, fundada em 1050 por mercadores de Amalfi. Seus servidores formaram uma fraternidade laica sob a regra dos Agostinhos.

Com a conquista de Jerusalém pelos cruzados em 1099 e o estabelecimento dos Estados Cruzados na Palestina, o número de peregrinos cresceu, mas o estado de guerra em torno deles aumentou o perigo da viagem. Uma bula papal de 1113 reconheceu os Hospitalários de S. João como uma ordem monástica e logo depois, sob a influência dos Templários (fundados em Jerusalém em 1120), os Hospitalários se transformaram em guardas armados e logo em monges combatentes, participando das Cruzadas e mantendo fortalezas e hospedarias ao longo da Terra Santa. Sua cruz de oito pontas tem significado semelhante à cruz dos Templários, mas é branca sobre fundo vermelho e tem um desenho diferente.

Muitos deles pereceram nas batalhas que levaram à queda de Jerusalém em 1189, que levou a sede da Ordem a recuar para Trípoli e depois para Acre até sua queda em 1291. Em seguida, a Ordem recuou para Chipre. Em 1301, reorganizou-se em sete línguas: Provença, Alvérnia, França, Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha, cada uma chefiada por um Pilier, mantendo um dos seis cargos supremos da ordem: Grande Comandante, Marechal, Hospitalário, Almoxarife (ou Drapier, encarregado da roupa e moradia dos cavaleiros), Almirante e Turcópolo (comandante da cavalaria ligeira, sem armadura). A Alemanha não tem um cargo; o cargo de Tesoureiro não foi designado a uma língua específica.

As línguas correspondem a grupos regionais de priorados e estes a agrupamentos de comendas. Estas consistem em propriedades doadas ao longo dos anos à Ordem. As comendas podem simplesmente ser propriedades ou casas nas quais podem viver e compartilhar algo da vida espiritual da Ordem irmãos leigos (os corrodários), homens e mulheres que não cumpriam alguns dos requisitos nobiliários da ordem (os confrades ou escudeiros) ou nas quais os noviços se preparavam para seus votos. Algumas casas são conventos de monges e freiras. Espera-se que cada uma das Línguas envie um número estabelecido de cavaleiros ao convento principal em Malta.

Em 1310, a Ordem dos Hospitalários conseguiu conquistar a ilha de Rodes e herdar as propriedades da extinta Ordem dos Templários no Oriente. Em 1489, incorporou a Ordem dos Cônegos do Santo Sepulcro, passando a chamar-se Ordem Militar Soberana do Hospital de São João de Jerusalém e do Sepulcro de Cristo. Ficaram em Rodes até serem expulsos pelos turcos em 1522, mas em 1530 o Imperador Carlos V deu-lhes a ilha de Malta. Em 1565, resistiram com êxito, sob a liderança do grão-mestre La Valette, a uma tentativa de invasão otomana e em 1571 contribuíram para a derrota da esquadra otomana na batalha de Lepanto.

Ao contrário do que ocorreu com a Ordem de Cristo, a Ordem dos Hospitalários tornou-se cada vez mais elitista. Inicialmente, exigia-se do pretendente a cavaleiro apenas que pertencesse a uma família de cavaleiros, mas nos anos 1350, passou-se a exigir a nobreza de ambos os pais, em 1428 a nobreza de quatro gerações do lado paterno e em 1550 a nobreza dos quatro costados (todos os avós). Cada uma das Línguas tem requisitos próprios, que podem ser ainda mais rígidos: a França exige 8 costados (todos os bisavós), a Itália 200 anos em cada uma das quatro linhas, a Alemanha 16 costados (trisavós) etc. No século XVII, a nobreza de toga ou de função (nobres designados) foi excluída de sua cavalaria. Não nobres podem, porém, ser capelães (o clero da ordem) ou sargentos (seu “terceiro estado”).

O grão-mestre passou a ser considerado Príncipe do Sacro Império em 1607 e Eminência da Igreja Católica Romana em 1630, o que o equiparou aos cardeais. A Ordem teve e continua tendo um papel importante na guerra contra os luso-brasileiros, como a contrapartida católica da Ordem de Cristo, convertida ao sebastianismo. Tiveram também papel importante na guerra final contra os turcos e na reconquista da Palestina em 1766.

Em 1780, a Ordem inclui 1.700 cavaleiros combatentes, 3 mil não-combatentes, 17 mil sargentos e soldados e 15 mil auxiliares e dependentes civis. Governa de forma semi-independente a ilha de Malta, além de vários domínios feudais na Europa, a Tripolitânia e a Cirenaica. Participa da Dieta do Sacro Império, do Colégio dos Cardeais e da administração da Palestina.

Os cavaleiros entram no noviciado, tomam votos simples depois de um ano e votos solenes depois dos 21. Membros professos (sejam cavaleiros, capelães ou sargentos) são chamados “de Justiça”. Os sargentos usam a “meia-cruz”. Indivíduos que não preencham os requisitos de nobreza mas se distinguiram de alguma maneira podem ser feitos “Cavaleiros da Graça”, enquanto os “Cavaleiros da Justiça” que renunciaram a seus votos e se casaram para atender a obrigações familiares podem se tornar “Cavaleiros da Devoção”.

As prioridades militares da Ordem são 1) a luta contra o islamismo, que a coloca na linha de frente dos combates com o Califado e da repressão dos levantes nos domínios norte-africanos do Sacro Império e 2) a vigilância das forças navais luso-brasileiras no Mediterrâneo, possuindo para isso uma força naval com base na ilha de Malta. Além disso, a organização também mantém seminários, conventos, faculdades de teologia e uma importante rede de hospitais e instituições de caridade.

 



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