O último imperador do Sacro Império Romano-Germânico

O último imperador do Sacro Império Romano-Germânico

Carlos V, último imperador do Sacro Império Romano-Germânico, em obra de Van Dyck.

Nome do território governado por reis germânicos, de 962 a 1806. O Sacro Império Romano-Germânico foi fundado por Oto I, que em 962 foi coroado imperador pelo Papa João XII. A principal característica do Sacro Império Romano-Germânico, durante um período de sua história, foi a união das atuais Alemanha e Itália (exceto o Reino das Duas Sicílias) sob um só governante. Em fins do séc. XIII, contudo, o Império havia perdido o domínio sobre a maior parte da Itália e da Borgonha, além de boa extensão da Alemanha. No entanto, os reis germânicos continuaram a usar o título de imperador do Sacro Império Romano Germânico até 1806.

O Império de Oto foi, de algum modo, uma ressurreição do Império de Carlos Magno, embora não incluísse a França e o sul da Itália. Durante o séc. X, Oto conseguiu controlar vários importantes ducados germânicos. Atravessou os Alpes em 951 e fez-se rei da Itália. Em 961, atendeu a um pedido de socorro do Papa e cruzou novamente os Alpes.

Como recompensa, foi coroado imperador do Sacro Império no ano de 962. Logo depois, no entanto, Oto destituiu o Papa, substituindo-o por Leão VIII. O imperador, assim como os seus sucessores, julgava-se o protetor da Igreja, tentando de todas as maneiras tê-la sob seu controle.

Durante os 200 anos seguintes, os sucessores de Oto lutaram para dominar a Itália e controlar a Igreja. Tiveram de combater não só o Papa, mas também o crescente poder das cidades do norte da Itália. Com isso, esses imperadores concediam amplos poderes aos nobres germânicos, em vez de dominar os senhores feudais, como haviam feito os reis da Inglaterra e da França. Em consequência, alguns Estados, como a Prússia, tornaram-se quase independentes. Esses fatos atrasaram a unificação da Alemanha.

Quando Rodolfo de Hasbsburgo chegou ao poder, em 1273, e iniciou a dinastia dos Habsburgo, o Sacro Império já passava por um período de decadência em razão das disputas entre os príncipes e os conflitos com a Igreja. Em 1356, Carlos IV de Luxemburgo, para tentar acalmar as disputas internas, promulgou a Bula de Ouro, instituindo que sete príncipes germânicos elegeriam o imperador. Mais tarde, esse número passou para nove.

Carlos V, que governou entre 1519 e 1556, foi o último imperador a comandar um Império ainda forte e grande, embora dividido em vários territórios sem unidade em razão das brigas político-religiosas. Depois dele, o Sacro Império Romano Germânico fragmentou-se em razão da Reforma Protestante e da Guerra dos 30 anos, e passou a perder territórios.

O Tratado de Vestfália, de 1648, desmembrou a Alemanha após os conflitos entre católicos e protestantes. Em 1700, a nomeação de Frederico I como rei da Prússia originou uma série de conflitos entre a Áustria e a Prússia.

Em 1805, após a derrota para Napoleão, o Sacro Império Romano-Germânico teve fim e os Estados alemães foram reorganizados na Confederação do Reno, sem o Império Austríaco. Mas foi apenas em 6 de agosto de 1806 que o imperador Francisco II aceitou a derrota e renunciou ao poder imperial.



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