O Templo e a Arca da Aliança

O Templo e a Arca da Aliança

Segundo a tradição esotérica, o “templo” feito, construido por Salomão encerrava, em sua estrutura, algo mais que finalidades estético-arquitetônicas; e vista a personalidade e as afeições do grande rei, é para não duvidar que essas foram suas intenções quando encarregou a obra aos arquitetos do rei fenício Hiram. Os fenícios, como os israelitas, eram oriundos da Suméria, e apesar dos muitos milhares de anos que separavam aos dois monarcas mediterrâneos da desaparecida civilização do golfo Pérsico, algo dos conhecimentos de seus ancestrais devia restar-lhes por via das tradições, ainda que fosse como “superstição”: visto que o subseqüente semitismo, da ciência dos antigos sumérios, não havia sido capaz de entender nem a metade da missa, limitando-se a conservar delas técnicas e rituais como “magia”.

Da Suméria a Salomão

Quanto tempo havia transcorrido desde a eclipse da antiga Suméria à época de Salomão? Tendo em conta que este reinou ao redor do 1.000 a.C., vários milênios, um lapso mais que suficiente para que as recordações do passado tivessem sido transformadas em mitologia e os conhecimentos tecnológicos-práticos dessa idade áurea em rituais e fórmulas, algumas religiosas e culturais, outras esotéricas.

Estando assim as coisas, não andam desencaminhados os que vêem no Templo de Jerusalém uma espécie de compêndio de saberes misteriosos. No entanto seria uma ingenuidade buscar as raízes culturais desse compêndio somente na antiga Suméria: se Abrahão e os seus procediam de Ur, os israelitas da época do rei Salomão também haviam acumulado cultura egípcia, depois de ter permanecido no reino dos faraós seus mais imediatos antepassados de muitas gerações.

A tarefa de ver como decifrar o enigma da concepção esotérica do Templo salomônico não é nada simples, apesar de que se conheça bastante bem sua arquitetura. De todos os modos, de sua descrição temos que partir; em seguida, à vista de sua características e tendo em conta sua natureza de compêndio de diferentes aportações misteriosas, tentar-se-á relacionar aquelas com os protótipos culturais das áreas de procedência destas, através do método comparativo.

Uma capela privada?

Em primeiro lugar temos que dizer que o templo salomônico do Senhor em Jerusalém não foi o primeiro nem o único centro de culto de Israel. Mas é bem certo que o Templo foi uma dependência do palácio real do monarca, uma “capela privada” que naturalmente não pretendia suplantar aos anteriores centros de culto de Bethel, Shilon, Hebron, Gilgal, Dan e Bersheba, que continuaram exercendo suas funções todavia muito tempo depois do estabelecimento cultural salomônico em Jerusalém. E consta que até o século VII a.C. não se tentou fazer deste o único lugar onde realizar legitimamente o culto ao Senhor.

Sobre uma rocha do monte Sião

O emprazamento do templo escolhido por David para construir seu palácio, era a superfície de uma rocha situada no cume oriental do monte de Sião (literalmente a montanha da casa), atualmente solar sobre o qual surge a mesquita islâmica de Omar. Recentes escavações, que levantaram irados protestos dos rabinos “ortodoxos”, demonstraram que o terreno contém restos evidentes de cultos megalíticos aos mortos e a “divindades” politeístas.

O palácio de Salomão compreendia um conjunto de diversos edifícios: sua residência, a “casa do bosque do Líbano”, assim chamada por seus pilares de madeira de cedro, um pórtico de pilares, o salão do trono e, em outro pátio, uma casa para a “filha do faraó”, com a qual o rei havia casado. A esta foi acrescentada a “casa do Senhor”, como uma dependência do palácio, com uma entrada privada desde os departamentos reais, independente da que dava acesso aos fiéis em geral.

Tal como é descrita na Bíblia, sua planta era a de “uma casa longa mesopotâmica” ou templo com vestíbulo (salão largo), nave (salão longo) e “adytum” (sala quadrada). Era retangular o conjunto, orientado de Leste a Oeste, e no pátio central estava o altar dos holocaustos, erigido sobre a rocha viva do solo sagrado (a sakhra). Ao pátio se acedia por um pórtico ou ra de cipreste. Diante da entrada, e franqueando-a, havia duas colunas de bronze chamadas Jachin e Boaz, adornadas com motivos de romãs e capitéis, de doze côvados de altura e quatro de diâmetro, evidentes evoluções das colunas megalíticas situadas à entrada dos templos malteses, e estas dos mais antigos menires espalhados por toda a geografia mundial das culturas dos “povos do mar”.

O recinto da Arca

Na parte interior do alpendre, o lugar sagrado (hekal), de quadro côvados de comprimento por vinte de largura e trinta de altura, ao que se acedia por duplas portas. O hekal encontra-se em penumbra, recebendo a luz por uma fileira de janelas gradeadas situadas no alto da parede. Atrás da nave estava a “sancta sanctorum”, isto é, o “dever”, no extremo oeste do edifício. Formava este ambiente fechado um cubo perfeito de vinte côvados de altura, comprimento e largura. Nele era guardada “a Arca”, franqueada por dois querubins de madeira de oliveira, tendo o tamanho de 10 côvados de altura e estando recobertas de ouro. Sua posição era similar a das esfinges aladas que suportam o trono do rei, como é apreciado em um marfim de Megiddo, e as egípcias que com suas asas estendidas protegem a Horus menino. O hekal e suas duplas portas estavam decorados com motivos de palmeiras, flores e querubins, todos forrados de ouro, e na sala eram guardados os candelabros de ouro, a mesa dos doze pães e um altar de cedro, também recoberto de ouro, colocado em frente de uma escada que conduzia ao dever. O santo lugar portanto, encontra-se como um nicho na parede de fundo, disposição habitual na Fenícia para o “quarto do deus” dos templos idólatras.

Pelos lados norte e sul do hekal abriam-se pequenas portas que conduziam a uma escada pela qual se subia aos três pisos superiores do edifício, onde haviam habitações pequenas, tipo celas.

Templo de Salomão

O Templo de Salomão foi o primeiro Templo em Jerusalém, construído no século XI AC, e funcionou como um local de culto religioso judaico central para a adoração e os sacrifícios conhecidos como korbanot.

O Rei Davi, da tribo de Judá, desejava construir uma casa para YHWH, onde a Arca da Aliança ficasse definitivamente guardada, ao invés de permanecer na tenda provisória ou tabernáculo, existente desde os dias de Moisés. Segundo a Bíblia, este desejo foi-lhe negado por Deus em virtude de ter derramado muito sangue em guerras. No entanto, isso seria permitido ao seu filho Salomão, cujo nome significa “paz”. Isto enfatizava a vontade divina de que a Casa de Deus fosse edificada em paz, por um homem de paz. (2Samuel 7:1-16; 1Reis 5:3-5; 8:17; 1Crónicas 17:1-14; 22:6-10).

Davi comprou a eira de Ornã ou Araúna, um jebuseu, que se localizava monte Moriah ou Moriá, para que ali viesse a ser construído o templo. (2Samuel 24:24, 25; 1Crónicas 21:24, 25) Ele juntou 100.000 talentos de ouro, 1.000.000 de talentos de prata, e cobre e ferro em grande quantidade, além de contribuir com 3.000 talentos de ouro e 7.000 talentos de prata, da sua fortuna pessoal. Recebeu também como contribuições dos príncipes, ouro no valor de 5.000 talentos, 10.000 daricos e prata no valor de 10.000 talentos, bem como muito ferro e cobre. (1Crónicas 22:14; 29:3-7) Salomão não chegou a gastar a totalidade desta quantia na construção do templo, depositanto o excedente no tesouro do templo (1Reis 7:51; 2Crónicas 5:1).

Aspectos da Construção

O Rei Salomão começou a construir o templo no quarto ano de seu reinado seguindo o plano arquitectónico transmitido por Davi, seu pai (1Reis 6:1; 1Crónicas 28:11-19). O trabalho prosseguiu por sete anos. (1Reis 6:37, 38) Em troca de trigo, cevada, azeite e vinho, Hiram ou Hirão, o rei de Tiro, forneceu madeira do Líbano e operários especializados em madeira e em pedra. Ao organizar o trabalho, Salomão convocou 30.000 homens de Israel, enviando-os ao Líbano em equipas de 10.000 a cada mês. Convocou 70.000 dentre os habitantes do país que não eram israelitas, para trabalharem como carregadores, e 80.000 como cortadores (1Reis 5:15; 9:20, 21; 2Crónicas 2:2). Como responsáveis pelo serviço, Salomão nomeou 550 homens e, ao que parece, 3.300 como ajudantes. (1Reis 5:16; 9:22, 23)

O templo tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel. A diferença residia nas dimensões internas do Santo e do Santo dos Santos ou Santíssimo, sendo maiores do que as do tabernáculo. O Santo tinha 40 côvados (17,8 m) de comprimento, 20 côvados (8,9 m) de largura e, evidentemente, 30 côvados (13,4 m) de altura. (1Rs 6:2) O Santo dos Santos, ou Santíssimo, era um cubo de 20 côvados de lado. (1Reis 6:20; 2Crónicas 3:8)

Os materiais aplicados foram essencialmente a pedra e a madeira. Os pisos foram revestidos a madeira de junípero (ou de cipreste segundo algumas traduções da Bíblia) e as paredes interiores eram de cedro entalhado com gravuras de querubins, palmeiras e flores. As paredes e o tecto eram inteiramente revestidos de ouro. (1Reis 6:15, 18, 21, 22, 29)

Após a construção do magnífico templo, a Arca da Aliança foi depositada no Santo dos Santos, a sala mais reservada do edifício.

Foi pilhado várias vezes. Seria totalmente destruído por Nabucodonosor II da Babilónia, em 586 a.C., após dois anos de cerco a Jerusalém. Os seus tesouros foram levados para a Babilónia e tinha assim início o período que se convencionou chamar de Captividade Babilónica na história judaica.

Décadas mais tarde, em 516 a.C., após o regresso de mais de 40.000 judeus da Captividade Babilónica foi iniciada a construção no mesmo local do Segundo Templo, o qual foi destruído no ano 70 d.C., pelos romanos, no seguimento da Grande Revolta Judaica.

Alguns afirmam que o actual Muro das Lamentações era parte da estrutura do templo de Salomão.

by Ivair Ximenes, MS Maçom

blog.msmacom.com.br



Total de leitores: 1.395. Leitura diária: 1. Total de visitas: 2.951.100
mm

About Ivair Ximenes Lopes. Ivair Ximenes

Deixe seus Comentários

Seu comentário é muito importante. Com ele tomamos iniciativas úteis.