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O Surgimento das Grandes Lojas no Brasil

O Surgimento das Grandes Lojas no Brasil

A  história da Maçonaria no Brasil, no que se refere às atividades das  Grandes Lojas Estaduais Soberanas, está íntima e indissoluvelmente  ligada à história do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito,  podendo, para tanto, ser sintetizada em três períodos.

I Período   Lojas Selvagens

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Em 12 de novembro de 1965, foi fundada a CMSB e instalada em julho de 1966.

Chamavam-se  Lojas “Selvagens” aquelas existentes no País, ao tempo em que a Sublime  Instituição ainda não havia sido organizada em Potências Maçônicas como  hoje ocorre. Essas Lojas, em quase sua totalidade, não se identificavam  publicamente com o nome de Loja Maçônica. Ocultavam-se sob os títulos  de clubes literários, grêmios, etc., para escapar à perseguição tenaz  que lhes era movida pela Inquisição e autoridades coloniais.  Reconhece-se, no entanto que existe muita lenda e controvérsia em torno  dessas Lojas.

II Período   Grande Oriente do Brasil e Supremo Conselho Confederados

A  partir de 1822 termina o período das Lojas “Selvagens” e três delas se  reúnem para fundar o grande Oriente do Brasil, o qual mais tarde,  sofreu uma cisão, separando-se dele uma parte ponderável que se  constituiu em outra Potência com o nome de Grande Oriente Brasileiro.  Seguiram ambas o Rito Moderno, inspiradas no sistema do Grande Oriente  de França.

A história  do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil tem que se desintegrar da  história do Grande Oriente do Brasil até o ano de 1864, pois que até  esta data o que existia de Escocismo dentro desse Corpo era irregular,  clandestino, espúrio. Seu Supremo Conselho, fundado irregularmente,  patenteado por um Corpo irregular, não fora até aquela data reconhecido  como legítimo por nenhum outro Supremo Conselho. De 1864 para cá,  confunde-se a história dos dois Corpos, porquanto foi naquela data que  os remanescentes dos Supremos Conselhos, legítimos de Montezuma e David  Jewett, fundiram-se com o irregular do Lavradio, dando-lhe a  regularidade de que era carecedor.

A  história, pois, do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil, pode ser  dividida em três períodos: o primeiro, de 1832 até 1864, quando viveu  inteiramente separado do Grande Oriente do Brasil; o segundo, de 1864 a  1926, quando o Supremo Conselho viveu confederado ao Grande Oriente do  Brasil; e o terceiro, de 1926, quando rompeu-se a confederação, até os  dias de hoje. Esses três períodos se caracterizam perfeitamente pela  organização maçônica em nossa terra. No primeiro, coexistiam o Supremo  Conselho, tendo sob sua jurisdição o Simbolismo e o Grande Oriente do  Brasil, potência do Rito Moderno exclusivamente a princípio, depois  adotando outros, vários, inclusive o escocês, para o qual criou um  Supremo Conselho irregular; no segundo período, a fórmula de potência  mista – Grande Oriente do Brasil e Supremo Conselho, confederados; no  terceiro, enfim, o Supremo Conselho, reconhecendo plena soberania ao  Simbolismo, autoriza a formação das Grandes Lojas em todos os Estados  da Federação.

Conforme  é do conhecimento geral, o primeiro Supremo Conselho, que existiu  trabalhando integralmente sob a fórmula adotada nas Constituições de  1786, foi o de Charleston, nos E.U.A., constituído em 1801. A este  seguiu-se o de França, em 1804. A situação dos dois países em matéria  maçônica era muito diferente. Nos E.U.A. estavam todas as Lojas  Simbólicas reunidas sob a jurisdição de Grandes Lojas Soberanas,  formadas nos diferentes Estados da Federação.

Na  França, existia o Grande Oriente trabalhando no Rito Francês, com sete  graus, fruto da cisão havida no seio da Grande Loja de França. Essa é a  razão da não existência, nos E.U.A. de Lojas Simbólicas sob a  jurisdição dos Supremos Conselhos lá existentes, o mesmo sucedendo no  Canadá, na Escócia, na Irlanda, na Inglaterra, ao passo que na França e  nos países latinos, que sempre lhes seguiram a orientação maçônica, os  Altos-Corpos Escoceses abrangiam ainda o Simbolismo.

E,  assim, se conservam as Lojas Simbólicas por muitos anos, até, com o  correr dos tempos, o Simbolismo, que sempre foi a força dinâmica da  Maçonaria, pugnar pelo seu direito de se dirigir, de se governar, de  decidir, ele próprio, os negócios da competência das Lojas, sem  intervenção dos Supremos Conselhos, aos quais as Grandes Constituições  só garantiam a exclusividade nos graus filosóficos.

O  Brasil entrou nessa corrente. Formando o seu Supremo Conselho por  Montezuma, que conhecia o escocismo através da orientação francesa, com  Cartas-Patentes da Bélgica ao ser criado, encontrou dois corpos  maçônicos, ambos trabalhando no Rito Moderno: o Grande Oriente  Brasileiro e o Grande Oriente do Brasil. Assim, Montezuma teve de criar  não só os corpos destinados à prática dos graus filosóficos, mas ainda  a dos graus simbólicos que não existiam no Rito Escocês.

Fundado,  portanto, o Supremo Conselho, em 12 de novembro de 1832, a ele se  agregaram mais tarde os Supremos Conselhos que, embora com autorização  legal, haviam sido irregularmente criados pelo Irm.’. Marechal João  Paulo dos Santos Barreto, com Carta-Patente do Supremo Conselho de  França e pelo Ir.’. Contra-Almirante David Jewett, com Carta-Patente do  Supremo Conselho Jurisdicional Sul dos E.U.A..

Sobre  a existência do Supremo Conselho Jewett, há muitas dúvidas,  acreditando-se realmente que ele nunca tenha chegado a ser instalado,  tanto que na fundação do Supremo Conselho Montezuma, Jewett aparece  como eleito para Lugar-Tenente Comendador.

O Supremo Conselho Montezuma, depois  de várias vicissitudes, fundiu-se com o Supremo Conselho chamado de  Conde de Lages; este último fundiu-se em 1845 (Tratado de União de 5 de  dezembro) com o Grande Oriente Brasileiro da Rua do Passeio. Durante a  gestão do Soberano Grande Comendador Paulino José Soares de Souza,  Visconde de Uruguai, o Grande Oriente Brasileiro fundiu-se com o Grande  Oriente do Brasil em 1864. Com essa fusão o Grande Oriente do Brasil  ganhou regularidade e legitimidade, pois o grupo que veio se juntar a  ele era o legítimo portador da regularidade e do reconhecimento  internacional, remanescentes do Supremo Conselho Montezuma.

Por  essa fusão confederaram-se as duas Potências Soberanas – o Grande  Oriente do Brasil e o Supremo Conselho para o Brasil -, aquele uma  verdadeira confederação de Ritos, o último com administração apenas do  Rito Escocês antigo e Aceito. Dentro da Federação, o chefe supremo da  Maçonaria Brasileira reunia em suas mãos os poderes de Grão-Mestre do  Grande Oriente e de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho e,  até os derradeiros anos do Império, a eleição para preenchimento da  vaga no Grão-Mestrado se fazia no seio do então chamado Grande Oriente,  que corresponde mais ou menos a atual Assembléia Geral; os votos dos  IIr.’., entretanto, só podiam recair nos nomes constantes de uma lista  tríplice, organizada pelo Supremo Conselho dentre os Irmãos que fossem  Membros Efetivos daquele Alto-Corpo Escocês. Essa prática, que pode ser  criticada e o foi várias vezes, era a única maneira de evitar as  incompatibilidades entre as leis do Grande Oriente desde a sua fundação  mais ou menos orientadas pelas do Grande Oriente de França e as do  Supremo Conselho regido pelas constituições de 1762 e 1786 e ainda  pelas decisões dos Congressos Internacionais do Escocismo.

Com  o advento da República, acentuou-se formal a divergência entre uma e  outra legislação. As reformas constitucionais sucessivas da Maçonaria  Brasileira foram calçadas sempre sobre as leis do Grande Oriente de  França, chegando a consagrar um princípio, entretanto, que só existe na  Maçonaria Brasileira – o da eleição do Grão-Mestre pelo sufrágio de  todo o Povo Maçônico, por eleição efetuada nas Lojas.

Dessas  sucessivas transformações nas leis, resultou ir aos poucos  desaparecendo até a memória de que era a Maçonaria Brasileira a  resultante de uma confederação de duas Potências igualmente soberanas,  e a usurpação de todas as atribuições do Supremo Conselho convertido em  mera chancelaria de graus e Cartas Constitutivas.

Na  última reforma constitucional, então, cumulou o desatino, abolido até o  nome do Supremo Conselho do título porque é conhecida a Maçonaria  Brasileira, restando somente o nome do Grande Oriente do Brasil em  1925. Durante o período de 1864 até 1926, exerceram o cargo de Soberano  Grande Comendador os seguintes Irmãos:

  • Bento da Silva Lisboa – Barão de Cairú (1864-1965)
  • Joaquim Marcelino de Britto (1865-1870)
  • José Maria da Silva Paranhos – Visconde do Rio Branco (1870-1872)
  • Joaquim Saldanha Marinho (1872-1883)
  • Francisco José Cardoso Júnior (1883-1885)
  • Luiz Antônio de Vieira da Silva – Visconde de Vieira da Silva (1885-1889)
  • Manoel Deodoro da Fonseca (1890-1891)
  • Antônio Joaquim de Macedo Soares (1894-1901)
  • Quintino Bocaiúva (1901-1904)
  • Lauro Sodré (1904-1916)
  • Nilo Peçanha (1917-1919)
  • Thomaz Cavalcanti de Albuquerque (1919-1922)
  • Mário Behring (1922-1933)

Contra  o estado de coisas já citado, agravado ainda pelo fato de que pelo novo  sistema de eleições para o Grande Oriente do Brasil qualquer Irmão,  mesmo sendo somente Grau 3 ou, mais grave ainda, pertencente a qualquer  outro Rito sem ser o Escocês, eleito para Grão-Mesre o era também,  automaticamente, eleito para Soberano Grande Comendador do Supremo  Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, insurgiu-se Mário  Behring, que desde 1922 ocupava esse alto posto da maçonaria escocesa e  que, em 1925, já conseguira fazer com que as eleições para o Supremo  Conselho fossem feitas exclusivamente por Membros Efetivos de seu  quadro, independente das eleições para o Grão-Mestrado, quando fora  reeleito para Soberano Grande Comendador. E, tendo em vista manter a  regularidade do Supremo Conselho, ameaçado de ser considerado irregular  pelos demais Supremos Conselhos do mundo, Mário Behring iniciou sua  grande luta.

Desde  1921, o Supremo Conselho já havia denunciado ao Grande Oriente do  Brasil a existência na sua constituição de vários artigos que o Supremo  Conselho não cumpriria por colidirem com as Leis Universais do Rito  Escocês, do qual, no Brasil, ele era o responsável e diretor. Por parte  do Grande Oriente do Brasil foi prometida uma revisão na Constituição  para sanar-se os problemas demonstrados pelo Supremo Conselho. Mas,  infelizmente, a Assembléia Constituinte do Grande Oriente do Brasil  reuniu-se em 1922, 1923, 1924, 1925 e 1926, sem que a prometida reforma  fosse feita. Em 1926, o Supremo Conselho fez um tratado com o Grande  Oriente, que tinha como Grão-Mestre o Ilustre Irmão Fonseca Hermes, que  inclusive assinou o tratado, pelo qual:

  1. O Supremo Conselho reconhecia o Grande Oriente do Brasil como única  potência regular no Brasil para os três graus simbólicos do Rito  Escocês Antigo e Aceito;
  2. O Grande Oriente do Brasil, por seu lado, reconhecia o Supremo Conselho  como única potência regular no Brasil com jurisdição sobre os  altos-graus do Rito Escocês Antigo e Aceito;
  3. O Supremo Conselho renunciava o direito de fundar Lojas Simbólicas e de  iniciar ou fazer iniciar nos três primeiros graus do Rito Escocês  Antigo e Aceito;
  4. O  Grande Oriente do Brasil, por seu lado, comprometeu-se, no Rito Escocês  Antigo e Aceito, só fundar Lojas Simbólicas e só iniciar nos três  primeiros graus;
  5. O Supremo Conselho reservava-se o  direito inerente às suas funções como regulador do Rito Escocês Antigo  e Aceito, de organizar e modificar os rituais dos três graus  simbólicos, fornecendo ao Grande Oriente do Brasil, cópias autênticas  para este imprimir e distribuir, obrigando-se este último não consentir  qualquer alteração nos referidos rituais mantendo-os como foram  aprovados pelo Supremo Conselho.

Por  este tratado firmado em 1926, ficou acertando, ainda, que as Lojas  Maçônicas do Rito Escocês Antigo e Aceito em atividade no Brasil:

  1. Ficariam desligadas do seu juramento de fidelidade e obediência ao  Supremo Conselho, que passariam a obedecer diretamente ao Grande  Oriente;
  2. Ficariam  cassadas as Cartas Constitutivas expedidas às mesmas Lojas que deverão  ser substituídas por outras emanadas do Grande Oriente do Brasil.

Com  a ratificação do Tratado e estando o mesmo em pleno vigor, estava  pacificada a Maçonaria Brasileira e trabalhando dentro dos moldes da  regularidade internacional preconizada para o Rito Escocês Antigo e  Aceito e universalmente reconhecida. Infelizmente, durou muito pouco o  Tratado que havia trazido união, paz e possibilidades de  desenvolvimento para as duas correntes de tradição maçônica no Brasil.  O rompimento deu-se pelas razões seguintes: quando o Dr. Fonseca  Hermes, cansado e doente, renunciou ao cargo de Grão-Mestre do Grande  Oriente do Brasil, passou o exercício do cargo ao seu sucessor Dr.  Octávio Kelly, e este, logo que assumiu o cargo, por atos e palavras,  inutilizou todos os esforços para a união. Anulou a convocação de uma  Assembléia Constituinte, feita por seu antecessor, alegando ser a mesma  inconstitucional; promoveu a retirada dos auxiliares de confiança de  Fonseca Hermes, substituindo-os por outros francamente adversários do  Tratado; declarou que, como juiz que era, só respeitaria os  dispositivos da Constituição do Grande Oriente do Brasil, ferissem  eles, embora, as leis dos outros Ritos; que não queria saber nem  compreendia a necessidade de uma Maçonaria internacional, antes queria  fazer uma Maçonaria nacional, porque desta é que precisávamos; que  nessas condições reporia a Constituição no seu verdadeiro pé, pouco lhe  importando as conseqüências. Ante atitude tão insólita, o Supremo  Conselho, sob cujos auspícios trabalhavam quatro quintos das Lojas  Maçônicas existentes no Brasil, só teve uma coisa a fazer, uma atitude  a tomar: denunciar o Tratado com o Grande Oriente do Brasil, chamar à  sua obediência as Lojas escocesas e com elas constituir as Grandes  Lojas que cada Estado do Brasil poderia possuir para administração dos  graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito com repleta  independência e soberania.

III Período   Grandes Lojas Estaduais e Supremo Conselho Independentes

Com  o advento das ocorrências que culminaram com a cisão entre o Supremo  Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito, tem início o terceiro período  das atividades da Maçonaria no Brasil.

A  crise que se vinha processando no seio da Maçonaria Brasileira desde  1921 acabou por ter seu ruidoso desfecho com a denúncia solenemente  feita pelo Supremo Conselho do pacto que o confederava ao Grande  Oriente do Brasil. A 20 de junho de 1927, em sessão do Supremo  Conselho, efetivou-se essa declaração e o Soberano Grande Comendador,  historiando os fatos ocorridos desde 1921, demonstrou a perfeita  lealdade do procedimento do Supremo Conselho, a cordura, a tolerância,  a longanimidade com que o Alto-Corpo Escocês, por seis longos anos,  aguardara a reforma constitucional do grande Oriente do Brasil;  demonstrou que o ratado firmado fora feito só em benefício do Grande  Oriente do Brasil, pois só por meio dele o simbolismo do Rito Escocês  Antigo e Aceito era transferido à jurisdição do Grande Oriente do  Brasil, entretanto, certo, pelas declarações formais feitas a vários de  seus membros pelo Grão-Mestre em exercício, Dr. Octávio Kelly, de que a  orientação desse Irmão era francamente desfavorável à manutenção do  Tratado; assim sendo, no uso de suas prerrogativas soberanas, em vez de  denunciar somente o tratado, preferira denunciar de vez o seu Pacto de  União e Confederação com o Grande Oriente do Brasil, separando-se  resolutamente desse Corpo e avocando a si todas as corporações  escocesas existentes no País. Em manifesto às Lojas escocesas, diz o  Supremo Conselho:

“Separando-se  do Grande Oriente do Brasil, o Supremo Conselho avoca à sua jurisdição  todos os Corpos que no Brasil trabalham no Rito Escocês, pois dele,  Supremo Conselho, emanaram todas as Cartas Constitutivas que deram vida  regular a esses Corpos, tendo sido todos esses documentos assinados  pelo Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho. Como, porém, não  quer o Supremo Conselho, em face mesmo das Leis Universais do Rito,  manter sob sua jurisdição direta o simbolismo, incentiva a criação em  todos os Estados, de Grandes Lojas Simbólicas que, por ele patenteadas,  gozarão da mais absoluta soberania, não dependendo de nenhum outro  Corpo ou organização maçônica, dentro ou fora do País. Cada Grande Loja  proverá os destinos do Simbolismo no Estado ou Estados em que tiver  sede. Suas rendas pertencer-lhes-ão, exclusivamente. Com os seus três  poderes Executivo-Legislativo-Judiciário, escolhidos pelas Lojas  reunidas em Grande Loja, todos os assuntos atinentes à Maçonaria local  serão “in loco” resolvidos.

“Por  outro lado e para concentrar toda a vida maçônica, todas as atividades  maçônicas dos Estados, para permitir o pleno desenvolvimento da  Maçonaria local, o Supremo Conselho fundará em cada Estado onde exista  uma Grande Loja, um Corpo filosófico superior – Consistórios de  Príncipes do Real Segredo – que facultará à Maçonaria, em cada Estado,  ascender na hierarquia escocesa até o Grau 32. Empunha, por essa forma  o Supremo Conselho, francamente, a bandeira da descentralização  maçônica no Brasil, propugnando pela sua reforma nas seguintes bases:

  1. uma Grande Loja soberana, para os três graus simbólicos, em cada Estado  da União, Grande Loja constituída pelas Lojas do Rito Escocês Antigo e  Aceito; para a sua regularização expedirá o Supremo Conselho uma  Carta-Patente e Constitutiva independente de qualquer pagamento,  documento que lhe garantirá o reconhecimento das Potências Maçônicas do  Universo;
  2. um Consistório do Grau 32 que terá  sob sua jurisdição as Lojas de Perfeição, Capítulos e Conselho de  Kadosch, criado onde exista uma Grande Loja; e
  3. fusão de interesses econômicos e financeiros por meio de um convênio  entre esses dois Corpos Diretores da Maçonaria Simbólica e da Maçonaria  Filosófica”.

Essa forma  de organização correspondia amplamente às aspirações de autonomia das  Lojas e Mestres dos Estados. Não se tratava tão somente de autonomia,  mas, sobretudo, de soberania. A partir de então, cada Grande Loja  Estadual viveria por si e para si, independentes de qualquer outro  poder maçônico no Brasil. O que ocorreu em 1927 foi uma reorganização  exclusivamente dentro do Rito Escocês Antigo e Aceito, do qual é o  Supremo Conselho o responsável no Brasil.

Com  os Decretos N os 04 e 07, de 3 de agosto de 1927, o Manifesto às Lojas  escocesas e uma publicação em português e inglês que foram distribuídos  para toda a Maçonaria Regular no mundo, estava oficializado o  rompimento entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente.

Deste  rompimento é que surgiriam as seis primeiras Grandes Lojas no Brasil,  as quais foram regularmente instaladas sob a autoridade de  Cartas-Patentes Constitutivas outorgada pelo Supremo Conselho do Grau  33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do  Brasil. Foram elas:

  • Grande Loja do Amazonas
  • Grande Loja do Pará
  • Grande Loja da Bahia
  • Grande Loja da Paraíba
  • Grande Loja do Rio de Janeiro
  • Grande Loja de São Paulo

Apesar  de os historiadores fazerem referência às “oito primeiras Grandes Lojas  Brasileiras”, as Grandes Lojas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul  não foram incluídas no parágrafo 2º do Decreto Nº 07, expedido pelo  Supremo Conselho em 3 de agosto de 1927, que, assim, estabelecia:

“São  reconhecidas como únicas corporações regulares com jurisdição legal  sobre as Lojas Symbolicas do Rit.’. Esc.’. Ant.’. e Acc.’. as Grandes  Lojas Soberanas do Amazonas, Pará, Parahyba, Bahia, Rio de Janeiro e  São Paulo e as que para o futuro se constituirem por Cartas  Constitutivas delle directamente emanadas ou de qualquer das Grandes  Lojas já existentes.”

Na  realidade foram 9 (nove) as Cartas Constitutivas outorgadas pelo  Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito às Grandes Lojas  pioneiras, as quais, pela ordem de concessão e independente do disposto  no parágrafo 2º do Decreto Nº 07, de 3 de agosto de 1927, e da data de  fundação, são as seguintes:

  1. Grande Loja da Bahia, fundada em 22.05.1927;
  2. Grande Loja do Rio de Janeiro, fundada em 22.06.1927;
  3. Grande Loja de São Paulo, fundada em 29.07.1927;
  4. Grande Loja da Paraíba, fundada em 24.08.1927;
  5. Grande Loja do Amazonas, fundada em 24.06.1927;
  6. Grande Loja de Minas Gerais, fundada em 26.09.1927;
  7. Grande Loja do Rio Grande do Sul, fundada em 08.01.1928;
  8. Grande Loja do Pará, fundada em 28.07.1927;
  9. Grande Loja do Ceará, fundada em 19.03.1928.

Hoje,  as Grandes Lojas Brasileiras, tanto as que receberam as suas Cartas  Constitutivas diretamente do Supremo Conselho, como as que, criadas  posteriormente, receberam suas Cartas Constitutivas das Grandes Lojas  pioneiras, estão regularmente constituídas e assentadas em todos os  Estados do Brasil.

Ocupando  todo o território nacional e com reconhecimento generalizado em todo o  mundo, por parte das Potências Maçônicas regulares, as Grandes Lojas  não mais necessitam do aval do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo  e Aceito, pois são soberanas e regulares por si mesmas – na origem e  nas práticas – entretanto, desse patrocínio original não estão  esquecidas, mantendo com o mesmo as melhores relações de amizade  baseadas no interesse comum de aperfeiçoar o homem e a sociedade.

Extraído do “Vademecum da Regularidade Maçônica“, publicado, em 1982, pela Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB)

 

Em 1952 iniciou-se um ciclo de mesas redondas a fim de que se orientasse a criação de uma Confederação que respeitasse as regionalidades das Grandes Lojas, mas as reunisse em um objetivo comum, no Brasil. Assim, em 12 de novembro de 1965, foi fundada a CMSB e instalada em julho de 1966.

 

 Grandes Lojas confederadas

Grande Loja Fundação
Grande Loja Maçônica do Estado da Bahia 22.05.1927
Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro 22.06.1927
Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo 29.07.1927
Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba 24.08.1927
Grande Loja Maçônica do Estado do Amazonas 24.06.1927
Grande Loja Maçônica do Estado de Minas Gerais 26.09.1927
Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul 08.01.1928
Grande Loja Maçônica do Estado do Pará 28.07.1927
Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará 19.03.1928
Grande Loja Maçônica do Estado de Pernambuco 06/10/1932
Grande Loja Maçônica do Estado do Paraná 25/01/1941
Grande Loja Maçônica do Estado do Piauí 13/11/1948
Grande Loja Maçônica do Estado do Goiás 09/06/1951
Grande Loja Maçônica de Santa Catarina 21/04/1956
Grande Loja Maçônica do Estado do Maranhão 27/03/1960
Grande Loja Maçônica do Estado de Alagoas 11/03/1961
Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul 24/11/1962
Grande Loja Maçônica do Distrito Federal 16/02/1963
Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo 08/11/1970
Grande Loja Maçônica do Estado do Acre 20/08/1973
Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Norte 23/06/1974
Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso 07/10/1978
Grande Loja Maçônica do Estado de Roraima 20/08/1981
Grande Loja Maçônica do Estado de Sergipe 15/11/1983
Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia 10/04/1985
Grande Loja Maçônica do Estado do Amapá 20/08/1988
Grande Loja Maçônica do Estado de Tocantins 05/11/1989



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