O lado frágil da Rainha

O lado frágil da Rainha Mãe de nove filhos, Vitória pediu por anestesia no parto Tiago Cordeiro |  Dos 81 anos que viveu, a rainha Vitória da Inglaterra (1819-1901) passou […]

O lado frágil da Rainha

Mãe de nove filhos, Vitória pediu por anestesia no parto

Tiago Cordeiro | 

Dos 81 anos que viveu, a rainha Vitória da Inglaterra (1819-1901) passou 6,5 deles grávida de nove filhos. Uma tortura para quem achava a gestação insuportável, sentia-se parecida com “uma vaca”, temia o parto e achava os recém-nascidos feios. Educada em alemão e sem nunca conseguir falar inglês perfeitamente, a mulher de ar sisudo foi alvo de cinco atentados em seus primeiros anos de gestão.

Apesar da antipatia de seu povo, em seus 63 anos de reinado (o mais longo do país) a Inglaterra tornou-se símbolo de prosperidade militar, industrial e política. Mas, apesar de tudo, Vitória foi mãe. No parto dos dois últimos herdeiros, ela conquistaria outro feito: o uso de uma técnica revolucionária de anestesia, contada por Gillian Gill em We Two – Victoria and Albert: Rulers, Partners, Rivals (“Nós dois – Vitória e Albert: governantes, parceiros, rivais”, sem tradução em português).

No século 19, no entanto, sentir a dor do parto era fundamental. A explicação está na tradição cristã: depois de comer o fruto proibido, Eva recebe de Deus o aviso de que, como punição, passaria a “dar à luz em meio a dores” (Gênesis). O processo que a poetisa Sylvia Plath (1932-1963) chamaria de “longo e escuro corredor de dor, sem portas ou janelas” também era perigoso.

A própria Vitória só havia se tornado rainha porque sua prima, a princesa Charlote (1796-1817), filha do rei Jorge IV (1762-1830) e herdeira do trono, morrera com hemorragia interna no terceiro parto.

“Técnicas de anestesia já eram testadas nos Estados Unidos e na Europa, mas eram consideradas arriscadas”, afirma Donald Caton, médico da Universidade da Flórida.Vitória e o marido, o príncipe Albert (1819-1861), estavam interessados na anestesia por clorofórmio desde 1848. Para os nascimentos dos caçulas Leopoldo (1853) e Beatriz (1857), a monarca contratou o médico John Snow (1813-1858) e sua equipe. “Vossa majestade é uma paciente exemplar”, Snow diria depois. Desde então, o avanço da anestesia para mães foi impressionante. Em 1920, por exemplo, o clorofórmio já era usado em 90% dos partos em países de língua inglesa e alemã (terra natal de Albert).

Suspiro antes da dor

De efeito rápido, o clorofórmio era o anestésico ideal à época

No parto
Usado pela primeira vez durante o parto em 1847, o clorofórmio ficou conhecido depois de ser usado na rainha em 1853. Ele foi aplicado quando ela já estava deitada em trabalho de parto.

Anestesia
Aplicado a cada 10 minutos sobre uma máscara de tecido, a substância inalada é absorvida pelo sangue e atua no sistema nervoso central.

Clorofórmio
Transparente, de cheiro forte e volátil, o produto foi descoberto em 1831. Seu uso pode causar arritmia e ataque cardíaco, além de parada respiratória.

O legado da monarca

A rainha Vitória deu à luz nove filhos

Príncipe Alfredo (1844-1900)
Casado com a grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia (1853-1920)

Príncipe Albert Edward (1841-1910)
Casado com a princesa Alexandra da Dinamarca (1844-1925)

Princesa Helena (1846-1923)
Casada com o príncipe Christian de Schleswig-Holstein (1831-1917)

Princesa Vitória (1840-1901)
Casada com o rei Frederico III da Prússia (1831-1888)

Princesa Alice (1843-1878)
Casada com Luís IV (1837-1892), grão-duque de Hesse

Princesa Beatriz (1857-1944)
Casada com o príncipe Henry de Battenberg (1858-1896)

Princesa Louise (1848-1939)
Casada com John Douglas Sutherland Campbell (1845-1914)

Príncipe Arthur (1850-1942)
Casado com a princesa Louise Margaret da Prússia (1860-1917)

Príncipe Leopoldo (1853-1884)
Casado com a princesa Helena de Waldeck e Pyrmont (1861-1922)



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Sobre Ivair Ximenes Lopes. IXL