O Império Seldjúcida

O Império Seldjúcida

O Império Seldjúcida foi um império islâmico que controlava uma área vasta que se estendia do Hindu Kush até a Anatólia oriental,
e da Ásia Central ao Golfo Pérsico.

Dimensão do Império Seljúcida em 1092.

No período entre 1038 d.C e 1077 d.C, os turcos seljúcidas saíram de suas remotas terras ao norte dos mares Cáspio e Aral para o coração do mundo islâmico, criando um vasto império que se rivalizaria com o dos omíadas e o dos abássidas.

Embora alguns generais turcos já tivessem alcançado um poder considerável na Mesopotâmia e no Egito, durante os séculos X e XI, a chegada dos seldjúcidas assinalou a penetração em grande escala dos turcos no Oriente Médio.

Descendendo de uma tribo de nome Seljuk, cujas terras ficavam além do rio Oxus, próximo ao mar Aral, os seljúcidas desenvolveram um exército poderoso, e através dos contatos mais estreitos com a vida da corte persa, no Khorasan e na Transoxiana, conseguiram atrair, também, uma equipe de administradores capazes.

Os turcos seldjúcidas avançaram, primeiro para o Khorasan, e depois até a Pérsia continental, antes de conquistarem, eventualmente, a porção leste da Anatólia.

Sob o comando de Togrul Beg, neto de Seljuk, conquistaram Nixapur em 1038. Em 1040, venceram os Ghaznévidas, em Dandanaqan. Ispahan caiu também em seu poder, passando a ser a capital. Penetrou pelo sul no Iraque, cuja capital, Bagdá, ocupou em 1055, e se fez reconhecer como sultão e protetor do califa.

A Togrul Beg sucedeu Alp-Arslam que, em 1071, derrotou o imperador bizantino Diógenes, na Batalha de Mantzikert. Malik-Shah, que, por sua vez, sucedeu a Alp-Arslam, dominou um império que se estendia desde a Anatólia até à Transoxiana.

Estendendo-se desde a Ásia Central até a Ásia Menor, os governos de seus três primeiros sultões; Tughril Beg, Alp-Arslan e Malik-Shah, fundaram um estado sunita bem administrado, sob a autoridade nominal dos califas abássidas de Bagdá.

Um dos administradores, o persa Nizam-al-Mulk, tornou-se um dos maiores estadistas do Islam medieval. Por vinte anos, principalmente durante o governo do sultão Malik-Shah, ele foi o verdadeiro protetor do estado Seldjúcida.
Além do mais, possuindo habilidades administrativas, ele era um ilustre estilista, cujo livro sobre a arte de governar, Siyasat-Namah, é uma fonte valiosa sobre o pensamento político de seu tempo.

Nizam-al-Mulk, era um muçulmano ortodoxo devoto, que estabeleceu um sistema de madrassas (chamadas de nizamiyah), ou seminários teológicos, para propiciar aos estudantes uma educação gratuita sobre as ciências religiosas do Islam, e sobre os mais avançados pensamentos científico e filosófico da época.

O famoso teólogo muçulmano Al Ghazali, cuja maior obra, “O Renascimento das Ciências da Religião”, foi um triunfo do ensino da teologia sunita da época nas escolas nizamiyah de Bagdá e Nishapur. Nizam al-Mulk foi o patrono do poeta e astrônomo Omar al-Khayyam, cujos versos, traduzidos para o inglês, ficaram famosos.

Com a morte de Malik-Shah, O império Seldjúcida dividiu-se entre seus filhos e irmãos. Os governadores locais tornaram-se independentes e fundaram dinastias locais (Síria, Mesopotâmia, Armênia e Pérsia), e em unidades menores conduzidas por chefes tribais.

A linha principal dos Grandes Seldjúcidas terminou em 1157 d.C, mas seu ramo na Turquia, os Seldjúcidas do Rum, continuou ativo por mais um século e meio. Uma parte desse grupo, conhecida com os Seldjúcidas de Arzarum, no início de 1200 d.C, teve, durante duas décadas, uma linhagem separada de governantes, numa pequena região da Turquia oriental.

Os Seldjúcidas do Rum tiveram o controle nominal da Anatólia até 1307 d.C., mas sua influência já vinha se enfraquecendo desde 1243 d.C, quando foram derrotados pelos mongóis e por uma invasão dos mamelucos, em 1276 d.C., levando a uma segunda incursão mongol.

Isto os deixou subjugados aos mongóis da Pérsia até a sua extinção, em 1307 d.C. Quando chegaram ao fim, a Anatólia estava fragmentada em um grupo de diversos estados pequenos, conhecidos com “beyliks”.

Os seldjúcidas atabegs eram numerosos, mas um se sobressai, historicamente, sobre os outros, os zangidas, que tiveram um papel de destaque na contra-ofensiva muçulmana aos cruzados, em meados do ano 1100 d.C.

Nesse processo, criaram um grande estado que ia do norte do Iraque e Síria até ao Egito. Os outros atabegs, incluíam os salduqidas de Arzarum, os begteginidas de Irbil, os begtimuridas da Armênia, os ildegizidas do Azerbaijão, os reis de Ahar, vassalos dos governantes do Azerbaijão, os inalidas de Diyarbakr, na Turquia oriental e os nisanidas, vassalos do inalidas.

O Egito dos fatimidas foi conquistado em 1169, durante uma expedição zangida, chefiada pelo irmão de um curdo, de nome Ayyub. Logo depois da vitória ele morreu, mas seu filho, conhecido no ocidente como Saladino criou um estado aiúbida no Egito. Ele permaneceu vassalo dos zangidas até a morte de seu patrocinador, Nur al Din, mas em seguida ele de imediato ocupou o território zangida.



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