O duque de Sussex primeiro Grão-Mestre

O duque de Sussex, o primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra: um príncipe esclarecido

Augustus Frederick, príncipe, duque de Sussex (1773-1843), o nono filho do Rei George III e da rainha Charlotte, nascido em Buckingham House (local do atual Palácio de Buckingham) fez seus estudos superiores na Universidade Göttingen, a Meca do Iluminismo alemão. É nessa mesma universidade que lecionavam pelo menos, dois membros do famoso Iluminados da Baviera ou Illuminati, Johann Georg Feder e Christoph Meiners. Ele renuncia a uma carreira na Marinha por razões de saúde (ele sofria de asma) e a uma carreira eclesiástica, provavelmente porque ele não nutria um gosto imoderado pela teologia. Como muitos aristocratas ele excursionou pela Europa – falava-se à época do Grand Tour – e durante a sua visita a Roma ele se apaixona por Lady Augusta Murray e a pediu em casamento com ele em segredo, por recear a recusa de seu pai, o conde de Dunmore. Duas cerimônias foram realizadas, uma em Roma (04 de abril de 1793) e outra em Londres (5 de dezembro de 1793) na igreja de St. George, em desafio a todos os costumes; sem surpresa, o rei George III anula o casamento em 1794. O príncipe não pode senão aceitar a decisão, reivindicando a custódia dos dois filhos nascidos dessa união.

O duque de Sussex, o primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra
O duque de Sussex, o primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra

Seu percurso maçônico é impecável. Iniciado em Berlim em 20 de dezembro de 1798, aos 25 anos de idade, na Loja Victorious Truth, uma loja que fazia parte da Grande Loja da Prússia conhecida sob o nome de Royal York Lodge of Friendship, torna-se companheiro de 19 de janeiro de 1799, mestre em 4 de fevereiro de então venerável dessa Loja. Ele ascende muito rapidamente aos altos graus (Arquiteto Escocês Perfeito, Mestre do Monte Heredom, A Cruz e a Água, Eleito de Nova Jerusalém e Real Arco). Ele se filia a várias lojas de prestígio, a Loja Príncipe de Gales, a Lodge de Amizade No. 6, e a Loja Antiguidade No. 2: torna-se venerável vitalício dessas duas últimas. Em 1814, ele fundou a Loja Real Alfa No. 16, da qual também é venerável vitalício. Quando o príncipe de Gales, seu irmão, tornou-se Príncipe Regente em 1812, ele o nomeou Grão-Mestre Adjunto e um ano depois Sussex o sucedeu como chefe dos Modernos. Com um de seus irmãos, o duque de Kent, eleito na mesma época Grão-Mestre dos Antigos, ele elaborou a união dos Antigos e Modernos (sabemos que, desde a década de 1750 coexistiram duas Grandes Lojas da Inglaterra, que não se reconheciam). No entanto, é ele, e não o duque de Kent, quem foi eleito Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra em 1813, e isso por trinta anos até sua morte. Ele também é Grand Principal do Supremo Grande Capítulo do Royal Arch fundado em 1817 após a união dos Grandes Capítulos “moderno” e “antigo”. Finalmente, ele é o Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários de 1812 até 1843.

O Duque de Sussex é um verdadeiro liberal, no sentido britânico do termo, herdeiro dos Whigs, que haviam instaurado a monarquia parlamentar e terminado com a monarquia absoluta, fiel às ideias de Adam Smith. Por essa razão, bem como pelo caráter pouco convencional de seu primeiro casamento, ele não tem os favores nem de seu pai nem do príncipe regente, o futuro rei George IV. Ao contrário desse último, que o precedeu como Grão-Mestre e se distinguiu especialmente por suas excentricidades, seu conservadorismo e sua intolerância religiosa, o duque de Sussex apoia a emancipação dos católicos e dos dissidentes religiosos (dissenters) bem como a iniciação de Hindus (a partir de 1840). Além disso, ele lança em 1827 a pedra fundamental do atual University College of London, universidade faz escândalo na época porque ele não impunha a educação religiosa e não exigia que os alunos fossem cristãos, ao contrário de Oxford ou Cambridge. Como defensor entusiasmado do livre comércio, ele se declara a favor de revogar as leis sobre grãos, leis que protegem a aristocracia rural contra toda concorrência estrangeira. Finalmente, ele apoia a Grande Reforma eleitoral de 1832 que dá acesso ao Parlamento aos católicos e especialmente aos muitos dissidentes, até então privados de seus direitos civis. É este novo Parlamento que um ano depois vota a abolição da escravatura em todo o Império Britânico. O duque também preside a Royal Society de 1830 até 1838. É um verdadeiro liberal, um príncipe pouco iconoclasta, que morreu de erisipela em 21 de abril de 1843. Ao contrário de tantos Grãos Mestres da família real, que consideram seus cargos puramente honorários, o Duque de Sussex deixou sua marca na história da Maçonaria inglesa.

Para ir mais longe: Arquivo Biográfico, « Duke of Sussex », Library and Museum of Freemasonry, Londres; T. F. Henderson, « Augustus Frederick, Prince, Duke of Sussex (1773–1843) », revisado por John Van der Kiste, Oxford Dictionary of National Biography, Oxford University Press, 2004; Cécile Révauger, « Sussex, Augustus Frederick, prince, duc de (1773-1843) », em C. Porset e C. Révauger, Le Monde Maçonnique des Lumières, Paris, Champion, 2013, III, 2611-2615.

Publicado 17 de maio de 2016 – na Revista Franc-Maçonnerie



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