A Monarquia em 1717 na Grã-Bretanha

A Monarquia em 1717 na Grã-Bretanha

A Monarquia nos anos de 1717. O Reinado na Grã-Bretanha, Jorge I (Hanôver, 28 de maio de 1660 – Osnabruque, 11 de junho de 1727) foi o Rei da Grã-Bretanha e Irlanda de 1 de agosto de 1714 até sua morte, e também governante do Eleitorado de Brunsvique-Luneburgo a partir de 1698.

Reinado na Grã-Bretanha, Jorge I (Hanôver, 28 de maio de 1660 – Osnabruque, 11 de junho de 1727) foi o Rei da Grã-Bretanha e Irlanda de 1 de agosto de 1714 até sua morte, e também governante do Eleitorado de Brunsvique-Luneburgo a partir de 1698.

Jorge nasceu em Hanôver e herdou os títulos e terras de seu pai e tios. Sucessivas guerras expandiram seus domínios germânicos, e ele foi ratificado como príncipe-eleitor de Hanôver em 1708. Após a morte da rainha Ana da Grã-Bretanha, Jorge ascendeu ao trono britânico aos 54 anos como o primeiro monarca da Casa de Hanôver. Apesar de mais de cinquenta católicos terem uma relação de parentesco mais próxima de Ana, o Decreto de Estabelecimento de 1701 impedia que católicos assumissem o trono britânico; Jorge era o parente protestante mais próximo da rainha. Em retaliação, os jacobitas tentaram sem sucesso depor Jorge e substituí-lo pelo meio-irmão católico de Ana, Jaime Francisco Eduardo Stuart.

Durante o reinado de Jorge, os poderes da monarquia foram diminuídos e a Grã-Bretanha começou uma transição para o sistema moderno de governo do conselho de ministros liderados por um primeiro-ministro. Ao final de seu reinado, o verdadeiro poder foi exercito por Sir Robert Walpole. Jorge morreu durante uma viagem de volta para Hanôver, sendo sucedido pelo filho Jorge II

Jorge nasceu no dia 28 de maio de 1660 em Hanôver, Sacro Império Romano-Germânico, filho mais velho de Ernesto Augusto de Hanôver e Sofia do Palatinado, neta do rei Jaime VI da Escócia & I da Inglaterra através de sua mãe, Isabel da Boémia.[1]

Durante o primeiro ano de sua vida, Jorge foi o único herdeiro dos territórios germânicos de seu pai e tios. Em 1661, seu irmão Frederico Augusto nasceu e os dois meninos foram criados juntos. Sofia ausentou-se da vida dos filhos por quase um ano entre 1664 e 1665 enquanto fazia uma longa e convalescente viagem pela Itália, porém correspondeu-se regularmente com a governanta dos filhos e mostrou grande interesse em seus crescimentos, principalmente após retornar.[2] Depois de sua viagem, ela deu à luz outros quatro filhos e uma filha. Em sua cartas, Sofia descreve Jorge como uma criança responsável, consciente e que estabelecia um exemplo para seus irmãos mais novos.[3]

Em 1675, seu tio mais velho morreu sem deixar descendentes, porém seus outros dois tios tinham se casado, ameaçando colocar em perigo a perspectiva de Jorge herdar alguma propriedade de seus tios caso eles tivessem filhos. Ernesto Augusto levava Jorge para caçar a cavalgar e lhe mostrava assuntos militares; ciente do futuro incerto do filho, Ernesto Augusto levou Jorge, então com quinze anos de idade, para campanha na Guerra Franco-Holandesa com a intenção de testar e treinar seu filho em batalha.[4]

Outro tio de Jorge morreu em 1679 sem deixar descendentes e Ernesto Augusto tornou-se Duque de Calenberg-Gotinga, com sua capital em Hanôver. Jorge Guilherme de Brunsvique-Luneburgo, o tio restante de Jorge, casou-se com sua amante para poder legitimar sua única filha, Sofia Doroteia de Brunsvique-Luneburgo, porém era improvável que ele tivesse outros filhos. Sob a lei sálica, os territórios podiam ser herdados apenas por homens, e dessa forma estava garantida a sucessão de Jorge e seus irmãos aos territórios de seu pai e tios. A família adotou o princípio da primogenitura em 1682, significando que Jorge herdaria todos os territórios e não precisaria dividi-los com os irmãos

Casamento

Também em 1682, Jorge se casou com sua prima Sofia Doroteia de Brunsvique-Luneburgo, conseguindo heranças adicionais que, de outra maneira, estariam fora da lei sálica. O casamento foi arranjado primariamente para garantir uma rica receita anual e ajudar na unificação de Hanôver e Celle. Sua mãe inicialmente era contra porque a mãe de Sofia Doroteia não era de nascimento real. Entretanto, ela acabou concordando depois de avaliar as vantagens que o casamento traria.

No ano seguinte, seu irmão Frederico Augusto participou da Grande Guerra Turca na Batalha de Viena e Jorge e Sofia Doroteia tiveram seu primeiro filho, Jorge Augusto. Em 1684, Frederico Augusto recebeu a notícia que a família havia adotado a primogenitura, significando que não receberia parte das terras de seu pai como esperado. Isso criou um distanciamento entre pai e filho e também entre os irmãos, que durou até a morte de Frederico Augusto em combate no ano de 1690. Ernesto Augusto, com a iminente formação de um único Estado hanoveriano e suas constantes contribuições para as guerras do império, tornou-se Eleitor do Sacro Império Romano-Germânico em 1692. As perspectivas de Jorge eram melhores ainda como único herdeiro do eleitorado do pai e ducado do tio.[7]

Sofia Doroteia teve uma filha em 1687, Sofia Doroteia, porém nunca mais engravidou. O casal se afastou um do outro – Jorge preferia a companhia de sua amante, Melusine von der Schulenburg, com quem teve duas filhas em 1692 e 1693; enquanto isso, Sofia Doroteia teve seu próprio romance com o conde sueco Filipe von Königsmarck. Ameaçados com um escândalo, a corte hanoveriana, incluindo os irmãos de Jorge e Sofia, imploraram sem sucesso para que o casal terminasse a relação. De acordo com fontes diplomáticas dos inimigos de Hanôver, o conde foi morto em julho de 1694, possivelmente com a conivência de Jorge, e seu corpo jogado no rio Leine amarrado com pedras. Afirma-se que o assassinato foi cometido por quatro cortesãos de Ernesto Augusto, um dos quais (Nicolò Montalbano) recebeu a enorme quantia de 150.000 táleres, que era por volta cem vezes mais que o salário do ministro mais bem pago.[8] Rumores posteriores afirmavam que von Königsmarck foi esquartejado e enterrado em baixo do palácio de Hanôver.[9] Entretanto, fontes internas da própria Hanôver, incluindo Sofia, negaram ter qualquer conhecimento sobre o paradeiro do conde.

O casamento de Jorge e Sofia Doroteia foi dissolvido sob alegação que ela havia abandonado o marido, não por adultério. Jorge, com o apoio do pai, mandou prender Sofia Doroteia na Casa Ahlden, em Celle, onde ela ficou até morrer mais de trinta anos depois. Ela não podia ver os filhos nem o pai, era proibida de casar novamente e não podia andar desacompanhada pelos jardins da mansão. Porém, ela recebia uma pensão e tinha criados ao seu dispor, também podendo andar de carruagem sob supervisã

Reinado Hanover

Ernesto Augusto morreu em 23 de janeiro de 1698 deixando todos os seus territórios para Jorge com exceção do Principado Episcopal de Osnabruque, um cargo que ele exerceu desde 1661. Jorge então tornou-se Duque de Brunsvique-Luneburgo (também conhecido como Hanôver por causa de sua capital) e também Arquitesoureiro e Príncipe-eleitor do Sacro Império Romano-Germânico.[11]

Pouco depois de Jorge ascender aos seus novos títulos, o príncipe Guilherme, Duque de Gloucester, o segundo na linha de sucessão ao trono britânico, morreu. Pelos termos do Decreto de Estabelecimento de 1701, Sofia, a mãe de Jorge, foi designada como herdeira do trono inglês caso Guilherme III & II, o atual monarca, e a princesa Ana, sua cunhada, morressem sem deixar descendentes. A sucessão foi designada dessa maneira porque Sofia era a parente protestante mais próxima da família real britânica; cinquenta e seis católicos com parentesco mais próximo foram preteridos.[12] Era também remota a possibilidade de algum deles se converter a alguma religião protestante; alguns já haviam até recusado.[13]

Jorge recebeu a Ordem da Jarreteira em agosto de 1701 e o ex-rei Jaime II & VII, o católico com pretensão mais próxima ao trono, morreu seis semanas depois. Guilherme III & II morreu em março de 1702 e Ana tornou-se rainha. Sofia então virou na herdeira presuntiva. Ela tinha 35 anos a mais que Ana, porém estava em boa forma e investiu bom tempo e energia para garantir sua sucessão ou a do filho.[14] Entretanto, foi Jorge quem compreendeu as complexidades da política inglesa e da constituição, que precisou de leis em 1705 para naturalizar Sofia e seus herdeiros como súditos britânicos, além de garantir os detalhes da transferência de poder através do conselho regencial.[15] No mesmo ano, o tio restante de Jorge morreu e ele herdou Luneburgo-Grubenhagen.[16]

Hanôver c. 1720. Durante o reinado de Jorge, Hanôver adquiriu Lauemburgo e Brema-Verden.
A Guerra da Sucessão Espanhola começou pouco depois da ascensão de Jorge em Hanôver. Em disputa estava o direito de Filipe de Anjou, neto do rei Luís XIV da França, de suceder ao trono espanhol sob os termos do testamento do rei Carlos II. O Sacro Império Romano-Germânico, as Províncias Unidas dos Países Baixos, a Inglaterra, Hanôver e outros estados germânicos se opunham a Filipe por acreditarem que a Casa de Bourbon ficaria muito poderosa se controlasse a Espanha. Jorge, como parte do esforço de guerra, invadiu o estado vizinho de Brunsvique-Volfembutel, escrevendo ele mesmo alguns dos comandos de batalha. A invasão foi um sucesso, com poucas perdas. Como recompensa, a anexação de Saxe-Lauemburgo feita pelo tio de Jorge foi reconhecida pelos britânicos e holandeses.[17]

Em 1706, Maximiliano II Emanuel, Eleitor da Baviera, foi retirado de seus cargos e títulos por aliar-se com Luís contra o império. No ano seguinte, Jorge foi nomeado marechal de campo em comando do exército imperial ao longo do rio Reno. Seu período não foi tão bem sucedido, parcialmente porque ele foi enganado por seu aliado, John Churchill, 1.° Duque de Marlborough, em um ataque de diversão, e parcialmente porque o imperador José I apropriou-se de fundos necessários para sua campanha. Mesmo assim, os príncipes germânicos acharam que se saiu bem. Eles oficialmente confirmaram sua posição como príncipe-eleitor em 1708 por causa de seu desempenho. Jorge não ficou com rancor contra o Duque de Marlborough por compreender que suas ações eram parte de um plano para atrair as forças francesas de um ataque principal.[18]

Jorge renunciou do cargo de marechal em 1709, nunca mais voltando ao serviço. Em 1710, ele foi nomeado Arquitesoureiro do Império,[19] um cargo que era normalmente ocupado pelo Eleitor do Palatinado – a ausência de um Eleitor da Baviera permitiu uma reorganização dos cargos.[20] A morte do imperador em 1711 ameaçou destruir o equilíbrio do poder na direção oposta, encerrando a guerra em 1713 com a ratificação do Tratado de Utrecht. Filipe recebeu permissão de ascender ao trono espanhol como Filipe V, porém foi retirado da sucessão francesa e o Eleitorado da Baviera foi restaurado.[21]

Reinado na Grã-Bretanha

Apesar da Inglaterra e da Escócia reconhecerem Ana como sua rainha, apenas o parlamento inglês tinha escolhido Sofia como sua herdeira. O parlamento escocês ainda não havia encerrado formalmente a questão da sucessão do trono escocês. Em 1703, a Escócia aprovou um projeto de lei que declarava que sua escolha do sucessor de Ana não seria o mesmo indivíduo que o sucessor inglês, exceto se a Inglaterra garantisse liberdade total para a troca de mercadorias escocesas nas colônias e na Inglaterra. O Consentimento Real foi inicialmente retido, porém Ana concordou com as exigências da Escócia no ano seguinte e aprovou o projeto, que se transformou no Decreto da Seguridade de 1704. Em resposta, o parlamento inglês aprovou medidas que ameaçavam restringir a troca anglo-escocesa e enfraquecer a economia da Escócia se eles não concordassem com a sucessão hanoveriana.[22][23] Posteriormente, os dois parlamentos concordaram com o Tratado de União de 1707 que unia a Inglaterra e a Escócia em uma única entidade política, o Reino da Grã-Bretanha, e assim definindo as regras da sucessão como previstas no Decreto de Estabelecimento de 1701.[24]

Os políticos whigs acreditavam que o parlamento tinha o direito de determinar a sucessão e colocá-la no parente protestante mais próximo da rainha, enquanto que os tories estavam mais inclinados a acreditar no direito hereditário dos Stuarts. Jorge anunciou em 1710 que sucederia ao trono britânico pelo direito hereditário, já que o direito tinha sido removido dos católicos da Casa de Stuart, sobrando apenas ele. “Essa declaração foi feita para rebater a interpretação dos whigs de que o parlamento havia lhe dado o reino [e] … convencer os tories de que ele não era nenhum usurpador”.[25]

Sofia morreu em 8 de junho de 1714 aos 83 anos de idade. Ela desmaiou nos Jardins de Herrenhausen enquanto corria para se abrigar da chuva. Jorge era agora o herdeiro direto de Ana. Ele rapidamente revisou os membros do Conselho Regencial que assumiriam o poder após a morte da rainha, já que era de conhecimento público que a saúde de Ana estava se deteriorando e que os políticos britânicos estavam brigando pelo poder.[26] Ela sofreu um derrame, ficando impossibilitada de falar, e morreu no dia 1 de agosto de 1714. A lista de regentes foi aberta, os membros prestaram juramento e Jorge foi proclamado rei da Grã-Bretanha e Irlanda.[27] Ele ficou alguns dias em Haia porque ventos contrários impediram sua viagem,[28] chegando na Inglaterra apenas em 18 de setembro. Jorge foi coroado em 20 de outubro na Abadia de Westminster.[1] Sua coroação foi acompanhada de revoltas em mais de vinte cidades no país.[29]

Jorge foi viver na Grã-Bretanha depois de 1714, apesar de ter visitado Hanôver em 1716, 1719, 1720, 1723 e 1725;[30] no total, Jorge passou na Germânia um quinto de seu reinado.[31] Uma cláusula no Decreto de Estabelecimento que proibia que o monarca deixasse o país sem permissão do parlamento foi rejeitada de forma unânime em 1716.[32] Apenas na primeira visita o poder foi colocado nas mãos de seu filho, Jorge Augusto, Príncipe de Gales, em todas as outras ficou com o conselho regencial.



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