Mem de Sá

Mem de Sá

O terceiro Governador Geral desempenhou papel proeminente na História do Brasil. A esse valoroso português deve-se a expulsão dos hereges que invadiram o Rio de Janeiro.

José Maria dos Santos

Mem de Sá – Óleo de Manuel Victor Fo.

O Doutor Mem de Sá, fidalgo da Casa e Conselho del-Rei, irmão do renovador da poesia portuguesa, Francisco de Sá de Miranda. De Mem de Sá diz o Beato Anchieta na obra que sobre ele escreveu: “Arraigado no seio traz um amor de Deus, santo, filial, verdadeiro, e a fé de Cristo jamais desmentida. No peito incendiado pelo sopro divino, ferve-lhe o zelo de arrancar as almas brasílicas às cadeias do inferno”.(1)

O segundo Governador-Geral do Brasil, D. Duarte da Costa, não fora feliz em sua administração. Por isso, “a situação crítica em que estava o Brasil pedia governador ativo, entendido, e sobretudo honesto. Todos estes dotes reunia o desembargador Mem de Sá, [….] e no cargo de chefe da administração-geral do Brasil sustentou os créditos de que já gozava como ‘homem de grande coração, zelo e prudência, acompanhado de paz e de guerra’”.(2)

Mem de Sá formou-se em Direito em 1533, mesmo ano em que se casou com Dona Guiomar de Faria. “Fez rápida carreira — de juiz probo e enérgico, qualidade que mais lhe realçou a administração colonial — a ponto de subir ainda moço ao desembargo da Casa da Suplicação”.(3)

Nomeado Governador-Geral do Brasil em 23 de julho de 1556, por três anos, com os mesmos vencimentos e poderes que o seu predecessor, partiu de Lisboa em 30 de abril de 1557 e só chegou à Bahia em 28 de dezembro do mesmo ano. Durante sua viagem, falecera em Portugal o rei D. João III e subira ao trono o menino-rei D. Sebastião, que contava apenas três anos e meio de idade. Portanto, iniciara-se uma nova Regência.
Após o governo de Tomé de Sousa, Portugal se deparava com um grave problema no Rio de Janeiro. A invasão dos franceses e sua aliança com os índios da região tomava uma proporção significativa, se tornando uma ameaça ao domínio português. A principal realização do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, foi justamente a expulsão dos franceses e o controle da situação.

Mem de Sá assumiu o governo da colônia em 1558 e continuou governando por 15 anos. A primeira coisa que fez foi contornar a situação da invasão francesa. Num primeiro ataque, Mem de Sá conseguiu destruir o forte Coligny, no entanto não foi suficiente para vencer a disputa. Assim, em 1º de março de 1565, o sobrinho de Mem de Sá, Estácio de Sá, fundou a cidade de São Sebastião, que passou a ser a base das operações da luta contra os franceses. O desfecho do caso se deu somente com a ajuda de tropas do governador e da região de São Vicente e dos índios temiminós do Espírito Santo, onde foi possível expulsar os estrangeiros definitivamente.

Em 1563, os jesuítas José de Anchieta e Manuel de Nóbrega conseguiram firmar a paz entre os índios tamoios e os portugueses, a chamada Paz de Iperoig. O fim do conflito entre os índios tamoios e os portugueses foi importante para permitir a sobrevivência do Colégio de São Paulo e a permanência dos colonizadores na região.

Embora Mem de Sá tenha convivido com sérios problemas, como a fome e a varíola na Bahia, seu governo foi marcado por uma relativa paz e prosperidade. Em 1572, Mem de Sá resolveu deixar o governo-geral e voltar para Portugal. No mesmo ano, faleceu. Após sua morte, o Brasil foi dividido em dois governos: o do Norte, com sede em Salvador, e o do Sul, com sede no Rio de Janeiro.



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