Marechal Deodoro morou no centro de Cuiabá

Marechal Deodoro morou no centro de Cuiabá

Casa em que Marechal Deodoro morou está localizada no centro de Cuiabá (Foto: Pollyana Araújo/G1)

Patrimônio histórico tombado, a casa onde o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca morou em Cuiabá, antes de proclamar a República, no século 19, mantém a mesma fachada característica da arquitetura colonial portuguesa e atualmente está alugada. O imóvel, de propriedade da Igreja Católica e que abrigou outras personalidades, como o frei franciscano Quirino Franz, está locado há mais de um ano para evitar a deterioração. A residência fica na Rua Cândido Mariano, no Centro Histórico da capital.

A administração da Paróquia Mãe dos Homens, responsável pela imóvel, explicou que a casa foi locada e que a mobília antiga foi retirada após a morte do frei Quirino, em 2003. “Tinha alguns móveis antigos, mas foram destruídos pelos cupins e, por isso, foram retirados antes da locação. O aluguel é para conservar a casa”, disse a secretária paroquial da igreja, Silbene Monteiro. Ela disse que a casa foi adquirida pelo então arcebispo de Cuiabá, Dom Aquino Corrêa, para ser usada como casa paroquial.

Naquela época, a casa estava abandonada e foi necessário passar por uma reforma completa. Enquanto era feita essa reforma, os frades se hospedaram em um seminário na capital, como consta do livro ‘A Missão Franciscana do Mato Grosso’, do frei Pedro Knob. Em 8 de maio de 1940, os franciscanos se mudaram para o local. O imóvel pertenceu aos franciscanos até 2010, quando a Igreja da Boa Morte, que fica ao lado dessa casa, na Rua Cândido Mariano, região central da capital, passou a pertencer à Mitra Arquidiocesana de Cuiabá. Por algum tempo, a casa foi utilizada para a realização de eventos da igreja.

A residência passou por um processo de restauração, reforma sem alterar as características da casa, em 2005. A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou ter realizado um levantamento histórico sobre o prédio, mas os dados obtidos dizem respeito somente ao período em que os freis franciscanos moraram no local. “Queremos aprofundar mais nessas pesquisas e buscar a ressignificação dessas construções. É muito importante marcar esses locais de memória”, disse Marina Lacerda. Ela disse ainda que há interesse em realizar uma pesquisa sobre as casas do Centro Histórico de Cuiabá em parceria com a prefeitura do município.

Natural de Alagoas, Marechal Deodoro morou em Cuiabá em duas ocasiões. A primeira, em 1856, quando foi promovido a capitão do Exército e transferido para Mato Grosso. Quatro anos depois da mudança, ele se casou com Mariana Cecília de Sousa Meireles. Conforme o livro “1889”, lançado recentemente pelo escritor e jornalista Laurentino Gomes, anos mais tarde, quando Deodoro da Fonseca estava com 37 anos, foi enviado para a Guerra do Paraguai, em 1864.

Depois disso, retornou para a capital em 1888, um ano antes da Proclamação da República, quando foi despachado pelo Ministério da Guerra para ser o comandante de armas da província e chefe de uma expedição militar de observação das fronteiras, quando já tinha a patente de marechal. Porém, a estadia dele em Mato Grosso, nessa segunda vez, foi curta. Após descobrir que o seu rival pessoal e político, Silveira Martins, havia sido nomeado presidente da Província do Rio Grande do Sul, e que seu irmão tinha falecido, ele voltou para o Rio de Janeiro.

“Foi a gota d’água. Irritado com o que julgava ser uma afronta direta aos seus brios pessoais, o marechal abandonou o posto sem antes pedir autorização e tomou um navio de volta para o Rio de Janeiro sem nunca ter exercido as novas funções”, diz trecho do livro, se referindo à briga que teria iniciado por causa da baronesa do Triunfo, classificada de viúva bonita e elegante, fazendeira e filha de um general gaúcho.

Recentemente, em visita a Cuiabá, Laurentino Gomes foi até a casa onde Marechal Deodoro morou. Em seu blog na internet, ele relatou, porém, o abandono do local que abrigou o proclamador da República e a falta de informações indicando que Deodoro da Fonseca morou naquela casa. “Apesar de sua importância histórica, está hoje em ruínas. Por falta de conservação, parte do reboco das paredes desabou. O restante está coberto de pichações. Por falta de uma simples placa de identificação, a maioria dos cuiabanos sequer sabe que ali morou o herói oficial da Proclamação da República”, diz trecho da publicação.

Ele foi ao local depois que o médico Gabriel Novis Neves, de família tradicional de Cuiabá, lhe contou onde Marechal Deodoro ficou no período que morou em Cuiabá. Amigo pessoal e vizinho do historiador Rubens de Mendonça, Gabriel, que hoje tem 76 anos, disse que essa parte da história não está documentada nos arquivos históricos da capital, mas que a informação foi passando de geração em geração. “Um dia, Rubens de Mendonça, que morava ao lado do meu consultório, perguntou se eu sabia que Marechal Deodoro tinha morado lá. Eu disse que não e ele me falou que sim”, disse, ao contar que essa casa serviu de Destacamento do Exército Militar e que outras pessoas moravam junto com ele naquele local.

Porém, quando nasceu, o cuiabano, que era filho do dono de um bar famoso no Centro da cidade, o ‘Bar do Bugre’, onde, segundo ele, as autoridades e intectuais da época costumavam se reunir, a casa era ocupada pelos franciscanos. “Ouvia muitas histórias, sendo que a maioria não está registrada em livros. O Rubens e o pai dele, Estevão de Mendonça, eram figuras extraordinárias”, destacou. Infelizmente, como relata o médico, muitos episódios e personalidades caem no esquecimento com muita rapidez. “Rubens tinha um ditado: Quem morre em Cuiabá, morre duas vezes. De morte morrida [quando tem falecimento dos órgãos] e de morte do esquecimento, porque logo depois que a pessoa morre ninguém mais lembra”, pontuou.

Marechal Deodoro se casou na antiga Catedral Metropolitana,  local em que hoje está erguida a atual igreja Matriz da capital.

Casamento do Marechal

Deodoro da Fonseca se casou na Igreja Catedral Bom Jesus de Cuiabá, na Praça da República, na região central da capital, com Mariana Meireles. O casamento no civil também foi realizado na capital e a certidão está arquivada no Cartório do 3º Ofício de Cuiabá, localizado na Rua Barão de Melgaço, conforme informações do próprio cartório.

O casamento, porém, conforme Gabriel Novis Neves, com base nos relatos do amigo, Rubens de Mendonça, teria ocorrido por acaso para salvar a honra da cunhada. “O seu casamento foi por acaso. Sua futura esposa não era a sua namorada. Seu casamento aconteceu para salvar a honra da sua cunhada. Segundo Rubens de Mendonça, o cenário do casamento foi o antigo casarão existente na Rua Cândido Mariano ao lado da igreja da Nossa Senhora da Boa Morte. Deodoro não teve filhos, segundo alguns por castigo em não ter se casado com a mulher que amava”, disse o cuiabano.

O cartório confirmou que a certidão de casamento dele com Mariana está arquivado no estabelecimento e foi celebrado no dia 16 de abril de 1860. A mulher do Marechal era órfã de um capitão do Exército e um ano mais velha que ele. O casal não teve filhos. “Em 1859, quando da nomeação do 14º presidente da Província de Mato Grosso, o tenente coronel Antônio Pedro de Alencastro trouxe em sua companhia, como seu secretário militar o então capitão Manuel Deodoro da Fonseca, o qual se casara em Cuiabá, com a senhorita Mariana Meireles, tendo como padrinho o próprio coronel Alencastro, cujo enlace matrimonial ocorreu na Igreja Bom Jesus de Cuiabá”, disse o escritor Aníbal Alencastro, descendente de Antônio Pedro de Alencastro, ex-governador da Província de Mato Grosso

http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2013/11/marechal-deodoro-morou-e-se-casou-em-cuiaba-antes-da-proclamacao.html

 



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