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Maçonaria e o Maçom cidadão

Maçonaria e o Maçom cidadão

02.07.2012 Sabemos que a “instituição maçonaria”. Costuma ser motivo de muita curiosidade e algumas vezes de especulação no meio da população por ser uma sociedade filisõfica carregada de simbologia, achamos naturais estas lucubrações. Portanto, antes de tudo, gostaria de defini-la para que possamos discutir alguns tópicos da relação dos seus membros com a sociedade onde ela está inserida.

Para este desiderato, peço ajuda a um dos nossos irmãos de Ordem, o genial Sir Isac Newton que disse, há muitos anos: “A maçonaria não é uma obra exclusiva de uma época, pertence a todas as épocas e, sem aderir a nenhuma religião, encontra grandes verdades em todas elas. Não se apoia se não em dois sistentáculos, extremamente simples: O amor a Deus e o amor ao homem, que leva em si a divindade e caminhada para ela.”

A história da maçonaria se perde no ministério dos tempos. Estudos arqueológicos têm mostrado a presença de alguns dos nossos símbolos incrustados na antiga civilização egípcia. No entanto, sob o ponto de vista de registros documentados, o ano de 1717 é considerado um marco muito importante da maçonaria especulativa, quando foi criada a Grande Loja da Inglaterra.

De lá para cá, os princípios da maçonaria tornaram-se imutáveis e nossa profissão de fé é retida em todas as lojas maçônicas do mundo: “Creio em um só Deus, Supremo Arquiteto do céu e da Terra, dispensador de todo bem e juiz infalível de todo bem e juiz infalível de todo mal”.

Não gostaria de cair na tentação de enumerar os deveres, a conduta e, sobretudo, como se deve pautar o relacionamento do maçom como cidadão no meio da sua comunidade.

Seria fácil e até tentador, pela obviedade das afirmações, seguir este plano, até porque todos os mandamentos de boa conduta poderiam ser encontrados em qualquer livro/texto de boas maneiras. No entanto, resisto à tentação e everedo pelo caminho mais árido, a conotação filosófica deste relacionamento.

Falar do maçom como cidadão é faxer um corolário sobre a ética e a moralidade. A moral representa o ponto mais alto da vida espiritual do homem e que é regulado por princípios emanuados do Grande Arquiteto do Universo e ética é o conjunto de regras e preceitos de conduta moral de um indivíduo ou de uma sociedade.

Para simplificar o entendimento, podemos definir, parafraseando Oscar Wide, estes dois Land mark da vida do cidadão como o seguinte enunciado:

“Tudo aquilo que o cidadão faz quando está em público chamamos de ética e se esta mesma ação também não for feita quando ele estiver sozinho, chamamos de moralidade.”

O maçom, como cidadão, assume um compromisso espontâneo e solene diante da sua própria consciência: a luta contra suas próprias franquezas, buscando sempre o elevado sentido da vida no aperfeiçoamento da moral.

Ao cidadão comum que bate pela primeira vez à porta do nosso templo, não lhe é perguntado sobre seus bens materiais, sua profissão, se possui brasões de nobreza ou título definidores da sua intelectualidade, apenas lhe é perguntado se ele é um cidadão livre e de bons costumes.

“A liberdade, para nós maçons, é o fundamento da moralidade e esta é o alicerce das nossas ações”

Esta senha, que não é apanágio de maçonaria, abrirá não só as portas do templo maçônico para o profano que pretende se iniciar em nossa ordem, mas também é a chave que conduzirá todos os homens ao interior do “templo da humanidade”, porque ela é condição sine qua non para que um indivíduo possa ser considerado um cidadão com todos os direitos e deveres inerentes a esta condição.

A liberdade, para nós maçons, é o fundamento da moralidade e esta é o alicerce das nossas ações, permitindo ou até mesmo facilitando que ele, o maçom, ocupe posição de relevo perante a sua sociedade. Esta posição carrega em seu bojo uma carga de obrigações que o demanda a compor com os elos desta correte institucional que está constituída há muitos séculos e que resistiu à prova do tempo.

Se a carga positiva de ações acumuladas por esta instituição poderá facilitar as movimentações do cidadão maçom no mundo profano, também encerra uma responsabilidade muito maior da que é cobrada a outro cidadão não maçom.

Sua vida e suas ações, como um espelho, refletem e ecoam. Para conviver com os demais cidadãos que não ultrapassaram os umbrais do nosso templo, ele precisa libertar-se das suas próprias ambições, saber palmilhar o caminho escuro da incerteza, buscando sempre a lei moral como estética de conduta; fugir do mal e do erro, na constante perseguição da harmonia e do belo.

Como cidadão, o maçom precisa sentir a nobreza da própria generosidade, de tal forma que se foi ele quem semeou, não seja ele quem vai colher os frutos da sua própria semeadura. Por ser livre, nunca imporá a sua fortaleza diante do fraco; não dogmatiza a sua verdade, se esta verdade aceito e comprovado; o seu direito termina quando começa o do seu vizinho.

O cidadão maçom, nas palavras do meu inesquecível amigo e irmão de Ordem, dr. José Normanha de Oliveira, “deve tentar responder a esta inquietante pergunta todos os dias da sua vida: Nascemos com coração e razão, somos intinerantes da eternidade, em trânsito para a perfeição. Para onde nos conduz esta marcha inexorável e continua do templo que transforma, a cada momento, o pequeno e efêmero presente em passado?”

A resposta a esta inquietante indagração o cidadão maçom encontrará na filosofia da nossa Ordem, porque ela prepara o terreno onde florescerão a justiça e a paz; sua arma de duelo é a espada da inteligência, ela exalta tudo o que une e aproxima as pessoas e repudia tudo aquilo que divide e as isola. Nossa Ordem é muito mais que um de grupo de pessoas que se reúne para um objetivo exclusivamente social e filantrópico; ela é, antes e acima de tudo, uma entidade filosófica que procura influenciar o mundo ao seu redor com seu modelo de pensamento, cujo desiderato é o respeito pela pessoa humana e o bem-estar da comunidade.

Hélio Moreira, membro da Academia Goiana de Letras, da Academia Goiana de Medicina e do instituto Histórico e Geográfico de Goiás – drhmoreira@gmail.com

Maçonaria e o maçom cidadão Por Hélio Moreira (Membro da Academia Goiana de Letras)

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