Maçonaria e o Golpe de 1964

Maçonaria e o Golpe de 1964

O ano de 1964 é considerado emblemático para a história do nosso país. Foi nesse ano em que os militares tomaram o poder e instauraram um regime ditatorial que durou aproximadamente duas décadas, marcadas por censura, prisões arbitrárias e execuções sumárias. O pano de fundo para essa história se inicia no inicio de 1961 quando Jânio da Silva Quadros tomou posse para o cargo de Presidente da Republica, derrotando o marechal Lott e o maçom e ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Jânio também era maçom e foi iniciado pela loja paulista “Libertas”, apesar disso, tinha se afastado da loja em 1947 só voltando à atividade maçônica em 1985.

Jânio Quadros adotou uma política extremamente impopular, pois precisava tomar as rédeas da economia brasileira. Castelanni destaca que Jânio implantou várias reformas no meio administrativo e abriu diversos inquéritos e investigações, prometendo austeridade no serviço público. O presidente sofria forte oposição no congresso, visto que tinha sido eleito por partidos minoritários, além disso, sofria pressão norte americana devido à suas atuações internacionais consideradas esquerdistas, como a reatamento de relações com a União Soviética e a condecoração ao líder guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara.

No dia 25 de agosto de 1961, Jânio renunciou ao cargo com um discurso confuso e misterioso no qual acusava “forças ocultas” como responsáveis por sua decisão. A renúncia de Jânio desencadeou uma grave crise política, pois seu vice João Goulart, também conhecido como Jango, estava viajando para a Ásia no momento e os ministros militares não queriam que ele assumisse o poder. O Grão mestre Cyro Werneck manifestou-se publicamente em nome do Grande Oriente do Brasil, como a favor à constituição e a posse de Goulart, apesar disso, vários outros segmentos eram contra a posse de Jango. Jango acabou tomando posse no dia 7 de setembro de 1961, mas um Ato Adicional à Constituição instituiu o parlamentarismo no Brasil, por um breve período, já que em 1963 a população aprovou por plebiscito a volta do regime presidencialista.

O maçom, militar e ex-presidente do Brasil Marechal Castelo Branco.
O maçom, militar e ex-presidente do Brasil Marechal Castelo Branco.

Muitos viam Jango como comunista por suas reformas e ideias de esquerda. A oposição concordava que reformas precisavam ser feitas, mas discordava do modo que elas estavam sendo conduzidas pelo presidente, a divergência aparecia principalmente em relação à reforma agrária, já que a oposição não concordava com a intenção de pagamento das desapropriações com títulos da dívida pública.Outras coisas também desagradaram os adversários do presidente como a estimulação que ele fez para a concentração dos trabalhadores, o que foi considerado como uma declaração de legitimidade da pressão que eles exerciam sobre o congresso. Nessa época os opositores começaram a acusar o presidente de omissão perante o processo inflacionário, de adoção de uma política de estatização e de permitir que “comunistas” se infiltrassem nos cargos administrativos do país.

Nessa época o mundo passava pela guerra fria, e o embate entre direita e esquerda estava bastante acirrado e esse fato refletiu tanto no Brasil quanto na Maçonaria brasileira. Castellani prefere considerar que existiam duas tendências opostas dentro da instituição, a primeira composta por indivíduos de esquerda que haviam se infiltrado na Maçonaria e em outras instituições a partir dos anos trinta, e a segunda tendência formada por elementos que não manifestavam tendências radicais de direita, mas eram radicais contra o envolvimento de esquerdistas na ordem e tradicionalmente contrários à extremismos.

Tatiana Martins Almeri nota que a Maçonaria por não aceitar extremismos, não aceitava indivíduos de esquerda, e que ainda por cima perseguia e delatava esses indivíduos, apesar de isso ser o pensamento oficial da Ordem maçônica, existiam vários maçons que não concordavam com essa posição. O estranho é que uma instituição que adota como lema “Liberdade, Igualdade e fraternidade” não aceitava que seus membros professassem posições ideológicas divergentes, e com o pretexto de não aceitar extremismos, acabou agindo de forma extrema com seus próprios membros.

A sociedade brasileira de 1964 começou a acreditar que o clima político e econômico era de caos, e os militares surgiram como uma alternativa de salvação para aquele período. Castellani afirma que o estopim para que a revolta fosse deflagrada foi à falta de punição ao motim dos marinheiros e o discurso presidencial do dia 30 de março de 1964, atitudes que segundo o autor feriram o principio da hierarquia militar. No dia seguinte, 31 de março, os militares deflagraram o golpe, que começou em Minas e se expandiu para o Rio de Janeiro e São Paulo. Goulart não conseguiu reagir e os militares sabotaram o sistema de comunicação e cercaram vários pontos em regiões estratégicas do país. Almeri afirma que a Polícia Civil do governo de Jango foi extremamente ineficiente no sentido de guardar a ordem política, visto que no dia posterior ao golpe, a entidade iniciou uma greve.

No dia 2 de abril de 1964 Ranieri Mazzilli foi empossado, e o golpe foi concluído. Um dos primeiros atos de Mazzilli e seu grupo foi à instauração do Ato Institucional n° 1(AI-1) e a eleição de Humberto de Alencar Castello Branco para o cargo de Presidente da República. Começava assim no Brasil, um período ditatorial que duraria mais de vinte anos.



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