Lamartine

Lamartine de Azeredo Babo

Lamartine
Carioca, nasceu em uma família amante da música, o que o ajudou a se tornar um dos mais importantes compositores do Brasil. Chegou a compor algumas operetas e peças de teor sacro na juventude, quando trabalhava como office boy e freqüentava as galerias do Teatro Municipal

Lamartine de Azeredo Babo  nasceu em 10/01/1904 na cidade do Rio de Janeiro. Foi compositor, Revistógrafo, Humorista, Radialista e Produtor. Morreu em 16/06/1963 também na cidade do Rio. Vejam que a família dele sempre levou a música muito a sério. Sua mãe e irmãs tocavam piano e em sua casa era palco de saraus. Esses saraus eram freqüentados por músicos famosos como Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense. Além disso, seu pai adorava música e frequentava os cinemas só para ouvir as orquestras nas salas de espera.

Uma curiosidade: o trabalho com a arte ocupou logo cedo a vida de Lamartine Babo. Vejam vocês que enquanto estudava no colégio São Bento, ele foi desafiado pelos amigos para compor uma música usando apenas as notas “sol, dó, mi”. Resultado: compôs um ótimo foxtrote chamado “Pindorama”. Foi ainda nessa época, venceu concurso escolar com a poesia “O frade que pedia esmola”.

Ainda jovem, Lalá era obcecado por operetas e vivia montando as suas com os meninos de sua rua. No período da adolescência compôs suas primeiras músicas mais requintadas, uma delas uma “Ave-Maria” tempos depois passou a ser entoada nas igrejas. Em 1917, fez sua primeira valsa chamada “Torturas de amor”, em homenagem ao seu pai que havia falecido no mesmo ano.

Como a maior parte dos brasileiros, Lamartine precisava trabalhar. Então, Em 1920, como sua família enfrentava dificuldades financeiras, ele foi trabalhar como office-boy na companhia Light. Nesse mesmo ano, ainda sem formação técnica musical, compôs “Cibele”, a primeira opereta de muitas infelizmente não encenadas.

Em 1922, com apenas 18 anos, ele teve sua primeira música apresentada em teatro, na revista “Aguenta Felipe!”. Em 1924, Lamartine passou a trabalhar na Companhia Internacional de Seguros, mas foi despedido no dia em que seu patrão o viu batucando numa mesa, durante o horário de trabalho.

 

Foi membro da Loja Estrela do Rio (1904)

Bem, a partir de 1925, Lalá começou a compor para as agremiações de carnaval que na época eram chamadas de “ranchos”. Foi nesse período que ele conquistou algum sucesso com a marchinha “Foi você”. Em 1926, estreou em São Paulo com a peça “Na penumbra”, um espetáculo que contava com a participação do grande Pixinguinha na direção da orquestra.

O que é preciso comentar é que foi durante a curta temporada dessa peça que ele intermediou o encontro de Pixinguinha com um dos maiores escritores do Brasil: Mário de Andrade. Nessa época Mário estava coletando material para um livro que seria um dos cânones da literatura brasileira: “Macunaíma”. No mesmo ano, Lamartine Babo ainda teve outras composições incluídas nas revistas em diversas revistas.

A partir de 1926 o número de músicas suas introduzidas em revistas foi aumentando gradativamente, além disso, foi nesse mesmo ano que ele estreou como revistógrafo, uma espécie de autor de revista teatral.

Algumas indicações de canções de Lamartine Babo que você precisa conhecer:

01- A tua vida é um segredo (Ano 1933) – Autor Lamartine Babo – Álbum História da MPB – Grande Autores (1982) Intérpretes: Lamartine Babo e Mário Reis

02- Eu sonhei que tu estavas tão linda (Ano 1941) – Autor Lamartine Babo e Francisco Matoso – Álbum Trilha Sonora da Novela Eterna Magia (2007) Intérprete: Pedro Camargo Mariano

03 – Chegou a hora da fogueira (Ano 1933) – Autor Lamartine Babo – Álbum Lamartine Babo – História da MPB – Vol. 06 (1970) – Intérprete: Carmem Miranda, Mário Reis e Diabos do Céu

Voltemos ao nosso protagonista de hoje. Em 1929, Lamartine colaborou com a festa do concurso de Miss Brasil no Rio, compondo com outros parceiros uma marcha apoteótica chamada “Miss Brasil”, além de canções para cada uma das 21 concorrentes ao título. Nesse mesmo ano, ele se aproximou do grupo “Bando de Tangarás”. Para quem não se recorda, esse grupo reunia três grandes nomes do cenário musical da época: Noel Rosa, Braguinha e Almirante.

Ainda em 1929, ele estreou no Rádio Educadora, cantando com sua voz de falsete, acompanhado por Ari Barroso ao piano contando piadas e fazendo esquetes. Seu trabalho foi tão reconhecido que logo em seguida ele passou a apresentar na mesma Rádio Educadora seu próprio programa, o “Horas Lamartinescas”, no qual apresentava nomes importantes da música popular como Noel Rosa, Marília Batista e Mário Travassos, entre outros.

Em 1930, teve três composições gravadas pelo Bando de Tangarás e ainda foi o vencedor do concurso de músicas carnavalescas da revista “O Cruzeiro”, com o samba “Bota o feijão no fogo”. Também em 1930, Lamartine Babo mexeu na letra da canção “Na grota funda” de Ari Barroso. Após sua alteração, a canção passou a se chamar “No Rancho Fundo”.

Com o passar dos anos, Lamartine Babo foi obtendo grande reconhecimento. Prova disso foi que em 1932, Mário Reis gravou seu samba “Só dando com uma pedra nela”, samba esse de grande sucesso no carnaval de 1933. Polêmicas a parte, nesse mesmo ano, Castro Barbosa gravou a marcha “O teu cabelo não nega”. Com essa canção que se tornaria um eterno clássico dos carnavais, Lamartine foi acusado de plágio pelos Irmãos Valença.

Os irmãos acusaram Lamartine de introduzir algumas modificações na letra da marcha “Mulata” (escrita em 1929) e depois lançá-la com o nome “O teu cabelo não nega”. Após processo contra a gravadora, teve que colocar o nome dos Irmãos Valença na co-autoria da música que se tornou verdadeiro hino do carnaval carioca.
Mas não foram apenas essas músicas de Lamartine Babo que estouram em 1932. Vejam vocês que o compositor emplacou ainda a marcha “A.E.I.O.U.”, em parceria com Noel Rosa, e a rancheira “Babo… zeira”. Por causa do sucesso, passou a se apresentar frequentemente em shows em clubes, rádios e teatros cariocas, ao lado dos grandes Francisco Alves e Mário Reis.

O carnaval de 1933 o consagra como uma das figuras mais conhecidas do Rio. Lamartine Babo chega a ser carregado em triunfo pela avenida Rio Branco, no centro do Rio. Na cidade e em muitas partes do país são cantadas as marchas “Moleque Indigesto” e “Linda Morena”, lançadas por Carmen Miranda. Parcerias com Ari Barroso, Mário Reis, João de Barro e muitos outros fizeram com que Lalá continuasse a ser cantado nas ruas e nos salões de carnaval nos anos de 1935 e 1936.

No ano de 1936, Lamartine lançou um grande sucesso (em parceria com João de Barro e Alberto Ribeiro): a canção “Cantores do Rádio” com as irmãs Carmen e Aurora Miranda. Esse ano praticamente marcou o fim de sua carreira como compositor de marchinhas carnavalescas, passando a voltar sua atenção para a composição de sambas-canção.

 

Seguem mais sugestões para você conhecer sobre Lamartine Babo:

04- O teu cabelo não nega (Ano 1932) – Autor Irmãos Valença e Lamartine Babo – Álbum Lamartine Babo – Raízes da Música Popular Brasileira Vol. 02 (2010) Intérprete: Castro Barbosa (aqui vale uma observação: no coro dessa canção temos ninguém menos que Carmen Miranda e o próprio Lamartine. Além disso, temos como arranjador dessa canção, ninguém menos do que Pixinguinha)

05 – A. E. I. O. U. (Ano 1932) – Autor Lamartine Babo e Noel Rosa – Álbum Noel pela primeira vez – vol. 1 (2000): Intérprete: Lamartine Babo

06 – No rancho fundo (Ano 1931) – Autor Ary Barroso e Lamartine Babo – Álbum À flor da pele (1990) Intérpretes: Ney Matogrosso e Raphael Rabello

O que podemos perceber é que ao entrar o ano de 1937, Lamartine Babo começou a se desinteressar por produções para o Carnaval e com isso passou a se dedicar mais às chamadas músicas de meio de ano. É nesse período lança 2 grandes sucessos: “Serra da Boa Esperança” e “Mais Uma Valsa, Mais Uma Saudade” (parceria com José Maria de Abreu).

Com o passar dos anos, Lamartine Babo passou a se dedicar cada vez mais ao rádio. No entanto, em 1942, ele decide voltar à produção musical ao compor os hinos dos diversos clubes de futebol do Rio de Janeiro. Ele compôs os hinos de alguns times como São Cristóvão, Bonsucesso, Madureira, Olaria, Bangu, Vasco, Fluminense, Botafogo, Flamengo e do seu time de coração – o América. Esses hinos eram apresentados em seu programa “Trem da Alegria” na Rádio Mayrink Veiga uma vez por semana. O programa teve tanto sucesso que foi apresentado ainda nas Rádios Globo, Tupi, Mundial e novamente Mayrink Veiga.

Ainda no ano de 1942, ele fundou com colegas de profissão a União Brasileira de Compositores, que era destinada a fiscalizar os direitos autorais. Lalá passou a se ocupar cada vez mais com a UBC, chegando a assumir vários cargos, inclusive o de presidente.
Em 1951, aos 47 anos, Lamartine se casou com a carioca Maria José. Curiosidades a parte, o “Rei do Carnaval” teve algumas retomadas esporádicas ao trabalho de compositor. Nessas retomadas surgiu o bem-sucedido sucesso com a marcha-rancho “Os Rouxinóis” de 1958.

Vale lembrar que no ano de 1963, Lamartine Babo compôs sua última música, a marcha-rancho “Seja lá o que Deus quiser”, gravada por Elizeth Cardoso. Nesse mesmo ano, Carlos Machado produziu na boate do Copacabana Palace o show “O teu cabelo não nega”, baseado na vida do compositor. Lalá assistiu aos ensaios, mas não chegou a ver a montagem do espetáculo. Ele faleceu alguns dias antes da estréia, vítima de um ataque cardíaco. Muitos dizem que o ataque se deu por causa da emoção da estréia do show em sua homenagem.

Não podemos esquecer que Lamartine Babo foi um dos maiores compositores da história da música popular brasileira. Assim como Noel Rosa, Ari Barroso, Assis Valente e Dorival Caymmi, Lamartine ele se alinha no time dos criadores mais inventivos e originais, responsáveis pela formação do que veio a se chamar mais tarde de MPB.
O que é interessante ressaltarmos é que Lamartine Babo se constitui em um caso à parte, pela sua apurada sensibilidade e pelo fino humor de suas produções e composições. Foi o autor de marchas e sambas que são inconfundíveis, ele se distingue perfeitamente de qualquer outro grande marchista ou sambista brasileiro. Por ser único em sua arte, Lamartine Babo ou o Lalá é presença obrigatória nas “Raízes da MPB”.

Para finalizar, seguem mais 3 canções que considero essenciais quando falamos no grandioso Lalá:

07- Moleque indigesto (Ano 1933) – Autor Lamartine Babo – Álbum História da música popular brasileira – Lamartine Babo (1970) Intérprete: Lamartine Babo e Carmen Miranda – Arranjador: Pixinguinha.

08 – Serra da Boa Esperança (Ano 1937) – Autor Lamartine Babo – Álbum História da MPB, Grande Compositores (1982) Intérprete: Francisco Alves

09- Cantores do rádio (Ano 1936) – Autor Lamartine Babo, João de Barro e Alberto Ribeiro – Álbum História da MPB, Grandes Compositores (1982) Intérpretes: Chico Buarque, Nara Leão e Maria Bethânia

Não se esqueçam: O Programa “Raízes da MPB” vai ao ar pela Rádio Tom Social toda quinta-feira às 19:00 e todo domingo às 08:30.

No site da rádio você encontra os podcasts dos programas já apresentados, além de ficar 24 horas por dia com uma ótima programação.

 

 

Tradicionalmente, a Maçonaria surgiu com as civilizações, e esteve presente na formação de quase todas elas, para instruir os homens nos princípios da construção social, construindo mentes sábias e personalidades…
 
 
 

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