Império Otomano

Império Otomano

Império Otomano (دولت عالیه عثمانیه Devlet-i Âliye-yi Osmâniyye, em turco-otomano) foi um Estado que existiu entre 1299 e 1922 e que no seu auge compreendia a Anatólia, o Médio Oriente, parte do norte de África e do sudeste europeu.

Foi estabelecido por uma tribo de turcos oguzes no oeste da Anatólia e era governado pela dinastia Osmanlı. Era por vezes referida em círculos diplomáticos como a da “Sublime Porta” ou simplesmente como “a Porta”, devido à cerimónia de acolhimento com que o sultão agraciava os embaixadores à entrada do palácio.

Fundado por Osman I (em árabe Uthmān, de onde deriva o nome “otomano”), nos séculos XVI e XVII o império constava entre as principais potências políticas da Europa e vários países europeus temiam os avanços otomanos nos Balcãs. No seu auge, no século XVII, o território otomano compreendia uma área de 11.955.000 km² e estendia-se desde o estreito de Gibraltar, a oeste, até o mar Cáspio e o golfo Pérsico, a leste, e desde a fronteira com as atuais Áustria e Eslovênia, no norte, até os atuais Sudão e Iêmen, no sul.

Início do Império – 1300 – 1481

A dinastia que Osman (1258 d.C a 1326 d.C) fundou era chamada de Osmanli, que significa “filhos de Osman”. O nome passou para o ocidente como “otomano”. O Império Otomano professava a religião muçulmana. As tribos mais fortes eram os seljúcidas, que se estabeleceram na Ásia Menor, juntamente com outros grupos de turcos. Após a derrota dos seljúcidas pelos mongóis, em 1293 d.C, Osman surgiu como o líder local dos turcos na luta contra o enfraquecido império bizantino. A conquista final dos bizantinos só foi alcançada em 1453 d.C, com a queda de Constantinopla (atual Istanbul), mas, naquela época, todo o território em volta já estava em mãos dos otomanos.

As áreas iniciais de expansão sob a liderança de Osman I e de seus sucessores – Orkhan (que governou no período de 1326 a 1359) e Murad I ( no período de 1359 a 1389) – compreendiam o oeste da Ásia Menor e o sul da Europa, originariamente península balcânica. Durante o reinado de Orkhan, foi iniciada a prática de exigir um tributo sobre os filhos de cristãos. Os meninos eram treinados para se tornarem soldados e administradores. Como soldados eles aumentavam as fileiras da infantaria, e eram chamados de janizaries, a força militar mais temida na Europa por séculos.

Murad conquistou a Trácia, a noroeste de Constantinopla, em 1361 d.C. Mudou sua capital para Adrianópolis (atual Edirne), a capital da Trácia e a segunda cidade do império bizantino. Esta conquista efetivamente separou Constantinopla do resto do mundo. Adrianópolis também controlava a rota principal de invasão através das montanhas dos Balcãs, permitindo o acesso dos otomanos à expansão em direção norte.

Murad morreu durante a sua última batalha vitoriosa contra os aliados balcânicos. Seu sucessor, Bayezid I (governou de 1389 a 1402), foi incapaz de expandir as conquistas do lado europeu. Ele foi forçado a voltar sua atenção para a região oriental da Ásia Menor para lidar com um principado turco cada vez mais crecente, o Karaman. Murad atacou e derrotou Karaman em 1391 d.C, acabou com a revolta nos Balcãs e voltou para consolidar suas conquistas na Ásia Menor. Seu sucesso atraiu a atenção de Timur Lenk (Tamerlão). Estimulado pelos príncipes turcos que haviam se asilado em sua corte, fugindo das incursões de Bayezid, Timur atacou e o subjugou em 1402 d.C. Capturado por Timur, Bayezid morreria em um ano.

Logo Timur se retirou da Ásia Menor, deixando que os filhos de Bayezid recuperassem o que o pai tinha perdido. Os quatro filhos lutaram entre si pelo controle do poder, até que um deles, Mohammad I, matou os outros três e assumiu o governo. Ele reinou de 1413 d.C até 1421 d.C, e seu sucessor, Murad II, de 1421 d.C até 1451 d.C. Murad sufocou a resistência nos Balcãs e eliminou todos os principados turcos na Ásia Menor, com exceção de dois. A tarefa de finalizar a conquista balcânica e apoderar-se de toda a Ásia Menor coube ao sucessor de Murad, Mohammad II (no período de 1451 d.C a 1481 d.C). Foi ele quem terminou o cerco de Constantinopla em 1453 d.C e a transformou na capital do império otomano. Toda a península balcânica do sul da Hungria foi incorporada, assim como a Criméia, na costa norte do Mar Negro. A Ásia Menor estava completamente subjugada.

Além de conquistar um grande império, Mohammad II trabalhou com afinco pela consolidação e por um sistema administrativo adequado e de impostos. Para isso, contou com o fato de que toda a estrutura burocrática bizantina estava em suas mãos. Ainda que fossem muçulmanos, os sultões otomanos não se recusaram a usar qualquer talento que eles pudessem atrair ou capturar.

A Idade de Ouro – 1481 – 1566

Três sultões governaram o império no seu auge: Bayezid II (1481 – 1512), Selim I (1512 – 1520), e Suleyman, o Magnífico (1520-1566). Bayezid estendeu o império na Europa, acrescentou postos avançados ao longo do Mar Negro, e sufocou as revoltas na Ásia Menor. Também transformou a armada otomana na maior força naval do Mediterrâneo. Com a idade mais avançada, ele se tornou um místico religioso e abdicou ao trono em favor de seu filho mais brilhante, Selim I.

A primeira tarefa de Selim foi eliminar toda a competição por sua posição. Ele teve seus irmãos e filhos, com exceção de um, todos mortos. Desse modo, ele estabeleceu o controle sobre o exército, que durante a sucessão tinha apresentado um candidato próprio ao poder. Durante o seu curto reinado, os otomanos se moveram de sul para leste, na Síria, Mesopotâmia (Iraque), Arábia e Egito. Em Meca, o santuário do Islam, ele tomou o título de califa, governante de todos os muçulmanos. Os sultões otomanos seriam, dali em diante, os chefes espirituais do Islam, deslocando, assim, o antigo califado de Bagdá.

Ao ocupar os lugares santos do Islam, Selim sedimentou sua posição como o governante religioso mais poderoso. Isto permitiu o acesso direto dos otomanos à rica herança cultural do mundo árabe. Intelectuais muçulmanos importantes, artistas, artesãos e administradores vinham a Constantinopla de todas as partes do mundo árabe. Eles transformaram o império muito mais do que o estado islâmico tradicional jamais tinha sido.

Um outro benefício dos esforços de Selim foi o controle de todas as rotas comerciais do Oriente Médio entre a Europa e o Extremo Oriente. O crescimento do império foi, durante algum tempo, um impedimento para o comércio europeu. Este monopólio otomano levou os estados europeus a procurarem rotas alternativas pela África para chegarem à India e à China, impulsionando o desenvolvimento das navegações, o que acabou por levar à descoberta das Américas por portugueses e espanhóis.

O único filho de Selim, Suleiman, chegou ao trono em uma situação invejável. As novas receitas proveninentes da extensão do império, deixaram-no com uma riqueza e poder sem paralelo na história otomana. No início de suas campanhas, ele capturou Belgrado (1521 d.C) e a ilha de Rodes (1522 d.C) e fragmentou o poder militar húngaro. Em 1529 d.C, ele sitiou Viena, na Áustria, mas foi forçado a se retirar por falta de suprimentos. Também iniciou três campanhas contra a Pérsia. A Argélia, na África do Norte, se rendeu à sua esquadra em 1529 d.C e Trípoli (Líbia), em 1551 d.C. Em suas buscas menos belicosas, ele enfeitou as maiores cidades do Islam com mesquitas, aquedutos, pontes e outras obras públicas. Em Constantinopla, ele mandou construir muitas mesquitas e, entre elas, a magnífica Mesquita de Suleyman.

Declínio do Império – 1566 – 1807

Durante o longo reinado de Suleiman, o império otomano alcançou o auge em poder político e o máximo de sua extensão geográfica. As sementes do declínio, no entanto, já estavam plantadas.

Como Suleiman já estivesse cansado das guerras e vivendo mais em seu harém, seus vizires assumiram o poder. Depois de sua morte, o exército passou a controlar o sultanato, usando isso em seu próprio benefício. Poucos sultões, depois de Suleiman, tiveram a habilidade de exercer o poder verdadeiro quando a necessidade se apresentava. A este enfraquecimento no centro do poder, se opunha um poder cada vez mais crescente no ocidente. Os estados nacionais na Europa estavam emergindo da Idade Média sob monarquias fortes. Estavam formando exércitos e esquadras que foram poderosas o suficiente para atacar o poder militar otomano decadente.

Em 1571 d.C, um acordo entre Veneza, Espanha e os estados papais da Itália, derrotou os turcos na grande batalha naval de Lepanto, na costa grega. Esta derrota, que derrubou o mito do turco invencível, aconteceu durante o reinado de Selim II (período de 1566 – 1574). Mas, o império reconstruiu sua esquadra e continuou a controlar o Mediterrâneo oriental por mais um século.

A medida em que o governo central se tornava mais fraco, partes do império começaram a agir mais independentemente, mantendo apenas uma lealdade nominal ao sultão. No entanto, essa armada ainda era forte o bastante para impedir as rebeliões nas províncias. Sob o governo de Murad III (1574-1595), novas campanhas foram desenvolvidas. O Cáucaso foi conquistado e o Azerbaijão foi ocupado, quando o império atingiu a sua maior extensão territorial.

Esforços reformistas foram experimentados pelos sultões durante o século XVII, mas pouco pode ser feito para deter o começo da decandência. Os otomanos foram expulsos do Cáucaso e do Azerbaijão em 1603 d.C e do Iraque em 1604 d.C. O Iraque foi retomado por Murad IV (1623-1640) em 1638 d.C, mas o Irã permaneceu uma ameaça militar persistente no oriente. Uma guerra com Veneza (1645-1669) expôs Constantinopla a um ataque da armada naval veneziana. Em 1683 d.C, a última tentativa para conquistar Viena fracassou. A Rússia e a Áustria lutaram contra o império com ataques militares diretos e fomentando a revolta entre os não muçulmanos contra o sultão.

Começando em 1683 d.C, com o ataque a Viena, os otomanos estiveram em guerra com os inimigos europeus por 41 anos. Como consequência, o império perdeu muito de seu território nos balcãs e todas as possessões no litoral do Mar Negro.

O enfraquecimento do governo central, manifestado pelo declínio militar, também implicou numa perda gradual do controle sobre a maior parte das províncias. Governantes locais, chamados de notáveis, conquistaram para si regiões permanentes as quais eles governavam diretamente, independente da vontade do sultão em Constantinopla. Os notáveis foram capazes de construir suas bases de poder, porque sabiam da fragilidade do exército do sultão e porque as populações locais preferiam seus governos à adminitração corrupta da distante capital. Os notáveis formaram seus próprios exércitos e coletavam seus próprios impostos, enviando apenas as contribuições nominas para o tesouro imperial.
Selim III (1789-1807) tinha esperanças de reformar o império e o seu exército, mas não conseguiu e foi destronado. Quando Mahmud II (1808-1839) chegou ao trono, o império estava em situação extrema. O controle da África do Norte tinha passado para os notáveis locais. No Egito, Mohammad ‘Ali estava lançando as bases de um reino independente. Se as nações européias tivessem cooperado eles poderiam ter destruído o império otomano. Em 1826 d.C, cinco anos após o gregos iniciarem sua luta pela independência, os janizaries tentaram interromper as reformas. Mahmud os massacrou e construiu um novo sistema militar, nos moldes dos exércitos europeus. Ele também reformou a administração e assumiu o controle sobre alguns dos notáveis provinciais, com exceção do Egito. Por ocasião da morte de Mahmud, o império estava mais consolidado e poderoso, mas ainda sujeito à interferência européia.

Os filhos de Mahmud, Abdulmecid I (1839-1861) e Abdulaziz (1861-1876) implementaram diversas reformas, especialmente na educação e no sistema legal. Não obstante, em meados do século era evidente que a causa otomana era uma causa perdida. O Czar Nicolau I da Rússia, em 1853 d.C, comentou sobre o Império Otomano: “Temos em nossas mãos um homem doente, muito doente.”

Guerras Turco-Russa

Os interesses conflitantes dos estados europeus sustentaram o império otomano até depois da I Guerra Mundial. A Grã-Bretanha, em especial, estava determinada a manter a Rússia afastada do acesso ao Mediterrâneo pelo mar Negro. A Inglaterra, França e a Sardenha tinham ajudado os otomanos a bloquear os russos, durante a guerra da Criméia (1854-1856).

A guerra russo-turca de 1877/1878, trouxe a Rússia quase que a Constantinopla. Os otomanos foram forçados a assinar o duro Tratado de Santo Estéfano, pelo qual terminavam o seu governo na Europa, com exceção dos estados europeus do Congresso de Berlim. Isso ainda deu um fôlego ao antigo império por umas poucas décadas a mais.

Abdulhamid II (1876-1909) estabeleceu laços fortes com a Alemanha a ponto de na I Guerra Mundial os otomanos lutarem ao lado dos alemães.

O Fim do Império

Foi no início do século XX que os Jovens Turcos, um grupo reformista, passou a pregar reformas para a modernização do império. O grupo reformista teve êxito na deposição do sultão Abd Al-Hamid II, em 1909.

Mas ao centralizar o poder, esse grupo engendrou o início da própria derrocada do império, que foi obrigado a enfrentar a insatisfação geral de libaneses, sírios, macedônios, albaneses, cretenses, além de enfrentar as discórdias provindas da Bósnia, da Herzegovina, de Trípoli. Ainda na Primeira Guerra Mundial , os otomanos tinham sob controle grande parte do Oriente Médio, que se juntava aos Aliados em busca de sua independência.

Os tratados de paz de 1918 dissolveram o Império Otomano. Um novo governo, sob a liderança de Mustafa Kemal, conhecido como Ataturk, surgiu em Ancara. O último sultão, Mohammad VI, fugiu, depois que o sultanato foi abolido em 1922. Todos os membros da dinastia otomana foram expulsos do país dois anos mais tarde. A Turquia foi proclamada uma república, com Ataturk como seu primeiro presidente. Durante os 15 anos de seu governo, foi responsável pela introdução de costumes ocidentais, além da abolição do califado.



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