O Império Babilônico: Religião, reis, queda e influência

O Império Babilônico: Religião, reis, queda e influência do império da Mesopotâmia A Babilôna 1 – Introdução O presente trabalho trata-se da pesquisa sobre o império Babilônico e a tentativa […]

O Império Babilônico: Religião, reis, queda e influência do império da Mesopotâmia

A Babilôna

1 – Introdução

O presente trabalho trata-se da pesquisa sobre o império Babilônico e a tentativa de traçar as principais informações sobre a religião, principais governantes, queda e influencia do império nos dias bíblicos e atuais. Há muito que se falar sobre este império, não tendo o presente trabalho conteúdo suficiente para pormenorizar e esgotar tudo o que se pode saber sobre o referido império. A metodologia utilizada foi a de pesquisa no texto bíblico, livros relacionados com o assunto e conteúdo on line – Internet. As dificuldades encontradas na pesquisa, referem-se a dificuldade de peneirar as diversas informações contraditórias sobre o império Babilônico, tanto em conteúdo editado,quanto em conteúdo disponível na internet. O presente trabalho tem como fontes principais, livros e artigos que se serviram de registro em argila dos templos monumentais no interior das cidades escavadas que pertenciam ao império Babilônico.

Localizado na Mesopotâmia, região situada entre os rios Tigres e Eufrates, de onde se originou seu nome – Mesopotâmia significa entre rios – no território do atual Iraque. Nessa região surgiram as primeiras civilizações urbanas. No início do IV milênio a.C, vários grupos populacionais ocupavam a região. Pastores do deserto, pescadores de pântanos e agricultores das planícies mantinham contato com povos de áreas montanhosas distantes em busca de matérias-primas que não existiam no sul da região Iniciou-se, assim, um processo de diferenciação social, onde um grupo conquistou o monopólio sobre a produção da riqueza daquela sociedade.

Em 3700 a.C, surge Babilônia, não como império, mas como um pequeno estabelecimento urbano, ao longo das margens ocidentais do rio Eufrates. No terceiro milênio a.C, Babilônia ainda era uma pequena cidade. Sob o comando de Hamurabi, um dos seus reis mais ilustres, Babilônia se tornou uma potencia, mas a unidade política era frágil, com cidades-estados independentes, fazendo com que a cidade fosse invadida por vários povos, sofrendo sucessivas destruições e reconstruções, mas manteve sua supremacia cultural e religiosa, graças ao culto ao deus Marduk, que era o deus protetor da Babilônia.

2 – Religião

A religião Babilônica era politeísta, onde cada cidade-estado possuía seu próprio panteão. Havia um complexo sistema religioso traduzido pelas representações coletivas do sagrado formulado pela comunidade babilônica, onde, como em toda mesopotâmia tudo era sagrado.

Fotos de partes das Muralhas do templo de Ishtar, das famosas muralhas da Babilônia (em Berlim).

Fotos de partes das Muralhas do templo de Ishtar,
das famosas muralhas da Babilônia (em Berlim).

As divindades babilônicas possuíam além do nome, estado civil, função e estavam sempre ligadas á cidade-estado onde exerciam seu poder e proteção. Todas as divindades eram divididas hierarquicamente, com campos de atuação definidas, privilégios, poderes e saberes estipulados a cada uma delas.

As divindades habitavam o ambiente dos zigurates, construção maciça feita de tijolos crus, em forma de pirâmide escalonada, em cujo topo era construído um pequeno templo a ser habitado pela divindade local, sendo o mais conhecido o zigurate da cidade da Babilônica, anteriormente chamada de Babel. O zigurate desta cidade era conhecido como É.TEMEN.AN.KI e a tradução literal seria “a casa da fundação do céu e da terra”. A relação deste zigurate com o texto bíblico refere-se ao período onde todos falavam uma só língua e, intentando chegar até Deus, os povos da época começam a construí-lo, servindo este momento como base para a cultura ocidental, registrado no livro de Genesis, capítulo 11, versículos de 1 a 9 (A Bíblia de Jerusalém):

“Todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras. Como os homens emigrassem para o oriente, encontraram um vale na terra de Senaar e ai se estabeleceram. Disseram um ao outro: “Vinde! Façamos tijolos e cozamo-los ao fogo!” O tijolo lhes serviu de pedra e o betume de argamassa. Disseram: “Vinde! Construamos uma cidade e uma torre cujo ápice penetre nos céus! Façamos um nome e não sejamos dispersos sobre a terra!” Ora, Iahweh desceu para ver a cidade e a torre que os homens tinham construído. E Iahweh disse: “Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua. Isso e o começo de suas iniciativas! Agora, nenhum desígnio será irrealizável para eles. Vinde! Desçamos! Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros”. Iahweh os dispersou dali por toda a face da terra, e eles cessaram de construir a cidade. Deu-se-lhe por isso o nome de Babel, pois foi lá que Iahweh confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra e foi lá que ele os dispersou sobre toda a face da terra.”

Acredita-se que a torre serviria a duas funções principais: cientifico e religioso. No Genesis, babel torna-se o centro do mundo caótico e da dispersão. A simbologia do país entre – rios é dominada por uma visão dupla do universo. Há no alto, o céu e embaixo a terra. Essas partes são habitadas por vários deuses. Acreditavam que quando os deuses da terra subissem aos céus, haveria um lugar de repouso para eles e o mesmo aconteceria quando os deuses dos céus precisassem vir a terra. Talvez seja esta a função principal do zigurate, intermediar a participação dos deuses, tanto da terra, quanto do céu na vida dos seus adoradores. O Zigurate de Babel serviria para religar todas as partes templo e homem, sendo o templo o centro do universo e o homem criatura estabelecida para adorar e servir aos deuses e colaborar com eles em suas atividades.

3 – PRINCIPAIS GOVERNANTES

3.1. Hamurabi

Rei do período Babilônio antigo, seu reinado estendeu-se do ano 1.792 a.C até o ano 1.750 a.C Provavelmente o maior rei da mesopotâmia. Quando ele subiu ao trono, Babel era uma cidade próspera bem organizada, porém não podia se comparar às três potências de Assur, Larsa e Echunna. Sua grande obra prima foi o longo trabalho de unificação nunca antes tentado. Sob seu domínio estavam os sumérios, acadianos, amorritas, cananeus, assírios, além das tribos da montanha e desertos. Os povos acadianos deram a nomenclatura de “Rei das Quatro Partes Mundo”. Em conformidade com o modelo sumério, recusou a distinção de deus, aceitando somente o título de “Sol de Babel”. Unificou os povos sob o seu comando em praticamente todos os aspectos. Nomeou governadores seus em cada província e trabalho de forma a se falar um só idioma entre o povo, que anteriormente falava vários dialetos locais. Toda a propriedade pertencia ao rei que lhe pagava tributo. Designou feudos para a aristocracia que em pagamento lhe fornecia soldados para o exército. Aos soldados, distribuía as terras dos países vencidos, o que lhe garantia fidelidade e honra por parte dos soldados. Cobrava impostos dos templos assim como cobrava de todo o povo. Unificou o povo também no plano religioso. Definiu as divindades não pela força, mas pela organização dos milhares de deuses semitas e sumérios que ocasionalmente se contradiziam entre si, sendo que muitos deles eram os mesmos que apareciam sob nomes e títulos diferentes e diferentes lugares.

Outro fato importante atribuído a Hamurabi foi o compendio de leis e normas de condutas conhecido ocidentalmente como Código de Hamurabi. Com exceção da parte conhecida como lei de talião, a que Moisés mais tarde se referencia quando falar de “olho por olho, dente por dente”, o código de Hamurabi é marcado por certa moralidade, onde os fracos recebem freqüentemente indulgencias.
Hamurabi deixou o reino em perfeita ordem com finanças prósperas e contínua expansão, fazendo de Babel a capital cultural de toda a Ásia menor.

3.2. Nabonidas

Chegou ao poder em 556 a.C., e por uma razão desconhecida deixa a Babilônica e passa a viver por dez anos na península Arábica, deixando em seu lugar o príncipe herdeiro Bel-Shar-Usur. Esta atitude deixa o clero babilônico de Marduk escandalizado, pois sem a presença de um rei seria impossível a celebração da festa de ano novo, onde era assegurado as bênçãos divinas para o país. Amante da arqueologia escavou em Harram, Larsa, Ur e Sippar a procura de indícios dos antiqüíssimos templos sumérios e acadianos. Ao encontrá-los fazia copias e datava os mesmos de forma especulativa, sem nenhuma comprovação científica. Essa paixão pela arqueologia acabou por se tornar uma fixação e se tornando o seu único empenho, relacionando a propensão de desenvolver ritos e cultos, introduzindo inovações na religiosidade babilônica chegando aos limites da heresia.

Adorava o deus Sin, deus de Harram, o que trazia grande irritação ao clero de Marduk rebelando-se abertamente contra ele. Essa rebelião fez com que ele partisse para um oásis na Arábia e por vários anos dedicou-se a organizar as terras onde permaneceu, dentre elas, Jatrib, atual Medina.

Em 547 a.C, quando o rei Persa Ciro II toma posse do reino da Lídia, tendo controle total de todo o oeste de Anatólia, Nabônidas retorna a Babilônia para organizar a defesa da cidade. Mesmo tomando essa providência, as tropas persas conseguem penetrar em Babilônia em 539 a.C. Este evento é conhecido não só através da história geral, como através da narrativa bíblica, quando no livro do profeta Daniel, capítulo cinco, encontramos a história do rei Belsazar (Bel-Shar-Usur), promovendo uma festa com os vasos sagrados tomados do templo em Jerusalém, por Nabucodonosor II, tendo sido o rei Belsazar morto naquela mesma noite. A rapidez com a qual desaparece então o Império Babilônio mostra, sobretudo, que Nabônidas não tinha conseguido unir todos os seus súditos em torno de sua concepção do Império.

3.3. Nabopolassar

Nabopolassar talvez fosse um general enviado a Babel para substituir outro general e chegando a Babel, se auto-proclamou rei. Teria sido dessa forma que um caldeu, mas precisamente um arameu e não um assírio teria chegado ao trono.

De 625 a.C. a 623 a.C., eclodiu uma guerra entre a Assíria e a Babilônia onde Nabopolassar ao fim venceu o inimigo em Nippur, forçando-o a desocupar para sempre aquela parte do mundo. Neste momento Nabopolassar, faz uma aliança com Ciaxares, que ocupara o Elam para destruir a Assíria. Em 615 a.C. Ciaxares ataca Arrapkha destruindo-a totalmente. No ano seguinte, Assur é totalmente destruída. Em 613 a.C, o exército assírio consegue, pela última vez, derrotar os babilônios sobre o Eufrates. Em 612 a.C Khalcu e Nínive são aniquiladas para sempre num apocalíptico banho de sangue e o rei Sinchar-ichucun perde a vida entre as ruínas do seu palácio em chamas. Estes fatos podem ser encontrados em dois textos bíblicos:

Sofonias 2, 13-16: “Ele estenderá a sua mão contra o norte e destruirá a Assíria; fará de Nínive uma devastação, uma terra árida como o deserto. Em seu seio repousarão os rebanhos, animais de toda a espécie, até o pelicano, até o ouriço passarão a noite entre os seus capitéis, a coruja gritará na janela, e o corvo na soleira, porque o cedro foi arrancado. Esta é a cidade alegre que habitava em segurança que dizia em seu coração: “Eu e mais ninguém!”Como se tornou desolação um abrigo para animais selvagens? Quem passa por ela assobia, agita a mão.

Naum, 2, 7-11: “As portas que dão para o Rio são abertas, e o palácio se abala em todos os sentidos. A beleza foi exilada, levada embora, suas servas gemem como o arrulho das pombas e batem em seu coração. Nínive é como tanque d’água cujas águas escapam. Parai, Parai! Mas ninguém olhe para trás. “saqueai a prata! Saqueai ouro! O tesouro não tem fim, uma abundância de todos os objetos preciosos! Desolação, destruição, devastação! O coração definha , os joelhos vacilam, há calafrio em todos os rins e todas as faces perdem a cor!

3.4. Nabucodonozor I

Não deve ser confundido com o outro, conhecido de todos, que é o segundo. Este grande personagem (1128-1106 a.e.c.) empunha as armas por volta de 1115 a.C, partindo para a rebelião. Deu uma falsa liberdade as cidades de Namri que se achava sob o domínio de Elam.

Expandiu seu domínio até Asíria, repelindo seus inimigos, incluindo os egípcios. Após a morte de Nabucodonozor, seguiu-se um período de desordens. O jovem príncipe obedeceu de bom grado à ordem paterna conquistando Carchemich, onde esperou que o exército de Necau desencadeasse o contra-ataque. Em 605 a.C., foi obrigado a interromper a perseguição aos inimigos por causa da noticia da morte de seu pai. Por conta disso, confiou assim a missão a seus generais, retornando a Babel, onde assumiu as insígnias reais e logo voltou a tomar posse, como rei, daquela parte do mundo que lhe competia. O seu reinado inicia-se assim sob os auspícios de uma fulgurante vitória. Seguiram-se muitas outras ao longo de todos os quarenta anos de governo. Este período de tempo transformará Nabucodonosor, depois de Sargão, Naram-Sin e Hammurabi, no maior rei da Babilônia.

4 – QUEDA

Uma sucessiva mudança de personagens no trono do império babilônico nos levará até Belsazar que está intimamente ligado a história bíblica. Neto de Nabucodonosor, Belsazar vem em seu reinado o cumprimento da profecia de Jeremias que enfatizava seu fim, após um longo período de conquistas.

“Assim me disse o SENHOR: ‘… E, agora, eu entreguei todas estas terras nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, … E todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho, até que também venha o tempo da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis se servirão dele.'” (Jeremias 27:6-7) .

Belsazar fez um grande banquete, e convidou homens importantes de todo o seu reino, açompanhado de suas mulheres e concubinas. Cercada por um muro de 100 metros de altura, a cidade encontrava-se cercada pelos inimigos. Havia na mente de Belsazar uma falsa ilusão de que a cidade era inexpugnável, e o banquete foi dado em honra aos seus deuses, que, pensava ele, o estavam protegendo.
Depois de provar o vinho, Belsazar mandou que se buscassem os utensílios de ouro que haviam sido trazidos do templo em Jerusalém por Nabucodonosor (2 Crônicas 36:18). E todos beberam vinho neles e deram louvores aos seus deuses que eram imagens de ouro, prata, cobre, ferro, madeira e pedra.

Neste momento de afronta ao Deus de Israel, eis que surge na parede uns dedos de mão de homem e escreviam, defronte do castiçal, na estucada parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo. O rei então grita para fosse levado à sua presença os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores; quando chegaram, ele prometeu que quem lesse o que estava escrito e declarasse a sua interpretação seria premiado com roupa de púrpura, uma cadeia de ouro ao pescoço, e seria, no reino, o terceiro dominador (viria depois do seu pai e ele próprio). Mas ninguém entre eles foi capaz de ler, nem interpretar o que estava escrito.

Daniel, o profeta cativo de Israel, foi chamado na esperança ele ainda pudesse resolver o mistério. Antes de interpretar a escrita, Daniel lembra a Belsazar que Deus, o altíssimo havia permitido a Nabucodonosor todo o seu reino, o poder e a glória que possuía. Por ter se ensoberbecido, fora derribado do seu trono real, perdera a sua glória e fora afastado para viver como animal e por último só voltara à posição anterior quando reconheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre os reinos dos homens e a quem quer constitui sobre eles.

Daniel repreendeu Belsazar por ter trazido os utensílios do templo para usá-los, com todos os seus convidados, para beber vinho e honrar os seus ídolos, não glorificando a Deus em cuja mão estava a sua vida e todos os seus caminhos, sabendo já de tudo o que havia acontecido com Nabucodonosor.

A interpretação da escrita na parede dizia que Deus havia contado o reino de Belsazar e terminado com ele. Belsazar havia sido pesado e achado em falta e por último, seu reino seria dividido entre os medos e os persas.

Na mesma hora em que estava sendo realizado o banquete, o exército de Ciro, o persa, que a rodeava, estava avançando por debaixo dos muros da Babilônia, tendo desviado as águas do canal que passava para dentro da cidade. Assim terminava o grande império babilônico.

5 – Bibliografia
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus – de Abraão à queda de Jerusalém. Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2004 8ª edição.
GORGULHO, Gilberto da Silva et al. Bíblia de Jerusalém. Brasil, São Paulo: Editora Paulus, 2004.

MELLA, Frederico A. Arborio. Dos sumérios a Babel – A Mesopotâmia – História, civilização, cultura. Editora Hemus.

Leia mais: http://pensandosobre.webnode.com.br/



Total de leitores: 355. Leitura diária: 1. Total de visitas: 1.245.375

Sobre Ximenes

Ximenes, MM, Advogado.