Ibrahim de Almeida Nobre

Ibrahim de Almeida Nobre

Maçom originário da Loja Fraternidade de Santos, saiam críticas mordazes contra o golpe e a situação social, publicadas no jornal paulista “A Gazeta”.

Um dos mais ativos homens da revolução de 32, Ibrahim de Almeida Nobre, possui uma curiosa história de luta e dedicação à cidade de São Paulo. Conhecido como o “Tribuno da Revolução”, Ibrahim nasceu na Rua Direita no dia 19 de fevereiro de 1888. Aos 21 anos, em 1909, ele se formaria em direito, após quase se tornar médico.

Seus conhecimentos em medicina, aliás, serviram de base para que Ibrahim pudesse atuar de maneira pública no município de Salesópolis. Ali, foi delegado de polícia e, também, ajudou à população que estava sofrendo de um surto muito grande de varíola. Sua dedicação à causa humanitária foi tamanha que, graças à sua atuação, foi escrito o romance “Dente de Ouro”, do seu amigo Menotti Del Picchia , inspirado em seu forte espírito de ajuda ao próximo.

Após esses eventos, Nobre acabaria se mudando para Santos, onde foi titular da Delegacia Seccional do lugar, mostrando-se uma autoridade sensata e equilibrada, muito conhecido por seu senso de justiça. Durante sua estadia na cidade, diversos pontos acabaram lhe dando grande trabalho, como as recorrentes greves e tumultos no porto de Santos. Contudo, Ibrahim acabou realizando um grande trabalho e acabou saindo prestigiado pela população da cidade.

Com toda essa moral e respeito graças aos feitos passados, Ibrahim acabou assumindo a Delegacia da Ordem Política e Social de São Paulo até 1927, quando foi nomeado Promotor Público da Capital. Sua atuação, como de hábito, foi brilhante, e ele ficou nesse posto até os terríveis acontecimentos da Revolução de 32.

Surge o “Tribuno da Revolução”

Uma de suas contribuições mais famosas é o belo e profundo poema conhecido como “Minha Terra, Minha Pobre Terra”, publicado no Jornal Gazeta, do também revolucionário e histórico Cásper Líbero.

A primeira versão do famoso “hino” dos constitucionalistas foi publicado no dia 25 de janeiro de 31. Para ver o poema completo, acesse: http://tudoporsaopaulo1932.blogspot.com.br/2012/10/minha-terra-minha-pobre-terra.html

Além disso, Ibrahim foi uma importante figura ativa que, junto a Antônio Pereira Lima, participou dos comícios da Praça da Sé e na Praça do Patriarca. Era, segundo relatos, uma figura soberba e que exalava a grandiosidade do povo de São Paulo.

No terrível dia 23 de maio de 1932, eram os dois, Ibrahim e Antônio, quem discursavam pelo retorno da igualdade e legalidade no Brasil, quando ocorreu o confronto que acabaria matando os cinco revolucionários: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa, Antônio Camargo de Andrade e Orlando de Oliveira Alvarenga (que fora alvejado nesse dia, mas só viria a falecer em agosto, em decorrência dos ferimentos causados pelo conflito do dia 23 de maio).

Quando a luta militar começou, Ibrahim lutou como um simples soldado raso em um batalhão que levava seu nome. O comandante daquele batalhão era o Coronel Pedro Dias de Campos e, juntos, combateram a Frente Sul, nas trincheiras de Ourinhos, Itahi, Fartura, Bernardino de Campos, Xavantes, Ipaussu e em vários outros lugares do Brasil.

Na famosa Casa de Correição, no Rio de Janeiro, Ibrahim, após a Revolução, dividiu a cela com Pereira Lima, Aureliano Leite, Waldemar Ferreira, Cásper Líbero, Guilherme de Almeida, Júlio de Mesquita Filho e diversos outras personalidades famosas da época. Todos esses nomes acabariam exilados, sendo chamados de volta em 1934, quando foi convocada a famigerada Assembleia Constituinte. Um marco para a nação!

Quando foi aberto o inquérito sobre a revolta, Ibrahim manteve-se calmo, sereno e falando com muita honestidade aos seus interlocutores. Durante o seu depoimento, Ibrahim não atacou ninguém e, nem mesmo entregou ninguém, dizendo apenas que: “o movimento tinha por finalidade o retorno do País à ordem legal”.

Após sua soltura, diversas entidades queriam ter Ibrahim entre seus sócios e quadros, como a Academia Paulista de Letras que, em 1969, lhe ofereceu uma cadeira, a de número 21, que pertencia ao Jurista Plínio Barreto. Diversas homenagens foram feitas, ainda, como a sua veneração promovida pela Comissão Nacional Pró-Homenagem a Ibrahim Nobre, em sessão especial, que aconteceu no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, sob a presidência de seu companheiro Aureliano Leite.

Ele viria a falecer em 8 de abril de 1970, deixando diversos amigos e familiares inconformados com sua partida. Sepultado no cemitério de São Paulo, com sua velha beca de Promotor, conforme sua vontade, ele repousa ao lado de sua esposa Brisabela.

Além disso, há uma estátua de bronze, feita por Luiz Morrone, que homenageia todo seu legado e garra que seus contemporâneos puderam conhecer. Onde ela está? Onde sempre deveria: no Parque do Ibirapuera, próximo ao Obelisco. 



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