Guerra Civil Norte-Americana

Guerra Civil Norte-Americana

A Guerra Civil dos Estados Unidos, que teve início em 1861, foi um dos momentos cruciais para a unificação Norte-Americana, uma nação que cresceu e se desenvolveu a partir das armas. Esta foi a guerra de maior impacto na população norte-americana, com baixas 10 vezes maiores do que a famosa Guerra do Vietnã.

O embate entre as colônias do Sul e do Norte ocorreu devido às diferenças políticas. Era impossível coexistir pacificamente, apesar de várias vezes terem lutado por causas comuns, como a anexação de territórios mexicanos e a expansão para o Oeste.

O Norte caracterizava-se por ser mais desenvolvido tecnologicamente, ter um crescimento industrial, enfatizar as pequenas e médias propriedades agrícolas e, majoritariamente, os trabalhadores eram livres e assalariados. O Sul possuía o sistema plantation e escravidão caminhando juntos, indissociáveis, e o poder político e econômico encontrava-se nas mãos de poucos grandes senhores de terras que dominavam suas regiões. Sempre aprendemos que enquanto o Sul era escravista, o Norte era abolicionista, que lutava pelos direitos dos negros. Contudo, uma das semelhanças entre as duas regiões foi o tratamento dado aos negros, pois em ambos os lugares estavam de fora da cena política, das decisões de bem social e, além disso, sofriam forte preconceito dos brancos. A diferença estava na legislação, pois no Sul a escravidão era garantida pela lei.

As brigas tiveram início a partir da anexação, compra e conquista dos novos territórios a Oeste, pois as duas regiões dominantes discordavam sobre qual sistema político deveriam implantar nas novas terras. Apesar do Norte superar o Sul em demanda em números populacionais, o Congresso possuía mais representantes sulistas, e estes exigiam a implantação da sua maneira de governar. Ou seja, eles queriam o direito de estender o sistema de plantation de algodão, pelo seu alto valor comercial, e o escravista. Além de que aumentaria o poder dos governantes sulistas em escala federal.

A 26ª Infantaria Base William Penn, Pensilvânia, 1865

O grande debate sobre a escravidão foi o que fez a diferença nas eleições de 1860 e no estopim da Guerra Civil. Foi neste ano que Abraham Lincoln, uma das personalidades mais populares dos Estados Unidos, foi eleito presidente pelos republicanos. Começa aí os novos rumos para a História Norte-Americana. Os sulistas não gostaram da eleição de Lincoln, considerado muito apaziguador e um verdadeiro abolicionista. Já os nortistas o tinham como conservador, pois não defendia abertamente o fim da escravidão e o direito dos negros. Sua habilidade retórica, seus bons discursos, fez com que Lincoln conseguisse levar por um tempo a situação sem maiores problemas. Contudo, as diferenças permaneciam cada vez mais irreconciliáveis.

Cada vez mais crescia a idéia de separação do Sul do restante do país. Lincoln, temendo essa reação, já havia declarado que não aceitaria essa posição e combateria com armas a tentativa. No final de 1860 a Carolina do Sul se excluiu da Constituição federal, e um pouco mais tarde, Texas, Mississipi, Alabama, Geórgia, Flórida seguiram o mesmo caminho, causando desespero geral nos congressistas que acreditavam numa conciliação. Estes estados formaram, juntos, os chamados Estados Confederados da América, uma nova “nação”, portanto, com um novo presidente, Jefferson Davis. Essa decisão desencadeou os conflitos militares, que começaram em Charleston, na Carolina do Sul, onde se situava uma base dos militares da União, chamada Sunter.  Lincoln ignorou o pedido dos Confederados de evacuação completa da base, e, em 1861, foi o início armado da Guerra Civil.

Ambas as regiões pensavam que o conflito seria rápido e sem grandes conseqüências. O Norte imaginou dominar os Confederados, confiando na sua superioridade bélica. Já o Sul, com toda a soberba sulista, não levou em consideração esse desenvolvimento tecnológico inegável do Norte, e imaginou vencê-lo contando com a possibilidade da população nortista não aderir às causas da Guerra.  Mas ninguém imaginava o massacre que ocorreria tempos mais tarde.

A superioridade demográfica e industrial do Norte era notável, e estava numa escala de 4 homens para um dos sulistas, já que os escravos não poderiam aderir ao combate. As batalhas foram de uma violência inimaginável. Centenas de milhares de homens morreram dos dois lados, mas o Sul foi o mais prejudicado. Com o andamento da guerra foi tornando-se visível a falta de recursos e investimentos dos sulistas. Mesmo antes da separação as trocas comerciais com os nortistas eram imprescindíveis para o funcionamento da máquina escravista, pois o comércio internacional dos produtos agrícolas também passava pelo Norte. Outro problema foi que o Sul contava com apoio de parceiros comerciais como a Inglaterra e França, pois imaginavam que sem estes produtos agrícolas, se enfureceriam e enviariam reforços contra o Norte. Mas os ingleses possuíam estoque suficiente para um bom tempo, e se recusaram a lutar junto ao Sul, assim como os franceses. Além disso, Lincoln proibiu o comércio com o Sul, e nenhum produto industrializado entrava no território dos Confederados.

Soldados mortos em combate – Pensilvânia – Mathew Brady, 1863

Em relação aos escravos e o sistema escravista, com as baixas da suas tropa cada vez mais freqüentes, o Sul passou a convocar escravos para a participação na guerra, uma atitude completamente dúbia, pois o início do conflito se deu devido à vontade de expandir o sistema escravista para os territórios anexados a Oeste. A fuga de negros tornou-se rotineira após a aprovação da Lei do Confisco, em 1861, pela qual todo o território confederado anexado por um nortista, seria automaticamente deste, pois, em terras nortistas, os negros conseguiriam a liberdade. Lincoln, visando a paz na União, propôs uma emancipação gradativa com direito a indenização por parte do Governo aos senhores de escravos, valor relativo à mercadoria.  Foi durante a Guerra Civil que os direitos dos negros passaram a ser discutidos com mais seriedade, e o presidente da União, pressionado a tomar atitudes mais enérgicas em relação à abolição, promulgou em 1863 a Lei de Emancipação, que dizia que nas áreas do país onde o Norte vencia, os escravos se tornariam livres. Essa lei simbolizou o início de uma mudança em relação ao sistema escravista, mas a proibição da escravidão ocorreu mesmo somente em 1865, com a Décima Terceira Emenda adicionada à Constituição.

Família de negros entrando nos limites da União – s/d

Outra lei que mudou os rumos da Guerra foi o Homestead Act (Lei de Terras), em 1862, pela qual ¼ do distrito de terra a Oeste seria entregue a qualquer indivíduo com mais de 21 anos disposto a migrar para a região e se estabelecer lá. Essas atitudes demonstravam o interesse de Lincoln em manter a União em paz, criando uma unidade num país construído por diferenças.  Em 1864 ocorreram os últimos ataques desesperados da Confederação, sem sucesso, o que acarretou na fuga do então presidente confederado Jefferson Davis. O Norte venceu.

A superioridade industrial e tecnológica do Norte foi um dos motivos principais para a sua vitória, além de que pouco do seu território foi destruído, já que as batalhas ocorreram essencialmente no Sul. Já esta região era dominada por um sistema político que entrava em colapso naquele momento, e a terra que tanto era necessária para a manutenção do sistema, foi destruída quase que completamente.

Abraham Lincoln – nota de 5 dólares

Lincoln passou a ocupar a posição de quase mito na história norte-americana a partir dessa guerra. Esta mitificação ocorreu, principalmente, pelas atitudes em relação à escravidão, apesar destas terem sido tomadas em momento de necessidade de unificar o país e de desenvolvimento tecnológico, e não por nobreza. A História é reescrita ao longo do tempo, e, apesar de todos os pesares, o discurso proclamado pelo primeiro presidente negro dos Estados Unidos, em janeiro de 2009, foi em exaltação a Abraham Lincoln. Curioso, não?

Discurso de posse de Barack Obama:

A citação sobre Lincoln encontra-se no segundo vídeo, a partir de 8min

Autora: Ana Carolina Machado de Souza

 

CRANE, Stephen. O emblema vermelho da coragem.http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85013 Romance que retrata a violência da Guerra Civil Americana sob o prisma de um soldado que tenta fugir do campo de batalha.



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