General David José Martins, o David Canabarro

General David José Martins, o David Canabarro  (1796 – 1867)

David Canabarro foi Iniciado em Alegrete-RS, no ano de 1841.

Militar brasileiro nascido na estância de Pinheiros, pertencente aos seus pais, uma légua da freguesia-sede de Taquari, um dos heróis da Revolução Farroupilha (1835-1845), lutando pela independência do Rio Grande em diversas batalhas e prestou relevantes serviços militares, desde soldado de Milícias som o governo português, até a brigadeiro do Exército Imperial.

Descendia de imigrantes açorianos da ilha Terceira, era filho de José Martins Coelho com de sua esposa Mariana Inácia de Jesus, ainda criança se mudou com os pais para uma estância em Santana do Livramento.

Iniciou sua vida de militar, contando com apenas quinze anos de idade ao se apresentar perante o nobre Dom Diogo de Sousa, conde de Rio Pardo, para lutar na primeira campanha cisplatina (1811-1812). Dessa campanha saiu promovido a alferes, e voltou ao lar, mas tornou a entrar em luta na guerra contra Artigas (1816/1820). Novamente no campo de batalha, sob o comando de Bento Gonçalves na Guerra da Cisplatina (1825-1828) foi promovida a tenente por bravura e estratégia depois da na batalha de Rincón de las Gallinas (1825). Depois da assinatura do tratado de paz (1828) e a independência do Uruguai, voltou à vida do campo.

Trabalhando com o tio Antônio Ferreira Canabarro, na estância fronteiriça de Santana do Livramento, resolveu adotar o nome David Canabarro (1836). Inicialmente não tomou parte da Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, mas depois juntou-se aos revoltosos e rapidamente galgou postos até assumir como Comandante-em-Chefe de seu Exército (1843).

Como chefe militar dos revoltosos, aceitou a anistia oferecida pelo Barão de Caxias em nome do governo imperial (1844), que levaria ao final da guerra com a assinatura da Paz de Ponche Verde (1845).

O tratado estabelecia que os republicanos indicariam o próximo presidente da província, o governo imperial responderia pela dívida pública do governo republicano, os oficiais do exército rebelde que desejassem passariam ao exército imperial com os mesmos postos e os prisioneiros farroupilhas seriam anistiados.

Voltou a guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852) e na guerra contra Aguirre (1864). No início (1865-1867) da Guerra do Paraguai (1865-1870) lutou contra a invasão paraguaia do Rio Grande do Sul e faleceu aos 71 anos, na Fazenda São Gregório, interior de Livramento. Hoje seu nome, David Canabarro, tornou-se nome de um pequeno município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado a uma latitude 28º23’15” sul e a uma longitude 51º50’53” oeste, estando a uma altitude de 682 metros, com uma área de 174,84 km².

pós a pacificação de Ponche Verde, Canabarro foi nomeado por o Barão de Caxias, Comandante de Fronteira, área que se estendia desde o curso do rio Quarai até Upamaroti, linha da Fronteira de Bagé, passando por Sant’Ana do Livramento, vila cuja importância estratégica muito crescera no decurso da Revolução Farroupilha.

Com a referida nomeação Canabarro mandou construir na então Estância São Gregório uma sede para seu Comando da Fronteira, esse local ficou conhecido como “Recreio”.

David Canabarro aparece na historiografia Riograndense como uma figura dúbia. Enquanto uns o defendem como herói, homem de grandes feitos, outros o acusam de covarde, traidor da causa farroupilha. Um dos eventos mais discutidos atualmente ao envolver o conflito Farroupilha e o nome de Canabarro é a batalha de Porongos. Na historiografia atual encontramos evidencias reveladoras sobre o caso. Na fase final da Guerra dos Farrapos, a batalha de Porongos, conforme as novas críticas foi onde, segundo consta, David Canabarro traiu os Lanceiros Negros, grupo de escravos que lutavam em troca de sua liberdade. Previamente avisado do avanço das tropas imperiais, desarmou o grupo de lanceiros negros e antes da batalha deixou-os para lutarem sozinhos e sem armas contra o exército imperial.

Conforme o Historiador Cláudio Moreira Bento, a base da tal acusação foi um ofício bem forgicado (falsificado) por Chico Pedro, como sendo assinado pelo Barão de Caxias para ele, no qual este lhe ordenava que atacasse Canabarro, pois este não resistiria conforme combinação entre ambos. E mais que ele aproveitasse “para atacar e eliminar os mulatos, negros e índios farrapos e poupasse sangue branco.

Esta falsidade atribuída a Canabarro fez o efeito esperado, entre os farrapos, num quadro de Guerra Psicológica, os quais em parte passaram a considerá-lo um traidor, até por interesse político escuso e como descarrego ou fuga de responsabilidades pelo insucesso militar da revolução que seria colocado assim na conta de Canabarro, “pelos demônios de todas as revoluções,” segundo Morivalde Calvet Fagundes, o autor do mais completo livro sobre o Decênio Heróico. Ou seja perto do fim do insucesso de uma revolução, ocorre a caça de um bode expiatório e no caso em tela foi Canabarro, não habituado às guerras de alfinetes..

Este ofício falsificado, que tantas injustiças provocou à bravura, à honra e até hoje à memória histórica de Canabarro, teve a seguinte origem:

Chico Pedro em perseguição a Canabarro e acampado no Pequeri, falou ao seu Major de Brigada João Machado de Moraes: És capaz de imitar a firma do Barão de Caxias? E ele respondeu: – A letra é boa e talvez eu possa imitar. Então vamos fazer uma intriga contra Canabarro. Pois ele é o único que pode sustentar a Revolução. Portanto vamos fingir um ofício assinado por Caxias para mim dizendo que no dia tal eu vá atacar Canabarro e derrotá-lo, visto haver entre o Barão de Caxias e Canabarro e oficiais deste um convênio.”

Escrito o ofício com a assinatura de Caxias falsificada, Chico Pedro ao passar em Piratini pela casa de Manoel Francisco Barbosa, mostrou-lhe o ofício falsificado. E este, republicano extremado, mordeu a isca. E exaltou-se e copiou o dito ofício e o distribuiu. A intriga planejada fez o efeito desejado que até hoje perdura, sem que sejam analisadas as heróicas vidas de Canabarro e Caxias que negam a capacidade de fazerem tal acordo.

Mas, Félix de Azambuja Rangel em seu relato na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 1º e 2º trimestre de 1928, p. 36-47, comprova a armação feita para abalar a confiança dos farrapos em Canabarro, o comandante de seu Exército, pelo seu grande e indiscutível valor militar como mestre consumado da Guerra à gaúcha, como se demonstra em sua biografia no livro: “O Exército farrapo e os seus chefes” (Rio de Janeiro: BIBLIEx, 1992, 2v).

Canabarro era único chefe republicano que realmente tinha verdadeiro prestígio para manter por mais algum tempo a luta, por isso bem compreenderam Caxias e Chico Pedro inutiliza-lo, indispondo-o com os outros generais e seu Exército, o que conseguiram com artificioso plano.” ( WIEDERSPHAN, Convênio de Ponche Verde p. 72/73). Chico Pedro, chefe militar notável e grande estrategista, omitiu este fato em suas Memórias publicadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 1921. Qual seria o motivo?

Ivo Caggiani em David Canabarro de Tenente a General, Porto Alegre Martins Livreiro – Editor, 1992 escreveu:
Ainda que estivessem em andamento as negociações de paz, a grande preocupação de Caxias era realmente David Canabarro a quem nunca conseguira vencer” e, completaríamos, a que nunca Chico Pedro conseguira surpreender.
Segundo o General Morivalde Calvet Fagundes em sua História da Revolução Farroupilha p.201:

Canabarro ao assumir o Comando-em-Chefe do Exército da Republica, em agosto de 1843, manteve a sua tropa em movimentação e atividade constantes, através da Guerra de Guerrilha (A Guerra a gaúcha).

“Canabarro sustentou por 16 meses a Guerra de Guerrilha. Foi mais de um combate por mês. Caxias o perseguiu por 38 léguas, através de toda a fronteira sudoeste sem conseguir um encontro com Canabarro, que tentava repetir a tática vitoriosa contra General João Paulo dos Santos Barreto, em 1841, famoso engenheiro militar.

Como comprovação do fato, o próprio Caxias escreveu ao Ministro da Guerra Jeronimo Coelho:
É sem dúvida a primeira vez que Canabarro é surpreendido, o que até agora parecia impossível por sua continua vigilância!”

Capistrano de Abreu, grande historiador do Brasil, assim interpretou os sentimentos do Exército Brasileiro, ao saber que o Duque de Caxias havia dispensado as honras militares:

“O Duque de Caxias dispensou as honras militares! Acho que ele fez muito bem! Pois as armas que ele tantas vezes conduziu à vitória, talvez sentissem vergonha de não terem podido libertá-lo da morte!”

Estavam junto com Canabarro na surpresa de Porongos os generais Antonio de Souza Netto, João Antônio da Silveira, Coronéis Manoel Lucas de Oliveira, Felipe Portinho e Teixeira Nunes e o Ministro Vicente da Fontoura dos quais jamais se ouviram desconfianças de lealdade e valor de Canabarro.

Canabarro lutou ainda na Guerra contra Rosas e na Guerra contra Aguirre, recebendo o título de general-honorário, título com o qual combateu os invasores na Guerra do Paraguai. Faleceu em sua estância, onde um ferimento no pé evoluiu para uma grande infecção e terminou por matá-lo em 12 de abril de 1867

Leia Mais sobre o tema: Link     http://bit.ly/V9FfTf

Ivair ximenes

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Tradicionalmente, a Maçonaria surgiu com as civilizações, e esteve presente na formação de quase todas elas, para instruir os homens nos princípios da construção social, construindo mentes sábias e personalidades…


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