Dioníso, Oriental

Dioníso, Oriental 

Dioníso oriental  – Dioníso (Baco) é a personificação do vinho. O seu culto, menos antigo que o dos demais deuses, revestiu-se de certa importância, à medida que se foi ampliando a cultura da vinha. Associou-se, então, a Demeter, e ambos foram honrados nas mesmas festas como príncipes soberanos da agricultura, “A Grécia antiga dos tempos primitivos, diz Ottfried Mueller, contentava-se de um Hermes fálico, como representação figurada desse deus; e a arte grega de todas as épocas conservou o hábito de erigir cabeças de Dioníso, sozinhas, ou até simples máscaras dessa divindade.

O Hermes fálico foi em breve substituído pela figura soberba e majestosa do velho Dioníso; a cabeça está ornada de uma cabeleira magnífica cujas madeixas são seguras por meio de uma mitra, descendo a barba em linhas sinuosas, e respirando em todos os traços da sua fisionomia algo de aberto.

O  seu costume, de magnificência oriental, é quase o de uma mulher, e o deus segura geralmente nas mãos o rhyton e um pâmpano. Foi somente mais tarde, na época de Praxíteles, que do cinzel do escultor saiu o jovem Dioníso, representado e concebido com as feições de um efebo, ou de um adolescente em quem as formas do corpo, suavemente fundidas e sem musculatura bem acentuada, anunciam a natureza quase feminina do deus; as feições da fisionomia constituem uma singular mescla do delírio dionisiaco e de um ardor indeterminado, sem precisa finalidade. Nessa fisionomia se manifesta e fala claramente a voz da alma de Dioníso partilhando o entusiasmo e o delírio que ele causa. As formas e as feições dessa representação figurada de Dioníso deixam lugar, contudo, à expressão grandiosa e imponente que revela em Dioníso o filho do raio, o deus a cujo poder ninguém resiste.

A mitra que lhe rodeia a testa, e a coroa de pâmpano ou de hera que lhe fazem sombra, contribuem poderosamente para a expressão dionisíaca; a cabeleira desce em longos e sedosos anéis sobre os ombros; o corpo está habitualmente nu, com exceção de uma pele de cabrito usada negligentemente; somente os pés estão presos num magnífico calçado, os coturnos dionisíacos; o bordão leve rodeado de pâmpanos, com a pinha, serve de cetro e de apoio ao deus. Entretanto, o himátion que vai até os calcanhares se adapta perfeitamente ao caráter de Dioníso; às vezes, também, e nos monumentos dos últimos tempos da arte, Dioníso surge inteiramente vestido à maneira das mulheres. A atitude das estátuas de Dioníso é em geral a do deus apoiado comodamente, ou deitado, ou sentado no trono; em pedras e nos quadros o deus caminhando com passo avinhado, montado nos seus animais favoritos ou por eles puxado. Um sátiro favorito lhe serve freqüentemente de apoio e outro desempenha o papel de escanção.”

A mais bela estátua que conhecemos de Dioníso barbudo é a outrora designada pelo nome de Sardanápalo, em virtude de uma inscrição que tem esse nome, mas que posteriormente se reconheceu ter sido ali acrescentada mais tarde. É o Dioníso oriental em toda a sua majestade; os longos cabelos são retidos pela mitra, e a majestosa barba desce-lhe até o peito. Um amplo manto, que envolve duas vezes o corpo, cai-lhe até os pés calçados com o coturno.

Temos no Louvre vários formosos bustos de Dioníso oriental, alguns de estilo arcaico: são, às vezes, designados pelo nome de Dioníso indiano, embora o tipo seja originário da Lídia ou da Ásia Menor. Mas é sob tal forma, aliás o mais antigo tipo do deus, que ele aparece quase sempre nos monumentos relativos à conquista da índia.

De resto, o costume que lhe dão os baixos-relevos e os vasos não é idêntico ao descrito pelos poetas. “Cada chefe, diz Nonnos, conduzia, separadamente, as suas tropas a Dioníso, e o deus, ardente, comandava todo o exército no seu mais brilhante esplendor. Não usava na refrega escudo, forte lança ou gládio suspenso aos ombros; não cobria a cabeleira com um capacete de bronze que lhe protegesse a cabeça invencível, mas cingia a cabeça com formidável coroa Em lugar de borzeguins artisticamente feitos e subindo até os joelhos, acrescentara a coturnos de púrpura um calçado de prata. A nébrida com a qual cobria o peito, servia-lhe de couraça. Com a mão esquerda segurava um chifre de ouro cheio de vinho delicioso; e desse chifre o líquido jorrava abundantemente. Com a mão direita, trazia o tirso agudo envolto em espessa hera, que lhe sombreava a ponta de aço. Ao ouro da superfície havia adaptado uma faixa circular.”



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