Das egrégoras e tsunamis

Das egrégoras e tsunamis

“Egrégora” é uma palavra criada a partir do grego “egregorien” que significa o somatório das forças físicas, mentais emocionais e espirituais formado numa espécie de atmosfera psíquica sobre um grupo instituído. A egrégora abarca o conjunto dos atos, fatos físicos e mentais desenvolvidos por uma congregação de pessoas  no tempo e no espaço. Por exemplo: um time de futebol – assunto que todo mundo entende e gosta – tem “sua egrégora” construída pelos jogadores, pela torcida organizada, pelo  técnico e seus auxiliares, a diretoria do clube a sede física do mesmo, as cores do uniforme, o noticiário, a liderança do capitão do time, a história do clube, a memória dos grandes nomes e jogadores que passaram pelo time, etc. Quanto mais unidos e solidificados forem cada um desses elementos, mas forte será a egrégora.

As religiões têm, cada uma, sua própria egrégora e, quanto mais antigas e coesas, maior poder têm sobre seus seguidores, coletiva e individualmente. As ordens iniciáticas também têm egrégoras particulares. As famílias têm egrégoras assim como cada povo, cidade e nação. Da mesma forma que a egrégora tem poder sobre os membros do grupo, esses, por sua vez, haurem  benefícios físicos e mentais dessa atmosfera coletiva. É um caminho de mão-dupla, dar e reeber.

Há, por outro lado, os perigos dos estados de alienação decorrentes desse intercâmbio psicossomático que tornam uma pessoa nalguma outra coisa, separando-a do ciclo da vida de que é parte. É comum vermos um “torcedor doente” que não sabe mais a diferença entre sua casa, seu lar e filhos da arquibancada do estádio. Ou um religioso fanático que confunde seus direitos e deveres de cidadão com as distorções que ele mesmo deduz das interpretações ouvidas  na igreja. Nos casos mais graves, os junguianos chamam esse fenômeno de “inflação” – a mente é invadida pelo coletivo e dá-se a alienação.

As ordens iniciáticas desenvolvem muitos procedimentos para proteger o indivíduo do estado alienado, pois o objetivo delas é manter o ego vinculado à divindade. O propósito original dos rituais é o de propiciar aos indivíduos a experiência de um relacionamento repleto de significado com categorias mentais de natureza transpessoal. (Sugiro que releiam este parágrafo.)

Quando a egrégora se encontra numa condição estável, os indivíduos compartilham de um “sentido” vivo e comum. É a esse “sentido” que podemos chamar “o Sagrado”. Enquanto durar o relacionamento significativo e “o Sagrado”, a relação entre o indivíduo e a egrégora é positivo: o centro da psique age nas personalidades individuais e estas, por sua vez, projetam elementos vigorosos na “atmosfera” que retornam reforçados para cada pessoa imbuída da participação consciente.

Esse “egregorien”, apesar da conotação semântica que tem (velar, zelar) existirá sempre e agirá para o bem ou para a ruína dos indivíduos, dependendo dos acontecimentos a que tenha sido exposto. Quando a egrégora se encontra numa condição instável, cada personalidade desenvolve seu próprio processo: uns voltam-se para convicções mais primitivas e arraigadas; outros tornam-se alienados, isto é – transferem sua capacidade de pensar e julgar para o chefe ou líder do grupo. Nessa confusão toda, surgem os inflados cujos diques da mente foram cruelmente arrombados pelo poder tempestuoso da egrégora. Toda problemática das atuais instituições espiritualistas consiste, paradoxalmente, em escolher entre o momentâneo e o perene. Buscam as causas de suas penúrias no materialismo reinante como se este nunca houvesse existido em tempos pretéritos. Mas a responsabilidade é das próprias instituições que ajustam suas atividades e existência de acordo com o momentâneo. Adaptam-se à modernidade pela mutilação de suas estruturas. Ao invés de caminharem em direção ao sentido mais elevado, abrem concessões grotescas e mergulham, voluntariamente,  no vale da estagnação; então, a desintegração começa a acontecer. O processo é lento e praticamente imperceptível. Durante essa dissolvência, é cômodo para as mentes passivas continuarem na esperança, desejando e sonhando, infladas de um poder que já não possuem. O reflexo na egrégora, entretanto, é imediato. E, como num tsunami, responde levantando ondas devastadoras sobre o grupo.  De repente, perde-se a Palavra e, como no caso do Verbo Jesus, o Espírito é entregue, devolvido “e eis que o véu do Templo se rasga em dois, de cima até baixo, e a terra treme” (Mateus, 27:51). Há mais de 2.000 anos essas palavras foram escritas e ainda não foram compreendidas em seu real significado. Apenas a letra permanece.

Quando o véu do Templo se rasga em dois, há uma quebra de relações na estabilidade do grupo e a organização perde sua capacidade de conter as projeções individuais, “as pedras se fendem”. Toda energia que antes estava contida “no Sagrado” retrocede de forma abrupta para alguns indivíduos e para o grupo causando-lhes graves problemas, entre eles a sensação de esgotamento e perda do significado: o grupo vai se esvaziando pouco a pouco até desaparecer nas brumas do passado e da história.

Edward Edinger descreve esse encontro com o si-mesmo no livro “Ego e Arquétipo”, uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung. (OBSERVAÇÃO: não confundir egrégora com inconsciente coletivo).

Outro efeito que podemos deduzir das análises de Edward Edinger  é o surgimento das “novas versões” do Sagrado e caminhos alternativos de cujas intenções se locupletam seus neo-fundadores. Uma terceira possibilidade, que constitui a perspectiva mais funesta, é a instituição ou o grupo serem “socorridos” por ideologias políticas, geralmente partidos despóticos, como foi o caso do nazifascismo.

Este texto é destinado a cópia e livre circulação na intermete, desde que não sofra modificações e seja citado o autor do mesmo.

Fraternalmente, 

  

Ir .’.  Gabriel  Campos  de  Oliveira .’. 

Deputado  Federal  –  SAFL-GOB 

ARLM .’. VIGILANTES DO DIVINO 3819 

Divinópolis-MG-Brasil

BEM ACIMA DE NOSSAS CABEÇAS

                                                                   José Maurício Guimarães

  



Total de leitores: 114. Leitura diária: 1. Total de visitas: 2.928.307

About EDITOR

Deixe seus Comentários

Seu comentário é muito importante. Com ele tomamos iniciativas úteis.