antiga cidade bíblica da Palestina, situada às margens do rio Jordão, encrustada na parte inferior da costa que conduz à serra de Judá, a uns 8 quilômetros da costa setentrional da parte seca do Mar Morto (a quase 240 m abaixo do nível do Mar Mediterrâneo) e aproximadamente a 27 km de Jerusalém. Foi uma importante cidade no vale do Jordão (Dt. 34:1, 3), na costa ocidental do rio Jordão.

Cidades Bíblicas: Jericó

Cidades Bíblicas: Jericó

Este pequeno trabalho irá apresentar a cidade de Jericó em alguns de seus aspectos bíblicos, geográficos, históricos e arqueológicos.

 A Bíblia Sagrada na tradução da CNBB, 12ª edição, diz em seu glossário, que Jericó era uma Cidade-oásis, situada no Vale do Jordão, na base, sopé, da montanha de Judá, a cerca de 40 quilômetros da cidade de Jerusalém, destacando a informação que a cidade está 1.200 metros mais alta que o nível do mar (p. 1543). Já o índice bíblico-pastoral da Bíblia Sagrada da editora Vozes, 49º edição, diz na página 1513, que Jericó era a cidade mais antiga da região da Palestina e situa ela no vale do Rio Jordão, a 20 km ao norte do Mar Morto.

No texto bíblico Jericó aparece em várias passagens. No livro de Número aparece várias vezes como uma direção, “…aquém do Jordão, na direção de Jericó…” (Nm 34,15). Em Deuteronômio é o ponto em que Moisés vislumbra a terra prometida. No livro de Josué é narrada a passagem mais conhecida, a qual depois de um cerco e as muralhas da cidade caem. No Novo Testamento Jericó e a cidade onde Jesus cura dois cegos ( Mt 20) e o cego Bartimeu (Mc 10,46), é citada na conversão de Zaqueu (Lc 19) e  como localização na passagem do bom samaritano (Lc 10, 30).

Como já mencionado no início, a cidade de Jericó está situada no vale do Rio Jordão, “na parte inferior da costa que conduz a serra de Judá, a uns 8 quilômetros da costa setentrional da parte seca do Mar Morto (a quase 240 m abaixo do nível do Mar Mediterrâneo) e aproximadamente a 40 milhas de Jerusalém”1. Atualmente este é o território palestino da Cisjordânia, que está em permanente conflito com o Estado de Israel.

 No livro de Juízes,  a cidade de Jericó é chamada de Cidade das Palmeiras (Jz 3,13), e há motivo para isto. Como já foi mencionado,  ela está situada em no Vale do Rio Jordão, fica muito abaixo do nível do mar, no  oásis Wadi Qelt e há uma fonte de água abundante. Seu clima é ameno, em comparação as demais localidades da região, indo, de média,  de 15° C em janeiro a, de média,  31 °C em agosto. As chuvas são concentradas no período de novembro a fevereiro. Suas terras são férteis, produzindo palmeiras, árvores balsâmicas, figueiras e rosas. Esta fertilidade do solo, a abundância de água e o clima ameno, foram atrativos para as mais antigas povoações e colonizações 2. “ O nível baixo da região, o clima ceco (sic) e quente e a presença de água fazem com que em Jericó se produzam frutas e flores únicas no mundo” (KAEFER, 2012, p. 49).

 Como é comum nessa região e na “época bíblica”, o nome da região retoma alguma de suas características, uma explicação para o nome Jericó, que é conhecido pelos seus habitantes locais como Ārīḥā e deriva da palavra Cananeia (assim como o árabe e o hebraico) Reah, significa “perfumado” ou “lugar de suave odor”, devido ao odor das plantas. Por outro lado, Jericó também é pronunciado Yəriḥo em hebraico, o que conduz a uma teoria alternativa, ligando o nome a uma derivação da palavra “lua” (Yareah) em cananeu e hebraico, que teria seu sentido de ser, pois ali era um antigo centro de adoração a deuses lunares 3.

 Por ser um lugar diferenciado, com oferta de água, clima ameno, plantas e possibilidade de agricultura, em uma região inóspita, fez com que fosse propício a habitação humana desde muito tempo, tendo vários vestígios arqueológicos muito antigos, Kaefer alega que é a cidade mais antiga do mundo com mais de 10.000 anos de existência e que ali foram encontradas muralhas com mais de 8.000 anos ( KAEFER, 2012, p. 49).

 As Escavações feitas no local indicado pelo Antigo Testamento encontraram vestígios de fortificações calculadas com datas anteriores aos eventos relatados no livro de Juízes. Estes vestígios estão localizados no atual Tel es Sultan. Este tel, que é um tipo de sítio arqueológico em forma de monte, guarda escombros de várias cidades, algumas milenares. Já, a Jerico do Novo Testamento foi localizada mais ao sul do Vale Jordão, foi ela que Marco Antonio presenteou a Cleópatra e onde Herodes, o Grande, edificou seu palácio de inverno4.

 O Tel es-Sultan já foi escavado algumas vezes, mas hoje “as escavações arqueológicas (…) estão num completo abandono (KAEFER, 2012, p. 50).

antiga cidade bíblica da Palestina, situada às margens do rio Jordão, encrustada na parte inferior da costa que conduz à serra de Judá, a uns 8 quilômetros da costa setentrional da parte seca do Mar Morto (a quase 240 m abaixo do nível do Mar Mediterrâneo) e aproximadamente a 27 km de Jerusalém. Foi uma importante cidade no vale do Jordão (Dt. 34:1, 3), na costa ocidental do rio Jordão.
antiga cidade bíblica da Palestina, situada às margens do rio Jordão, encrustada na parte inferior da costa que conduz à serra de Judá, a uns 8 quilômetros da costa setentrional da parte seca do Mar Morto (a quase 240 m abaixo do nível do Mar Mediterrâneo) e aproximadamente a 27 km de Jerusalém. Foi uma importante cidade no vale do Jordão (Dt. 34:1, 3), na costa ocidental do rio Jordão.

 Em 1868, Charles Warren foi o primeiro escavador da região, tendo estudado o montículo que forma o tel. No período de 1907 a 1911, Ernest Sellin pesquisou a região e fez descobertas que trouxeram um maior interesse a região. Foi ele responsável por diferenciar a Jericó do Antigo Testamento da Jericó do Novo Testamento 5.

John Garstang entre 1929-1936 desencavou extratos de quatro cidades que existiram na região desde 3.000 a.C. O quarto nível dessa ocupação é importante, para estudantes da bíblia e arqueólogos, pois pareceu ser a cidade que Josué tomou, datando assim  a presença de israelitas na região da Palestina. Ali foram encontrados vestígios de muros e muitos cacos de cerâmica e alguns vasos intactos.  Ele também escavou várias tumbas, onde havia mais cerâmicas e joias, principalmente escaravelhos sagrados egípcios, que em função dos selos reais, puderam ser datados em cerca de 1.400 anos a.C.6, mesma data dos demais vestígios materiais, o que conduziu a conclusão apresentada acima.

 Os cemitérios são fonte importante nos estudos arqueológicos, a partir deles é que se pode também afirmar a antiguidade da ocupação humana na região da cidade de Jericó, que a coloca como uma das mais antigas aglomerações humanas. Os habitantes de Jericó enterravam o corpo de seus mortos, mas guardavam o crânio, que era recoberto com camadas de gesso e tinta, simulando o rosto humano. Assim preparada, a caveira talvez servisse de oráculo doméstico – uma espécie de deus particular para cada família7.

 Kethleen Kenyon pesquisou a região no período de 1952 a 1958, descobrindo a base de um muro, restos de edifício, um forno e cerâmica datados entre 1500-1200 a.C. Para ela os vestígios comprovam uma atividade de habitação humana entorno do século 14 a. C. 8.

 Em 1950, James L. Kelson escavou a Jericó do Novo Testamento, local que Herodes, o Grande construiu seu palácio de inverno, foram encontrados o hipódromo, as fontes, a piscina, ruínas de jardins e edifícios 9.

 Então esta é a cidade de Jericó, uma cidade antiga que além de estar nos relatos bíblicos, também aparece em vestígios arqueológicos.

Referência Bibliográfica.

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Notas

  1. cf: HTTP://pt.wikipedia.org/w/indez.php?title=Jericó&oldid=35989529
  2. cf: HTTP://historiumbliblica.blogspote.com.br/2013/04/jerico-cidade-da muralha-invencível.html; e . http://oseiasgeografo.blogspot.com.br/2010/09/jerico-em-arebe-transl.html.
  3. Wikipidia e historiumbiblica.blogspot.com.br (já citados)
  4.  cf. http://geografiageralebiblica.blogspot.com.br/2008/03/jeric.html
  5. cf HTTP://www.santovivo.net/gpage212.aspx
  6. Idem
  7. cf http://super.abril.com.br/religiao/deus-biografia-610975.shtml
  8. cf HTTP://www.santovivo.net/gpage212.aspx
  9. Idem.
  10. Estudo de Jean Carlos Souza da Silva,

    Trabalhos do Curso de Especialização Estudos Bíblicos da Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC), sob a orientação da Professora Silvia Togneri.



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