Carlos Gomes

Carlos Gomes

Em fevereiro de 1873 (depois de já se ter casado, em 1871, com a emérita pianista Adelina Peri), o Irmão Carlos Gomes promovia a primeira apresentação da ópera que era a sua favorita: Fosca, com libreto de Antônio Ghislanzoni, o mais célebre libretista da Itália. Grande sucesso de público e de crítica, Fosca foi interpretada pelos mais famosos artistas italianos: (Fossa, Tamagno, Maini e Karschaman).

Antonio Carlos Gomes (1836-1896) foi um maestro e compositor brasileiro. Autor da ópera "O Guarani", inspirada na obra do mesmo nome, escrita por José de Alencar. A música de Carlos Gomes, de temática brasileira e estilo italiano, inspirada basicamente nas óperas de Giuseppe Verdi, ultrapassou as fronteiras do Brasil e triunfou junto ao público europeu
Antonio Carlos Gomes (1836-1896) foi um maestro e compositor brasileiro. Autor da ópera “O Guarani”, inspirada na obra do mesmo nome, escrita por José de Alencar. A música de Carlos Gomes, de temática brasileira e estilo italiano, inspirada basicamente nas óperas de Giuseppe Verdi, ultrapassou as fronteiras do Brasil e triunfou junto ao público europeu

Em março de 1874, ocorre a estréia da quinta ópera do Irmão Carlos Gomes, Salvador Rosa, também sobre libreto de Chislanzoni, no teatro Carlo Felice, de Gênova, também com total sucesso.

A 27 de março de 1879, no Scala, é representada, pela primeira vez, Maria Tudor, que redundou num fracasso inicial, para, depois da segunda apresentação em diante, firmar-se, com extraordinário sucesso.

Em 1888, em homenagem à abolição da escravatura, compôs o Escravo, que faria sua estréia no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, a 27 de setembro de 1889. Essa ópera foi composta numa época de grande sofrimento para o mestre conforme nos conta sua filha e biógrafa, ltala Gomes Vaz de Carvalho, pois, além de grandes dificuldades financeiras, ele havia sofrido dois sérios abalos, em 1887, com a morte da sua esposa e de seu filho predileto, Mário, de apenas 4 anos de idade.

A apresentação de O Escravo foi um grande sucesso e o imperador agraciou o Irmão Carlos Gomes de novo, desta vez com o cordão de grande dignitário da Ordem da Rosa. Suas dificuldades financeiras, todavia, aumentavam e alguns de seus amigos, para que ele tivesse segurança, no ocaso da vida, procuraram obter-lhe o lugar de diretor do Conservatório do Rio de Janeiro, que estava vago. Quando ele esperava por essa nomeação, em Campinas, na casa de seu irmão Juca (José Pedro de Sant’Anna Gomes), era proclamada a República. E ele foi nomeado. Mas, ao voltar à Itália, em 1880, foi com a promessa de uma pensão de jamais lhe foi concedida.

A glória e o ocaso.

Como muitos dos grandes homens de sua época, o Irmão Carlos Gomes foi Iniciado na Loja Amizade, de São Paulo, na sessão de 24 de julho de 1859, quando também foi Iniciado seu irmão Juca.

O Irmão Carlos Gomes elevou o nome do Brasil no exterior, como demonstra a notícia publicada no jornal The Chicago Herald, por ocasião de um concerto, em 7 de setembro de 1893, em Chicago.

“O maestro Carlos Gomes foi o herói na celebração do aniversário da Independência do Brasil. O compositor apareceu sob o dossel, em frente do Music-hall, que se achava repleto de estrangeiros notáveis, para reger a maior orquestra que jamais tocou nesse templo de arte. Ele não só tinha às suas ordens os famosos músicos da Europa que compunham a orquestra Columbiam Wagneriam, como para seus finais e fortíssimos, tinha uma grande banda. A presença do mestre, como regente de suas próprias composições, frenético entusiasmo… Este foi acontecimento na celebração em homenagem ao 71º aniversário da Independência foi a maior homenagem jamais prestada ao Brasil fora da pátria, durante os 393 anos decorridos desde que os descobridores, levados por fortes correntes, avistaram a terra de Santa Cruz”.

No entanto, da pátria, ele quase só recebeu ingratidão e inveja.

André Rebouças, grande amigo do Irmão Carlos Gomes, diz a respeito do compositor, em seu Diário, logo após o estrondoso sucesso do O Guarani no Rio: “Passou, no Rio, vida modesta de estudante, no quarto emprestado por Júlio de Freitas; economizando até no vestir! O imperador perdoou-lhe uma divida de cinco contos de réis; com os recursos do espetáculo em seu beneficio, pagou outras dívidas; sem as libras do seu irmão teria de ser condenado a vegetar nesta terra de botocudos e aimorés, sem generosidade, sem nobreza, só capazes de calúnia e inveja.”

E o próprio Diário de Rebouças registra, alguns dias depois, em 23 e fevereiro de 1871, quando o compositor voltava a Itália, esta nota amarga e elucidativa a respeito dos contemporâneos:

“Fui, pela manhã, ao bota-fora do maestro que só acompanhavam Francisco Castelões que lhe tem um amor verdadeiramente maternal, Júlio de Freitas, empregado subalterno do Teatro Lírico, e o Leonardo, afinador de pianos. Ó brasileiros…”

Poderão todas as homenagens póstumas ao mestre apagar tantas humilhações e tanta ingratidão?

Extrato de texto e alterações.

Dalson L. R. De Benedetti – M.’. I.’.



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