Confronto de Canudos

Confronto de Canudos – O sertão em pé de guerra

Canudos, a mais sangrenta luta da História do Brasil, quando os homens de Antônio Conselheiro usaram técnicas incríveis de combate para defender uma vida livre dos coronéis

Flávia Ribeiro |

Cai a tarde no Belo Monte, enquanto dois homens, um velho e uma criança tentam resistir ao cerco dos milhares de soldados do Exército que rugem por entre as vielas estreitas, saqueando casebres, degolando prisioneiros, incendiando túneis e o que sobra do arraial. O céu está vermelho, enfumaçado e quente, o cheiro é horrível e os urubus infestam o ar, efeito da guerra e da seca que racha a terra do sertão baiano. Até que os últimos quatro combatentes são mortos. E é o fim. Canudos foi destruído, mas não se rendeu.

A queda da cidade idealizada por Antônio Conselheiro aconteceu no dia 5 de outubro de 1897. Encerrou o mais sangrento conflito armado de nossa História, que provocou o maior número de baixas: 25 mil mortos, entre 5 mil militares enviados pela República e 20 mil sertanejos. Até derrotar Canudos, o governo foi mais de uma vez humilhado e precisou colocar em campo 12 mil soldados, metade de toda a Força nacional da época. Os quatro últimos sobreviventes são citados por Euclides da Cunha – cujo centenário de morte é comemorado este ano -, que acompanhou o confronto como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo e escreveu, sobre ele, o épico Os Sertões.

Segundo outros relatos, o velho jagunço foi o último dos quatro a morrer, enfrentando os inimigos apenas com um machado. Era essa a disposição de espírito dos seguidores de Antônio Conselheiro, ao longo dos 11 meses da luta, iniciada no dia 7 de novembro de 1896. Intimamente vinculados à terra que ocupavam, surpreenderam ao adotar táticas de guerrilha, como a camuflagem ou os túneis, que só seriam usadas em grande escala em conflitos bem posteriores, como a Segunda Guerra Mundial ou o Vietnã (veja os quadros). A resistência dos sertanejos obrigou o Exército a enviar quatro expedições ao povoado. Registros feitos pelo comando da última delas mostram que, mesmo em grande vantagem numérica e bélica, foi preciso “estacionar um pouco as operações” durante o confronto, para tomar fôlego: “Os jagunços são combatentes temíveis, com tiros certeiros, e ninguém deve planejar atacá-los se não tiver a máxima cautela… As balas que choviam de Canudos eram de extraordinária precisão…” O texto está no livro Canudos – Subsídios para a sua Reavaliação Histórica, da Fundação Casa de Rui Barbosa, que estima em 10 mil soldados o efetivo total mobilizado nos oito meses que a quarta expedição levou para ter sucesso, contando até com a presença do ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, em pleno campo de batalha.

Mas por que o governo atacou Canudos? Por razões políticas, principalmente a insatisfação dos grandes fazendeiros da região com a fuga de mão-de-obra para o modelo de produção do arraial – coletiva e sem os impostos criados pela República. Formalmente, contudo, a população de Belo Monte simplesmente foi roubada por um comerciante e caiu na armadilha preparada por um juiz desonesto. Em outubro de 1896, Antônio Conselheiro adiantou 1 conto e 200 mil-réis a uma loja em Juazeiro, por uma encomenda de madeira para uma nova igreja. O juiz local era desafeto do beato desde 1893 – quando o líder de Canudos havia promovido uma queima de editais de impostos, na cidade de Bom Conselho – e decidiu aproveitar a oportunidade para atingi-lo. Usou sua influência para que o comerciante não entregasse as tábuas, ao mesmo tempo que escrevia ao governador da Bahia, Luís Viana, dando o alerta mentiroso de que, na data marcada pelo beato para pegar a carga de madeira, bandidos de Canudos atacariam a cidade.

Para caçá-los, chegaram a Juazeiro três oficiais e 113 soldados no dia 7 de novembro de 1896 – a primeira expedição militar e o início de uma série constrangedora de derrotas do Exército. A tropa decidiu percorrer os 160 km até Canudos, debaixo de sol forte, sem comida e água suficientes. Duas semanas e 120 km depois, na cidade de Uauá, deu com os sertanejos. A República perdeu dez homens, e os demais bateram em retirada, “por insuficiência numérica, estropiamento, falta de recursos de toda a espécie”, conforme registro citado pelo estudo da Fundação Casa de Rui Barbosa. Com a expulsão da tropa, cresceram a fama do beato e a população de Belo Monte. E, cerca de dois meses após a primeira, chegou à Bahia a segunda expedição para dominar os conselheiristas, com cerca de 600 soldados, metralhadoras e dois canhões.

Coisas invisíveis

Ao tentarem um atalho pela estrada do Cambaio para o arraial, os militares foram pegos. Entrincheirados, os sertanejos usavam bacamartes, facões, pedras e se misturavam ao terreno, vestidos de cores cruas e de folhagens. É o que o historiador Frederico Pernambucano de Melo, autor de A Guerra Total de Canudos, chama de “pioneirismo do guerrilheiro sertanejo quanto a uma virtude militar ainda desprezada pelos exércitos do mundo, presos ao traje colorido das guerras napoleônicas”.

Com dez mortos, contra 76 do inimigo, o Exército foi encurralado e se retirou de novo. “Nunca vimos, eu e meus camaradas, tanta ferocidade”, comentou o major Febrônio de Brito, líder da tropa. A partir daí, Canudos ganhou ares de “levante monarquista” na imprensa, e sua conquista virou questão de honra para o governo e para fazendeiros do sertão baiano, pressionados pela crise do açúcar e pela nova economia do café. Em meio a tudo isso, começava a se construir o mito da grande liderança do movimento, Antônio Conselheiro.

O cearense Antônio Vicente Mendes Maciel (1830-1897), ex-comerciante, ex-professor, ex-caixeiro e ex-advogado autodidata, tornou-se Antônio Conselheiro em 1874 e, nos 23 anos seguintes, reuniu devotos peregrinando pelo sertão. Imagina-se que tenham contribuído para a conversão a dor de ter sido traído e abandonado pela mulher e as ideias do padre José Antônio Maria Ibiapina (1806-1883), missionário no Nordeste, embora não se saiba se tenham chegado a se encontrar.

Como ele, Conselheiro se dedicou a construir igrejas e cemitérios pelo sertão, já usando seu camisolão de brim, barbas e cabelos longos. “Vou para onde me chamam os mal-aventurados”, disse ao jornalista e escritor João Brígido, autor de Ceará – Homens e Fatos, de 1919. Conselheiros, um tipo mais graduado de beato, não eram incomuns na região carente de água, comida e conforto espiritual. Mas esse foi diferente. Segundo o teólogo Eduardo Hoonaert, da Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina, em Os Anjos de Canudos – Uma Revisão Histórica, “a partir dessa sua enorme capacidade de sonhar coisas invisíveis e de viver a partir desses sonhos, a figura de Antônio Vicente ganha dimensões de gigante”.

Para o historiador Mário Maestri, professor da Universidade de Passo Fundo (RS) e autor, com José Rivair de Macedo, de Belo Monte: uma História da Guerra de Canudos, o contexto político do sertão foi o verdadeiro fermento que amplificou o papel do beato. “As circunstâncias da História o transformaram em líder carismático das massas pobres nordestinas. Para os grandes proprietários e o Estado republicano, o Conselheiro era um tresloucado, um místico, um charlatão, um personagem nefasto que necessitava ser eliminado para que se restaurasse a gestão oligárquica tradicional das massas sertanejas. Canudos significava a inversão da ordem natural, uma sociedade de bárbaros e rústicos fanáticos, pois questionava, na ação, o latifúndio, através do uso útil da terra. E, sobretudo, retirava do controle dos grandes proprietários uma enorme quantidade de mão-de-obra, que passava a viver em sociedade autogerida e consensual.” Segundo Marco Antônio Villa, escritor e professor de História da Universidade Federal de São Carlos, “o fim de Canudos representaria, como representou, o retorno do domínio do ‘landlord’ [senhor feudal], do despotismo senhorial”. Ou seja, a vitória do coronelismo.

Pois é nesse contexto que, em 1893, Antônio Conselheiro resolve se fixar em Canudos, nome derivado do canudo-de-pito, planta usada para fazer cachimbos. O arraial tinha algumas dezenas de casas, uma igreja velha e um cemitério. Ficava na região do Raso da Catarina, sertão da Bahia, no estratégico entroncamento de sete estradas e ao lado do rio Vazabarris. Quatro anos após sua chegada, já eram 5200 casas e 25 mil moradores na comunidade, rebatizada como Belo Monte – a segunda maior cidade da Bahia, perdendo apenas para Salvador.

Mandioca e rapadura

De acordo com Maestri, “o grande diferencial foi o uso útil da terra, a não vigência dos impostos e taxas, a tributação sob a forma de pedido de donativos”. No arraial, criavam cabras, cavalos e bois, e plantavam legumes, feijão, milho, mandioca, melancia, melão e cana-de-açúcar. Moravam lá ex-escravos, pequenos agricultores, índios, foragidos da Justiça, comerciantes, segundo Vicente Dobroruka, escritor e professor de História da Universidade de Brasília (UnB).

“Grande era a Canudos do meu tempo. Quem tinha roça tratava da roça na beira do rio. Quem tinha gado tratava do gado. Quem tinha mulher e filhos tratava da mulher e dos filhos. Quem gostava de rezar ia rezar. De tudo se tratava, porque a nenhum pertencia e era de todos, pequenos e grandes, na regra ensinada pelo peregrino”, afirmou Honório Vilanova, sobrevivente da guerra, a Nertan Macedo (“Memorial de Vilanova”, em O Cruzeiro, 1964). Nas palavras de Manuel Ciríaco, antigo morador, “era um pedaço de chão bem-aventurado. Não precisava nem mesmo de chuva. Tinha de tudo. Até rapadura do Cariri.”

O barão de Geremoabo, fazendeiro e um dos principais inimigos da comunidade, reclamou em uma carta que “alguns lugares desta comarca e de outras circunvizinhas, e até do estado de Sergipe, ficaram desabitados, tal o aluvião de famílias que subiam para os Canudos”. Para Dobroruka, Antônio Conselheiro oferecia “a não ingerência do Estado, cuja mão não chegava até lá”. Até porque o beato era monarquista. Não reconhecia a República, especialmente por ela ter feito a separação entre Igreja e Estado. A República “há de cair por terra para confusão daquele que concebeu tão horrorosa ideia”, escreve ele no manuscrito “Prédicas aos Canudenses e um Discurso sobre a República”, achado no arraial destruído.

A terceira expedição, menos de três meses depois da segunda, era chefiada pelo coronel Antônio Moreira César, conhecido como Corta-cabeças desde a Revolução Federalista do Rio Grande do Sul (1892-1895). O coronel bravateava: “Só temo que o fanático Antônio Conselheiro não nos espere”, escreveu em telegrama ao ministro da Guerra. Tinha certeza de que os sertanejos fugiriam com medo de seus 1300 homens e seis canhões.

Cortar soldados

Foi uma carnificina. No dia 3 de março, os soldados tomaram 28 casas do arraial, mas os conselheiristas revidaram furiosamente e feriram de morte Moreira César. O pânico tomou conta dos militares esfomeados, que fugiram sem comando, deixando pelo caminho cinco oficiais e mais de 200 soldados mortos, munição e armas para o inimigo. A derrota do Corta-cabeças teve tremendo impacto moral para a sociedade republicana. Como sertanejos até então mal armados venceram 1300 militares?

“Pelo conhecimento do terreno, pela defesa da vida comunitária, pelo significado da liderança religiosa do Conselheiro. Havia mais conselheiristas fora de Canudos que no arraial”, diz Villa. Admiradores do beato chegavam até de outros estados. “Ao longo das expedições, muita gente vai para Canudos. Muitos se vangloriando: ‘a gente vai lá cortar soldados’. Isso porque a ação do Estado, no sertão, é de acossar cidadãos e aumentar impostos”, afirma Dobroruka.

Segundo Maestri, essa integração com o sertão, envolvendo apoios para além do arraial, permitiu a reposição de homens e víveres: “O reduto de Belo Monte foi apenas a capital de uma verdadeira república sertaneja que se constituiu nos sertões do norte da Bahia. As tropas começavam a ser atacadas quando penetravam os territórios livres sertanejos. O domínio sobre esse território e a chegada incessante de caboclos de fora das fronteiras da pequena república para participar da resistência explicam a impressionante saga social e militar.”

Os cerca de 10000 soldados da quarta e última expedição levaram mais de três meses para subjugar Canudos. Mas as colunas do Exército, dessa vez, planejaram o cerco com cuidado. “O erro fundamental das três primeiras expedições foi falta de informação e avaliação equivocada do problema, agravadas pela falta de apoio logístico e por disputas políticas. A quarta expedição estava mais organizada e bem informada”, afirma o coronel Luiz Carlos Carneiro, coordenador de cursos de História Militar na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio).

Entre 25 de junho e 5 de outubro de 1897, os combates são renhidos, e há muitas baixas entre os soldados, que sofreram enfrentando um inimigo invisível e aparentemente irredutível. Mas a sorte vira, principalmente depois da destruição, a balas de canhão, da igreja nova do arraial, em 6 de setembro, e da morte de Antônio Conselheiro, em 22 do mesmo mês, vítima de disenteria e de um ferimento de tiro. No dia seguinte, o golpe decisivo: o Exército fecha a última estrada para Canudos, impedindo a entrada de combatentes e alimentos.

Daí até o 5 de outubro, o arraial agonizou. Foi quando os últimos combatentes foram mortos e as casas, saqueadas. Era o fim da guerra. Encontraram o corpo de Antônio Conselheiro e cortaram sua cabeça, enviada a Salvador para “estudos”. Muitos dos sertanejos foram degolados após terem sido presos ou se rendido. Martins Horcade, estudante de Medicina voluntário na quarta expedição, descreveu o que viu entre as ruínas de Belo Monte: “Horror e mais horror, o cúmulo do horror. Só em uma casa encontrei 22 cadáveres já queimados de mulheres, homens e meninos”. Depois de tudo, o povoado foi incendiado. E, durante a ditadura militar, o terreno submergiu sob o açude do Cocorobó, inaugurado em 1969. Antes do incêndio, acharam o manuscrito de Conselheiro, onde se lê: “Adeus povo, adeus aves, adeus árvores, adeus campos (…) aceitai a minha despedida, que bem demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança desse peregrino, que aspira ansiosamente a vossa salvação e o bem da Igreja”.

Guerrilha
Táticas que seriam consagradas em grandes conflitos mundiais

Invisibilidade

A roupa nos tons bege e o entrincheiramento camuflavam os conselheiristas, que também se vestiam de folhas, traziam campainhas ao pescoço e berravam como carneiros para se aproximar do inimigo. Os soldados do Exército, ao contrário, usavam cores fortes que os tornavam alvo fácil.

Outras batalhas – Os japoneses fizeram o mesmo contra os russos, na campanha da Manchúria (1904). Na Primeira Guerra Mundial (1914), os alemães vestiram cinza-verde contra franceses de calças vermelhas (o uniforme azul só veio depois).

Túneis

Túneis entre as casas e nas extremidades do arraial permitiam circular despercebido e surgir de repente, surpreendendo o inimigo. Os casebres tinham ainda “seteiras” ou aberturas ao rés do chão, para esconder atiradores.

Outras batalhas – Cavaram os japoneses, em Iwo Jima, e os russos, em Stalingrado, na Segunda Guerra Mundial; também os vietcongues (1959-1975), contra os EUA; e o Hezbollah, no Líbano, contra o Exército de Israel, em 2006. Os túneis serviram como depósito de armas, para emboscadas ou proteção.

Disfarce

Com as fardas dos soldados mortos, os homens do Conselheiro se misturavam à tropa para sabotar atividades internas, causando confusão e medo.

Outras batalhas – Na Segunda Guerra Mundial, na floresta das Ardenas (Bélgica), alemães com fardas norte-americanas se infiltraram entre os aliados para ajudar no efeito surpresa da ofensiva. Integrantes do grupo de elite israelense Saveret Matkal se disfarçam de árabe em território inimigo para colher informação.

Logística

Ataques a animais de tração, condutores da artilharia e dos carroções de suprimentos. Não havia pressa em assaltar, em seguida, um inimigo assim imobilizado e apavorado no terreno.Também era forma de impedir o avanço do canhão Withworth (a “matadeira”).

Outras batalhas – O Taleban, no Paquistão (2008/2009), realiza ataques frequentes a comboios: atualmente, mais de 70% dos suprimentos e munições das tropas de ocupação chegam ao Afeganistão pela rota que vai do porto de Karachi (Paquistão) até a cidade de Peshawar.

Atirador de elite

O “tiro de ofensa ao acaso e de enervamento” era dado de longa distância em intermitência regular e incessante, dia e noite. Chegou a causar de dez a 15 baixas em 24 horas e disseminou terror pelo acampamento do Exército. Os conselheiristas também faziam linha de tiro cerrada, o que se tornou comum em todos os conflitos do século 20.

Outras batalhas – Quando a URSS invadiu a Finlândia (1939), Simo Häyhä, o “Morte Branca”, matou mais de 542 soviéticos em 100 dias e virou o maior atirador de elite da História.

Aos pedaços

Corpos inteiros ou dilacerados do inimigo eram expostos em pontos salientes das estradas, abatendo
o moral da tropa que chegava.

Outras batalhas – Na Segunda Guerra Mundial, japoneses e americanos foram à loucura nessa tática. Durante a Batalha de Wake Island (1941), em que as tropas dos EUA se renderam, houve decapitação de marines, entre outras atrocidades. Nos anos seguintes, os americanos buscaram vingança: cortar orelhas e pegar dentes era comum – o maior prêmio era levar para casa um crânio japonês.

O QG do Conselheiro
Rápidos e inteligentes, os homens fortes do front

Antônio Conselheiro não pegou em armas. Contou com homens de confiança, que lideraram a guerra no front. Segundo o historiador José Calasans (1915-2001), em O Estado-Maior de Antônio Conselheiro, o principal deles foi João Abade, o “chefe do povo” ou “comandante da rua”, à frente da Guarda Católica, a tropa de elite do arraial. Foi descrito assim por Euclides da Cunha: “(…) Impetuoso, bravo e forte, de voz retumbante e imperativa; bem vestido sempre. (…) É o executor supremo das ordens do chefe. Castiga a palmatoadas na praça, em frente às igrejas, aos que roubam, ou vergasta as mulheres que procedem mal.” Outra figura importante, o ex-soldado Pajeú é citado em Os Sertões por sua “bravura inexcedível e ferocidade rara”. “Bom de tocaia”, como diz Calasans, assumiu o comando após a morte de Abade. “Violento e terrível na batalha, tendo na mão direita a espingarda contra o soldado e na esquerda longo cacete para estimular vigorosamente os jagunços vacilantes na refrega. Bulhento, tempestuoso, mas de costumes simples”, diz dele Euclides da Cunha no jornal O Estado de S. Paulo. Na mesma crônica, afirma que Macambira, por sua vez, era covarde, mas útil: “Velho rebarbativo e feio; inteligentíssimo e ardiloso. (…) Ninguém, porém, prepara melhor uma cilada; é o espírito infernal da guerra”. O filho Joaquim Macambira era valente, e morreu tentando destruir um canhão Krupp 32. Outro soldado, Pedrão sobreviveu ao fim de Canudos. Paralítico, com quase 90 anos, em 1958, declarou a Calasans: “Faz pena um homem como eu morrer sentado”.

Saiba mais

LIVROS

Os Sertões, Euclides da Cunha, Ateliê, 2001

O autor cobriu a guerra como correspondente de O Estado de S. Paulo, e faz, no livro, descrição apaixonada do conflito.

Canudos: o Povo da Terra, Marco Antônio Villa, Ática, 1999

Acompanha a formação e destruição do povoado.

Canudos – Subsídios para a sua Reavaliação Histórica, vários autores, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986

Levantamento de fontes de pesquisa sobre o tema.

SITES

http://canudos.portfolium.com.br/

Acervo virtual com documentos, relatos, fotos e artigos.

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2163
Íntegra de Os Sertões, de Euclides da Cunha



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