Burschenschaft Paulista (Bucha Paulista)

Burschenschaft Paulista (Bucha Paulista)

desavisado que perambular pelo térreo da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, centro de São Paulo, por certo estranhará um obelisco plantado em meio ao mais ermo e silencioso de seus pátios. Curioso, notará as alegorias funerárias: tochas em cantaria e demais elementos em bronze, como a placa em latim anunciando que, sob aquelas pedras centenárias, encontra-se enterrado o corpo de um professor, morto de pneumonia em 1841. Júlio Frank, nascido em 1808

 “A Misteriosa Sociedade Secreta da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco”

Burschenschaft, do alemão bursch, que significa camarada e schaft, confraria. Por incrível que pareça, essa estranha palavra alemã, difícil de escrever e de pronunciar, tem muito a ver com a história do Brasil.

Ela surgiu no final do século XVIII para designar a totalidade dos alunos de uma universidade. A partir de 1815 passou a ser empregada de modo mais restrito, para caracterizar as sociedades de estudantes que na época se organizavam com uma tríplice finalidade: política, com o objetivo de promover a unidade da Alemanha, então fracionada em ducados e principados; filantrópica, para ajudar os jovens pobres a custear seus estudos; e duelística, pois seus membros praticavam esgrima e participavam de duelos. Proibidas em 1819, assumiram caráter clandestino e foram perseguidas até 1848. Desde então, abandonaram os duelos e existem legalmente até hoje. Suas bandeiras são visíveis em residências estudantis de cidades como Heidelberg, que abriga a mais antiga universidade alemã.

No Brasil, a Burschenschaft surgiu na década de 1830 entre os alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco , fundada por um professor alemão de nome JULIUS GOTTFRIED LUDWIG FRANK, ou simplesmente Júlio Frank, nascido em Gotha, capital do ducado de Saxe-Coburgo-Gotha, em 1808. Frank viveu apenas 32 anos, dez dos quais no Brasil, país em que morreu e foi enterrado, de maneira insólita uma vez que, por ser protestante, as autoridades católicas negaram-lhe sepultura no interior das igrejas e nos cemitérios.

Por decisão dos alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, e com o apoio dos professores, ele foi então sepultado no pátio da Faculdade, onde ainda pode ser visto seu túmulo imponente (tombado pelo Patrimônio Histórico), com inscrições em latim e símbolos como um obelisco e quatro mochos .

Ao contrário da existência curta de seu fundador, a “Bucha” – como passou a ser chamada a Burschenschaft brasileira – teve vida longa e influência duradoura na sociedade: abolicionista e republicana durante o Império.

De seus quadros saíram nada menos que todos os presidentes civis da República Velha (1889-1930), à exceção de Epitácio Pessoa . Poetas como Castro Alves , Álvares de Azevedo e Fagundes Varela e personalidades da história do Brasil como Ruy Barbosa e o barão do Rio Branc



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