As Populações Indígenas do Brasil

As Populações Indígenas do Brasil

Indígena

A imagem de um indígena brasileiro, segundo a visão de um europeu do século XIX.

No caso da América lusa, a população ameríndia era de aproximadamente 5 milhões de indivíduos, espalhados pelo imenso território brasileiro e que, num primeiro momento, não ofereceu grande resistência ao colonizador europeu.

A catequese, realizada principalmente nas missões, reduziu os indígenas ao cristianismo.

Classificação

A primeira classificação dos indígenas foi feita pelos jesuítas, baseada na língua e na localização. Os que habitavam o litoral (os tupis), foram chamados de índios de língua geral e os que viviam no interior (tapuias), de índios de língua travada. No século XIX, o estudioso alemão Karl von den Steinen, apresentou a primeira classificação científica dos indígenas bra-sileiros, dividindo-os em quatro grandes grupos básicos ou nações: tupis-guaranis, jês ou tapuias, nuaruaques ou maipurés e caraíbas ou caribas e quatro grupos menores: goitacás, panos, miranhas e guaicurus.

A organização dos povos indígenas do Brasil

O estágio de desenvolvimento cultural do indígena brasileiro era atrasado, não apenas em relação ao branco europeu, como em relação a outros povos pré-colombianos mais avança-dos, como os incas e os astecas. Mesmo entre os índios brasileiros, não há homogeneidade, por suas variadas culturas e nações.

Os brasilíndios tinham como organização básica a aldeia ou a taba, formadas pelas ocas ou malocas, dispostas em círculos, onde viviam as famílias. O governo era exercido por um conselho – nheengaba -, formado pelos mais velhos, e só em época de guerra escolhiam um chefe, o cacique ou morubixaba.Além de praticar a caça, a pesca, a coleta de frutos e raízes, desenvolviam ainda a agricultura de subsistência, com o cultivo da mandioca, do milho e do tabaco, valendo-se para isso de técnicas rudimentares, como a queimada ou coivara. Os casamentos eram endogâmicos, isto é, entre pretendentes de uma mesma tribo; a sucessão se dava pela linha paterna e a poligamia era permitida, embora pouco freqüente. A mulher, mera procriadora, tinha um papel secundário, mesmo na divisão de trabalho, em que cuidava das plantações, da coleta de frutos, do preparo dos alimentos, e por fim, das crianças. Eram politeístas e animistas, vinculando suas divindades à natureza, e mesmo a prática da antropofagia tinha um caráter ritual. Utilitaristas, produziam utensílios de cerâmica, de madeira e de palha, sempre para o uso cotidiano.

O avanço da colonização e a resistência

Os primeiros contatos entre portugueses e indígenas podem ser considerados amistosos. Aos índios, atribuiu-se o espírito de colaboração quando do extrativismo do pau-brasil e de docilidade diante da ação conversora dos jesuítas. Sua belicosidade ficava por conta das guerras que travavam entre si, na defesa de territórios da tribo ou nas primeiras guerras que os portugueses moveram contra invasores estrangeiros. Caso das lutas contra a França Antártica, quando os portugueses foram apoiados pelos temiminós para derrotar os franceses, aliados dos tamoios.

A partir de meados do século XVI, ficava claro que o branco português representava a colonização e era, portanto, o verdadeiro inimigo. A ação dos religiosos, em especial nos grandes aldeamentos (missões), era a distribalização. Já a ação do colono nada mais era do que a expropriação territorial e a escravidão. Para o europeu, o índio tinha significados diferentes: para o jesuíta, era um meio de propagação da fé e de fortalecimento da Igreja Católica; para o colono, ele era a terra e o trabalhador: livre, no extrativismo da Amazônia ou na pecuária, e escravo, nas regiões mais pobres ou nos engenhos, quando se obstruía o tráfico negreiro. Assim, ao indígena não restou outra opção senão a resistência armada e desigual, contra um inimigo que já dominava as armas de fogo.

Alguns momentos dessa luta foram marcados pela proibição da escravidão vermelha. Exemplo disso, foi o ato do papa Paulo III, de 1537, que pela primeira vez declarava ilícita a exploração do trabalho indígena. Seguiram-se outros no mesmo sentido, sempre apoiados pelos jesuítas, e desrespeitados pelos colonos, com as chamadas guerras justas – uma exceção prevista na legislação – em que se atribuía sempre ao índio a primeira agressão. Além da abertura legal, os colonos contavam com as rivalidades entre as tribos, que impediam a formação de alianças contra o inimigo comum.

No século XVIII, o Marquês de Pombal aboliu a escravidão indígena. O decreto de 1755 dava liberdade absoluta ao índio, equiparando-o à mesma condição de um colono, e suprimia o poder dos jesuítas sobre as missões. Contudo, ainda no século XIX, eram decretadas as “guerras justas”, prosseguindo, assim, a ação devastadora do branco, dizimando tribos inteiras e destruindo a cultura indígena.

Atualmente, a população de índios brasileiros, agora denominados povos da floresta, está reduzida a menos de 200 mil indivíduos, a maior parte desenraizada e sem identidade cultural.

Fonte :http://www.coladaweb.com/historia/



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