Angkor: o último esplendor do Reino de Khmer

Angkor: o último esplendor do Reino de Khmer

No Camboja medieval, o Reino dos Khmer vivenciou entre os séculos XII e XIV o esplendor de sua civilização, até entrar num declínio que menos de cem anos depois, as grandes construções da capital Angkor, não passavam de ruínas engolidas pela selva. Neste texto procurei contar um pouco da história dessa imponente cidade cambojana, motivo de lendas e debates arqueológicos e históricos, acerca de como os cambojanos teriam construído tais monumentais templos e outras edificações.
Introdução:
Até meados do século XX, creditava-se a “descoberta” de Angkor ao francêsHenri Mohout, que no final da década de 1850 realizou uma expedição ao Camboja, e ali encontrou essas antigas ruínas. Mohout ganhou fama internacional com essa descoberta. No entanto, a cidade embora em ruínas e tomada pela vegetação, ela nunca foi abandonada totalmente. Monges budistas e e membros de populações vizinhas ainda continuaram a visitar a cidade desde sua decadência no final da Idade Média. Todavia, a cidade deixou de ser habitada.
No entanto, os primeiros europeus que tomaram conhecimento dessa antiga cidade, foram os portugueses no século XVI. O cronista Diogo do Couto, em seu livro Décadas, relatou acerca das ruínas de Angkor. Ele conta que no ano de 1550, alguns portugueses em companhia do rei do Camboja, Ang Chan I (1505-1556), enquanto caçavam nas densas florestas, se depararam com antigas ruínas de pedra. De acordo com meistre, com a “redescoberta” de Angkor, o rei ordenou que a cidade fosse reabitada, e ela continuou a ser habitada até 1594, quando novamente foi abandonada de vez.Em uma carta datada de 1599, o padre Carvalho, de origem espanhola, escrevendo sobre as riquezas do reino cambojano, fez menção a antigas ruínas de uma grande cidade de pedra, com opulentos templos e pagodes (tipo de templo budista) que lembravam dos japoneses (AZIZ, 1978, p. 17).
No século XVII os relatos de europeus sobre Angkor continuam a surgir; o padre espanhol Gabriel de Santo Antônio, em uma carta, falou da existência de uma antiga cidade que supostamente teria sido construída porAlexandre, o Grande ou pelos romanos, pois não se acreditava que os cambojanos possuíssem tecnologia e conhecimento para erguer aquela cidade de pedra. Em 1793, o padre Langenois, missionário francês em Battambang, escreveu que Angkor teria sido construída pelos Malabares(povo da costa do Malabar na Índia), por volta do século I a.C.
“Nos séculos XVII e XVIII, os monumentos de Angkor são, portanto, bem conhecidos dos missionários europeus. Suas narrativas, mais ou menos fantasistas, se reduzem a algumas frases admirativas, mas duas idéias importantes se depreendem de seus relatos: Angkor é uma espécie de capital religiosa, muito conhecida na Indochina; e ignora-se quem a construiu”. (AZIZ, 1978, p. 19).
Henri Mohout
O interesse dous europeus por Angkor só vingou na segunda metade do século XIX. Primeiro com um relato do padre Bouilleveaux, que publicou sua pequena relação em 1857 na França. Um ano após seu livreto ser publicado, chegava ao interior do Camboja, o naturalista Henri Mouhot(1826-1861). Sua expedição originalmente ao sudeste asiático visava pesquisas no campo da biologia, zoologia e geografia, pois Mouhot estava interessado em descobrir novas espécies vegetais e animais, e novas localidades. Em suas viagens através das selvas tropicais que o levaram a passar pelo Laos e Sião, Mohout chegou ao interior do Camboja, e se deparou com as ruínas de Ankgor. Na época ele pensou ter sido o primeiro europeu a ver aquilo, daí, ter sido considerado por algum tempo como o “descobridor” de Angkor. Mohout permaneceu algumas semanas explorando o local, fazendo uma série de anotações e desenhos, colhendo depoimentos dos nativos, inclusive escrevendo antigas histórias e lendas sobre o local, que posteriormente foram publicados na revista Le Tour du Monde, revista na época de grande circulação na França e em outras parte da Europa.

Desenho de Henri Mohaut, retratando o Angkor Wat, 1860.
Na segunda metade do XIX, o interesse dos europeus por Angkor se intensificou; primeiro, pela ampla divulgação que alcançou os escritos de Mohout; segundo, pelo fato que o Camboja, Laos e Vietnã, foram se tornando protetorados franceses, o que facilitava a intervenção da Terceira República Francesa nestes países. Em 1863, o Camboja se tornou protetorado francês e no mesmo ano foi enviada a expedição de Ernest Doudart de Lagrée (1823-1868), a primeira do total de três, pois Lagrée, visitou o Camboja entre os anos de 1863 e 1867, realizando um vasto relatório sobre o país, além de uma descrição pormenorizada de Angkor.

Mesmo com tais relatórios, ainda demoraria-se alguns anos até que se inicia-se os planos para revitalização e restauração da cidade. De acordo com Aziz (1978, p. 32-34), foi em 1897 que o Congresso Internacinal dos Orientalistas criou o Instituto de Pesquisas Asiáticas, cujo intuito era se promover expedições arqueológicas, históricas e antropológicas ao continente asiático. A partir desse instituto, em 1898, Paul Doumer fundou a Comissão Arqueológica da Indochina, especializada na região da Indochina francesa, China e Japão. Em 1907 foi criada o Conservatório de Angkor, órgão responsável especificamente pelo estudo do sítio arqueológico de Angkor.

A partir desse conservatório, os franceses começaram a promover no século XX, expedições regulares para se revitalizar a cidade. Primeiro se iniciou com a remoção da densa vegetação, pedras, lama e entulho, que tomaram o núcleo urbano, trabalho que levou anos para ser concluído. Para se ter noção desse colossal trabalho, em 1916, apenas uma parte do complexo central que abriga a Grande Praça e o Bayon (templo central), estavam limpos, o restante da cidade que talvez tenha abrigado centenas de milhares de pessoas, ainda estava encoberta pela floresta.

Todavia, além dessa limpeza, foi também realizada a restauração de muros e parte das construções, principalmente as que ameaçavam tombar. Também se realizou uma massiva copilação dos desenhos, estátuas e escrituras, pois foram encontrados textos escritos em três línguas:sânscrito e páli (ambos idiomas indiananos) e antigo khmer (idioma local). O estudo linguístico se iniciou antes da restauração da cidade, a partir de cópias das escrituras que se conseguiu ainda no final do século XIX, mas tal trabalho só se intensificou com o andamento da revitalização da cidade. Mas graças a tais escritos, conseguiu se descobrir parte da história da cidade.

O Reino de Khmer:

Os atuais cambojanos em parte são descendentes dos khmers, povo que teria migrado do norte da Indochina e da Índia, para a região do Camboja, mais especificamente nas terras do delta do rio Mekong; se misturando com os povos nativos. Não se sabe ao certo quando tal migração ocorreu, mas desde o século I d.C, já se encontram vestígios arqueológicos de vilas e cidades dos khmers no chamado Reino de Funan.

Mapa retratando os territórios dos reinos de Funan, Chemla e Champa por volta do ano 500.

Nos séculos que se seguem ao estabelecimento do Reino de Funan, os khmers lutaram com os Estados vizinhos de Chemla, Champa, Java, entre outros, pelo controle da região, sendo que foi no século IX, que se deu início a unificação da região. Ainda em 790, o rei khmer Jayavarman II rompeu sua submissão ao Reino de Java, retornando a Funan, para a cidade deIndrapura, a qual instituiu como capital inicial, pois ao longo de seu reinado, o rei morou em outras quatro cidades (Kuti, Hariharalaya, Amarendrapura e Mahendraparvata), sempre mudando sua corte e seu exército, pois durante seu governo Jayavarman II, promoveu campanhas de aliança e conquista.

“Desde 802, data de sua ascensão ao trono cambojano, o poder de Jayavarman II na região do Tonle Sap é sólido e a obra da reunificação do país está quase concluída. Jayavarman II escolhe o Phnom Kulen, planalto gresífero que domina a planície de Angkor para ali fundar a última de suas cinco capitais Mahendraparvata. Nas alturas do Phnom Kulen que simboliza o monte Meru, Jayavarman II se faz sagrar “monarca universal” (Cakravartin) e “rei da montanha” recebendo de um padre brâmane, intermediário de Civa, o Linga fálico, símbolo do deus e essência da realeza”. (AZIZ, 1978, p. 63).

Com tal ato, oficialmente o monarca khmer punha fim a vassalagem aos javaneses, declarava sua independência e sua reunificação com as cidades e vilas rebeldes, embora que alguns Estados vizinhos ainda não haviam sido conquistados ou declararam lealdade ao Cakravartin. Para alguns historiadores, Jayavarman II tornou-se de fato o fundador da Dinastia de Angkor, pois o rei instituiu a cidade de Angkor como nova capital, e segundo Aziz (1978, p. 64), o nome do reino foi trocado para Reino de Angkor.

“Mas qual a origem desse nome? Angkor, do sânscrito Nagara, significa a capital, a cidade real. A partir do século IX, cada rei khmer constrói um templo, santuário consagrado aos deus protetor do reino que ele representa no curso da vida terrestre, e ao qual se identifica depois de morto”. (MEISTRE, 1978, p. 65).

Mapa da região de Tonle Sap. As ruínas de Angkor ficam localizadas a norte da atual cidade de Siem Reap.

Mas para outros historiadores, a fundação da dinastia de Angkor só se efetivou mesmo anos depois com os filhos de Jayavarman II, Jayavarman III (850-877) e Indravarman I (877-889). Com o fim do reinado de Indravarman I no ano de 899, o Reino de Khmer se estendia para além do atual território do Camboja, e nos séculos seguintes continuaria a crescer. Todavia, estava estabelecida com esses três monarcas a Dinastia de Angkor.

A expanção da cidade de Angkor:

“A nordeste de Tonle Sap, grande lago situado no centro do Camboja, apenas emergindo da selva tropical, erguem-se os vestígios de Angkor. Altas torres de grés, largas calçadas debruadas de balaustradas imitando estranhos animais ou peronsangens monstruosos, pirâmides, vastas esplanadas de pedra forma uma verdadeira cidade abandonada, sulcada por fossos semientulhados ou poças de água estagnada”. (AZIZ, 1978, p. 9-10).

Embora tenha sido o rei Jayavarman II que iniciou a ocupação da área noroeste do lago Tonle Sap (Grande Lago), pois parece que não havia uma presença constante na região, foi apenas no final do século IX, no reinado de seu neto, Yashovarman I (889-890), foi que propriamente uma cidade foi erguida naquela região. Em 893, após concluir as obras de um templo nolago Indrataka, Yashovarman I decidiu fundar uma nova capital, a qual ele chamou de Yashodharapura, a qual consistiu do núcleo original da cidade de Angkor, em formato quadrilátero com cerca de 4 km de lado, totalizando uma área de 16 km quadrados.

“O rei khmer não busca somente a glória de associar seu nome à criação de uma cidade. Seu projeto, a um tempo político e religioso, prende-se ao próprio caráter de realeza khmer. Trata-se de “fundar uma residência sagrada cujo simbolismo devia estabelecer sobre a terra uma residência divina, irradiando sobre todo o reino”, conforme afirma uma inscrição da época”. (AZIZ, 1978, p. 70).

O local de construção de Yashodharapura, foi o monte Phnom Bakheng, próximo ao rio Siem Reap. Phnom Bakheng se erguia numa vasta planície que séculos depois foi amplamente ocupada principalmente pelas plantações que abasteciam a grande população de Angkor como se supõe. Além desse monte, há outras duas importantes colinas na área: a Phnom Bok, aPhnom Krom e a Phnom Kulen. Além de campos favoráveis para a agricultura, a terra era fértil, havia abundância de pedras nestes montes, grande abundância de madeira e de caça, devido as densas florestas no entorno. Além disso, seguindo pelo rio Siem Reap se chegava ao lago Tonle Sap (também chamado de Grande Lago), local abundante em pescado.

No século seguinte novas construções foram sendo erigidas, no entanto, foram nos séculos XI ao começo do XIII, que a cidade mais cresceu e chegou ao seu ápice como centro político, econômico e religioso do Império Khmer.

Em meados do século XI, o império voltou a se estabilizar após algumas décadas de crises políticas, relacionadas a sucessão real, guerras civis e algumas invasões, embora que nesse tempo, alguns monarcas aproveitaram para expandir os domínios do Império de Khmer ou de Angkor (como alguns se referem).

“O longo reinado de Suryavarman I, que dura até 1050, é assinalado pela consolidação do poder central sobre as províncias. Homem enérgico, o rei anexa definitivamente ao império khmer toda a parte meridional do Sião, de Lopburi, a Ligor, e a maior parte do Laos meridional, até Luang Prabang. A administração das províncias é acompanhada de perto pelo rei, que exige de seus funcionários um juramento anual prestado diante do fogo e os atributos reais”. (AZIZ, 1978, p. 79).

Com essa estabilidade política, administrativa e econômica, o monarca passou a dar maior atenção a obras pelo país. No entanto, um dos marcos do seu governo, foi a difusão do Budismo, pois embora já houvessem mosteiros budistas no império, o Hinduísmo ainda era maioria, mas nos dois séculos seguintes se verá uma inversão, onde o Budismo se tornará a religião oficial do Estado e de grande parte da população, embora não signifique e o Hinduísmo e seus vários deuses foram abandonados, pois preceitos tradicionais como se batizar nome de cidades e de reis com nomes indianos, associados a deuses como Vishnu, Shiva, Brahma, Indra, etc., além do fato de se erigir templos a tais deuses, ainda continuou a ser normalmente feito.

Com a morte de Suryavarman I, seu filho Udayadityavarman II assume o trono. Durante seu reinado, o novo monarca realizou novas obras em Angkor, sendo uma de suas primeiras obras, a ordem para se construir um novo templo-montanha (tais templos aludiam ao Monte Meru, considerado a morada terrena do deus Shiva). Esse novo templo-montanha foi chamado deBaphuon, e foi construído na Grande Praça da cidade.

O templo Baphuon construído em meados do século XI, durante uma reforma.

“Gigantesco monumento cuja pirâmide mede na base 120 por 100 metros, com uma altura total de 50 metros, o Baphuon constitui uma das mais formosas manifestações do gênio khmer. Sobre os muros dos numerosos pavilhões que fazem parte do templo, baixos-relevos figuram cenas míticas, ou representam homens e animais, combates ou cenas palacianas, esboçando assim, em largas pinceladas, um quadro da vida cotidinaa do Camboja da época”. (AZIZ, 1978, p. 81).

Outra grande obra que o rei Udayadityavarman II ordenou, foi a construção de um segundo baray (grande reservatório), dessa vez localizado no oeste da cidade, pois já havia um no leste, o qual foi construído no reinado de Indravarman I em fins do século IX. Os dois baray eram usados para abastecer a cidade, mas principalmente para a rizicultura (plantação de arroz), pois os arrozais dependem de grande quantidade de água, pois tal planta é plantada dentro d’água. E sendo o arroz a base da alimentação no Extremo Oriente, havia essa grande dependência pelo arroz. O BarayOcidental era maior do que o Oriental (o qual possuía 3,8 km de comprimento por 800 metros de largura), possuindo 8 km de comprimento e 2,2 km de largura, totalizando 40 milhões metros cúbicos de água.

Vista áerea do Baray Ocidental.

“Além do mais, como nos vai mostrar o arquiteto Henrique Stierlin, tudo está perfeitamente planificado desde essa primeira realização. “O baray”, escreve esse autor, “encontra desde o início sua forma clássica: tem cerca de quatro vezes mais comprimento do que largura e se insere perpendicularmanente sobre a rampa que desce para o lago e sobre o curso do rio Roluos que serve para o alimentar. Essa disposição perpendicular resulta de uma observação judiciosa: se o lago aritificial fosse quadrado em vez de alongado, o dique meridional teria de ser mais alto que o setentrional, para compensar a inclinalão do terreno”. (AZIZ, 1978, p. 119).

O trabalho realizado pelo arquiteto Stierlin e publicado em 1941, foi o primeiro do tipo, e bastante significante, pois nos revelou que o conhecimento de engenharia dos khmers era muito mais avançado do que se supunha; além do fato, que isso desmentia antigas teorias de que foram os macedônios, romanos, indianos e chineses que teriam sido os responsáveis por tais construções. A engenharia khmer era tão avançada quanto de outros povos espalhados pelo mundo, e possívelmente mais avançada de que algumas nações europeias da mesma época.es

Com os dois barays, a cidade de Angkor dispunha de 75 milhões de metros cúbicos de água para abastecer as plantações e a população. De acordo comAziz (1978, p. 125-129), a zona agrícola da cidade dispunha de pelo menos 60 hectares, na maioria usados para o cultivo do arroz, mas também se cultivava feijão, favas, bananas, laranjas, cebolas, peras, abóboras, beringelas, cana de áçucar, etc. Por sua vez, Stierlin estimou com base em alguns cálculos que a população da cidade e de sua periferia, teria chegado em meados do século XI a pelo menos 700 mil habitantes, embora nã exista precisão quanto a isso, tal quantidade não seria impossível, pois havia cidades indianas e chinesas naquele tempo, que já passavam de 1 milhão de habitantes. Para Stierlin essa população teria sido possível graças a grande quantidade de disponibilidade de comida e de água para sustentá-la.

Nesse grande lago artificial, foi construída uma ilha, na qual foi erguida um templo dedicado ao deus Vishnu. Tal templo foi chamado de Mebon Ocidental, cujas ruínas ainda se podem ver hoje em dia, embora a estátua de Vishnu deitado já não exista mais. De acordo com Stierlin, o barayOcidental e o Mebon, teriam ao todo levado pelo menos cinco anos, pois o lago não foi escavado, mas ergueu-se muros e inundou-se a área, usando as águas do rio Roulos. Por tal técnica de construção, popou-se bastante tempo, mão de obra e recursos.

A ilha do Mebon no Baray Ocidental.

Embora essas sejam as duas grandes obras promovidas no governo deUdayadityavarman II, outras menores foram realizadas, como a construção de canais, pontes, estradas, casas, estátuas, pequenos templos, ruas, etc. Todavia, o rei teve que interromper sua atenção as reformas urbanísticas da capital devido a novas ameaças dos Champas, que iniciaram novas revoltas.Udayadityavarman II não conseguiu colocar fim a todas revoltas, sobrando para seu filho, o rei Harshavarman III solucioná-las, mas o novo monarca governou por poucos anos, falecendo em 1080. Com sua morte uma nova crise de sucessão real eclode perdurando até 1113, quando Suryavarman II assume o trono do país. Sob seu governo, a cidade de Angkor vivenciaria seu apogeu.

Antes de dá atenção a capital, Suryavarman II tratou de por um fim nas disputas familiares pelo trono de Khmer, tendo derrotado seus tios rebeldes que não o aceitavam como novo rei; além do fato, que ele também aproveitou para expandir os domínios de seu império, invadindo terras do atual Laos, Vietnã, Malásia, Tailândia e Myanmar.

O Império Khmer durante o governo de Suryavarman II, após o ano de 1128.

“Suryavarman II aparece como o mais poderoso soberano da Ásia, ao lado do imperador da China, que o reconhece como seu grande vassalo”. (AZIZ, 1978, p. 84).

De fato, os khmers nunca chegaram a confrontar propriamente o poderio chinês, embora tenham lutado contra os siameses, vietnamitas, champas, burmas, malaios e até contra os mongóis no século XIII. Todavia, naquela primeira metade do século XII, o império retomava seu poder, prosperidade e glória. Para celebrar suas conquistas, o rei ordenou uma série de obras, dentre elas a mais famosa foi Angkor Wat.

Vista área do templo de Angkor Wat em dia de visitação.

O nome Angkor Wat é um nome bem posterior, que literalmente significa “templo da capital”. Hoje em dia, muitas pessoas tomam tal templo como sendo uma cidade, mas na prática ele era apenas um templo, que também possuiu funções palacianas. A cidade de Angkor se estendia por alguns quilômetros em torno da ilha que Angkor Wat fica localizado. Não se sabe quantas pessoas chegaram a morar na cidade, mas estimativas variam de 20 mil a 500 mil habitantes.

O templo foi erguido em homenagem ao deus Vishnu, possuíndo cinco torres que aludem ao formato da lótus, flor sagrada no hinduísmo. Angkor Wat também é um templo-montanha como o Baphon, mas com o diferencial de ser um complexo bem maior, e o principal monumento desta cidade, hoje conhecido.

“Mais, porém, que as cenas esculpidas em suas paredes, o monumento de Angkor Vat, por si mesmo, exprime a grandesa do soberano que a construiu. As proporções imponentes, a harmonia das linhas, a perfeição nos adornos das pequenas pilastras, colunas, baixos-relevos que percorrem os muros em várias centenas de metros: tudo concorre para fazer Angkor Vat uma grandiosa obra-prima arquitetônica à altura da ambição de Suryavarman II. No conjunto, esse templo, situado no ângulo sudeste do monte Bakheng, é colossofal: cobre uma área de 200 hectares”. (AZIZ, 1978, p. 87).

No tópico seguinte, falarei mais especificamente de Angkor Wat, mas no momento, prossigamos com o desenvolvimento da cidade. Nos últimos anos do reinado de Suryavarman II, o velho monarca voltou a ter problemas nas fronteiras, além de novas revoltas provindas dos Chams. Com sua morte em 1150, o país vivenciava um momento difícil, que só viria a piorar pelos trinta anos seguintes, nos quais reis foram impossando e destronados em período de cinco anos em média. Os Chams recobrariam suas forças em no ano de 1177 invadiram e saquearam Angkor.

Em seguida, nomearam seus próprios reis para governar o império. Os Chams permaneceram na capital até 1181, quando o príncipe Jayavarman consegue expulsá-los. Com a expulsão e derrota da revolta dos Chams, o príncipe é proclamado rei, tornando-se Jayavarman VII. Sob seu reinado, Angkor viveria seu último esplendor como capital do Império Khmer.

“Salvador da nação khmer, restaurador de Angkor, Jayavarman VII foi incontestavelmente o mais orgulhoso, o mais sedento de glória de todos os reis cambojanos. Mas esse guerreiro impetuoso é a outra face de um fino político, capaz de uma paciência infinta na espera do momento favorável à ação. Por último – aspecto mais desconcertante de sua personalidade complexa – o rei khmer é de um temperamento profundamente religioso, quase místico. Nele, o homem de ação, o homem de meditação e o místico coexistem numa surpreendente mescla”. (AZIZ, 1978, p. 97).

Além de ter sido saqueada, parte da cidade foi destruída, logo, o novo soberano decide construir um novo centro da cidade, que ficou conhecido pelo nome de Angkor Thom. O novo centro era cercada por muralhas de quatro quilômetros de extensão, se encontrando dentro de um quadrilátero. Se no governo de Saruyavarman II, o palácio ficava na ilha de Angkor Wat, no governo de Jayavarman VII, a corte foi transferida para o centro de Angkor Thom, local mais guarnecido, devido as muralhas, pois é preciso lembrar que a cidade de Angkor não dispunha de fortificações, e tal condição contribuiu para a capital ter sido facilmente conquistada.

“A cidade de Jayavarman VII, Angkor Thom, é delimitada por um formidável fosso de quatro quilômetros de lado e 100 metros de de largo, protegido por uma sólida muralha de pedra. Duas grandes avenidas, de eixo leste-oeste e norte-sul, dividem a cidade em quatro bairros e terminam em quatro portas monumentais. Uma quinta porta, do lado leste, chamada Porta das Vitórias, permite acesso direto à Grande Praça de Angkor Thom”. (AZIZ, 1978, p. 186).

Mapa da cidade de Angkor, com seus principais monumentos.

“A primeira realização de Jayavarman VII é um templo-cidade situado a sudoeste do baray oriental: o complexo de Ta Prohm. Construído em 1186 para abrigar a imagem e o culto funerário da rainha-mãe, Ta Prhom, segundo a inscrição de uma estela traduzida por Geroges Coedès, era ao mesmo tempo um templo, um mosteiro e uma cidade”. (AZIZ, 1978, p. 183).

Ruínas do templo do Ta Prhom. Conhecidas pelas raízes da árvore que cresceu sobre o telhado do templo.

“O rei fortifica os muros da cidade, que constituem assim verdadeiras defesas. No meio da urbe, ergue-se o monumental templo-montanha do Bayon, com suas 54 colossais torres com caras, orientadas para os quatro pontos cardeais. Em torno do Bayon, grandes terraços esculpidos, chamados de Terraços Reais, conduzem a outros templos ou mosteiros budistas dedicados à memória dos parentes do rei. Inumeráveis, esses templos ocupam a menor parcela de terreno ainda livre em Angkor: citemos Naak Pean, Preak Khan, Banteay Srei, Ta Prhom, construído em 1186 e dedicado à mãe do rei. Preah Khan, ao norte de Angkor Thom, é datado de 1191 e consagrado ao culto póstumo de seu pai”. (AZIZ, 1978, p. 99).

“No meio da capital Angkor Thom, ergue-se o templo-montanha de Jayavarman VII, o Bayon. Essa construção, extraordinária por sua riqueza em símbolos, se situa num estilo “antípoda” da clareza e legibilidade de Angkor Vat. Aliás suas complicadas estruturas revelam que o edifício sofreu repetidos remanejamentos numerosos retoques que vêm modificar o plano inicial”. (AZIZ, 1978, p. 188-189).

Foto das ruínas do templo do Bayon.

“O recinto é formado de uma galeria de duplo pórtico aberto para o exterior, de 140 po 130 metros. O muro interior dessa galeria é todo recopberto de baixos-relevos. Oss assuntos rperesentados vão desde cenas de batalhas contra os Chams até as cenas, mais numerosas, da vida do dia-a-dia no Camboja do século XIII. Assim, ao contrário do afresco a um tempo oficial e convencional de Angkor Vat, os baixos-relevos do Bayon revelam uma arte popular, espontânea e realista”. (AZIZ, 1978, p. 189).

Mural em baixo-relevo no Bayon, retratando uma batalha naval entre os khmer contra os champs.

O rei Jayavarman VII era budista, e embora não tenha sido o primeiro monarca a decretar publicamente como sendo budista, mas foi em seu reinado, que o budismo se tornou religião oficial do Estado.

“No santuário central do Bayon, a estátua do rei é venerada não sob a forma de Civa ou de Vishnu, mas sob os traços de um Buda-Rei. Esse avatar de Buda patenteia que, não obstante suas convicções budistas, o rei não renega as antigas crenças e os rituais hinduístas que legitimavam até então a realeza angkoriana. Sob a influência de Jayavarman VII, o culto secular do deus-rei se transforma e se adapta ao espírito secular do budismo”. (AZIZ, 1978, p. 99).

As torres com rostos no Bayon.

“Jayavarman VII realiza no decurso dos 40 anos de seu reinado uma obra considerável, e não somente nos mosteiros, nos hospitais, nas instituições sociais que se multiplicaram. Estradas ligando a capital aos principais centro provinciais, num país mais extenso do que nunca, foram construídas, o sistema de irrigação foi aperfeiçoado com a escavação dos dois novos barays ao norte de Angkor”. (AZIZ, 1978, p. 103).

O Império Khmer entre os séculos XII e XIII, quando atingiu sua máxima extensão territorial.

Angkor Wat:

Para encerrar o texto, falarei um pouco mais sobre o templo de Angkor Wat, por este ser o monumento mais conhecido dessa grande cidade medieval cambojana.

Estima-se que a construção de Angkor Wat tenha durado 28 anos, tendo se iniciado em 1122 e terminado em 1150, mas alguns historiadores apontam datas anteriores, sugerindo que o templo teria sido concluído em 1144 ou 1145. De qualquer forma sua construção foi um processo bastante demorado. Antes da criaçção do Bayon, Angkor Wat era o maior templo que seria construído, um projeto que necessitou de grande quantidade de recursos e de mão de obra. Além disso, havia outro problema: a cidade estava abarrotada de construções, então o rei Suryavarman II decidiu construir seu novo templo nas redondezas da cidade, para isso, ele escolheu uma áre a sudeste dessa.

“No interior de um retângulo de 1.500 por 1.300 metros, dedução feita do fosso do templo, de 200 metros de largura, a área disponível é de um quilômetro quadrado, ou seja, de um milhão de metros quadrados. O conjunto das construções reservadas ao culto não ocupa mais de 100 mil metros quadrados. As superfícieses restantes, isto é, as quatro quadras de terreno delimitadas pelas duas grandes vias axiais, teriam uma finalidade particular? A maioria dos historiadores supõe que, no século XII, o conjunto de Angkor Vat formava uma verdadeira cidade. Os altos dignatários de Suryavarman II, os funcionários, os sacerdotes, os servidores do templo tinham ali suas habitações, construídas de materiais leves. A superfície habitável de Angkor Vat devia conter uns 20 mil habitantes. O próprio Rei Suryavarman II decerto tinha ali seu palácio”. (AZIZ, 1978, p. 164).

Vista áerea de Angkor Wat. Hoje apenas o templo e seu complexo perduram de pé. As demais construções em volta, foram encobertas pela floresta.

“O dique de 200 metros, depois a via axial de 350 metros forma assim uma longa perspectiva que é preciso percorrer para chegar ao templo. Angkor Vat, com seus três andares percorridos por galerias, realiza a síntese da duas fórmulas do templo-montanha khmer: pirâmide e o templo plano. Nos templos com pirâmide, o santuário se ergue no último andar de uma pirâmide de degraus, que sinmboliza os níveis hierárquicos da cidade divina”. (AZIZ, 1978, P. 167).

O complexo do templo é cercado por um muro de laterita, medindo cinco metros de altura, e possuíndo pórticos com 235 metros de comprimento. O templo central, chamado de Bakan possui três níveis, e se encontra sobre uma plataforma quadrangular de 258×352 metros, que representa o primeiro nível. A cada 50 metros há uma escadaria. Em torno do Bakan, se encontram galerias que o cercam, que consistem numa muralha interna. Em tais galerias se encontram esculturas em baixo-relevo, possuíndo dezenas de metros de comprimento; de fato, tudo no templo foi projetado para ser grandioso. Os painéis em baixo-relevo são bastante extensos e retratam cenas reais como caçadas, batalhas e uma procissão na qual o rei Suryavarman II foi retratado. Nos temas mitológicas, estão representadas batalhas divinas, cenas dos poemas Ramayama e Mahabharata (obras bastante importantes na Índia) e uma representação dos céus e infernos da religião hindu.

Friso em baixo-relevo, representando o rei Suryavarman II diante de seus súditos. Acredita-se que tal friso foi esculpido após a morte do rei e tenha sido alterado nos séculos seguintesm recebendo retoques e acréscimos. Consiste num vasto painel de quase cem metros de comprimento.

“O segundo andar, com 10 metros de altura, é igualmente circundado por uma glaeria pontilhada de torres nos cantos e fechada para o exterior e totalmente despojada de esculturas. Parece que o segundo andar só era acessível aos sacerdotes que se tinham retirado do mundo exterior. Esse segundo recinto de 100 por 45 metros contém o enorme embasamento de 13 metros de altura, 60 metros de largura, sobre o qual se eleva o xadrez das torres”. (AZIZ, 1978, p. 170).

Duas das cinco torres do Bakan.

“O terceiro andar do templo-montanha era acessível ao rei e aos grandes sacerdotes somente, pois é em sua torre central que se celebrava o culto da divindade suprema. Essa torre é ligada às torres dos cantos e às galerias exteriores por galerias sobre pilares, formando assim uma espécie de claustro de quatro pátios. Essa construção de pedra, apesar da imponente massa do embasamento, se eleva num único arremesso até o céu”. (AZIZ, 1978, p. 170).

Foto de um dos pátios internos do Bakan.

Angkor Vat é, a um tempo, harmonia nas linhas gerais e minúcia nos mínimos pormenores, sobretudo na decoração. Pilastras, plintos, painéis: cada centímetro quadrado de pedra é, ou decorado, ou esculpido. O resultado é estupefaciente: quilômetros quarados de cinzelamento em motivos florais ou folhagens, quilômetros de molduras esculpidas sobre os degraus que debruam o grande fosso, 10 mil pináculos de pedra reunidos no rendilhado que coroa as cinco torres, 2000 apsaras (dançarinas) de tamanho natural, cada uma diferente da outra, ou ainda o grande painel de baixos-relevos, que cobre todo o muro interno da galeira do primeiro andar”. (AZIZ, 1978, p. 172).

Esculturas de apsaras em alto-relevo. As apsaras eram mulheres que segundo a mitologia hindu, habitavam os reinos celestes, nos quais viviam os deuses.
Um último ponto a mencionar sobre Angkor Wat, local que serviu de complexo sagrado e palaciano, teria sido também local do túmulo do rei Suryavarman II e talvez de outros nobres.
“Existem, contudo, indícios vários, inexistentes em qualquer outro templo, que fariam atribuir ao edifício um caráter funerário. Temos, logo de início, a orientação para o oeste, direção dos mortos por excelência, ao passo que todos os demais templos khmers se abrem para o sol nascente. Por outro lado, a leitura dos baixos-relevos, entre os quais figura uma cena de julgamento dos mortos, se faz no sentido dos cortejos fúnebres, isto é, com o monumento à esquerda. Finalmente, escavações revelaram a existência de um poço que desce até o nível do solo e no qual foram descobertos depósitos de alicerces, sob a forma de discos de ouro”. (AZIZ, 1978, p. 180).
A tese de que Angkor Wat também seria um monumento fúnebre, hoje em dia é bem mais aceita, embora ela date dos anos 30, tendo começado com os estudos do arqueólogo Jean Pzryluski e de Georges Coedès. Os restos mortais de Suryavarman II nunca foram encontrados, talvez esteja enterrado em alguma câmara secreta abaixo de Angkor Wat, ou talvez seu corpo tenha sido cremado. Não obstante, o templo não apenas serviu como local de culto aos deuses, mas também de culto ao rei, algo comum da cultura khmer, mas também serviu como monumento de lembraça a vida, reinado e feitos de Suryavarman II. Local este, onde as pessoas continuariam a visitar e prestar suas homenagens e oferendas ao deus-rei.
Considerações finais:
Após a morte de Jarayavarman VII em 1219, o império começou a declinar lentamente. E tal declínio foi acentuado no século XIV, com a invasão dosTais, que em contínuas ondas de ataques, saques e destruição foi subtraindo dos khmer seus territórios. Em 1353, o rei dos Tais, Ramadhipati, invadiu Angkor Thom, e torna a cidade capital de uma das suas províncias. Os tais passam a governar em Angkor por alguns anos até serem repelidos pelos khmers, os quais conseguiram recobrar o controle da capital.No ano de 1431, o rei do Sião, Paramaraja II conquista Angkor e expulsando a família real khmer. Os khmer não conseguiriam reconquistar a capital, então viajam para o sul e fundam uma nova capital, chamada Phnom Penh. Desse ponto em diante, Angkor deixou de ser a capital Khmer, e gradativamente foi sendo abandonada pelos siameses. Um século depois, Angkor estava completamente engolida pela selva.Graças as reformas realizadas ao longo do século XX, a cidade de Angkor hoje pode ser visitada, e isso foi facilitado com a construção do aeroporto internacional de Siem Reap, o qual fica próximo a antiga cidade. Não obstante, a UNESCO em 1992 decretou a cidade como Patrimônio da Humanidade, uma das mais preciosas relíquias arquitetônicas, arqueológicas e históricas do Camboja. A cidade hoje em dia, consiste num grande sítio arqueológico e ponto turístico, no entanto, alguns monges budistas moram na região, legado, da influência budista desenvolvida no século XIII. Existe também povoações de pescadores e pequenos agricultores vivendo nas redondezas dos barays.
NOTA: O nome Camboja vem de Kambuja, antigo gentílico usado pelos cambojanos. Por sua vez tal gentílico é uma referência ao mítico fundador desse povo, o indiano Kambu Svayambhuva, rei dos Arya Deça. Segundo o mito, após perder sua amada esposa Mera, a qual teria sido criada pessoalmente pelo deus Shiva, Kambu, desolado, renunciou ao trono e vagou pelo sudeste asiático em desamparo, até chegar a região do que hoje é o centro do Camboja. Lá ele encontrou uma grande caverna que era habitada por Nagas (serpentes místicas que poderiam assumir a forma humana). Kambu posteriormente é recebido pelo rei daqueles Nagas, então acaba se casando com uma das princesas, da sua união teve origem o povo dos kambujas.
NOTA 2: Existem algumas lendas que falam sobre a criação da cidade de Angkor. Uma delas, diz que o príncipe Preah Ket Mealea, filho de Indra, um dia visitou o palácio celeste de seu pai, e ficou fascinado com tais construções. O príncipe pediu ao seu pai que este empresta-se um de seus arquitetos; Indra escolheu Pisnukar, o qual teria projetado a cidade de Angkor. Essa lenda é conhecida como a lenda do “Arquiteto celestial”. Outra lenda, diz que foi um rei celeste chamado Pra-Enn quem teria construído a cidade; uma terceira lenda, refere-se a um “rei leproso”, e um quarta lenda, diz que foram gigantes que ergueram a cidade de pedra.
Referências Bibliográficas:
AZIZ, Philippe. Angkor e as civilizações birmanesa e tai. Tradução de Albertino Pinheiro Júnior. Rio de Janeiro, Otto Pierre Editores, 1978.


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