Álvaro Palmeira

Álvaro Palmeira

Nascido a 18 de julho de 1889, e falecido em 1992, Álvaro Palmeira foi médico, professor e diretor de Faculdade de Medicina. Foi iniciado maçom através da Loja “Fraternidade Espanhola”, do Rio de Janeiro, a 9 de dezembro de 1920, e teve, portanto, quase 72 (setenta e dois) anos de atividade maçônica, durante os quais exerceu grande influência sobre a Maçonaria brasileira, colecionando, graças à sua atividade, amigos incondicionais e adversários irreconciliáveis, o que é próprio dos homens com luz própria, que incomodam os medíocres.

Palmeira exerceu, praticamente, todos os altos cargos do Grande Oriente do Brasil: conselheiro, deputado à Soberana Assembléia Federal Legislativa, Grão-Mestre Adjunto e Grão-Mestre. Foi eleito Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil, em 1942, quando Joaquim Rodrigues Neves — que já vinha exercendo, interinamente, o Grão-Mestrado — foi eleito Grão-Mestre. No início de 1944, Rodrigues Neves teve que enfrentar a ameaça de uma nova dissidência, liderada por Octaviano Bastos e Alexandre Brasil de Araújo, culminando por suspender, por dois anos, os direitos maçônicos de todos os participantes do movimento, através do Ato nº. 1.842, atendendo a uma resolução do Conselho Geral, de 22 de março de 1944. E complementou a ação, a 25 e 30 de março, com a suspensão de Dilermando de Assis (Ato nº. 1.843) e do Grão-Mestre Adjunto, Álvaro Palmeira (Ato Nº. 1.845), suspeitos de integrar o movimento, por discordância da atuação do Grão-Mestre. Mas, a 18 de maio de 1945, sob a liderança de Palmeira e Octaviano, era fundada a Grande Loja do Brasil, que teria vida curta.

A 13 de março de 1948, então, era criado o Grande Oriente Unido, do qual, além de Palmeira, faziam parte José Benedito de Oliveira Bomfim, Osmane Vieira de Resende e Moacyr Arbex Dinamarco, que, posteriormente, estariam à frente dos destinos do Grande Oriente do Brasil. No início de 1950, a quase falida Grande Loja do Brasil era absorvida pelo Grande Oriente Unido. Esta dissidência duraria até 1956, quando Palmeira era o seu Grão-Mestre. A 22 de dezembro desse ano, pelo decreto nº. 1.767, era aprovado o Convênio para incorporação e reincorporação, ao Grande Oriente do Brasil, das Lojas do Grande Oriente Unido, com base no tratado ajustado a 27 de fevereiro de 1954, que havia sido acertado entre o Grão-Mestre do GOB, almirante Benjamin Sodré, e Leonel José Soares. Esse Convênio foi assinado no mesmo dia 22 de dezembro, pelo então Grão-Mestre, Ciro Werneck de Sousa e Silva, e pelo Grande Secretário, Antônio Astorga, representando o GOB, e pelo Grão-Mestre Álvaro Palmeira e pelo Grande Secretário Abelardo Albuquerque, representando o Grande Oriente Unido.

Retornando ao Grande Oriente do Brasil, Palmeira, por sua incontestável capacidade de liderança, tornou-se um nome proeminente e quase oracular na Obediência. Graças a isso, em 1963, era eleito Grão-Mestre Geral, tendo, como Adjunto, Erasmo Martins Pedro, para um mandato de cinco anos. Na alta administração, chamados a colaborar com o Grão-Mestre, estavam nomes como Antônio Tarcílio de Arruda Proença, Tito Áscoli de Oliva Maia, Severo Coelho de Sousa, Moacyr Arbex Dinamarco, Osmane Vieira de Resende, Cândido Ferreira de Almeida, José Eduardo de Abreu, Paulo Maia Lucas, Abelardo Almeida Albuquerque, Ariovaldo Vulcano, Djalma Santos Moreira, Lysis Brandão da Rocha, Rudolf Wensche e Oscar Argollo. Muitos eram remanescentes do Grande Oriente Unido, destacando-se: Tarcílio Proença, como 1º. Grande Vigilante, Dinamarco, como Grande Secretário de Administração, e Osmane, como Grande Secretário da Guarda dos Selos.

Em sua administração, agitada, em seu início, pelo golpe de 1964, Palmeira tratou da construção do prédio em terreno do GOB, no bairro de Fátima, da construção do palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, do início da construção no terreno do GOB, em Brasília, e da questão da desapropriação do Palácio do Lavradio, para a remodelação urbana do Rio de Janeiro. Em relação ao Lavradio, ele comunicava, em seu relatório anual de 1965, que o governador do Estado já havia dado ordem para que o prédio fosse resguardado da demolição. Em relação a Brasília, comunicava que uma parte do plano de construção, à avenida W-5, estava realizada e, nela, as Lojas funcionavam.

Em sua gestão, também foi criada a Editora Maçônica do GOB, através do Ato nº. 2.761, de 12 de julho de 1965. A 22 de novembro de 1966, pelo Ato 2.809, era inaugurado o escotismo no GOB e criado o Departamento Escoteiro. A 12 de outubro de 1967, o Ato nº. 2.841, criava o Grêmio de Radioamadores do Grande Oriente do Brasil. E, a 10 de outubro, nos termos do art. 132 da nova Constituição do GOB (promulgada a 21 de abril), era criado o Superior Tribunal Eleitoral.

A 28 de janeiro de 1968, Dinamarco era eleito Grão-Mestre, derrotando o candidato oficial, Célio Cordeiro. Mas, antes de entregar o primeiro malhete da Obediência ao seu sucessor, Palmeira, a 19 de março de 1968, pelo Decreto nº. 2.080, renovava, em seus objetivos, o Ato nº. 1.617, de 3 de agosto de 1940, como o marco inicial do Rito Brasileiro, constituindo, então, uma comissão especial, composta de 15 obreiros, para rever a Constituição do rito, publicada pelo GOB em 1940. A Comissão, que iria constituir o núcleo inicial do Supremo Conclave, era composta dos seguintes nomes: almirante Benjamin Sodré, deputado Erasmo Martins Pedro, general Tito Áscoli de Oliva Maia, Admar Flores, Alberto Alves Sarda, Álvaro de Melo Alves Filho, Ardvaldo Ramos, Cândido Ferreira de Almeida, Edgard Antunes de Alencar, Humberto Chaves, Jorge de Bittencourt, Jurandyr Pires Ferreira, Norberto dos Santos e Oscar Argollo. O decreto estabelecia, também, que o Grão-Mestre — Palmeira — por ser o remanescente do adormecido Conclave de 1940, seria o assessor da Comissão.

Ainda na gestão de Palmeira, a 11 de junho de 1968, pelo decreto nº. 2.085, era permitido, aos Mestres eleitos para o Veneralato de Loja, o uso da sigla M.: I.. — Mestre Instalado — ao mesmo tempo em que era editado o ritual de Instalação, que é próprio do Rito de York e que foi enxertado nos outros ritos, graças a essa iniciativa, pois isso não existia no GOB, até essa data. E na sessão do Ilustre Conselho Federal, realizada em maio de 1968, pouco antes do término de seu mandato, Palmeira exibiu a nova planta da cidade do Rio de Janeiro, resguardando o Palácio Maçônico do Lavradio. Conforme consta da ata, “todas as plantas anteriores da cidade traziam consigo a demolição do Palácio Maçônico, mas a atual resguarda, até final decisão, nossa Sede venerável”. O tombamento do Lavradio, resguardando a sede do GOB, ocorreu na gestão seguinte, de Dinamarco. Mas as gestões para a sua preservação começaram com Palmeira, queira ou não queiram os seus medíocres e raivosos adversários.

Se tivermos que enumerar os dez maiores Maçons desse Século, o Irmão Álvaro Palmeira estaria entre eles; se tivermos que enumerar cinco Irmãos, também estaria entre eles e se tivermos que enumerar três Irmãos, o Irmão Álvaro Palmeira estaria entre eles.

O Irmão Álvaro Palmeira nasceu em 18 de Julho de 1899, no oriente do Rio de Janeiro.

Foi iniciado em 17 de Dezembro de 1920, na Loja Fraternidade Espanhola (Rito Francês) no oriente do Rio de Janeiro, sua iniciação estava marcado para o dia 09 de Dezembro, mais devido a grande presença de Irmãos, foi adiada para o dia 17 de Dezembro.

A seguir um texto escrito pelo ex. Grão Mestre do Estado do Rio de Janeiro, Irmão José Coelho, que foi amigo e Irmão por mais de 50 anos de Álvaro Palmeira:
“Á lvaro Palmeira foi um fenômeno dentro da nossa Ordem. Ainda jovem, ele assistia a uma palestra de um conferencista espanhol no Templo Nobre do Palácio Maçônico da rua do Lavradio. À certa altura ele não concordou com a opinião do ilustre Orador na abordagem de um problema social em nível Internacional. Apesar de baixinho e franzino, se transformou num gigante ao ficar de pé em cima de um banco, enquanto sua voz ecoava forte no ambiente: Eu Protesto! E apresentou argumentos convincentes de sua discordância. Sua atitude impressionou a todos, tanto foi que à saída vários dos Irmãos presentes o acompanharam e pediram a preferência dele para ingressar nas suas Lojas. Ele optou pela Fraternidade Espanhola do Rito Moderno, e nela ingressou aos 21 anos de idade. Logo de inicio teve uma atuação brilhante, sempre voltada para as questões sociais. culto, inteligente e ativo, chegou a ser confundido como admirador do comunismo, coisa que ele nunca foi.

Na sua vida de grandes feitos, ele exerceu várias atividades com seriedade, foi Jornalista, Médico e Professor, chegando a ser diretor da Escola Técnica Visconde de Mauá, em Marechal Hermes onde desenvolveu um trabalho gigantesco. Mas foi como nosso Irmão que Álvaro Palmeira se destacou em sua brilhante trajetória de 72 anos de vida maçônica, culminando com o mandato de Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil. E seus pronunciamentos neste posto são verdadeiras projeções do futuro, a exemplo de quando prevê que a Humanidade precisará da Maçonaria na entrada do 3º Milênio”.

No Rito Francês colou até o ultimo grau previsto neste Rito, em 1934, foi eleito membro efetivo do Grande Capítulo do Rito Francês.

Em 1935, é eleito Grande Orador da Poderosa Assembléia Federal Legislativa e, também neste ano, é o relator do Tratado de Reconhecimento, firmado entre o Grande Oriente do Brasil e a Grande Loja Unida da Inglaterra.

Em 1937, toma posse como Membro Efetivo do Supremo Conselho do Rito Escocês, neste mesmo ano, toma posse como Membro Efetivo do Conselho Geral do Grande Oriente do Brasil.
Em 1940, Institui o Conselho de Veneráveis e Comissão Orientadora da Doutrina Maçônica.

Neste ano de 1940, o então Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil Joaquim Rodrigues Neves assina o Ato n.º 1617, em 3 de Agosto, nomeando uma Comissão para o Reerguimento do Rito Brasileiro, entre os membros dessa Comissão estava os Irmãos Álvaro Palmeira e Otaviano de Menezes Bastos. Na realidade foram esses dois Irmãos, os grandes mentores dessa tentativa de reerguimento do Rito Brasileiro, o Grão Mestre Joaquim Rodrigues Neves, foi induzido a editar este Ato.

Em 1941, é constituído o Supremo Conclave do Rito Brasileiro, tendo o Irmão Otaviano de Menezes Bastos empossado como Grande Principal (hoje Grande Primaz) e o irmão Álvaro Palmeira, como Grande Propagador (hoje Grande Regente).

Em 1942, o Irmão Álvaro Palmeira é eleito Grão Mestre Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil e o Irmão Joaquim Rodrigues Neves, como Grão Mestre Geral.
Em 1943, o Irmão Álvaro Palmeira é empossado presidente da Poderosa Assembléia Legislativa Federal do Grande Oriente do Brasil.
Em 1945, por desavenças com o Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil. o Álvaro Palmeira e Otaviano de Menezes Bastos, saem do Grande Oriente do Brasil e, fundam, no dia 18 de Maio de 1945, uma nova Potência Maçônica, chamada Grande Loja do Brasil.
A 13 de Março de 1948, o Irmão Álvaro Palmeira, funda outra potência Maçônica, o Grande Oriente Unido.
No inicio de 1950, a quase falida Grande Loja do Brasil era absolvida pelo Grande Oriente Unido.

Em 27 de Fevereiro de 1954, o Irmão Álvaro Palmeira na qualidade de Grão Mestre do Grande Oriente Unido, assina, com o Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil Almirante Benjamim Sodré, um tratado de regresso ao Grande Oriente do Brasil.

O regresso do Irmão Álvaro Palmeira se consumou em 22 de Dezembro de 1956, pelo decreto n.º 1767, que aprovou o Convênio para incorporação e reincorporação ao GOB das Lojas do Grande Oriente Unido, com base no tratado assinado entre o Irmão Álvaro Palmeira e o Irmão Almirante Benjamim Sodré, em 1954. O Ato n.º 1767, foi assinado pelo Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil Ciro Werneck de Souza e Silva e pelo Grão Mestre do Grande Oriente Unido Álvaro Palmeira.

Retornando ao Grande Oriente do Brasil, Álvaro Palmeira, por sua incontestável capacidade de liderança, tornou-se um nome proeminente e quase oracular na Obediência.

Em 29 de Junho de 1962, é eleito e toma posse como Presidente da Assembléia Legislativa Federal do Grande Oriente do Brasil, tornando-se assim o primeiro presidente eleito a dirigi-la, antes, quem precedia a Assembléia, era o Grão Mestre Geral Adjunto; é o relator na revisão da Constituição Federal do Grande Oriente do Brasil deste mesmo ano.

Ainda em 1962, funda o Boletim Informativo do Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e Aceito, passa a ser Editor e Diretor Responsável, até então, o Rito Escocês, não possuía um Boletim Informativo; permaneceu nesses cargos, até o numero 7, em Dezembro de 1963, se retira da função, por ter sido eleito e empossado Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil.

Em 1963, como candidato único, é eleito e empossado Grão Mestre Geral do GOB, sucedendo o Irmão Ciro Werneck de Souza e Silva, para o mandato de 1963/1968, sete anos após o seu regresso ao GOB.

Em setembro de 1963, após sua posse como Grão Mestre Geral, o Irmão Álvaro Palmeira, vem ao estado de Mato Grosso do Sul, para visitar as Lojas do oriente de Corumbá, e numa breve parada no oriente de Campo Grande, reúne-se com Irmãos desejosos em fundar uma Loja Simbólica em Campo Grande, haja visto que naquele tempo não havia nenhuma Loja Simbólica do Grande Oriente do Brasil em Campo Grande, o Irmão Álvaro Palmeira autorizasse Irmãos a fundarem essa tão desejada Loja e, em 01 de Maio de 1965, é fundada a Loja Simbólica União Fraternidade VI, hoje essa Loja esta federada a COMAB (Grande Oriente Independente).

Em sua Administração, agitada, em seu inicio, pelo golpe de estado de 1964, Álvaro Palmeira tratou da construção do prédio em terreno do GOB no bairro de Fátima no Rio de Janeiro; da construção do Palácio Tiradentes em Belo Horizonte; do inicio da construção das instalações do GOB em Brasília; do tombamento do Palácio do Lavradio, como patrimônio Histórico da cidade do Rio de Janeiro, que se concretizou no final de seu mandado, em 1968, o Palácio do Lavradio estava ameaçado de demolição, graças ao trabalho de Álvaro Palmeira isso foi evitado.

Em sua gestão, foram criados:

· A Editora Maçônica do GOB, através do Ato n.º 2761, de 12 de Julho de 1965.
· Inaugurou, o Escotismo no GOB, em 22 de Novembro de 1966, pelo Ato n.º 2809.
· Grêmio de Radioamadores do GOB, pelo Ato n.º 2841, em 12 de Outubro de 1967.
· Em 21 de Abril de 1967, é criado o Superior Tribunal Eleitoral.

Após a reunião do Ilustre Conselho Geral do Grande Oriente do Brasil, em Março de 1968, que aprovou por unanimidade a reimplantação do Rito Brasileiro, o Irmão Álvaro Palmeira, disse que estava dando inicio ao ressurgimento do Rito Brasileiro, com uma nova estrutura, conciliando a “Tradição com a Evolução”.

Disse, que o Rito Brasileiro seria um Rito Perene (existir para sempre; eterno), estava assim cumprindo o que dissera em 1967, após ter perdido a eleição para Soberano Grande Comendador do Rito Escocês.

Em 19 de Março de 1968, o Irmão Álvaro Palmeira dá inicio ao ressurgimento do Rito Brasileiro, assinando nesta data, o Ato n.º 2080, renovando o Ato n.º 1617 de 03 de Agosto de 1940, nomeando uma Comissão Especial, composta de 15 Irmãos para reconstituir o Supremo Conclave, e uma nova Constituição, o Irmão Álvaro Palmeira por ser remanescente do Conclave de 1940, seria assessor da Comissão.

Disse também, que estava concretizando o desejo da fundação de um Rito Nacional, feito em 1864 pelo Irmão Miguel Antônio Dias, o que Álvaro Palmeira chamou: “O Apelo de Um Século”, ver: “História do Rito”.

Os frutos começaram a aparecer em 25 de Abril, com a aprovação da nova Constituição, novos Rituais e a fundação do Soberano Supremo Conclave do Brasil para o Rito Brasileiro, que passou a ter nova denominação: Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos, com uma estrutura de 33 graus.

Na realidade, os Rituais do grau 01 ao 32, foram escritos pelo Irmão Álvaro Palmeira.
Em três meses o irmão Álvaro Palmeira, cumpria o prometido, o reerguimento do Rito Brasileiro em toda sua estrutura:
· Lojas Simbólicas.
· Rituais editados de todos os graus.
· Constituição, Estatuto e Regimento do Rito Brasileiro.
· Formação da Oficina Chefe do Rito Brasileiro: Soberano Supremo Conclave.
· Assinatura do Tratado de Amizade e Aliança Maçônica com o Grande Oriente do Brasil.

Á lvaro Palmeira realizou inúmeros Manifestos, Seminários e Atos em pró do Grande Oriente do Brasil e da Maçonaria Brasileiro, que se fosse todos aqui enumerado daria para escrever um Livro.

No dia 24 de Junho de 1968 o Irmão Álvaro Palmeira, entrega o Grão Mestrado ao seu sucessor eleito Grão Mestre Geral Irmão Moacyr Arbex Dinamarco.

Após entregar o Grão Mestrado ao seu sucessor, o Irmão Álvaro Palmeira, passa a se dedicar exclusiva-mente ao Rito Brasileiro.

Poderia ser Soberano Grande Primaz do Rito, mas por sua vontade, assumiu o cargo de Grande Instrutor do Rito, cargo que ocuparia até a sua passagem para o Oriente Eterno.

O Rito Brasileiro passou a se expandir, sendo fundadas Lojas Simbólicas e Oficinas Litúrgicas.

Em 1973, quando da cisão do GOB, com o surgimento dos Grandes Orientes Independentes, o Irmão Álvaro Palmeira, manteve-se fiel, como também as Lojas do Rito Brasileiro, ao Grande Oriente do Brasil.

Foi Fundador e Editor do Jornal “O Semeador”, veiculo de divulgação do Rito Brasileiro, da primeira até a vigésima nona edição.

Escreveu e Editou os Documentos do Rito, até o seu numero 48, que passaram a ser um dos Arcanos do Rito, esses Documentos eram textos e manifestos escritos sobre o Rito Brasileiro.

Em 1983, com 84 anos de vida, escreve, talvez o único livro escrito pelo Irmão, com o titulo:
” Uma Caminhada no Tempo”.
O Irmão Álvaro Palmeira recebeu do Grande Oriente do Brasil, todos os Títulos de Recompensas previstos na Constituição, pelos seus serviços prestados a Ordem:
· Benemérito da Ordem.
· Grande Benemérito da Ordem.
· Comenda de D. Pedro I.
· Estrela da Distinção Maçônica.
· Cruz da Perfeição Maçônica.
· Grão Mestre Geral Honorário.
· Soberano Grande Primaz Honorário do Rito Brasileiro.

Na sua vida profana, recebeu inúmeras homenagens de Sociedades Civis Constituída, entre elas da Centenária Benemérita Sociedade Brasileira de Geografia, o titulo de “Mestre em Brasilidade”, em 24 de Maio de 1971, onde fez um discurso de agradecimentos, que é uma Obra Prima de Civismo.

Alem da vida Maçônica, o Irmão Álvaro Palmeira, também teve uma intensa vida profana, foi Jornalista e Editor dos seguintes Jornais:
· “A Colmeia”.
· “O Imparcial”.
· “A Voz do Povo”.
· Revistas: “O Ensino” e “A Pátria”.

Foi professor e diretor da “Escola Visconde de Maúa” e da “Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro”, faculdade, onde se formou Medico, gostava de ser chamado de “PROFESSOR”.

Na vida política, foi Vereador da Cidade do Rio de Janeiro, em 1934, tentou novamente ser vereador em 1947, mais não é eleito e assim abandona a vida política.
A seguir texto de um Editorial escrito pelo Soberano Grão Mestre Geral do GOB, Irmão Francisco Murilo Pinto, na comemoração de 100 anos de nascimento do Irmão Álvaro Palmeira:

· “Álvaro Palmeira pregou a renovação da Maçonaria, amparada por dois principais suportes: a Tradição e a Evolução. Aspirava uma Maçonaria militante e preocupada com “todos os grandes problemas nacionais e universais com implicações ou conseqüências no futuro da Pátria e da Humanidade”. O trecho prospectivo que abre este editorial foi produzido por ele no ano de 1971, e mostra um cenário cujos traços cada vez mais se avivam no mundo de hoje”.

· “E não só desejava e não só labutava como depositava fé ardente num glorioso futuro para a nobre Instituição à altura de suas gloriosas tradições. Homem como Álvaro Palmeira foi grande e inolvidável (inesquecível) coluna que o século dezenove e generosamente ofertou à centúria em extinção, é lembrado nesta passagem de tempo como paladino de progresso e do fortalecimento da Ordem”.

· “O que mais impressiona no pensamento de Álvaro Palmeira, entretanto, é sua visão de futuro, e dentro dessa vi-são, o papel que estava reservado à Maçonaria no jogo das forças operantes do próximo século, onde ele deve prevalecer pelo seu inquestionável valor moral, fonte aglutinadora de idéias e de inteligências que se desejem opor, e que certamente se oporão, à onda avassaladora de materialismo, de intolerância e de desinteresse pelo destino dos fracos que ameaça, hoje e amanhã a pobre humanidade”.

· “Para formação de seu conceito de Maçonaria Renovada, Álvaro Palmeira observou a presença, na História das culturas latinas, de valorosos Maçons, mártires e heróis, que exerceram grande liderança, até na criação de nacionalidades, sempre, porém, desvinculados da tradição maçônica, expressa nos Rituais. Defendia que é indispensável à Maçonaria adaptar-se aos novos tempos, não para a eles submeter-se, mas para dentro deles surgir e atuar, em lugar decisivo, passando de objeto a sujeito da História”.

· “E a esta altura do processo mundial, a quem restará duvida sobre a necessidade premente de um fator que ponha ordem no caos moral e espiritual e, de alguma forma, consiga frear no mundo a corrida do egoísmo, do ódio e da insensibilidade? Álvaro Palmeira, otimista, embora angustiado, tinha na memória as palavras bíblicas: “E sairá uma fonte da Casa do Senhor e regará a vala das acácias” (Joel 4,18)”.

· “Por isso, pôde formular este venturoso pensamento: “Só a Maçonaria Renovada pode enviar à Humanidade do Ano 2000 – que são os nossos filhos de hoje – a mensagem de que ele necessita: o Compromisso de que propugnará quando lhe caiba, para a instauração de um mundo de Justiça, Liberdade e Paz, sob o inalienável primado do Espírito” (1971)”.
A seguir um texto escrito pelo Irmão Fernando de Faria, Grande Secretário Geral de Orientação Ritualística Adjunto para o Rito Brasileiro, escrito na comemoração de 100 anos de nascimento de Álvaro Palmeira:

· “Imperceptível prenúncio, tive a primeira noticia do professor Palmeira entre uma aula e outra, em informação coloquial do estimado colega no trabalho da Faculdade de Engenharia, Fundação Souza Marques, 1972, Rio de Janeiro. Ednaldo Coelho, seu nome. Sabendo-me Maçom, embora ele mesmo não fosse dos quadros, falava-me o Coelho, quase todas as noites, do professor Palmeira, membro da fundação, dando-me conta de o velho haver criado um Rito diferente, fato que a um Mestre Maçom noviço, ignorante das coisas da Ordem, parecia imaginativo, senão falso. Que Ignorância”.

· “Só muitos anos depois conheceria pessoalmente o nosso herói e haveria de compreender: de fato Palmeira criara um Rito novo, espantosamente tendo escrito todos os Rituais necessários à prática de um sistema em 33 graus (bem ao gosto brasileiro), sem violar qualquer dos preceitos da ortodoxia universal da Franco-Maçonaria e, o que é melhor, dotando o Rito de um estrutura admirável, diferente e nacional”.

· “Não sei bem que função Palmeira, naquela época já com 73 anos, exercia na Fundação, Colégio e Faculdade. Só sei que ali comparecia com disciplina kantiana todos os dias úteis, deslocando-se de seu apartamento em um fim de rua bucólico junto ao Rio Maracanã, Tijúca, Rio de Janeiro, até o distante subúrbio de Cascadura – cujas belezas, cá entre nós, não posso falar – onde ficava seu escritório. Dizem que Kant era tão pontual que os moradores de Konigsberg acertavam no relógio por sua passagem diária, sempre no mesmo ritmo e trajeto, sem faltas, em direção ao trabalho ou retornando à casa. Um homem extremamente metódico, de pequena estatura e físico frágil – Kant. Palmeira também”.

· “Devo dizer: Palmeira extremamente metódico, organizou pastas e mais pastas, envelopes, tudo devidamente classificado, contendo obra inédita, manuscrita, aquela letra característica dos antigos, obrigados, na escola, à disciplina da caligrafia. Certa vez, quando preparávamos uma edição de O Semeador, jornal que ele fundara para o Rito Brasileiro, tive a ousadia de dizer ao mestre da necessidade de passar a limpo e submeter a um fichário aquele imenso material que vinha acumulando em maços. “Faltam as adendas”, foi a resposta negativa”.
· “Debalde muitos, e de maior prestigio, tentaram convencê-lo da publicação ainda em vida. Debalde alguns ainda falam nestes papeis sumidos do grande público, por certo guardados por mãos ciumentas que não compreendem o significado do que pode ali estar registrado. Uma pena, para todos nós”.

· “Pequena estatura, físico frágil. Mas porte de um líder. A voz. A didática. Os conceitos emitidos por Palmeira. Desculpar-me-ão os mais ilustres: não conheço Maçom Brasileiro que tenha formulado tanto material doutrinário. Sem dúvida ainda carente de interpretação minuciosa, porém capaz de trazer novas e significativas luzes e caminhos à Maçonaria no Brasil. Daí a paixão que Palmeira inspira nos antigos”.

· “E deixou tanta saudade. Como tenho encontrado velhos Maçons (e bota velho nisso), contando da magnificência dos seminários, os templos repletos, pulsando de cultura, de civismo, de moralidade”.

· “Em 1991, 4 de Maio, vi o mestre pela última vez. O Templo Nobre do Lavradio superlotado. Compareceu, nonagenário, por certo o ultimo ato maçônico de sua longa e frutífera carreira. Envergava, com o aprumo de sempre, trajes do grau 33, Rito Escocês Antigo e Aceito. Ocupou o sólio, com destaque. A seu lado o José Coelho, também pessoa de destaque na administração da Souza Marques, Grão Mestre estadual ainda não empossado. Cerimônia matrimonial, e como o Irmão escalado tivesse adoecido, coube a mim (não mais o noviço da Souza Marques) dirigir o Ritual. Um dos poucos Rituais Especiais escritos por Palmeira. Pena que não tive o sentido atento para registrar as palavras exatas, mas estou certo, ele me disse em certo instante: vais bem, é isso mesmo”.

· “A lembrança de Palmeira a tenho assim de modo estritamente pessoal, mítica. Desenvolve-se em sonhos e esperanças, mas dá-me gosto especial pela prática maçônica, anima-me nas jornadas culturais de que ele tanto gostava, impõe-me a renúncia das honrarias, mas não do ideal, reserva-me o direito de imaginar em uma Ordem utópica, os Irmãos agradáveis uns aos outros, compartilhando elevados valores morais, no objetivo comum de sermos felizes e comunicarmos felicidade. Estas são lembranças. Ele mesmo pertence à eternidade”.
Eis as palavras do Soberano Grande Primaz do Rito Brasileiro Irmão Nei Inocencio dos Santos:

· “O Rito Brasileiro teve duas reimplantações sem resultados. E só foi reimplantado com sucesso em 1968, na gestão do Irmão Álvaro Palmeira no Grão Mestrado Geral do Grande Oriente do Brasil”.

· “De 1940 até 1968 não se falava em Rito Brasileiro, o Rito estava completamente adormecido. A Ultima Loja tinha sido fundada em 1954, mas todas as Lojas que vinham sendo fundadas esporadicamente nos Estados não progrediam porque não possuíam Rituais. Por isso na Reimplantação de 1968, não havia nenhuma Loja funcionando. E quando o Irmão Álvaro Palmeira anunciou de gabinete do Palácio do Lavradio que ia reimplantar o Rito Brasileiro, que seria o Rito Escocês Ratificado, ele já tinha preparado pessoalmente todos os Rituais, desde o Grau 4 ao 32, incluindo os três graus simbólicos”.

No aniversario de 90 anos do Irmão Álvaro Palmeira, o Grande Primaz Nei Inocencio dos Santos disse:

· “Deus é muito bom em nos permitir viver vosso exemplo de vida: – longeva, saudável, benfazeja – como as três colunas – Sabedoria, Força e Beleza”.

· “Irmão Álvaro Palmeira , três vezes sábio, como sois ser – Medico, Professor e Mestre Maçom – reimplantador e Soberano Grande Instrutor do Rito Brasileiro, Grão Mestre Honorário do GOB, nesse 18 de julho, só podemos dizer – Parabéns e Obrigado”.

O Irmão Álvaro Palmeira partiu para o Oriente Eterno em 19 de Agosto de 1992, com 93 anos de idade e 72 anos de vida maçônica ininterrupta, deixando o Rito Brasileiro totalmente estruturado, a nível Simbólico e Filosófico.

Pelos relatos acima, podemos afirmar, que neste século, não teve um Irmão que deu e prestou tantos serviços a Maçonaria Brasileira, quanto o Irmão ÁLVARO PALMEIRA :
· Colou os graus máximos nos Ritos: Francês, Escocês e Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos.
· Foi Conselheiro Federal da Ordem.
· Foi Presidente da Poderosa Assembléia Legislativa Federal.
· Foi Grão Mestre Geral Adjunto, e Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil.
· Fundou a Grande Loja do Brasil, uma Potência Simbólica.
· Fundou o Grande Oriente Unido, outra potência Simbólica, onde foi Grão Mestre Geral.
· Ocupou todos os cargos de destaques na Estrutura Maçônica Brasileira.
· Implantador vitorioso do ” RITO BRASILEIRO “, que se constitui hoje, após 34 anos, no segundo Rito mais praticada no Brasil, estruturado em todos os Estados da Federação.
· Recebeu do Soberano Supremo Conclave o titulo de Soberano Grande Primaz Honorário.

O GOB, homenageou o Irmão Álvaro Palmeira, dando o nome ao Templo Nobre de: ” ÁLVARO PALMEIRA “.

Esse texto foi elaborado pelo Irmão Wilian Felício da Mota – Delegado Litúrgico do Rito Brasileiro no Estado de Mato Grosso do Sul .

Capítulo Álvaro Palmeira nº 543 da Ordem Demolay
Museu Ariovaldo Vulcano – GOB – DF

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