A Iniciação Essênia

A Iniciação Essênia

“O ritual de iniciação essênia narra exatamente a história de um aprendiz que adentra pelo santuário da iniciação para encontrar o aperfeiçoamento.

Um mestre segura as mãos do discípulo imberbe e lhe diz numa noite estrelada diante das montanhas do mar Morto: Vem comigo, deixa-me conduzir-te pelos labirintos da vida, afim de que possas adquirir a sabedoria e penetrar os segredos.

Diante de nós, diz o mestre, está um caminho que vai além das escarpas das montanhas e à medida que olhamos para baixo, vemos o inferno das paixões. Lá estão os nossos defeitos, as tentações, os pecados, a indignidade e os valores negativos.

Vem comigo. Eu sou o teu mestre e devo guiar-te. Não te preocupes com as escarpas e não receies as dificuldades por¬que o caminho de quem busca a perfeição é estreito e a jornada é áspera, mas eu te conduzirei em segurança.

Empurremos a primeira porta e abramo-la agora. É o acesso a alguma coisa que nos chega aos ouvidos. É um suave marulhar de águas. Escuta as águas constantes e deixa que elas lavem as imperfeições de teu corpo, as imperfeições morais de que te deves libertar, afim de te tornares um cidadão perfeito e um candidato ideal. Vê e sente as águas que passam, purificando-te.

E agora, que já tens a alma e o corpo lavados, vem. Vê nesta estrada as labaredas que crepitam de cima para baixo, debaixo para cima e nas laterais. Não as temas. Vem comigo e atravessa-as, porque elas irão purificar-te, queimando aquele resíduo que permanece na tua inferioridade, pois é necessário adquirir a pureza para conhecer melhor o Supremo Arquiteto do Universo.

Agora que as labaredas te purificaram, atravessa esta outra porta. Vem com entusiasmo e rasteja, permitindo que teu corpo sinta o contato da terra. Fá-lo rastejar, para que a beleza do barro de onde ele veio, te dê dignidade de viver.

Levanta-te agora. Ousa abrir a porta que está diante dos teus olhos e escuta. Sopra um vento suave que vem do oriente. Sente este vento.

Acabaste de passar pelos quatro elementos essenciais da vida. Agora vem um pouco mais, abre a porta do imenso salão, adentra-o e aparecerá diante de ti o touro vermelho das tuas paixões inferiores. Elas podem ser chamadas de egoísmo, cobiça, sensualidade, vulgaridade, ambição e ódio. Vê e doma o touro das paixões, pois se não comandares a ti mesmo não serás digno de comandar ninguém.

Quem não se conhece não identifica a sua inferioridade e jamais compreenderá os problemas alheios. Vem, vence o touro, atira-te sobre ele, arrebenta-lhe os cornos poderosos, esmaga-o e agora deixa-te embalar pela melodia que te chega. Ela sai do salão de onde jaz o touro bravio.

Abre a próxima por¬ta, entra e escuta a ninfa. Ela tem nas mãos uma harpa e tange-lhe as cordas. É uma música sublime, plena de harmonia que te invade a alma. É impossível viver sem trazer na alma a presença da harmonia.

Agora que já te purificaste e que já venceste o touro das paixões, avança. Vem ainda comigo. Faltam muitos caminhos a percorrer. Abre outra porta e verás à tua frente duas crianças que brincam. Uma delas têm nas mãos um globo terrestre, que tenta segurar e a outra que têm mãos travessas, tenta chutá-lo com os pés. Essas duas crianças são Éros e Anteros. Éros é o amor santificado, é o amor fraternal, é o amor que sabe repartir. Anteros é o amor mediato, é a paixão insensata, é o desejo corruptível. É necessário que te alies a Éros ao invés de Anteros, porque este significa as tuas paixões inferiores.

Agora que já tens a harmonia e o amor na alma continua comigo. O corredor é menos estreito e está iluminado. Abre a porta de um novo salão. Entra e verás agora duas ninfas. Uma tem uma balança nas mãos e tem os olhos vendados. Esta ninfa representa a vida, as ambições terrenas, a justiça terrena, a fragilidade da conduta humana. Em um prato da balança foi colocada a corrupção e no outro a graça e vê como o homem se torna indigno. É assim a vida.

Mas a outra ninfa, que também sustenta uma balança, não tem venda nos olhos. O fiel da balança está perfeito. De um lado estão as causas e do outro lado estão os efeitos. É o carma. Cada um vive conforme os seus próprios atos e cada um realiza a sua jornada de evolução, conforme as suas próprias possibilidades. Observa o fiel da balança. Ele é o cinzel que trabalha as imperfeições humanas.

Agora tu já tens a harmonia, já tens o amor, a justiça, mas ainda te falta percorrer alguns passos.

Dá-me a tua mão. Estás quase preparado para o encontro. Avança comigo, abre a grande porta deste novo salão e defronta a esfinge que está no centro dele. Observa-lhe a cabeça, os flancos, as garras e as asas, e então compreenderás, que a cabeça da esfinge significa o saber, seus flancos taurinos, o querer e o poder, as garras leoninas, o desejo de dominar acima de tudo e as asas de águia têm o significado extraordinário de tranqüilizar e calar, pois, somente quem sabe pode, somente quem pode consegue, e aquele que consegue é quem logra governar, se souber calar. É necessário acima de tudo silêncio para bem governar. Vê bem, a esfinge está domada.

A Trena de seu corpo dominou o carro de sua vida. Deixa que ela saia disparada pelo último caminho e vá na direção daquele templo soberbo de colunas de ouro e de mármore trabalhado. Deixa-te arrastar, vamos, a esfinge já partiu e no carro da vida, chega¬mos à porta do templo da libertação, vislumbramos dois lances de escadas, um deles é constituído de quatro degraus que simbolizam a fortaleza, prudência, temperança e a perseverança.

Porém do outro lado a escada tem apenas três degraus, a esperança, a caridade e a fé, nota bem que a caridade está no de¬grau intermediário, mas a fé está diante da porta. Bate que se te abre, empurra que se te dá acesso, pede que te será dado. Entra agora e deslumbra-te. Lá dentro do santuário está Ísis, a deusa despida e velada. Lembra-te que é necessário olhar esta mulher com olhos de ir¬mão. Senta-te ao seu lado e dá-lhe a mão. Ísis é a sabedoria, deixa-te conduzir por essa sabedoria que te penetra e verás que ela tem nas mãos o símbolo de Osíris, o falo divino como se fosse um bastão para te dar a perfeição e o conhecimento.

Agora que tu és detentor da harmonia, do amor e da justiça, que decifrastes a esfinge, que sabes quais são os enigmas da vida, que podes sentar-te ao lado de Ísis sem cobiça sexual, tu já não és mais um discípulo, tu és um mestre e tens sobre ti a proteção do Arquiteto do Universo. A partir de agora, és como uma Coluna Sagrada que vem do oriente, para apoiar a humanidade aturdida.
Assim rezam as velhas tradições das iniciações simbólicas essênicas, que, segundo historiadores, teriam passado para a posteridade de boca a ouvido, pelos sete sacerdotes que sobreviveram ao desaparecimento da Essênia”.

Divaldo Pereira Franco



Total de leitores: 573. Leitura diária: 1. Total de visitas: 2.920.255
mm

About Ivair Ximenes Lopes. Ivair Ximenes

Deixe seus Comentários

Seu comentário é muito importante. Com ele tomamos iniciativas úteis.


Deixe seus Comentários (rede social)