Jacob’s Dream (Sogno di Giacobbe), 1600s, Circle of Domenico Fetti (Italian Baroque Era Painter, ca.1589-1624), oil on canvas, 81.4 x 61.1 cm (32 x 24 in.), The Cleveland Museum of Art, Cleveland, Ohio, USA. Large size here. Sometimes attributed to Bartolomeo Schedoni (Italian Baroque Era Painter, 1578–1615).

A Escada de Jacó

A Escada de Jacó

Segundo a Bíblia, Jacó, “Tendo chegado a certo lugar, e, querendo nele descansar depois do sol posto, tomou uma das pedras que ali estavam, e, pondo-a debaixo da cabeça, dormiu naquele mesmo lugar. Viu em sonhos uma escada posta sobre a terra, cujo cimo tocava o céu, e os anjos de Deus subindo e descendo por ela e o Senhor apoiado na escada, que lhe dizia: Eu sou o Senhor; darei a ti e à tua descendência a terra em que dormes. Eu serei o teu protetor para onde quer que fores, e não te abandonarei, sem cumprir tudo o que desse”.

No painel da Loja de Aprendiz está presente a Escada de Jacó.

A escada tem muitos degraus, os quais indicam as virtudes por cuja prática temos de ascender até a perfeição simbolizada pela estrela, no seu ápice.

Os degraus da escada partem das profundidades e alcançam as alturas. A casa do Grande Arquiteto tem muitas moradas, muitos níveis e lugares de descanso para as suas criaturas, dentro da suas diferentes condições e graus de processo. Esses níveis, planos e sub-planos, estão simbolizados pelos degraus da escada. Eles retratam três planos do mundo que se reproduzem no homem: o plano físico, o emocional e o mental. O primeiro corresponde à sua matéria física ou corpo sensório; o segundo, à sua natureza emocional ou de desejo, que resulta da interação entre seus sentidos físicos e a sua mente ultra-física; o terceiro, o plano mental, corresponde à sua mentalidade, que está ainda mais afastada de sua natureza física, e forma o laço entre esta e o seu ser espiritual.

O universo e o homem estão constituídos à maneira de uma escada, numa ordenada série de degraus. Há dois movimentos por esses degraus: a substância única, símbolo do universo, “desce” do estado de extrema sutiliza, por sucessivas etapas de densíficação, até chegar à mais grosseira materialidade; e depois “ascende”, por análoga gradação de planos, ao seu ponto de origem, mais enriquecida com as experiências acumuladas no processo.

Foi esse processo cósmico o objeto da visão ou sonho de Jacó. O que ele sonhou ou contemplou, com visão supra-ciente, pode igualmente ser hoje percebido por quem tenha abertos os olhos internos.

Todo verdadeiro iniciado obteve uma ampliação de sua consciência e de suas faculdades, a qual, em algumas circunstâncias, pode capacitá-lo para contemplar os mundos sutis revelados aos patriarcas hebreus. E tão espontaneamente quanto é possível, ao profano, ver, com seus olhos corporais, os fenômenos do mundo material.

Através da Escada de Jacó, o iniciado pode contemplar a grande escada do Universo, com o mecanismo da involução, diferenciação, evolução e re-sintetização, que constitui o processo da vida.

Dá-se a descida das essências, ou almas humanas, através de planos de crescente densidade e decrescente medida vibratória; descem revestidas de véus de matéria peculiar a cada plano, até que por fim alcançam o nível de sua completa materialização.

É quando se dá, então, a acérrima luta pela supremacia entre o homem interno e o externo, entre o espírito e a carne, entre o verdadeiro ser e o ser ilusório. A batalha tem que ser travada no tabuleiro de xadrez de nossa atual existência, entre os opostos, brancos e negros, da luz e das trevas.

Igualmente, pode o iniciado observar o ascendente retorno daqueles que venceram na luta, conseguiram sua regeneração, transmutaram os bens terrenos adquiridos durante a sua descida, e chegaram à sua fonte, puros e incontaminados das misérias deste imperfeito mundo.

Na escada há três emblemas; uma cruz, uma âncora e um cálice com uma mão estendida, em atitude de alcançá-lo. São as três virtudes principais: a fé, a esperança e a caridade.

À medida que cada um sobe, no seu feliz retorno, pela Escada de Jacó, tem de subir sozinho. Entretanto, como as tradições secretas ensinam, e dentro do que significam os braços da cruz, cada um tem que estender as duas mãos; uma, para alcançar os protetores invisíveis, de cima, e a outra para ajudar os irmãos débeis a subirem, de baixo.

Cada vida e todas as vidas são fundamentalmente uma só e ninguém vivem para si, sozinha.

M.’.M.’. Milo Bazaga
GLMMG – REAA



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