20 de Agosto, dia do Maçom.

20 de Agosto, dia do Maçom.

ANTECEDENTES

Esta data nos faz voltar o pensamento ao aspecto histórico de nossa Pátria, que está estreitamente ligado ao de nossa Ordem, principalmente, nos movimentos que levaram à nossa emancipação política, numa época em que a Maçonaria era a única via de transformação, a única via em que podia florescer um movimento de libertação tanto no Brasil, como na América.

Não entraremos aqui na questão sobre qual o verdadeiro dia do maçom no Brasil, posto que isso traria apenas um acerto de datas, quando muito. E a data que nos interessa, neste momento, é aquela que permite a existência de um dia dedicado, ao Maçom, não importando para sua comemoração se ele está situado no início ou no fim do calendário ou no fim ou no início de um determinado mês.

Sabemos de duas versões que circulam na Maçonaria Brasileira. A oficial, que é a que hoje comemoramos: 20 DE AGOSTO; e a versão de vários historiadores maçônicos e não-maçônicos, que variam entre 9 e 12 de setembro. Deixemo-las aos historiadores.

A MAÇONARIA NA HISTÓRIA DO BRASIL

Como dissemos anteriormente a História da Maçonaria está estreitamente relacionada com os movimentos de libertação na América e em nossa Pátria.

Traçaremos rápidas pinceladas a respeito dessa História da Maçonaria, já sobejamente sabida por todos nós, apenas para nos dar uma seqüência lógica do pensamento sobre a ação da Maçonaria em nosso País.

A Maçonaria tem participado dos movimentos de libertação havidos no Brasil, como Instituição e, na maioria das vezes, através dos seus obreiros.

Vamos encontrar a marca dos maçons e consequentemente da Maçonaria, na Inconfidência Mineira, na Revolução Pernambucana de 1817, na Independência do Brasil, na Confederação do Equador, na Guerra dos Farrapos, na Questão Religiosa, na Abolição da Escravatura, na Proclamação da República, dentre outros movimentos libertários.

Esse passado deve relembrar para nós, maçons do presente, um trabalho que o momento histórico exigia e que a Maçonaria, os maçons propriamente dito, dentro dos princípios gerais de nossa Instituição, mormente na América, o fizeram e que os registros históricos, maçônicos ou não-maçônicos, confirmam a passagem dos maçons pelas páginas do labor pátrio em prol da Liberdade.

Desse passado de nossa Ordem, que hoje revemos em rápidas pinceladas, devem ficar as lições que utilizaremos no presente, não como uma pura repetição do passado, mas no que for possível historicamente transpor, quer através da memória coletiva ou através de atividades organizacionais que passam pelo tempo e continuam no tempo, relativizando.

Cada momento histórico reflete a Maçonaria daquele período cultural, posto que como uma organização e como um ideário, ela se amolda aos contornos sociais da época e aí cumpre o seu papel; como ideário, ela atravessa a noite dos tempos e faz renascer a cada aurora, os sentimentos que fazem dessa organização, que tem por divisa a LIBERDADE, a IGUALDADE e a FRATERNIDADE, uma presença constante em todos os quadrantes da Terra, literalmente falando, constituída teoricamente por todas as camadas sociais e organizada como a conhecemos hoje, desde o primeiro quarto do século XVIII.

AS MAÇONARIAS

O que é a Maçonaria?

Várias respostas tem sido dadas a essa pergunta. Uma das definições muito usadas diz que “A Ordem Maçônica é uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram irmãos entre si e cujo fim é viverem em perfeita igualdade, intimamente unidos por laços de recíproca estima, confiança e amizade, e estimulando-se uns aos outros na prática das virtudes”. Outra bem simples diz que “É um sistema de moral, velado por alegorias e ilustrado por símbolos”.

A oficial diz que “A Maçonaria é uma Instituição essencialmente iniciática, filosófica, educativa, filantrópica e progressista. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da Humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins supremos são: a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade”.

A partir daí outras variantes existem para se conceituar a Maçonaria. Nicola Aslan citando Luiz Umbert Santos, autor de “El Ara de los juramentos masónicos”, diz: “A Maçonaria, meus Irmãos, é estudo, estudo e estudo… . Os Maçons têm o dever de estudar para estarem em condição de investigar a Verdade e aprofundar os mistérios de nossa augusta Instituição…”.

Essa Instituição a que pertencemos, e por pertencermos a ela somos chamados de maçons, tem uma gama de possibilidade de realizar o homem dentro de um conceito teísta, que nos leva a crer num Ser superior, o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, que é Deus e que, dentro de uma visão universalista, é capaz de abrigar todos os homens livres e de bons costumes.

Mas, a Maçonaria é única no mundo enquanto estratégia de ação?

Sabemos que a Maçonaria enquanto princípio, filosofia e ideário é uma só; mas enquanto estratégia de ação é multifacetada.
João Nery Guimarães no prefácio da obra que traduziu de Johann Gottlieb Fichte – FILOSOFIA DA MAÇONARIA – diz que: “Para se entender a Maçonaria, através de seus escritores, é preciso inicialmente compreender que, basicamente, existem três maçonarias: a inglesa, de cunho nitidamente tradicionalista, observadora rigorosa de rituais, imutável nas suas formas consagradas pelo correr de três séculos, e que, transportada para os países de formação e língua inglesa, manteve a mesma índole praxista em sua vida íntima e o mesmo comportamento perante o mundo não-maçônico; a francesa, que embora de origem britânica, cedo sofreu profundas alterações, ditadas pelas condições do meio em que se desenvolveu, adquirindo uma feição intensamente latina, e que se espalhou pelo mundo e se tornou conhecida principalmente pela sua ação política, social e religiosa, e à qual estão filiadas espiritualmente a Maçonaria brasileira, a portuguesa, a italiana, a espanhola, a romena, e as de todos os países hispano-americanos; e por último, a alemã, também de procedência inglesa, mas que sofreu a marca do espírito germânico, mais propenso às especulações metafísicas“.

Ele ainda diz que: “… A Maçonaria é uma instituição universal, com pontos comuns e idênticos em qualquer país onde viceja e daí a convicção que têm os seus adeptos de constituírem uma vasta irmandade sobre a face da Terra”.

Eis o esboço que mostra o esquema relacional no qua1 está constituída a Maçonaria, cuja complexidade somente pode ser vista dentro deste conceito de multiplicidade, a partir da sua conceituação e passando por sua estratégia de ação.

O MAÇOM E SEU PAPEL HOJE E AMANHÃ

Vimos anteriormente a ação da Maçonaria e dos maçons no torvelinho da História, maçônica e não-maçônica. Vimos também variadas concepções de Maçonaria, todas dentro do princípio de que ela é uma Instituição que contribui de fato para o aperfeiçoamento do homem. Vimos os matizes estratégicos utilizados pela Ordem para cumprir o seu papel em determinadas latitudes, alguns carregados das cores vivas da ideologia libertadora.

E hoje, 2000, às vésperas ou já no terceiro milênio, à época da cibernética, da internet e do teleprocessamento de dados via satélite, que aproxima as antenas dos satélites às antenas das televisões e aos computadores domésticos, mas que nem sempre aproxima os homens, embora os contornos de seus rostos, as suas expressões de alegria, contentamento, sabedoria e dor, sejam vislumbrados por um número cada vez maior de pessoas, onde a aldeia global é uma realidade e os fatos que ocorrem nessa aldeia são vistos imediatamente por milhões de pessoas, qual é o seu papel?

A Maçonaria está declinando? Ela não influencia mais na vida sócio-política do País?

O nosso entender é que a Maçonaria como qualquer instituição contemporânea está passado por um momento de transição. Toda a sociedade contemporânea está. E essa é a melhor hora de encontrarmos o nosso caminho, a hora certa de darmos os contornos de nossa Instituição e de nós próprios, de tal maneira que o seu ideário seja preservado, visto que ele é uma das razões de sua sobrevivência, e possamos nos sentir úteis e participantes ativos do processo de desenvolvimento de nossa terra, de nossa gente e de nossa Instituição.

O maçom pode influir na vida diária de sua família, de seus amigos, de seus vizinhos, de sua cidade, de seu Estado e de seu País, utilizando o ideário maçônico como o corolário de sua vida não-maçônica e maçônica.

Esse ideário que faz com que, nas Lojas Maçônicas, estejam na mesma coluna, o mais alto personagem da sociedade e um representante da parcela mais modesta dessa mesma sociedade, ambos cingindo o mesmo avental, que reveste todos os maçons, independentemente de seus graus e qualidades.

E esse ideário, em seu aspecto mais factível, está expresso na trilogia que é a sua divisa – LIBERDADE – IGUALDADE – FRATERNIDADE, pois se praticarmos o exercício da liberdade, seremos livres para progredirmos, para crescermos e contribuirmos para que os outros, ao nosso derredor, também cresçam; se praticarmos o exercício da igualdade, ele nos permitirá um avanço enorme no relacionamento interpessoal, que por conseqüência, gerará uma forma de atuação em todos os níveis, onde, cada um de acordo com as suas aptidões e capacidades, pode contribuir na construção do homem-maçom e do mundo maçônico, pois somos todos obreiros da paz; e, se praticarmos o exercício da fraternidade, a nossa Instituição será unida e forte, pois o seu pressuposto basilar é o de considerar todos os maçons como irmãos, e a fraternidade é o veículo maior que proporcionará o soerguimento da Ordem, como já o foi no passado, como deve ser hoje e necessariamente, como deverá ser amanhã.

As nossas decisões no mundo não-maçônico devem refletir o ideário maçônico, pois assim estaremos contribuindo para o engrandecimento de nossa Ordem e ao mesmo tempo dando um contributo ao Estado onde a Providência nos colocou, vazado no mais puro e real patriotismo.

O papel do maçom numa sociedade moderna, ultra especializada e altamente tecnológica, é o que propõe o nosso programa de trabalho: usar a ciência e a tecnologia, que nos proporcionarão novos recursos e formas de realizarmos as tarefas diárias, sem nos afastarmos um milímetro de nossas tradições: morais, intelectuais, culturais, ritualísticas e esotéricas; cabe ao maçom no mundo não-maçônico a busca dos paradigmas, tão reclamados pela sociedade hodierna, que possam determinar a ética das relações Homem-Tecnologia, Ser-Máquina, pois assim estará contribuindo para que as grandes conquistas científicas e tecnológicas, possam servir aos objetivos traçados pela nossa Ordem, que busca a felicidade e a paz da Humanidade; que as máquinas não desumanizem o relacionamento humano, mas que possam ser ferramentas que auxiliem o progresso da Humanidade. Cabe ainda ao maçom, lutar para que as conquistas científicas e econômicas possam contribuir para o equilíbrio social, através da divisão fraternal dos bens sociais. E enfim, pugnar para que a cada um, dentro de suas capacidades, sejam dadas as oportunidades de alto-realização e do exercício consciente da cidadania, através de um processo educacional da consciência dos direitos e deveres da pessoa.

O nosso papel na Ordem, nesse limiar de terceiro milênio, pode ser desempenhado das mais variadas formas: do dedicado estudo e pesquisa dos aspectos esotéricos e iniciáticos; da busca incessante da compreensão de nosso papel social, orientada seguramente pela experiência do passado; até à prática desinteressada da filantropia, que procura minimizar a cruel desigualdade social de nossos dias.

Várias atitudes poderão ser utilizadas para contribuirmos com o início de uma tomada de posição, quanto ao atual estado de coisas que reina na Ordem Social de nosso País.

Por exemplo no campo cultural, (onde a Maçonaria atua de duas formas: – exogenamente, através das escolas ao longo de todo o território nacional, onde os seus adeptos levam o ideário maçônico para as salas de aula, do pré-escolar a universidade; e, logicamente, também pela educação endógena, a cultura maçônica pode ser vivenciada em toda a sua plenitude nas Lojas Maçônicas, as células mater da Ordem, onde o quarto de hora de estudo, ou o tempo de estudo, é a prova maior disso, e também nos setores culturais das Organizações Para-Maçônicas em todo o mundo), nós podemos desenvolver um programa de ação cultural através das Lojas e das Organizações Para-Maçônicas com a realização de Mesas Redondas, Simpósios, Congressos, Seminários; através da publicação de artigos em periódicos, como jornais, revistas e livros, e do uso da Internet, que permitam levar aos não-maçons a Ordem e o seu ideário, logicamente, dentro de sua realidade sócio-histórica, visto que da realidade esotérica e iniciática, somente os iniciados, tem condições reais de saber.

No campo filantrópico, onde nossa Ordem vem operando através dos CLUBES FEMININOS das Lojas, intensificar a presença maçônica e para-maçônica na administração dos fundos de recursos sociais estatais, que levam aos mais necessitados a assistência social, buscando através da moral e da ética da Ordem, moralizar a gestão desses recursos hoje sabidamente desperdiçados e desviados. E para atingir este objetivo, intensificar a ação política da Ordem, através do apoio aos Maçons que se candidatem, exerçam ou venham a exercer cargos públicos eletivos.

E no campo da filosofia e do aspecto progressista da Ordem, qual será o nosso papel?

Em que se configurará a nossa ação no campo filosófico? Cremos que a nossa conduta ética, dentro e fora da Ordem, na senda do ideário maçônico, pode ser a resposta para essa pergunta.

E a Maçonaria será progressista em que aspecto? Cremos que um dos aspectos do progresso na Maçonaria está em fazer crescer o homem maçom a partir do momento em que ele é iniciado, desenvolvendo o crescimento individual do Homem, Ser livre, respeitado-o como livre pensador na busca incessante da verdade, a todos ela dá o direito da expressão consciente do pensamento, com a correlata responsabilidade e pelo fato de ser adepta de um sistema de valores, por muitos considerado arcaico, pois está preso a antigas tradições, mas ai está a grande contradição, “NOVAE SED ANTIQVAE”, Nova mas Antiga.
Se não fora a liberdade individual do maçom em contra ponto a manutenção das tradições da Ordem, a nossa Instituição não estaria atravessando a noite dos tempos e se fazendo presente hoje em todos os quadrantes da terra, literalmente falando. Ela nos traz algo que faz com que nos sintamos úteis e que estamos crescendo, quer seja essa percepção consciente ou não, fazendo com que alguns atinjam mais de meio século de vida maçônica.

É lógico que, no conceito crescimento, o número parece ser uma preocupação constante no mundo moderno e a Maçonaria enquanto integrante dessa sociedade não está aquém, enquanto prática, da análise numérica, embora ela não tenha se revelado salutar para a Ordem. E um fato que temos de conviver com ele, fazendo contudo um trabalho para que o objetivo numérico não supere a tão almejada qualidade de nossos quadros. A nossa meta tem que ser a qualidade, logicamente dentro das necessidades atuais da Ordem. E em nós, os padrinhos reais e potenciais, está a maior parcela de responsabilidade neste porvir maçônico. É nosso entender que o número futuro deva ser tal que possibilite o crescimento da Instituição não apenas em quantidade, mas também em qualidade, aquela qualidade que torna a Instituição respeitável, como é ainda hoje junto ao mundo não-maçom, no uso de recursos públicos, nos trabalhos filantrópicos, etc.

 

Mas, afinal qual é o papel futuro da Maçonaria, qual o papel do Maçom no mundo de amanhã?

Pelo que foi aqui exposto, cremos sinceramente, havermos levantado o véu que encobre os contornos do projeto que nos levará a uma ação eficaz e à efetividade de nosso trabalho no terceiro milênio, portanto é hora de ação, é hora de agirmos se quisermos a presença maçônica nos próximos milênios.
Que esse DIA DO MAÇOM, seja um dia de reflexão ativa, um dia de repensar para agir, sobre o que realmente estamos fazendo em prol de nossa Ordem e como poderemos a partir de hoje, contribuir para a sua melhoria.

Esse agir cabe a nós, que tivemos o privilégio de termos tido antepassados que nos legaram a Ordem na qual estamos. É, no mínimo, exigido de nós, que deixemos para as gerações futuras, uma Maçonaria na qual elas também possam ver a Luz.
As ferramentas básicas nós as temos: uma Instituição eclética e universalista que abriga os mais variados matizes do pensamento humano e uma gama de homens “livres e de bons costumes”. Essa condição não a encontramos facilmente nas outras organizações que permeiam o organismo social.

Eis meus Irmãos, a nossa pequena contribuição, para que façamos uma reflexão ativa sobre o nosso dia e o nosso papel de maçom, na Maçonaria e fora dela.

Meditemos a respeito de nosso futuro e peçamos ao Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, as luzes necessárias para encontrarmos o caminho, como obreiros da paz que somos, nesse mundo repleto de violência.

Os contornos do plano de nossa ação estão na e para a Ordem, na e para a sociedade e são os mesmos contornos do templo interior que deveremos construir como maçons e que nos é lembrado semanalmente pela fórmula litúrgica” … construir templos à virtude e cavar masmorras ao vício”.

Reflitamos intensa e ativamente, meus Irmãos, sobre tudo isso que hoje analisamos, trabalhando diligentemente do “meio dia à meia noite”.

Eduardo Gomes de Souza – Grão-Mestre Adjunto do GOERJ.

Grupo HUMANA – A insolência da Razão em busca da Verdade!



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